Apreciação Perpétua
19 Capítulo 19
Notas iniciais
— Eu tenho mesmo que participar disso?
— Não. – Fiddleford respondeu, do colo do marido.
Durante o café da tarde, que ocorrera sem muitos diálogos, Shermie havia pedido para passar a noite. “A viajem é longa e eu não conheço a estrada. Não enxergo bem a noite, não quero acabar me perdendo, justificou ele, os mínimos detalhes. Enquanto Tate lavava a louça, Stan e Fidds acomodaram Shermie, que havia trazido uma mala, em um quarto. “ E você disse que não pretendia ficar, não é?”, provocou Stan, indicando a bagagem. O mais velho fez uma careta e revirou os olhos, mas deixou por isso mesmo, não se prolongando no assunto. Depois disso nada de espetacular conseguiu acontecer, então voltaram para a sala. Stan e Fidds voltaram para a poltrona e acomodaram-se como estavam antes de serem interrompidos, ligando a TV. Tate juntou-se a eles um pouco depois, deitando no chão, um livro em mãos. Fidds era definitivamente um bom exemplo, Stan pensou sorrindo, afagando-lhe os cabelos. Eventualmente Shermie juntou-se a eles, sentando no crânio de dinossauro, ainda incomodado.
— Você escolheu ficar. – Continuou o menor. – Mas já pode ir para o seu quarto, se quiser. – Ele tentou ser gentil como de costume, mas não gostava do tratamento hostil de Shermie com Stan, embora não estivesse surpreso. Pines tendiam a ser problema. E Stan havia contado um pouco das suas origens, parece que nada era um mar de rosas.
— Eu vim passar um tempo em família com o meu irmão e é isso que estou fazendo, não é? – Ele estava se esforçando, apesar de tudo. Havia vindo visitar Stanford depois de todo esse tempo e a primeira coisa que descobrira sobre o irmão que estivera há tanto distante era que ele estava “casado” com um homem. Apesar de não querer perdê-lo também, essa era uma coisa um pouco difícil de engolir. Mas ele estava tentando jogar anos de criação fora para poder continuar com os laços que perdera há tanto com o irmão. “Família é importante”, ele lembrara de Stanley. E, claro, faria o possível.
— Olha, Shermie, você “me aceitou” e isso é legal, tudo bem, eu sou grato. Mas não precisa disso, ‘tá? Pode dar o fora quando quiser. Somos velhos, não precisamos ficar...
— Não! – Rebateu. – Eu realmente quero fazer isso. – E foi sincero – Eu só não acho que o programa seja, adequado. – Ele gesticulou, indicando a TV. – Sabe, para uma noite em família. – Respirou fundo. Pela família, ponderou consigo, embora tivesse certeza que Filbrick não fosse considerar isso uma família. Então por Stanford, que seja. Stan arqueou a sobrancelha e o irmão voltou-se para Fiddleford. – Vocês não tem nenhum jogo de tabuleiro que pudéssemos, eu não sei, jogar todos juntos?
— Shermie, é sério, você não precisa se esforçar, isso está me assustando.
— Tempo em família! – Ele exclamou e Stan e Fidds se entreolharam.
— Tem certeza que o seu irmão está bem...? – O menor sussurrou. – Acho que a noticia foi... Um pouco demais pra ele.
— Acho que ele só está tentando... Interagir. Eu sei lá! – Devolveu, o outro tentando sorrir para eles.
— Ah, eu ainda devo ter Masmorras, Masmo...
— Não! Não me venha com esse jogo de nerd de novo! A ultima vez que jogamos pessoas saíram traumatizadas!
— O que? Nós três jogamos... O Tate não reclamou de n...
— Eu não estou falando do garoto, estou falando de mim! – Fiddleford caiu na gargalhada.
— Sério? Isso foi porque eu tecnicamente morri nos seus braços? – Stan inflou as bochechas e cruzou os braços, como uma criança.
— É porque é um jogo de nerds e eu me recuso! – O menor riu e beijou-lhe a bochecha com carinho. Shermie piscou algumas vezes, negando com a cabeça em seguida, assistindo o “momento ternura” com certa curiosidade. A felicidade do irmão não parecia o pior pecado do mundo, vendo assim.
— Como vocês se conheceram? – Questionou, Stan mal teve tempo de suspirar aliviado pela ideia do jogo ter ficado esquecida quando o irmão veio com essa. Trocou olhares preocupados com Fidds.
— Faculdade...? – Ele arriscou e Fidds segurou-lhe as mãos. – Éramos colegas de quarto e...
— É! Mas você era um idiota na faculdade, Stanford! – Fidds interrompeu e Stan arqueou a sobrancelha. O marido sorriu com carinho em resposta. – Você bagunçava meu cubo mágico e achava que eu não sabia! Era narcisista e barulhento e irritante. – Acrescentou com um sorriso nostálgico do que foram os dias na faculdade com Stanford. Subiu mais uma vez os olhos para Stan e sentiu o coração ser aquecido. Os tempos que dividia a cama com Stanley eram melhores. Voltou-se para Shermie: — A vida seguiu e nos encontramos depois. Mal nos conhecíamos, praticamente. Mas não estávamos muito bem e acabamos nos ajudando. – voltou-se para Stan novamente: — Você não é um babaca insensível agora, querido. – Terminou com um beijo delicado na testa do marido e eles deram a Shermie um tempo para processar toda a informação. Ele ainda parecia meio abalado e precisou de um bom tempo.
— Pai. – Depois que os minutos chamaram arrastados foi a vez de Tate se fazer presente e começar um assunto. “Uh?” Os dois questionaram em uníssono. O rapaz sorriu. Ele ainda adorava aquilo. – Uma duvida.
— Sobre?
— Sobre o vicio. Eu sei a essência básica disso, mas o que acontece no cérebro? Digo, mesmo quando é algo negativo, as vezes, a pessoa simplesmente não consegue abandonar, não é?
— É uma boa pergunta. E é uma questão mais química, na verdade. – Fidds acomodou-se melhor no colo do marido, arrumando os óculos, um pouco entusiasmado. Ele amava ciência. E, quando as questões de Tate eram ou mirabolantes demais ou cientificas demais ele costumava ser quem respondia. Stan só se desligava do assunto e ajudava em outros que pudesse melhor. Mas desta vez ele engoliu em seco. Porque ele sabia a resposta, e um pouco sobre o assunto, isso tudo através de flashs da adolescência. E acabou interrompendo a explicação de Fiddleford antes mesmo dele começar:
— O cérebro humano, Tate, costuma gerar um sentimento específico para cada fato por causa das ligações que existem entre as células cerebrais. Esse sentimento gera a liberação de peptídeos que provocam as sensações no corpo humano. Nosso corpo vicia-se nessas sensações, sejam boas ou más. Esse vício influencia para que nossa reação seja sempre parecida e que nosso corpo seja bombardeado com as substâncias que nosso vício pede. – Explicou, quase atropelando as palavras, todos os olhares da sala agora voltados para si. Shermie interessado na explicação, Tate absorvendo as informações e Fiddleford boquiaberto, completamente surpreso. Se o intuito era agir como Ford para fazer com que Shermie continuasse acreditando que ele era realmente o cientista, o objetivo havia sido cumprido com êxito: Ele soara, acidentalmente, exatamente como Stanford. Até mesmo Fiddleford parecia surpreso demais. Ele mesmo piscou algumas vezes, incrédulo, tentando afastar agora as lembranças que vinham sorrateiramente brincar com a sua mente.
— Como se desfaz isso? – Ele sentou no chão com as pernas cruzadas e Stan tentou procurar a resposta em algum lugar da sua mente, mas essa parte já não conseguia lembrar. A partir daí as memórias ficavam embaçadas e eram só flashbacks de beijos trocados com o irmão. Nenhuma informação útil, nada que valesse ficar pensando. Cerrou os olhos e respirou fundo, tentando afastar aquelas lembranças. Não importa, disse a si mesmo. Fidds percebeu que algo estava errado e segurou-lhe a mão com carinho. Quando Stan abriu os olhos deparou-se com aquele olhar terno. Sorriu. Não valia a pena ficar pensando nisso. Em silencio pediu para que ele completasse.
— Para mudarmos essa realidade, Tate, temos que forçar mudanças nas nossas reações. – O menor foi explicando com paciência, acariciando a mão de Stan delicadamente. Ele fechou os olhos. Ford e Fidds só podiam, definitivamente, ter lido exatamente o mesmo livro. – Isso cria novas ligações nas células cerebrais. Só assim as antigas são desfeitas. – “Engraçado como quase tudo pode ser explicado cientificamente”, era como se pudesse ouvir Ford completar em um sussurro. Quando ele havia dito isso?
— E isso funciona em pessoas? Digo, tem como se viciar em alguém?
— Tem. – Stan respondeu sem perceber, a garganta seca.”Eu estou viciado em você, Stan”, aquela voz insistiu em brincar na sua cabeça.
— Por que todas as perguntas, Tate? – O rapaz sorriu,
— O livro está chato e bem errado, pelo que eu entendi. – Deixou-o de lado. Shermie piscou algumas vezes.
— Bom, os jantares em família devem ser bem animados, Tate. – Ele comentou em tom descontraído, mas o caçula logo percebeu a pitada de provocação. – Seus pais são verdadeiros nerds. Como você sobrevive? – “Parece que o jogo virou, Stan”, zombou de si mesmo. Ele merecia. – E vocês dois? Por isso ficaram juntos? “Ford e Ford compartilhando experiências intelectuais”? – Fidds sorriu, negando com a cabeça e Stan, ainda meio no ar, um pouco incomodado, acomodou o amado no sofá, levantando-se. A conversa estava ficando profunda demais pro seu gosto. E a lembrança de Stanford e a coisa toda. Ele não queria ficar pensando nisso agora.
— Eu vou começar o jantar.
— Está tudo bem, Stan? – Ele assentiu, alongando-se. – Bom, precisa de ajuda? – Negou. – Mas companhia sempre é bom, não é? – Fidds insistiu. – Pode me ajudar em umas coisas, Tate? – O rapaz, já suficientemente entediado do conteúdo errôneo e chato do livro concordou, levantando do chão. – Ótimo! Atrapalhamos se ficarmos na cozinha com você, meu bem?
Stan suspirou. E então olhou para sua família, que sorria para ele (obviamente com a exceção de Shermie). Ele havia prometido, não é? Que deixaria a adolescência e o passado no passado. Não tinha porque ficar se chateando ou se auto-deprimindo agora por conta de uma lembrança. Apesar dele ainda sentir. Ainda podia sentir os lábios do irmão quando fechava os olhos, às vezes em sonhos, outras ainda tão acordado. Podia senti-lo e às vezes pegava-se sentindo falta dos beijos trocados, dos amassos no Stan de Guerra, de todas aquelas juras de amor jogadas fora. Ah, se ele tivesse um cérebro ele conseguiria seguir enfrente, como Ford. Mas ele tinha um coração. Que o fez olhar para a sua família, que estava ali agora, para ele. Que o amava e valorizava. Tate o admirava tanto, e havia o aceito sem ele nem ao menos pedir. Agora ele tinha um filho e mal conseguia entender o que havia feito para merecer isso, mas, se o garoto o considerava, isso já o fazia imensamente feliz. E Fiddleford. O que dizer de Fiddleford? Alias: Quem era Stanford comparado a Fiddleford? Stanford sempre o afastava quando ele tentava se aproximar. Stanford havia sido insensível e não pensado nele, nos seus sentimentos. Em nada. Mas Fiddleford era quem sempre estava lá. Quem o escutara, o amparara, o amava. E ponto. Fidds e Tate eram sua família agora. Aquela que nunca tivera. Ou que simplesmente não podia se lembrar. Eles eram sua família e ainda seriam quando Ford voltasse. Seria tão bom se pudéssemos simplesmente mandar assim no coração... Decidido, acreditando que era possível, colocou as mãos na cintura e deu-lhes aquele sorriso entusiasmado. O momento certo é sempre o agora, não é?
— Atrapalhar? Que graça teria cozinhar sem vocês dois por perto? Vamos, vamos!
— Ei, vocês vão simplesmente me deixar aqui? – Shermie voltou a se manifestar.
— Ninguém está te abandonando nem nada, você pode se juntar a nós quando quiser. É só chamar o Tate se não conseguir levantar, velhote. – Provocou o caçula, rindo. O outro fez uma careta, mas acabou sorrindo também. O tempo passa para todos, afinal.
Fidds e Tate sentaram na mesa da cozinha, logo após o rapaz ir buscar algumas ferramentas do pai (as mais simples, que ele deixava pela casa) e Stan começou a separar os ingredientes para preparar o jantar. Ele costumava cozinhar com mais frequência quando Tate estava em casa. O garoto adorava sua comida e fazia questão de lembrá-lo disso em todas as refeições. Que mal faria ele ter o ego um pouco estimulado de vez em quando? E amava cozinhar para eles. Ele nunca esquecera, afinal: “Cozinhar é um ritual de doação, carinho e amor”. A mãe nunca havia estado tão certa. Shermie apareceu na cozinha um pouco depois, enquanto ele picava algumas cebolas. Olhou para todos os ingredientes espalhados pelo balcão e depois para o irmão.
— Você, fazendo receitas ciganas, Stanford? – O outro arqueou uma sobrancelha para ele. – É Iakna, não é?
— É. E daí? – Shermie deu de ombros.
— Eu não lembrava que você sabia cozinhar. Você era péssimo, na verdade, se minha mente não está me pregando uma peça. Você não está tentando me envenenar, não é? – Perguntou em tom brincalhão.
— Cozinhar é uma ciência, Shermie. – Devolveu. – A mistura de ingredientes, o que deve ser misturado com o que, o tempo para uma coisa virar outra. E eu sou um cientista. É claro que eu sei cozinhar. – Tentou responder algo que Ford diria. O irmão não acreditava muito naquilo de “ritual de doação, carinho e amor” afinal. Fidds olhou para ele surpreso, ele deu de ombros, também um pouco alarmado, mas acabou rindo. O menor fez o mesmo. Stan podia até estar falado algo com sentindo. Mas não era algo que Ford havia mostrado para ele o tempo em que viveram juntos. Ele e as benditas torradas queimadas. Não era culinária, como ele podia queimar torradas?!
— Exibido. – Bufou o mais velho. – Você tem um avental? Tem muita coisa pra picar ainda. Que hora esse jantar vai sair se eu não ajudar? – Stan voltou a arquear a sobrancelha, mas acabou dando de ombros e sorriu, encontrando um avental florido em uma das gavetas. Isso com toda a certeza do mundo era coisa de Fiddleford. Como as camisas havaianas ou os óculos ou as próprias camisas floridas. O outro fez uma careta quando o irmão o entregou, mas o vestiu sem reclamar muito.
— Você está ótimo, sabe. O avental e o bigode e tudo. Bem másculo, eu diria. – Alfinetou e recebeu um soco no braço em resposta. Mas acabaram gargalhando. Que as coisas continuassem assim.
— E vocês dois? O que estão fazendo? – A pergunta veio de Shermie, a voz grave ainda sendo um pouco intimidadora. Mas já não tanto assim. Ele assumiu os legumes e o irmão foi para o fogão. Stan olhou por cima do ombro e viu todas aquelas peças e ferramentas espalhadas pela mesa. Virou-se para o marido.
— Fiddleford Hadron McGucket, você não está me construindo robôs de novo, não é? – O apontou com uma colher de pau e o outro devolveu-lhe um sorriso culpado, fazendo-o suspirar.
— Eu prometo que eles não vão tentar destruir nada dessa vez, Stan!
— Foi o que você disse nas ultimas três vezes. – Lembrou Tate. Fidds inflou as bochechas e Shermie riu sozinho.
— Vocês parecem mesmo se divertir um pouco por aqui, não é?
{...}
O jantar não foi tão ruim. Nada que se comparasse com um fim do mundo, sendo até agradável. Conseguiram manter diálogos sobre coisa ou outra de temas aleatórias que simplesmente vinham. E a comida estava ótima, como de costume. Parece que Stanford havia sido mesmo o único irmão a não herdar nenhum dom culinário. Os elogios de Tate logo ganharam o coração de Shermie e Stan só pode sorrir cúmplice. Era um bom momento familiar, no final das contas.
Depois disso Tate ficou com a louça, embora Shermie tenha se oferecido a ajudar ele e Fidds disseram que davam conta. Stan subiu para tomar um banho, o incidente com envolvendo uma porção de canela havia sido cômico, mas acabara tendo que o mandar para o chuveiro. Restou a Shermie sair para tomar um ar. Sentou nos alicerces dos fundos, com alguma dificuldade. Já estava velho. Apreciou a paisagem em silencio por alguns minutos, mas não ficou sozinho por muito tempo.
— Sherman? Se importa se eu te fizer companhia? – Fiddleford apareceu com aquele sorriso doce e esperou o consentimento do outro para sentar-se ao seu lado. Não demorou tanto. – Fiddleford Hadron Mcgucket. – Ele disse, estendendo a mão. O outro o fitou com uma expressão de duvida. – Não me lembro de termos sido apresentados propriamente. – Comentou e Shermie enfim apertou sua mão.
— Sherman Pines. – O menor sorriu e assentiu. Ficaram em silencio por um bom tempo. Até Shermie resolver que o silencio não era a coisa mais agradável do mundo: — Fiddleford. – O menor virou-se para ele.
— Uh?
— Olha, eu não tenho nenhum problema com você. Você é inteligente e tudo e parece ser um homem bom. Mas, de acordo com o que eu conheço, com o que foi me ensinado, isso é errado. Uma abominação, sabe? – Fidds assentiu, disposto a escutá-lo, incentivando-o a continuar. – Mas eu estou disposto a aceitar isso. E tudo que eu quero é a felicidade dele. Já estivemos afastados por um bom tempo e não quero afastá-lo de novo. – Fez uma longa pausa, criando coragem. – E também estou fazendo isso pelo Stanley. Eu o conhecia bem, tenho certeza que ele os apoiaria. – Deu um sorriso nostálgico e Fiddleford engoliu em seco. – Ele sempre apoiou o Ford, sabe? Em tudo. Ele sempre estava lá para ele, seja o que fosse, fosse o que ele precisasse. Fiquei tão surpreso quando soube que eles haviam brigado... justo eles. Eu sei que o Stanley era um cabeça dura, mas eu tenho certeza que ele não fez por mal. – Ele escutava atentamente, concordando com cada sentença, embora mais que como um incentivo, porque não sabia muito bem como agir a respeito disso. Stanford era definitivamente um babaca. Queria poder deixar isso bem claro. Mas não tinha nada que pudesse dizer que comprometesse tudo. Então só podia concordar que Stan era uma espécie de santo e livrá-lo de todos esses pecados enquanto ele tinha que se passar por Ford. – Chegou a conhecê-lo, Fiddleford? – fez que sim.
— Acho que o suficiente. Ele Éra uma boa pessoa. – O outro concordou.
— Tio Shermie. – Tate abriu a porta. – Estou atrapalhando?
— Não, garoto. Veio se juntar a nós? – Ele sorriu.
— Eu achei um jogo de tabuleiro. Se o senhor não estiver muito cansado podemos jogar.
— Shermie Pines nunca está cansado! – Levantou-se de um salto, fingindo disposição, embora as costas definitivamente incomodassem. – Vai se juntar a nós, Fiddleford?
— Meus pais costumam dormir cedo. – Tate respondeu por ele. Não era 100% verdade. A maior parte da noite eles geralmente passavam no porão. Mas é claro que isso não podiam contar a ele. – Deve ser a idade. – Brincou.
— Mais respeito, garoto! – Stan deu a bronca, em tom brincalhão, aparecendo atrás dele na porta, dando-lhe um tapa no boné. – Acho que posso sacrificar meu sono da beleza hoje. Fidds? – O menor concordou sorrindo. Shermie estendeu a mão para ele. Fidds o observou por alguns segundos antes de aceitar a mão que era estendida para ele, ajudando-o a se levantar.
— Noite de diversão em família! – Declarou o Pines mais velho. Stan e Fidds trocaram olhares cúmplices e sorriram um para o outro. Eventualmente, pensaram consigo, as coisas sempre tendiam a ficar bem. Shermie olhou para eles e deu de ombros. Já havia jogado muitos conceitos fora ao longo dos anos. Olhou para o céu e então comentou, com um sorriso descontraído: — Bem vindos aos Pines, vocês dois.
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