Notas iniciais
Geeeentem! Eu não morri (assim, né, não tenho certeza) e não desisti dessa bagaça linda ainda! Eu JAMAIS desistiria disso, perdoem o sumiço. A grande verdade é que, quando comecei a postar, tinha uns capítulos prontos. Porque é difícil de eu conseguir escrever direto no Richard (meu Netbook), então eu escrevo no caderno e passo pro computador. E, no começo, eu tinha uma porçãozinha de capítulos prontos quando comecei postar e, adivinhem? Eles acabaram ;w; Eu ainda escrevo, todo dia, mas o processo é um pouquinho demorado, né? E eu quase morri de gripe de novo (estou quase morrendo ainda, né, sou um velho), então, perdoem-me, por favor ;w; Vou demorar um pouco mais de capítulo em capítulo agora, mas vou tentar postar NO MINIMO uma vez por semana. Quero postar mais porque ainda estou a todo vapor e prometo não sumir mais por tanto tempo. Amo vocês, obrigado pela paciência, por não desistir de mim e por continuarem apreciando esse casal gay lindo e maravilhoso ♥

Cruzou os braços e encostou-se no batente da porta. O começo de noite estava um pouco frio. Final de verão. Fiddleford apreciava o por do sol encostado a porta, tudo ficando laranja. Stan devia estar terminando de se despedir do seu ultimo grupo de turistas do dia. E então, à rotina: voltar para o porão. Recentemente isso vinha o lembrando dos velhos tempos. Quando não conhecia Stanley, quando só conhecia Stanford. O buraco parecia mais fundo naquela época. Ele não tendia ficar perdido em lembranças, mas, às vezes, elas simplesmente vinham. Sutis demais.

Quando era jovem e ainda trabalhava com Stanford, Fiddleford costumava dizer “Eu me demito” com uma frequência exagerada. Quem poderia culpá-lo? Ele esperava poder revolucionar o mundo ao lado de Stanford, mas definitivamente não estava preparado com tudo que vinha junto dele. Quando as coisas ficavam extremas ou ridículas demais, ou extremamente ridículas. Coisa que acontecia sempre. Porque o pesquisador havia o arrastado para um lugar onde qualquer coisa podia acontecer. Isso a qualquer hora. Sem falar no nível de anomalias, que era simplesmente alto demais. E eles estavam, certamente, bem no fogo cruzado, afundando-se mais e mais cada vez mais. E, francamente, todos tem seus limites testados. Mas Ford exagerava.

“Eu me demito!”, e batia a porta, furioso. Mas voltava no dia seguinte, mais cedo.

“Eu me demito!”, e se trancava em algum cômodo da casa. E eles não se falavam por dias, ressentidos.

“Eu me demito!”, dizia uma outra vez, algum hematoma novo adquirido.

“Eu me demito!”. Porque já estava cansado demais e Stanford era difícil demais de se lidar.

“Eu me demito!” e então eles riam, porque alguma coisa havia dado ridiculamente errado.

“Eu me demito”, porque já era simplesmente demais para ele. E ele subia, arrumava as coisas, vestia o casaco e então, quando ele já estava na porta, Ford aparecia. E não parecia mais furioso ou fora de si. Ele era só o Ford que Fiddleford conhecia. E então ele abria a porta e estava frio lá fora. E Ford cruzava os braços:

— Fiddleford. – Chamava.

— Stanford?

— ...É por minha causa?

— Geralmente a culpa é sua, Stanford.

E ficavam em silencio. O vento frio entrando. E Stanford ficava subitamente abalado demais, os olhos enchendo-se de lágrimas por trás dos óculos, abraçando a si mesmo, quase numa suplica silenciosa. E ele olhava para Fiddleford.

— Se eu disser que sinto muito... Você fica?

— Ford...

— Você não pode me abandonar, Fiddleford... Não você...

E era nessa hora que Ford desabafa. E Fiddleford fechava a porta e o abraçava, tentando acalmá-lo, conter-lhe as lágrimas. Não podia ir embora. “Eu fico, Ford”, ele murmurava, o outro o prometendo que as coisas ficariam bem, que voltariam a ser como antes. Mas isso era só até a próxima vez. Porque Fiddleford havia começado a perceber que Stanford era como Ícaro, e seu maior medo era que ele realmente voasse perto demais do sol. Mas, até lá, “Eu fico, Ford”. Porque Stanford era importante. Porque Stanford era...

— Ei, Fidds! – Piscou algumas vezes, voltando à realidade, voltando ao agora. Stan o encarava um pouco preocupado.

— Stan...? – Ele sorriu.

— Você estava bem entretido com nada, não é? – Do lugar onde Stanford estivera um dia, Stan caminhou até o marido, envolvendo-o com carinho. – No que você estava pensando, uh? – Fiddleford negou com a cabeça, deixando-se envolver, suspirando aliviado. Memórias costumavam ser amargas demais, sempre.

— Uh... No que vamos ter para o jantar...?

— Mesmo? – Stan arqueou a sobrancelha. – Olha, eu geralmente dou as desculpas esfarrapadas, então eu conheço bem uma quando escuto. – Fidds assentiu. Não tinha como ele tentar enganar um vigarista. Sorriu por alguns segundos, o sorriso desmanchando-se logo em seguida, quando descansou a cabeça no peito do marido.

— Podemos... Podemos não ir pro porão essa noite?

— Aconteceu alguma coisa?

— Não necessariamente “acontecer”, é que... – Afundou mais a cabeça no peito de Stan, que já não o segurava mais tão forte, hesitante. – Eu estava lembrando. – O outro fez uma pausa e engoliu em seco.

— Do Stanford?

— Do Stanford, do portal, a coisa toda, sabe? – Levantou os olhos para ele, que o encarava sério. “Stan...” Começou, na sua cabeça “Eu vi... Coisas desconcertantes... Pelos breves segundos que eu atravessei aquela coisa. Eu quase perdi o juízo. Podemos causar o fim do mundo com isso”, ele queria dizer. Ele realmente queria dizer. Queria parar com tudo. As vezes ele ainda tinha esse medo. As vezes ele ainda pensava em esquecer. Segurou a mão do marido com força. Stan sempre era quem o dava força para descartas essas ideias. E sempre que pensava em Stanford, em como seria bom se o trouxessem de volta, o peso que aliviaria em seus ombros. Que, não importava quão doloroso tivesse sido Stanford quebrando seu coração, ele estava perdido, precisava de ajuda. — Eu só...

Eu não posso destruir. Ela é minha vida.

Então ele se lembrava de como fora o próprio Stanford a causar sua ruína. A voar perto demais do sol. Apesar de todos os seus avisos, apesar de tudo. Stan estava certo quando dizia que os mistérios do irmão eram mais importantes que a família. Que qualquer coisa. Havia estado com Icaro e o assistido cair. Ele tentara, mas não havia conseguido salvá-lo da própria paranoia. “Eu fico, Ford”. Não havia bastado.

— Eu sei que é perigoso, Fidds. – Stan retribuiu o aperto na sua mão, o fitando sério, embora compreensivo, lendo parte dos seus pensamentos. Aqueles que ele lembrava e tinha medo. – Se você quiser... – “Eu posso continuar sozinho”, ele diria. As coisas não mudariam, mas ele tentaria sozinho, era o que Stan diria.

— Não! Eu não quero desistir nem nada! Eu não vou te deixar sozinho nisso, Stan! – Acrescentou apressado, soltando-lhe a mão e se afastando um pouco. – Eu só... Podíamos tirar uma folga, não é? Desde que o Sherman foi embora e Tate voltou para casa nós estamos trabalhando direto, então eu...

— Desculpa, eu sei que estou abusando de você com isso tudo. Você precisa e merece descansar. Uma folga, não? Acho que eu estou... Não quero acabar obcecado como o Ford.

— Não, não é isso! E você não é como o Stanford, Stan! Você não é como o seu irmão, querido. É que... – Suspirou. Olhou para a porta e para a área toda. Olhou para Stan e acariciou-lhe o rosto. Não seria a pior coisa que já havia feito na vida, mas sentia que era a mais errada, embora fosse uma mentira boba: — Eu tive um pesadelo. – Sequer era mesmo uma mentira: Embora não tivesse tido um pesadelo. Era só um punhado de lembranças, e nem tão ruins assim. Não eram as piores. Mas, por hoje, não sentia-se apto a descer ao porão, a encarar todas aquelas lembranças, a lidar com esse tipo de coisa. Você não pode me abandonar, Fiddleford, Stanford disse baixinho, no fundo da sua memória. “Eu não estou te abandonando. É só hoje”, disse, a ele, a si mesmo.

Stan havia assentido, compreensivo. Ele também tinha seus pesadelos, e com certa frequência. Sabia o quanto isso podia abalar uma pessoa. Abraçou Fidds com carinho e o menor deixou-se envolver, grato. Porque Stanley era possivelmente o melhor homem do mundo. Ou até não, na verdade. Mas era o homem que o amava e que amava tanto de volta. Então, tudo que ele podia ser, ao menos para Fiddleford, era a melhor pessoa do mundo.

— Uma folga então, uh?

— Vou estar abusando demais de você se te pedir pra cozinhar também? – Fez um pouco de manha, deixando-se estar nos braços do amado.

— Nunca é abuso vindo de você, nerd~ – Stan piscou para ele e ele deu aquele riso, que parecia um soluço, tão adorável. Só por hoje, pensou sozinho, rindo encantado enquanto Stanley descia as mãos por suas costas, apertando, carinhosamente, o seu traseiro.

Notas finais
Gentem, eu queria tentar esclarecer, mas, sei lá: O capítulo não é pra estar confuso. O Fidds está. Coitado né. Stan sempre fica pensando nos sentimentos dele em relação ao Ford e tudo e o Fidds também teve, e, embora eles não tenham sido tão intensos, eles existiram. Então, né, ué :v Obrigado por ler até aqui o> Tio Adrew estava com saudades~