Notas iniciais
Pelo visto sempre vai ter intervalo de um bom tempo entre um capítulo ou outro. De semanas, meses ou anos. Eu estou tentando deixar isso claro, mas não sei se está de fato ficando. De qualquer forma, eu espero que não esteja muito confuso. E agora as coisas vão começando. Amo tanto o Fidds, gente ♥

Fiddleford criou uma maquina. Uma maquina capaz de livrá-lo de todas aquelas memórias. Mas ele simplesmente não tinha coragem. Talvez em um aspecto ou em outro fosse verdade: Era um covarde. Não conseguiu, em momento algum, testá-la. Todas as vezes que a tinha em mãos, que cogitava a hipótese de puxar aquele gatilho lembrava-se de tudo. De Stanford, que estava agora perdido, em algum lugar terrível. Isso se ainda estivesse vivo, embora pudesse imaginar que, dependendo das circunstancias, a morte talvez fosse uma opção mais agradável. Lembrava-se dele, mas, principalmente, de Stanley. A dor que havia visto em seu olhar era palpável e havia a sentindo também. Uma tristeza imensurável e chegou a se perguntar se um dia conseguiria esquecer aquilo. Mesmo se usasse a maquina, se ela funcionasse. Será? Aquele olhar havia ficado gravado em si. Stanley estava tão arrependido, tão sozinho, tão infeliz. Ele estava desolado. Precisava da sua ajuda. Assim como Stanford. Pelos céus, não queria nem imaginar os horrores que o pesquisador estaria passando. Ressaltou mais uma vez, para si mesmo, “se estivesse vivo”.

Os anos foram passando, arrastados pelo tempo, como se fossem pesados demais para caminharem sozinhos. E sentia que aquilo o perturbaria para sempre, embora estivesse conseguindo. Estava indo bem. Aquilo de apagar a memória havia sido guardado. E esquecido da maneira mais natural que era possível. Às vezes a ideia voltava, isso quando os flashes vinham fortes demais ou havia tido pesadelos perturbadores demais. Mas então o rosto de Stanley tomava conta de sua memória e, como um fantasma, que também o assombrava, fazia com que perdesse toda a coragem para abrir aquela gaveta e puxar aquele gatilho. Porque o olhar que havia visto naquele rosto era mil vezes mais pesaroso que o seu. Mil vezes mais. Stanford havia feito como sonhara: atravessara o portal. Fiddleford só não podia afirmar se havia encontrado o que esperava. E agora o irmão sentia como se fosse sua culpa e tentava, desesperado, trazê-lo de volta. Tantos anos depois... Como estaria Stanley?

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As coisas não estavam indo tão mal. Não como já haviam ido. Se Stan fosse parar pra pensar, estava bem como nunca estivera. Apesar dos apesares. Estava vivendo. E vivendo relativamente bem. E quem diria que ser mentiroso pagava bem, afinal? Bem, o Barraco Louco era a prova disso. Porque agora ele tinha um lugar fixo para dormir e dinheiro para comprar comida. Não era mais sobreviver, como havia sido desde que fora colocado para fora de casa. Mesmo com tudo e com todas as noites que passava em claro, toda a preocupação que o consumia e tudo que aquilo acarretava e do que vinha ser a origem de tudo aquilo, pela primeira vez, ele estava vivendo.

Contudo, não podia se dar o luxo de perder o tempo aproveitando isso. Mesmo com tudo, ainda não tivera um único progresso na busca por Stanford. Não entendia nada de como aquele maldito portal funcionava, por mais que tentasse, que se esforce, por mais que estudasse. Mesmo tendo começado a sentir que estava no caminho certo ainda não conseguia dormir, aproveitando o tempo que as noites em claro lhe garantiam para se aprofundar mais e mais. Não iria desistir. Por Stanford.

{...}

Foi uma surpresa quando chegou enfrente a casa de Stanford, que agora parecia uma cabana de entretenimento barato. Algumas placas ao seu redor, um tumultuado de pessoas lá dentro. O que estava acontecendo? Mas, talvez mais importante que isso tudo: Por que havia vindo? Não estava mais conseguindo se enganar, afinal: Não podia mais viver com esse fardo, De não ter ajudado Stanley, de tê-lo abandonado, sem mais nem menos, sem justificativas que o outro pudesse entender. Talvez ele jamais pudesse compreender, mas sentia que mal havia se esforçado e que, de alguma forma, devia-lhe satisfações. Sonhava com aquele olhar magoado todas as noites. Ele podia ajudá-lo! E era o porquê de estar ali, completamente disposto a fazê-lo, fossem quais fossem as consequências. Só esperava que Stanley não tivesse mudado de ideia. Ou, que pior que isso, fosse, mais uma vez, tarde demais.

Quando entrou no lugar ficou ainda mais confuso, sem saber o que pensar. Céus, o que estava acontecendo? O ambiente, as pessoas, aparentemente comprando coisas estranhamente fajutas que estavam espalhadas pelo lugar ... Aquilo tudo era... E era Stanley que estava vendendo! E administrando aquilo tudo, pelo visto. Atrás de um balcão, operando uma caixa registradora, uma grande fila a sua frente. Ele não havia mudado muito. Parecia alguns anos mais cansado, mas agora tinha um sorriso radiante no rosto. Aquilo de comerciante, porque seus olhos traiam a maneira como ele sorria e aquilo não havia conseguido enganar Fiddleford, quer tentou aproximar-se dele, ouvindo algumas pessoas dizendo para que não cortasse fila. Quando conseguiu chegar ao seu lado, atrás do balcão, Stanley virou-se para ele e deu um sorriso radiante, aliviando e a amargura de alguns anos no seu frágil coração. Mas,enfim o reconhecendo, fez uma careta emburrada, voltando-se para a fila, atendendo o próximo cliente.

— McGucket. – Cumprimentou. – O que faz aqui?

— Eu vim...

— Não aguentou o remorso depois desses anos todos? – Alfinetou.

— Stan, por favor... Eu estava errado, eu vim ajudar... – O barulho era alto demais para uma conversa civilizada, o que o fez lembrar que aquilo tudo não era normal. – O que está acontecendo aqui...?

— É o Barraco Louco. Tive que arrumar um jeito de me manter, não é? – Ele não parou de operar o caixa enquanto conversavam, sorrindo para os turistas, emburrando-se para Fiddleford. – Até conseguir trazer o meu irmão de volta... Não tem como eu deixar esse lugar.

— Ohh, Stanl...

— Ei! – Um dos turistas disse animado, um pouco mais alto que os outros. – Aquele não é Stanford Pines, o Senhor Mistério?

— “Senhor Mistério”? Gostei disso! – Cutucou Fiddleford com o cotovelo. – Acha que devo me caracterizar, McGucket?

— Stanley, você...! – Stan tapou-lhe a boca com uma das mãos, trazendo-o para perto com a outra, quase o abraçando. Aquele mesmo turista aproximou-se com uma câmera grande.

— Sorria para a foto, Senhor Mistério! – E ele sorriu, aquele sorriso largo e entusiasmado, levantando o polegar para a câmera e soltou Fiddleford logo após o flash. O turista se afastou, conversando animado com o seu filho, que havia desenhado um bigode no rosto com um canetão. – Gente esquisita. – Comentou Stan.

— Você roubou o nome do Stanford?!

— E você esperava que eu fizesse o que? – Os turistas continuavam fazendo filas e compras, Stan não deixou de registrar nenhum item. – Agora shh, não estrague tudo. E se só vai ficar ai parado pode dar o fora. Eu tenho muitas coisas pra fazer.

— Stan... Ford. – Fiddleford colocou a mão no ombro do outro, que o observou de relance, o olhar curioso. – Foi eu erro. Eu vou te ajudar. Vamos encontrá-lo. Eu prometo. – Finalmente parando de operar a maquina registradora, o outro pousou o olhar sobre ele, avaliando-o por alguns segundos. E então sorriu comovido. O coração de Fiddleford se acelerou por alguns segundos, batendo um pouco descompassado, admirado com como aquele sorriso era quente e acolhedor. Então o sorriso mudou de acolhedor a maroto, não deixando de ser encantador, mas agora parecendo já tão típico. Passou um dos braços sobre os ombros do novo amigo, trazendo-o para perto, entusiasmado.

— É assim que se fala, Fidds! – Soltou-o e voltou para o caixa. – Agora vamos, não fique ai parado, o Barraco Louco não vai se administrar sozinho! – Fiddleford riu e “mãos a obra”! Fazia parte de algo agora. De algo grande, novamente. Mas dessa vez, para seu contentamento e eterno alivio, apesar de todos os avisos, estava com um bom pressentimento.

Notas finais
Obrigado por ter lido até aqui ♥ Sério, acho que eu ainda não tinha me divertido assim escrevendo alguma coisa. É que Fidds é tão ternura e amor e ofecwvbjkd caodifncdldpq. É isso~ Um obrigado especial para quem está acompanhando, vocês são uns amores =3=