Apreciação Perpétua
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Administrar o Barraco Louco era um pouco mais complexo do que Fiddleford achava que seria, mas não tinha nada a ver com o fim do mundo.
Começou a trabalhar com Stan. Ajudava no que ele precisava e ficava completamente abismado com como ele conseguia ser um completo charlatão e enganar e persuadir as pessoas. Ele tinha todo aquele carisma e isso definitivamente acabou chamando a sua atenção. Foram se conhecendo aos poucos, e era inevitável não ficar cada vez mais impressionados. Encantado, talvez ele tivesse usado na definição. Mas ele tentava não se aprofundar. O Barraco Louco estava crescendo e conseguiam pagar a hipoteca sem problemas. E todas as outras contas de Stanford. E as próprias, que acabaram criando. A criatividade de Stanley atravessava qualquer barreira que Fiddleford havia imaginado conhecer. Mas ele não era uma má pessoa. De fato, essa era a única coisa que ele poderia ser.
Cada dia mais e mais turistas vinham visitar o lugar. Dava até a impressão que aquilo seria um ponto turístico algum dia. Durante quase toda a noite, todas as noites, trancavam-se no porão, estudando, tentando arrumar um meio de trazer Stanford de volta. Algumas vezes o humor de Stan não mudava, isso quando ele não se deixava abalar. Outras acabava deprimido demais pelos cantos, ou frustrado. Mas voltava a ser o “Senhor Mistério” pela manhã. Fiddleford deixava os turistas com ele, que tinha um dom carismático único. Ele ficava mais com a parte da arrumação e disposição de tudo, tirando o tempo livre para ler o Diário e ir comprar o que comer para eles. O negocio estava crescendo.
Um bom período passou. Algumas vezes algumas estações. Stan já estava levando mais a sério a ideia de se caracterizar como “Senhor Mistério”, de uma forma ou de outra. E já sabiam um pouco mais um sobre o outro. Para Stan, Fiddleford não parecia só um amigo esquisito e nerd do seu irmão e para ele Stan não era só um rosto familiar ao de Stanford.
O inverno chegou mais uma vez. Congelante, como de costume, embora um pouco menos rigoroso que nos anos anteriores. A movimentação diminuía essa época do ano, mas não era algo relativamente exagerado. Ainda conseguiam pagar as dividas e alguma coisa sobrava, vez ou outra. As pesquisas não estavam indo tão bem, o progresso sendo quase inexistente. Mas não era pela neve que deixariam de trabalhar fundo nisso.
A noite estava fria e a neve cobria grande parte de tudo visível. Era o dia menos frio desde que o inverno começara, quase chegando a ser algo acolhedor. Fiddleford estava sentado no alicerce dos fundos, admirando a paisagem depois de um dia cansativo. Que não havia terminado ainda, certamente. Logo se juntaria a Stan, que já devia estar no porão, empenhando-se em reativar o portal. As tentativas eram sempre falhas, embora completamente válidas. O Barraco Louco não havia funcionado hoje. Embora o frio fosse pouco a neve era muita e o acesso ao lugar era quase impossível. Mas haviam tido algum trabalho. Algumas mudanças estavam por vir. Grandes, pelo que aparentavam.
Ouviu a porta atrás de si sendo aberta e sorriu. Pelo visto ele ainda não havia se trancado no porão. Havia esquecido, por meio segundo: Era Stanley, não Stanford. E trabalhar com ele não era tão ruim, no final das contas. Apesar de todos os seus defeitos e o fato dele ser um charlatão, era bem mais fácil de lidar do que o irmão. Ele tinha uma gentileza peculiar quando se tratava de Fiddleford. Era bom trabalhar com ele.
— Ei, nerd. – O “Senhor Mistério” sentou ao seu lado e entregou-lhe uma caneca de chocolate quente. Sorriu, aceitando a bebida quente.
— Obrigado, Stanley.
— Eh, dia cheio, não? Mas vai valer a pena quando tudo estiver no lugar!
— Foi produtivo. – Concordou com um sorriso sutil, olhando para o conteúdo da caneca, perdendo-se nos próprios pensamentos por alguns segundos.
— Hum. – O outro bebeu um pouco do chocolate. – Você tem que parar de me chamar de Stanley na frente dos clientes.
— É o seu nome.
— Mas eles não sabem. Não vamos chegar a lugar nenhum com você os confundindo.
— Desculpa...
— Relaxa um pouco, nerd! – Stan deu um tapinha carinhoso nas suas costas, não notando sua força. – Pode me chamar de Stan. Não é tão ruim, é? – Fiddleford sorriu e negou com a cabeça, também bebendo um pouco do chocolate.
— Obrigado, Stan.
O clima estava agradável e nenhum deles aparentou pressa, então não se importaram em entrar logo. Ficaram ali por mais um tempo, falando sobre banalidades, jogando conversa fora. Com esse tempo que tinham de convivência já haviam notado que a companhia de um para o outro era mais que agradável. As vezes conversavam muito, como estavam fazendo agora, sobre tudo e nada também. As vezes apenas dividiam o mesmo cômodo, ambos em silencio, mas haviam reparado também, cada um na sua própria percepção, que o silencio entre eles não era ruim ou desconfortável. Era algo bom. Mas nunca chegaram a admitir essas coisas em voz alta. Não era como se fosse algo necessário.
—... E foi assim que eu fugi do porta-malas de um carro usando os dentes! – Fiddleford riu de leve, embora estivesse realmente comovido com mais umas das histórias que Stan fazia questão de lhe contar com grande senso de humor. Perguntava-se se ele realmente encarava todas as coisas pelas quais havia vivido uma grande piada ou se só usava o carisma todo que tinha só para disfarçar toda a dor que elas ainda o causavam. E apostava tudo na segunda. Stan já havia passado por tanta coisa...
— Ohh, Stan... – Comentou, um misto de divertido e “Eu entendo que foi difícil” tornando sua voz um pouco mais aguda. O outro sorriu e passou a fitar o nada. Muito provavelmente perdido em todas as suas lembranças. Fiddleford não pode evitar sentir-se constrangido. E ele achando que tinha problemas. Ali estava um homem que havia passado por muita coisa. Muitas pessoas não teriam conseguido. Mas ele não havia desistido. Sequer cogitado desistir. E Fiddleford era só quem estava ali, apenas sentado ao lado desse homem. Durante aquele breve silencio, só conseguiu envergonhar-se de si mesmo.
— Mas , bem, — Stan pareceu ter saído do transe e resolveu puxar assunto. Ele tinha esse habito também: Conversar. Coisa que Stanford nunca havia feito muito bem. – E você?
— Eu?
— É... Sua história, sabe... Eu sei que você me contou como você e o Ford se conheceram e que você o deixou aqui porque tudo era perigoso demais... – Fiddleford engoliu em seco. – Mas você também disse que ia apagar a memória e... Bem, aqui está você. Por que desistiu?
— Ohh... – Apoiou a caneca, há um tempo já vazia, no assoalho. Entrelaçou os dedos de uma mão na outra. – Eu pensei em você. – Stan engasgou com o resto de chocolate quente. – Não, não! Eu não quis disser assim! – Prontificou-se, dando umas palmadinhas na costa do amigo, corando forte. – É que... Eu vi sua expressão e... Você parecia tão magoado, tão machucado... Tão... Sozinho. – O outro, já respirando normalmente, baixou o olhar, o sorriso que geralmente enfeitava seus lábios desfeito. – Mas, mesmo assim tão determinado! – Acrescentou. – A encontrar um jeito, trazer Stanford de volta. Você nunca pensou em desistir, mesmo com tudo. – Fez uma breve pausa e deu um sorriso sutil, fitando a neve. – Eu não podia me deixar desistir tendo conhecido você.
— Wow... – Stan mexeu no braço, um pouco sem jeito. – Eu não sei o que te dizer, Fidds... – O menor sorriu, também meio sem jeito, principalmente pela forma como Stan o chamara.
— Tudo bem, Stan. – Tiveram mais alguns breves minutos de silencio. Stan sentia seu coração peculiarmente aquecido. Não era diferente para Fiddleford. – E tem também, sabe, — Continuou, tentando não deixar aquilo estranho demais. – O fato de eu ser pai...
— Uh?
— Não queria que algo acabasse dando errado e eu o deixasse abandonado, sabe? Quero estar presente. Preciso estar bem para quando ele precisar de mim. – O outro ficou tenso, um pouco deprimido.
— Você é mesmo um bom pai, não é, Fidds?
— Eu tento. Ohh... – Fiddleford mordeu o lábio. Talvez tivesse mexido em uma ferida aberta de Stan, que não estava pronta para ser exposta ainda. – Stan...
— Você sabe, não sabe? – Engoliu em seco novamente.
— Te colocaram para fora de casa. Não é...? – Stanley ficou em silencio. O gosto amargo das lembranças anulando o doce do chocolate.
— Ele te contou.
— Algumas coisas... – O outro bufou, também deixando a caneca de lado, batendo-a no chão com mais força do que era realmente necessário.
— Então você já sabe. – Ameaçou levantar-se
— Não, não sei! – Mas Fiddleford segurou-lhe o braço, não permitindo que fosse. – Eu não sei. Stan... Por favor me conte... O que aconteceu? Pode confiar em mim. – Completou, ao perceber o olhar desconfiado que ele lhe lançara. Então Stan suspirou, sentando-se melhor, passando a mão pelo rosto. O semblante mudando de irritado para tristemente nostálgico.
— Foi um acidente, Fiddleford... Eu não tinha a intenção...
E então Stanley contou a “História da sua vida”. Dos bons e velhos dias de glória com o irmão em Nova Jersey. Das aventuras, de só terem um ao outro, de serem inseparáveis. Do Stan de Guerra, da fraternidade, dos sonhos. Daquela velha amizade. E de como tudo mudou de dias ensolarados para as mais sombrias tempestades. De como havia se sentido quando descobriu que não era ninguém, que não faria falta, que, para Stanford, ele era substituível. Do dia em que tudo deu errado. Por estar irritado demais e frustrado demais, na hora errada, no lugar errado. Como fora colocado para fora de casa, como Stanford fechara a janela naquela noite, ignorando sua suplica, que havia saído em voz baixa, mas que ele havia escutado: “Toque de seis?”. E então tudo que viera depois disso, por onde andara e tudo que vivera até chegar ali. Com Stanford sendo egoísta mais uma vez e o chamando, apenas para mandá-lo embora em seguida. Stanley abriu seu coração e Fiddleford escutou atentamente cada palavra, com vontade de chorar.
— ... E, bem, aqui estou eu. Compartilhando um chocolate quente na casa do meu irmão com o ex-único amigo dele. – Ele passou a mão no rosto mais uma vez. – E me pergunto como as coisas vão ser quando o trouxermos de volta. Aposto que ele ainda está p da vida comigo. Talvez eu tenha que por o pé na estrada mais uma vez e, sabe, — Sorriu triste. – Seguir com a vida.
— Não!
— Uh?
— Eu disse não! Não, Stanley! Não ouse pensar assim!
— Fidds, o que você...
— Eles estavam errados, Stanley! – Fiddleford explodiu, a costumeira calma abandonando-lhe e ele falou alto, o nó na garganta ajudando a colocar tudo aquilo para fora. Sentia tanta raiva deles. De pessoas que sequer conhecia e talvez nunca chegasse a conhecer. Sentia tanto raiva dele, de Stanford, e, apesar de entende-lo, ele havia tido todas as suas esperanças jogadas fora, mas ele havia sido tão insensível com o irmão que dizia ser tão importante para ele. Ele havia sido tão... – Eles estavam errados! Seus pais, seus professores, seu irmão, todos eles! – Fiddleford virou e segurou as mãos de Stan, que parecia bem mais que simplesmente confuso. – Você é brilhante, Stanley! Você é determinado e esperto e carismático e sua persistência é admirável! Você é um homem bom, Stan, grandioso, que tem feito coisas impressionantes!
— Fidds...
— Seu pai estava errado em te colocar para fora! E Stanford mais ainda por ser um completo idiota! Um babaca! – Fiddleford queria colocar aquilo tudo para fora, queria consolar Stan, uma vez que não podia simplesmente agredir as pessoas que o haviam machucado tanto. – Stan, não nos conhecemos a tanto tempo, talvez você ache que eu estou sendo precipitado, mas eu não estou! Esses anos todos em que convivemos, esse últimos anos todos eu pude ver o homem absolutamente incrível que você é e...
— Fiddleford, você não precisa...
— Você é melhor que o Stanford!
Fiddleford parou de falar, ofegante, tentando respirar fundo, aquele sentimento desgastante ainda indo e vindo, revirando-lhe o estomago. Stanley, por sua vez, não sabia como responder a tudo aquilo. Estava completamente sem reação. Não sabia o que dizer, como agir ou mesmo o que sentia naquele momento. Essa era a primeira vez que diziam algo assim para ele. Que pareciam se importar com ele dessa maneira tão... Tão? Ele não sabia descrever. Fiddleford ficara tão furioso subitamente com tudo e dissera aquelas ultimas palavras com tanto fervor... Que o fez acreditar. Fez com que Stan acreditasse que valia a pena. Mesmo que fosse só um pouco. Que não era uma sombra, que não era irrelevante. Céus, estava acreditando! Seu coração parecia querer transbordar! Mas de que? Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto. O outro não notou, furioso demais sozinho. Se Fiddleford visse Stanford agora ele o socaria até que ele esquecesse o nome! Olhou então para Stan, que parecia em choque.
— Stan... Eu estou falando sério, ok? – O olhar distante dele encontrou o seu e ficaram assim por alguns minutos. Molhou os lábios ao perceber os olhos de Stan brilhando, quase transbordando em lágrimas. – De verdade. Você não é irrelevante, Stanley.
Stan engoliu em seco, abafando um suspiro ao fechar os lábios. As lagrimas prontas para escorrerem. Olhou para cima, para impedir que isso acontecesse. Eram muitos sentimentos e tantas coisas passavam pela sua cabeça, mas principalmente por seu coração. Que sentimento era esse, afinal? Tudo que Fiddleford dissera, tudo que ele estava fazendo... Céus, o que Stan devia fazer?! O outro apoiou a mão em seu ombro com uma delicadeza excessiva, fazendo-o voltar sua atenção a si. Seus olhos se encontraram e Fidds o olhava com uma ternura que não estava gravada na memória de Stan, tão cheia de coisas ruins e passagens péssimas,mas ali estavam eles.
Mordeu os lábios e deixando-se levar por um impulso momentâneo, puxou Fiddleford para si, surpreendendo-o ao colar os lábios aos dele. Fechou os olhos, o coração acelerado, abraçando-o forte. Fiddleford não soube como reagir. O coração começou a bater forte, acelerado e completamente descompassado. Pensou em tentar afastar o outro, mas não conseguiria. E não era como se essa fosse a prioridade, mas aquilo estava acontecendo de uma forma tão súbita que ele não sabia...! Tentou argumentar, o que ele não tinha certeza, mas isso só acabou permitindo o acesso da língua de Stan, que, tocando a sua, iniciou um beijo sôfrego. Stan, ainda deixando-se levar, afagou os cabelos do menor com a mão livre, a outra usando para mantê-lo perto.
O beijo demorou apenas mais alguns segundos, Fiddleford correspondendo timidamente, até Stan se dar conta do que estava fazendo e afastar-se de uma vez, incrédulo demais em si mesmo.
— Fiddleford...! Droga! Eu... Eu sinto muito! — Fiddleford estava todo corado, os óculos tortos e o cabelo levemente bagunçado, a respiração um pouco irregular. O coração querendo fugir do peito.
— S-Stanley... – Tentou, embora as palavras que deveria usar a seguir ainda fossem ser pensadas. Stan também estava corado e com a respiração irregular e parecia mortificado, como se tivesse acabado de cometer o maior erro da sua vida. Fidds sentiu um aperto no peito ao imaginar que ele poderia estar pensando isso.
— Eu sinto muito! Mesmo! Desculpa, Fidds, não foi a minha intenção! – Ele mexeu nos cabelos, compulsivamente, sem saber para onde olhar ou o que falar. Aquele Stan confiante de sempre parecia ter desmoronado. FIddleford era seu único amigo. A única pessoa em quem podia confiar de verdade. Havia acabado de se abrir com ele, contar a história de uma vida inteira e ele havia oferecido todo seu apoio e era assim que Stan respondia?! Ele não queria estragar tudo de novo. Será que nunca daria uma dentro? – Eu só... Me senti bem... foi um impulso, eu só... Senti que era certo... Sabe...? Porque ninguém nunca... – Algumas lágrimas começaram a escorrer. Não queria perder Fiddleford por um impulso. – Ninguém nunca se importou... Ou me disse algo assim, eu só...
— Stan...
— Não! É sério, Fidds! Desculpa, eu não sou assim! – Passou a mão pelo rosto, tentando enxugar as lágrimas, mais e mais memórias bombardeando-lhe a cabeça. Respirou fundo. Uma. Duas. Três vezes. Olhou para Fidds, que parecia em choque, embora, se não estivesse se traindo pelo que os olhos queriam ver, preocupado. – É sério. – Repetiu entre as palavras desconexas e tentou sorrir descontraído. Era só o que sabia fazer. As coisas tinham que ficar bem de algum jeito e se esse fosse o único, tudo bem. Mas já estava perdido demais e não tinha muito mais controle sobre o que falava. – Eu não sou assim. – Repetiu, talvez para si mesmo, tentando não tirar o sorriso falso do rosto. – Eu até dormi com alguns caras, mas foi porque... – Passou a mão pelo pescoço. Fiddleford sentiu um nó na garganta. – Eu estava com fome e não tinha dinheiro e eu... – Também engoliu em seco, o olhar perdido. – Eu precisava...
A sentença ficou suspensa. E Fiddleford, ainda com o nó na garganta, sentiu o estomago se revirar. Era um idiota, um completo idiota, era tudo que conseguia pensar! E ele achando que tinha problemas! Enquanto Stan estava por ai, sem ter onde ficar, em quem confiar. Sem casa, sem família, sem irmão, tendo que se prostituir para comer. Deus, que Fiddleford tivesse entendido tudo errado. Mas não. Antes fosse, mas não era. Sentia-se o homem mais egoísta do mundo por achar que tinha problemas. Enquanto Stan estava passando por tudo isso... Ohh, Deus, ele queria chorar! Queria abraça-lo, dizer que estava tudo bem, que ele nunca mais teria que passar por esse tipo de coisa. Nunca mais.
— Desculpa... – Notando o que estava dizendo, foi tudo que o outro conseguiu fazer. – Eu só disse isso... – Piscou algumas vezes, ainda tentando retomar a fala. – Sabe, eu não quero que você pense que eu sou esse tipo de cara que só... – Tentava consertar. Ele sabia que Fidds não podia estar falando sério. Ele não fazia nada certo. Nada. Ele era totalmente irrelevante. – Que só... – O menor o abraçou forte, de uma maneira incrivelmente acolhedora. Mais uma lagrima ou outra escorreram por seu rosto enquanto, em choque, tentava processar tudo isso. – F-Fidds...?
— Está tudo bem agora. – Foi tudo que conseguiu murmurar, ainda sem conseguir engolir, um pouco tremulo. – Está tudo bem agora, Stan. – Ele disse. Como um pai, como um irmão, como um ombro amigo. – Está tudo bem. Você não está mais sozinho. Eu nunca vou te deixar sozinho. – Mais e mais lagrimas vieram, silenciosas e sutis, percorrendo o rosto de Stan, morrendo no ombro de Fidds. — Você nunca mais vai ter que passar por tudo isso de novo, eu prometo, Stan.- E mesmo com tudo isso, Stan não havia desistido. E mesmo com tudo isso ele seguia tentando. Com todas as outras coisas pelas quais passara, ele ainda estava ali, forte, correndo atrás. E por isso ele apreciava tanto as pequenas coisas. As rápidas refeições que fazia durante o dia, os banhos demorados que se dava o luxo de tomar as vezes, acordar e enrolar um pouco na cama. E Fiddleford queria que ele continuasse apreciando. Cada pequena coisa, cada pequeno detalhe, porque ele merecia todas aquelas pequenas coisas. E as grandiosas também. Stan merecia ser feliz.
Apertou-o mais em seus braços e sentiu o abraço ser correspondido, finalmente. Extremamente forte, extremamente necessitado. Stan escondeu o rosto na curva do seu ombro, terminando de molhá-lo com as lágrimas que vinham silenciosas, acompanhadas por pequenos soluços vez ou outra, enquanto suas mãos agarravam-lhe a roupa como podia. Fidds prometeu a si mesmo que cuidaria dele. Sempre.
— Tudo bem. – Murmurou mais uma vez, afagando-lhe os cabelos, sem se afastar milímetro que fosse do abraço. – Tudo bem agora, Stan.
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