Notas iniciais
Pois é, né lol Eu acho que tinha muitas coisas que eu queria dizer aqui, mas eu sinceramente esqueci todas elas. Eu gosto de pensar em como o Fidds está frágil e o Stan ainda está abalado, mas, enfim, é isso lol E eu amo Mullet!Stan, apenas para constar

O tempo passou. E era inevitável que não fizesse. As horas correm, passam apressadas ou tão lentas pelo relógio. Mas não só por ele. Algum tempo já havia passado. Fiddleford não sabia dizer se dias, semanas, meses. Tudo que sabia é que não podia continuar, não assim. tinha que voltar. Antes de cometer qualquer erro irreversível, antes de fazer qualquer loucura precisava voltar. Precisava ver Stanford mais uma vez. Se estava vivo, se estava bem. E com isso talvez descobrir se a própria mente ainda funcionava, não servindo apenas para pregar-lhe peças.

Quando entrou na cabana naquela noite escura, porque claro, era tão mais fácil encarar velhos medos no escuro, ela parecendo mais devastada que em todas as suas lembranças, ficou surpreso ao Ford não recebê-lo de forma paranoica e hostil. Ele sequer apareceu quando girou a maçaneta da porta destrancada. Já dentro, a porta atrás de si devidamente fechada, sentiu um calafrio. Nada de Stanford. Ele não podia ter...

Entre apressado, quase desesperado, por assim dizer, e hesitante, vasculhou, de modo breve, sem aprofundar-se, a cabana. Nada. Respirou fundo, a respiração sendo a unica coisa que podia ser ouvida. O frio ainda era congelante. Abraçou-se, envolvendo-se mais em seus agasalhos, sentindo o coração bater descompassado.

Desceu.

O portal estava desativado.

Pensou em chamá-lo, fazer mais que os sussurros que proferira até agora, como um fantasma assombrando aquelas lembranças. Mas não conseguia. Estava aterrorizado demais. Até à alma.

Foi quando alguém surgiu atrás de si e o coração pareceu parar. A garganta secou e a vista perdeu um pouco o foco. Virou-se de um salto súbito, o coração em pânico. Então se deparou com Stanford. Ohh, Deus, era ele! Ou o que vinha a ser uma versão mais desleixada, com o cabelo longo, que parecia igualmente surpresa ao vê-lo. Ficara longe tanto tempo assim?

— Stanford...? — Aproveitou-se da coragem momentânea antes que ela se esvaísse novamente e o chamou. O outro pareceu ser tomado por um pesar assombroso, o nó em sua garganta praticamente visível para Fiddleford. Onde estavam seus óculos? Será que não podia ver que era ele? Hesitou. Apesar de tudo, não parecia ser Stanford. Ohh, Deus... Que não fosse como antes. Que não fosse como antes! Quando começou a sentir que estava o perdendo. Que não tivesse o perdido. Que não tivesse... Piscou demoradamente e, junto da falta de claridade veio-lhe uma luz. Não, não era Stanford. E que, por Deus, seu palpite estivesse certo. Ele conhecia a história, afinal. Então arriscou, ainda hesitante. — Stanley...? — O outro, ainda surpreso, assentiu, minimamente, com a cabeça. "Ohh, céus, ainda bem...". Era Stanley. Mas por que estava ali. E onde... — Stanley... — Ele deu dois passos em sua direção, com cautela. — Onde está o Stanford, Stanley...? — Stanley soltou uma exclamação, cobrindo os lábios em seguida. Sua respiração ficou irregular, acompanhando a de Fiddleford. O menor levou as maõs aos seus ombros. — Stanley, onde... — Seus olhos foram de Fiddleford ao portal e Fiddleford não sabia o que sentir. — Ohh, céus, Stanley...

O choque durou, um bom tempo. Todas aquelas lembranças voltando para atormentá-lo, de uma só vez. As memórias de Stanford então e a sala fria, o portal desligado, tudo. Ele tremia. Não conseguiu ver quem tomou a iniciativa de subir. Ficar ali não iria ajudar, não mesmo, de forma alguma. Na cozinha, Stanley serviu-lhe um copo de água, praticamente congelada. Mal conseguindo ficar grato pelo gesto, tentando não perder a cabeça, Fiddleford mal conseguiu tocar no copo, embora a gargante estivesse mais que seca.

— Sou Fiddleford Hadron McGucket. — Depois de um longo silencio, apresentou-se. Era o mínimo que podia fazer. Os olhos do outro encontraram os seus, mostrando que prestava atenção. — Fui um colega de faculdade de Stanford. Acho que... Posso dizer que éramos amigos. — Prosseguiu, o outro não respondeu, agora encarando o copo de água. Então respirou fundo e Fiddleford pode ouvir sua voz rouca e mal-usada pela primeira vez:

— Ele falou de mim?

— Comentou. Desculpe por qualquer coisa. A semelhança é... É incrível. Não tive como não reconhecê-lo. — O outro fez uma careta, e Fiddleford engoliu em seco, a preocupação o consumindo. — Stanley... O que aconteceu? — Mais alguns segundos. Longos segundos de silencio. O outro perdido demais nas próprias memórias, o olhar vago. Então cruzou os dedos de uma mão na outra, ambas agora apoiadas sobre a mesa.

— Foi minha culpa. — Começou, sem olhar para algum ponto fixo, ora fitando as mãos, ora o copo ou a mesa. — Ele me chamou aqui. Começou a me falar de umas coisas idiotas de nerd como sempre. Explicou que precisava de mim e só havia me chamado porque era um insensível. — Mordeu o lábios, tentando conter-se. — Começamos a discutir e... — Algumas lágrimas escorreram por aquele rosto que era tão parecido com o dele, mas parecia tão mais emotivo. Tão mais abalado. Tão mais sensível. Fiddleford perguntou-se se estaria tão comovido se Stanley não fosse tão parecido com Stanford. — A briga ficou séria e ligamos aquela coisa sem querer... E eu o empurrei, mas eu não... Eu não sabia... Eu não fazia ideia...

— Stanley... Não foi sua culpa... – Tentou consolá-lo, a mão pousada delicadamente em seu ombro, sem saber o que mais poderia dizer ou fazer. O outro não esboçou reação. Engoliu em seco, respirando fundo. Ele avisara Stanford. Por que ele era tão teimoso? Por que seguir com isso? – E eu o avisei disso... – Murmurou sem querer, acompanhado por um suspiro baixo.

— O que?

— O Stanford! Eu disse que essa coisa era perigosa, que precisavamos desligá-la! – Stan o observava, sem compreender muito bem o que ele dizia, embora levemente curioso. Foi a sua vez de se perder nos pensamentos, deixando um ou outro escapar em voz alta. – Mesmo tendo o ajudado com isso tudo... Não deviamos tê-la construído... Foi um erro tão grande...

— Espera, o que?! Você ajudou ele construir esse negócio?

— Sim, mas...

— Então você sabe como funciona! – Stan se levantou- aproximando-se da cadeira do outro. – Você precisa me ajudar a trazê-lo de volta! – fiddleford também se levantou, instintivamente, e afastou-se dele dois passos.

— Não! Eu não posso!

— O que?!

— Eu não posso! Aquela coisa é perigosa, Stanley! Eu não quero mais fazer parte disso... Eu só quero esq...

— Olha, McGucket, seja lá qual for a loucura que meu irmão cometeu dessa vez, e eu sei que não é coisa pouca... – Stan segurou-lhe os ombros, sem usar muito força, mas ele estava perto e era alto e aquilo parecia bem intimidador. – É o Stanford! Vocês trabalharam juntos, não é? Não pode ser que ele não signifique nada para você!

— Ele significa! – Respondeu, prontamente, mal tendo tempo de processar as palavras que haviam saído. É claro que Stanford significava para ele. Significava muito! Stanley não podia dizer isso sem saber de nada. Stanford era importante. Deus, era tão importante... – Mas é perigoso demais...

— E ele está lá! McGucket, ele precisa de nós! – Fez uma pausa.- Tivemos nossos desentendimentos... – Sua voz ficou subitamente nostálgica, embargada por uma tristeza palpável. – Mas ele é meu irmão. Eu o amo. Não posso abandoná-lo. – Fiddleford chegou a sentir a sua dor. Era aguda demais. E todo o pesar estava ali, claro e nítido refletido em seu olhar. Mas aquilo tudo ainda era demais para ele.

— Eu não posso, Stanley... Eu sinto muito... – As imagens que o assombravam dia e noite vieram todas de uma vez. Aterrorizando-o. Tombou para trás, Mas Stan não o deixou cair. – Eu não posso...

— Ah, é?! Tudo bem! E o que vai fazer então? Abandoná-lo? Fugir como um covarde?! – Stan soltou-lhe os ombros, dando-lhe un leve empurrão, parecia furioso, mas ele não compreendia...

— Stanley, por favor... Eu só quero... Eu só quero esquecer tudo isso...

— Então esqueça! Mas não me apareça aqui depois, Mcgucket! – O outro deu-lhe as costas. Fiddleford não tinha reação. – Se você não quer ajudar trazê-lo de volta... Não tem porque você continuar aqui. Feche a porta quando sair.

Notas finais
Obrigado por ter lido até aqui o> Estou me divertindo muito trabalhando nisso, de verdade~