Notas iniciais
Gentem, dessa vez eu tenho coisa pra caramba pra falar aqui. Ai vai: Primeiramente: Desculpem por ter sumido. A verdade é que minha vida virou de cabeça para baixo de um jeito que eu perdi o controle e tudo e socorro. Mas tudo bem agora, acho que as coisas vão voltar aos trilhos e eu vou voltar a aparecer aqui com a frequência de antes. Obrigado pela compreensão. Depois disso: Não sabemos nada fixo sobre o Shermie. Digo, pesquisei muito e tudo que eu descobri é que é O Shermie e que ele usou gravata borboleta quando foi visitar os netos assim que eles nasceram, no hospital. E todo nosso conhecimento morre aqui. Se ele é mais velho, mais novo, a personalidade, não sabemos nada. Mas eu estava muito querendo trabalhar com ele faz um tempo e Mallu, uma pessoinha muito estimada, un petit cube de sucre ♥ também me pediu isso, então, eu fiz o que pude, para, sei lá, dar uma personalidade para ele e não fugir muito de nenhum tema nem nada, mas foi complicado pra caramba. Peço pra perdoarem qualquer coisa, mas eu me esforcei de verdade ♥ E espero que esteja bom o suficiente, pelo menos digno. Isso aqui está longo pra caramba? Sim. Mas eu achei, no minimo, necessário, antes de qualquer coisa. Não é algo diferente que eu esperaria por ter o Filbrick envolvido e tudo mais e precisávamos resolver esse ponto antes de ter mais quaisquer momentos em família. Que virão, com certeza ♥ E, Mallu, pessoinha terna, eu sei que não era bem isso que você queria, mas está vindo, 'tá? ♥ Vai ter mais interação entre essas criaturas sim e surpresinhas por ai, é que eu não consegui deixar sem resolver esses problemas que eu imaginei na minha cabeça, mas pode esperar ♥ Bom, acho que é isso, crianças~ Tio Adrew ama vocês~ ♥ Ah! E, com toda certeza, apesar deles não serem tão velhos ainda, é totalmente assim que eles ficam no sofá: http://jamiekinosian.tumblr.com/post/124186101722/gf-spoilers-the-ford-ruined-our-lives-support Beijinhos do Tio Adrew~ ♥

Terça-feira era um bom dia na semana. Era tranquilo e podiam aproveitar para descansar e passarem um tempo juntos, um pouco que fosse, antes de enfiarem-se no porão. Porque as coisas pareciam finalmente estar andando lá embaixo. Stan gostava de pensar que estavam indo bem enquanto Fiddleford fazia possível para continuar otimista em relação a isso. Mas eles haviam prometido não pensar nisso em momentos como esse. Pelo menos em momentos como esse.

Stan estava sentado na poltrona da sala vestindo pijamas. A TV estava ligada, mas ele não prestava atenção nela. Fidds, no seu colo, lua um daqueles livros complicados que ele adorava. Os olhos percorrendo as palavras complicadas em um ritmo constante e era nele que a tenção de Stan estava presa. Parece que o passar dos anos só o deixava mais e mais adorável.

— Ei, nerd. – Fidds levantou os olhos para ele, arrumando os óculos, curioso. – Eu quero um pouco de atenção também, sabe. – O menor sorriu, marcou a página de memória e fechou o livro.

— Achei que você estava assistindo TV.

— Eu não estou mais assistindo tem um bom tempo. – Admitiu. O outro deixou o livro sobre o crânio de dinossauro. Era engraçado. Stanford guardava esse tipo de coisa com todo o desvelo do mundo e Stanley agora simplesmente usava como parte da mobília. Era, certamente o móvel favorito de Fiddleford. Por ser uma peça histórica e pela criatividade do marido.

— E o que está fazendo então, querido? – Envolveu-lhe o pescoço com os braços.

— Te admirando. Você é tão lindo, Fidds... E a barba ficou ótima. – Stan acariciou-lhe o rosto, que não estava mais liso como de costume há um tempo.

— Hmm... Eu estava me perguntando se não te incomoda.

— Nah. – Respondeu preguiçosamente, selando os lábios aos do marido carinhosamente. O menor sorriu e, ao se separar do selinho, descansou a cabeça no peito de Stan, que suspirou e afagou-lhe os cabelos, distribuindo alguns beijinhos pelo seu rosto.

— É bom ficar assim, com você, só ficar assim com você sem fazer mais nada. – Ele comentou, fechando os olhos. O outro assentiu, sorrindo.

— Mesmo assim... Eu devia estar na floresta agora. – Ponderou. – Procurando os malditos dos Diários e... – Fidds negou com a cabeça e abriu os olhos, fitando-o com aquele ar meigo. Era possível o tempo tê-lo deixado ainda mais doce?!

— Você já tem se esforçado demais, Stan, querido. – Ele disse docemente, agora acariciando-lhe o rosto. – Você merece uma folga, uma vez ou outra. Uma folga, que seja. – Stan andava com a leve impressão que Fiddleford estava evitando a coisa toda. Falar de Stanford, dos Diários, do Portal. Ele não se opunha a ir ao porão nenhuma vez, mas era como se evitasse o assunto num geral enquanto estavam fora dele. Talvez ele só estivesse cansado demais e era completamente justo ele estar assim. Assentiu. Talvez merecessem uma folga. Ainda mais com Tate em casa. Se ele voltasse cedo, de seja lá o que ele tivesse ido fazer na cidade, talvez fizessem algum programa em família. Talvez logo ele não viesse mais passar o verão com eles mesmo. Ele queria arrumar um emprego de verdade, não só continuar ajudando na Cabana do Mistério no verão. Era um emprego, claro. Mas ele queria algo fixo logo e poder mudar para Gravity Falls. Não tinha como dizer que não se orgulhava dele, de um jeito ou de outro.

— E... – Subiu uma das mãos pela perna do menor, que levantou uma sobrancelha. – Como podemos aproveitar nosso tempo livre? – Fidds gargalhou.

— Momentos de quietude não contam para você, não é? – Devolveu-lhe o olhar pervertido enquanto Stan murmurava um “Não muito”, antes de tomar-lhe em um beijo demorado, deslizando as mãos por dentro das roupas do outro.

Batidas na porta interromperam a continuação dos amassos.

— Será que é o Tate?

— E por que o Tate bateria, Fiddleford?

— Pelo incidente com a escada, talvez? – Explicou ele, cruzando os braços um pouco emburrado, mas sem se preocupar em sair do colo do marido.

— Com a... Ohh! – Pouco mais de uma semana atrás, ele e Fiddleford (bem mais ele do que Fiddleford) haviam decidido que não era uma ideia tão ruim terminar pela escada mesmo os amassos que haviam começado na cozinha, ao invés de terminar o caminho até o quarto. Tate havia saído mesmo, não teria problema, Stan insistiu. O garoto esqueceu a mochila e voltou buscá-la. – Que memória afiada, Fidds! – Provocou, rindo.

— Foi semana passada! – Stan gargalhou.

— Pode entrar, garoto! Estamos comportados aqui! – Ele gritou e Fidds corou e escondeu o rosto na curva do pescoço do marido. E a porta foi aberta, enquanto eles esperaram por Tate aparecer na sala. Mas a figura que surgiu ali não foi a do garoto de 19 anos.

— Stanford...? O que você...?!

— Shermie?!

Fiddleford praticamente pulou do colo do marido, tentando arrumar-se em pé, sobre o olhar pasmado de Shermie. Ele era também muito parecido com Stan e Ford, embora não tanto quanto eles eram entre si, alguns anos mais velho. Todos os cabelos já brancos, as marcas de idade mais visíveis, um bigode e a ausência de óculos. Stan também se levantou, embora com mais calma, mesmo que também um pouco nervoso com a situação. Mesmo assim abriu os braços e deu aquele sorriso largo, como costumava fazer sempre, independente de qualquer emoção.

— Então meu irmão finalmente resolveu fazer uma visita, eh?

— É claro... – O outro respondeu sério, não esboçando nenhuma pressa em aproximar-se do irmão e retribuir o abraço caloroso que ele lhe oferecia, uma das sobrancelhas levantada. – Você nunca veio para o natal e... – Ele tentou começar um dialogo, mas a cena que havia visto logo que chegou na sala estava o perturbando demais para que conseguisse organizar as coisas na cabeça. – Stanford, você pode me explicar o que estava acontecendo aqui?! – Ele indicou o sofá com a mão e depois Fiddleford que, no mesmo lugar onde parara, permanecia, sem reação. Stan revirou os olhos. Não esperava que Shermie fosse ser mais tolerante tendo sendo criado pelo mesmo pai que ele, mas não esperava que fosse surtar logo no reencontro deles.

— Eu estava aproveitando meu dia de folga com o meu marido, se é o que quer saber. E, se quiser mais detalhes: Eram amassos no sofá.

— Marido?! Stanford, isso nem é permitido legalmente! Eu achei que, de todos nós, você fosse quem tinha mais juízo! – O caçulo baixou os braços, os cruzando de forma bem menos amigável. Fiddleford aproximou-se apoiando a mão em seu ombro.

— Stan, não...

— Stan sim! – Devolveu prontamente, resolvendo pular a parte do “reencontro fraternal”, que parecia ser algo que nunca teria com os irmãos. Primeiro Stanford: O recebendo de forma hostil, estranho, paranoico, insensível e idiota. E agora Shermie, que, finalmente, depois de tantos anos havia decidido visitá-lo (já que ele mesmo nunca havia feito visitas) e já chegava assim. Estava quase desistindo dessa família. – O que foi, Sherman? Você veio até aqui só pra me dar bronca como fazia quando éramos adolescentes?

— Eu nunca te dei bronca! – O outro rebateu, nitidamente irritado. – Eu dava bronca no Stanley, ele era um problema! – Stan mordeu os lábios e apertou os braços contra si com mais força, sentindo a mão de Fidds também apertar seu ombro, o menor tendo uma vontade imensa de envolvê-lo e ampara-lo mais uma vez. Mas Shermie não continuou partindo seu coração, simplesmente dando um sorriso nostálgico, de alguém perdido em memórias, com o olhar distante: — Ele era o melhor problema de todos. Sinto tanta falta dele, Stanford... – Talvez revê-lo tivesse despertado esse tipo de memórias no irmão. Ele e Stanford eram gêmeos idênticos, afinal. Certamente era difícil ver um deles sem lembrar-se do outro. – Você sabe que se eu estivesse lá jamais teria deixado o pai colocá-lo para fora. – O irmão mais velho esfregou os olhos, o único que havia herdado uma vista boa na família. Negou com a cabeça. Não era hora para ficar todo sentimental. Stan, sentindo o coração bater comovido, quase grato, cruzou mais os braços, tentando esconder as mãos.

— Eu não sei porque você está me dizendo isso agora... – Começou, tentando ser forte e insensível, como imaginou que Stanford seria. Mas foi interrompido:

— Eu tenho certeza... – Fidds arriscou, atraindo a atenção dos dois, olhando para o marido, pousando também a outra mão em seu ombro. – Que ele sabe disso. – shermie negou com a cabeça, tentando afastar alguns pensamentos.

— Isso não importa agora. – Stan resmungou alto qualquer som indescritível, desgostoso, mal tendo tempo de ficar comovido. – Pelo amor de Deus, Stanford! Isso é errado, é absurdo! Você já não estava satisfeito em ser considerado uma aberração por ter seis dedos e me vem com isso agora?!

— Ei,calma ai! Não precisa jogar sal na ferida assim! – Não sabendo se tomada a dor por si mesmo ou pelo Ford, foi tudo que conseguiu exclamar, respirando fundo algumas vezes. – E eu já... – Virou o rosto. Era Stanford. Precisava agir como Stanford. – Eu sai de casa e imaginei que não teria problemas como esse. Não seja como o pai. – Mas ele certamente não conseguia não explodir por muito tempo: — A vida é minha e eu vou fazer a droga que eu quiser com ela!

— Mas ele é...

— O homem que eu amo! – Segurou a mão de Fiddleford, que o fitou surpreso e comovido. – Agora, Sherman, se você só veio causar problemas eu acho que não é bem de uma “visita familiar” que eu preciso.

— Você está me mandando embora?! – Fidds suspirou e revirou os olhos, sabendo que a discussão poderia se estender por um bom tempo. Soltou a mão do marido e comentou: “Eu vou fazer um café”. Certamente nenhum dos dois o escutou ou deu por sua falta quando ele se retirou da sala, rumando para a cozinha.

— Se eu estivesse te mandando embora eu teria dito claramente! Eu quis dizer que vou chutar o seu traseiro velho até a porta se você continuar com a palhaçada toda!

— Ótimo! E daqui eu vou ver o pai e...

— ‘Tá! Vá e conte pra ele que o filho dele, Stanford, é completamente boiola! – Fez questão de rebolar, divertindo-se com a ideia do pai completamente frustrado e furioso, pensando que Stanford, o filho prodígio, o filho exemplo, Stanford, que era para o dar tanto orgulho, gay. E que rebolava. Shermie deu um tapa na testa.

— Pai! Pai! – Ouviram uma voz vinda de longe, aproximando-se aos poucos. – Eu estou chegando em casa, ‘tá? E eu vou abrir a porta agora... – Continuou narrando e Stan riu divertido. – Abrindo a porta...

— Pode entrar, garoto. Nada especial pra ver aqui. – Comentou e a porta finalmente foi aberta, Tate entrando por ela, indo para perto de Stan e deixou a mochila sobre a cabeça de dinossauro, murmurando um “Oi” tímido para o outro homem que estava presente na sala. Shermie arqueou uma sobrancelha e olhou para o irmão.

— E esse é?

— Meu filho! – Pousou a mão no ombro do rapaz, que olhou para ele e depois para Shermie, levemente confuso.

Meu filho. – Fiddleford acrescentou, da cozinha, tentando evitar quaisquer mal-entendidos.

— É, nosso filho, sabe. Ele é filho do Fiddleford, mas é meu garoto também! – Tate assentiu. – Tate, esse é o seu tio Shermie. E você entendeu, não é, panaca? Esse é o seu sobrinho: Tate. – Shermie voltou a esfregar os olhos, suspirando. Tate estendeu o braço, em uma atitude corajosa. Apesar do cabelo branca e das marcas da idade e de sua fisionomia lembrar a de Stan, o irmão também era alto e encorpado e parecia bastante irritado.

— É um prazer, senhor Pines. – O outro o avaliou por um tempo e depois olhou para o irmão, ainda irritado. Mesmo assim também estendeu a mão e apertou a do rapaz com força.

— “Shermie”, garoto. – Fez uma pausa, olhou para Stan novamente e engoliu em seco, tomando um pouco de coragem. – Ou “tio”, se preferir. Eu não negaria um filho do meu irmão. – Acrescentou perante a expressão incrédula do seu caçula, pigarreando, a voz grave. O rosto do rapaz se iluminou com um sorriso.

— Obrigado, tio Shermie! – Completou. Sorriu para ele, depois para Stan e foi se juntar ao pai na cozinha.

— E o que foi isso?

— A culpa não é do rapaz de vocês ficarem o confundindo.

— Ahh! Eu desisto de você!

— Espera, você desistiu de mim?! – O caçula aumentou a TV enquanto o mais velho começava com o sermão. Que, obviamente, não ficou só nisso. Logo os dois haviam voltado a discutir, dessa vez falando alto, as vozes misturando-se ao som da TV, todos os argumentos falhos e algumas coisas voltadas aos dias de infância. Até Fiddleford aparecer na sala, completamente sério.

— Chega, vocês dois! – Ele falou alto, em tom autoritário. – Vamos, chega! – desligou a TV e apontou para a poltrona. – Em silencio, sentem, os dois!

— Mas Fiddlefor... – O menor guiou o marido para a poltrona, a mão espalmada no seu peito. Tirou a mochila do filho e o seu livro do crânio de dinossauro e indicou-o para Sherman, que foi argumentar, mas, sob o olhar repreensivo do menor, calou-se. Emburrado e de braços cruzados, obedeceu, sentando- se no crânio de costas para o irmão.

— Muito bem, obrigado por terem parado de agir como se tivessem 4 anos, senhores. – Deu a bronca, as mãos na cintura. Ahh, Stan adorava quando ele ficava todo autoritário assim pra cima dele. E Shermie também parecia particularmente interessado no novo tom. Fidds suspirou e deu um tapinha carinhoso no ombro de Shermie e um beijo no rosto do marido, os deixando sozinhos então, voltando para a cozinha.

— Pelo menos ele tem alguma personalidade. – o mais velho comentou, ainda emburrado. E eles ficaram em silencio até Fiddleford voltar da cozinha, trazendo uma caneca de café para cada um, com o sorriso doce costumeiro, completamente diferente de minutos atrás. Embora já fosse rotineiro para Stan, ele nunca conseguia deixar de achar aquele sorriso doce completamente adorável. Uma surpresa para Shermie. Fiddleford parecia levemente encantador.

— Aqui, rapazes. Tem bolo. Eu e Tate ficaríamos muito felizes se vocês resolvessem se juntar a nós na cozinha. – Os dois não responderam e ele acabou suspirando. – Olha, seria bom se vocês parassem com a discussão e... – Eles resmungaram. – Será que vocês lembram o que aconteceu com o irmão Stanley de vocês? – Ele pigarreou. – Você não estava lá para vê-lo uma ultima vez, Sherman, e você, Stanford, estava suficientemente brigado com ele para não conseguir acrescentar nada. Não é bom irmãos ficarem brigados. E já somos velhos, rapazes. Não vale a pena, não é? – Os dois se entreolharam e Fidds bagunçou-lhes os cabelos. – Bom, se decidirem vir, estaremos na cozinha, ‘tá?

O silencio permaneceu insistente por mais alguns longos minutos, ambos ainda emburrados, embora agora pensando direito. Shermie não havia brigado com Stanley nem nada, mas não estivera lá para ajudá-lo quando ele mais precisou. E acabara o perdendo. Stan, por sua vez, ainda vivo, ele e Ford haviam brigado... antes, na adolescência e quando se reencontraram 10 anos depois, antes de acabar mandando-o acidentalmente para sabe Deus onde. Se eles pudessem impedir tudo aquilo... Se pudessem, fariam tudo diferente. Cada um, no seu próprio silencio, chegou a conclusão que não seria bom mais uma perda assim.

— Olha, Shermie... Não é porque o... Stanley fez besteira que você tem que... Sabe... – Começou, meio sem saber o que dizer. Mas família é importante. Ele não queria perder mais um laço. — ... Me aceitar. Mas o Fidds está certo, sabe... – Bebeu um gole de café e sorriu, acrescentando uma boa pitada Stan ao resto da frase: — Você vai se arrepender amargamente se eu morrer amanhã. – O irmão não conseguiu não retribuir o sorriso, dando-lhe um soco carinhoso no ombro.

— E depois eu sou o panaca! – O riso que compartilharam foi breve, mas sincero. – Eu não estou dizendo que te aceito ou não, Ford. A questão é que tem problemas muito maiores nesse mundo e você já se distanciou demais da família. E parece que agora eu sei o porque. – Stan fingiu concordar. Era mais fácil deixar que o irmão acreditasse que Ford havia se afastado da família por medo da rejeição. Por ser gay, não por ser um completo babaca e se importar mais com os mistérios que com a família. E depois por ter acabado no portal. As vezes mentir era realmente o mais simples. – E eu já perdi um dos meus irmãos. Não vou me deixar perder o outro. – Segurou o ombro do caçula com força, passando todo o sentimento. Stan sorriu, assentindo. – E eu posso até tentar conversar com a mamãe por você, mas nos sabemos que Filbrick não vai aceitar. – O caçula fez um barulho com a boca, muito parecido com o “tsc”, gesticulando com a mão. Shermie arqueou uma sobrancelha.

— Vai ser divertido ver o velho descobrindo que o filho exemplo dele é “completamente boiola” – Comentou rindo. Quando Stanford voltasse com certeza iria matá-lo. Mas teria valido a pena. Com a rejeição já estava acostumado. Shermie também riu, meio confuso.

— Você dizendo isso? Acho que os doze dedos são a parte menos estranha de você, Ford. – Ouvindo isso fez o possível para esconder as mãos, cruzando os braços novamente. Ele quase havia esquecido. – Tantos mistérios estão te fazendo mal, Ford. – Deu de ombros. “Um dia”, prometeu a si mesmo. – Ford?

— Uh? Ah. – Ele se levantou, alongando-se preguiçosamente. – Eu estou com fome. Acha que tem problema sentar com a família do seu irmão para o café da tarde?

— Até tem. – O outro também se levantou. – Ainda estou p da vida com você e a coisa toda. Mas eu não recusaria uma fatia de bolo. – Stan gargalhou e deu um tapa nas costas do irmão, sorrindo para ele. Ele ia dizer “Obrigado”, mas perguntou-se se isso era algo que Ford faria e decidiu que, por ora, era melhor deixar por isso mesmo. As coisas já estavam suficientemente bem por isso mesmo, por ora.

Notas finais
Então, gentem. É isso, crianças. Desculpem o sumiço e as coisas todas, mas eu estou de volta. E sobre o capítulo num geral, precisava disso. Mas eu acho que já falei tudo que tinha pra falar. Obrigado por terem lido até aqui o> Pra quem não desistiu ainda ♥