Apreciação Perpétua
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Stan amava escutar seus gemidos.
Ver suas expressões e as bochechas coradas. Os cabelos bagunçados, os óculos tortos, os olhos fechados.
Amava senti-lo. Assim, quente apertado, desesperado. Por ele e só por ele. Agarrando-o como podia, arranhando suas costas, respirando ofegante.
Stanley o amava tanto...
Tanto quanto Fiddleford amava quando ele o tomava assim. Com aquela urgência, aquela paixão. Que, mesmo depois de tanto tempo, ainda era a mesma.
Sentir a pele suada sobre a sua e ele dentro, tão fundo, tão quente, tão intenso.
Os suspiros, as lamurias, as declarações...
Fiddleford o amava, tanto...
Stan intensificou os movimentos com os quadris e Fidds agarrou-se mais a ele, ainda arranhando-lhe as costas, os quadris movendo-se por conta própria, gemendo alto pediu por mais e mais, ambos já tão próximos dos seus limites.
“Lee”, Fiddleford murmurou. Nunca era intencional, vinha sem querer, Stan sabia, uma variação do seu nome que vinha quando o outro tentava pronunciá-lo inteiro, mas, desesperado, simplesmente não conseguia. Porque, pelo que lembrava, só o irmão o chamava de Lee. E principalmente durante momentos como esse, todos perdidos nas memórias da adolescência. Sentindo Fidds contrair-se envolta de si tentou afastar esses pensamentos. Isso não importava agora, não é? Porque estava com Fiddleford agora, ali, naquele momento, o amando, sendo amado, não conseguindo conter a excitação, gemendo alto. Era Fiddleford, não Stanford. E o amava tanto...
Fidds sentiu Stan intensificar os movimentos e não conteve mais um gemido, as mãos agora subindo pelas suas costas, procurando os longos cabelos do namorado, para puxá-los como de costume, daquele jeito que ele sabia excitar tanto Stan e que o excitava de igual forma. Mas não os encontrou. Mordendo o lábio inferior, limitou-se a agarrar o novo cabelo curto como pode, para então abrir os olhos e deparar-se com um Stan corado, de cabelos curtos e óculos. O coração palpitou por meio segundo, em meio aos gemidos e todas aquelas juras. E as investidas de Stan e as caricias. Porque ele era tão parecido com Stanford. Voltou a fechar os olhos quando o sentiu atingir-lhe a próstata. Estava beirando o limite.
Era Stan, não Ford. Era Stan, seu amado Stan.
Em movimentos mais que harmônicos os dois chegaram ao limite juntos. Os corpos quentes tomados por espasmos involuntários do êxtase e gozaram juntos, com gemidos praticamente gritados em uníssono, que soavam exatamente, em alto e bom tom, algo como:
— FORD!
E, pela primeira vez, o silencio que seguiu, foi o mais desconfortável possível.
Ambas as respirações ofegantes, mas as palavras faltaram. Todas elas.
Fiddleford sentia o coração bater acelerado, desesperado, querendo fugir-lhe do peito e ele simplesmente não sabia onde esconder o rosto, como esconder o rosto. Se devia esconder o rosto ou todo o resto ou simplesmente desaparecer porque pelo amor de Deus ele não podia ter feito isso!
— Deus, Stan! Eu sinto muito, eu sinto muito! – Foi o primeiro a se desculpar, ambas as mãos tentando envolver o rosto do namorado, a sonolência passando bem longe dos dois.
Ele estava praticamente desesperado. Não havia sido intencional, céus, não havia! Ele não queria ter dito aquilo, havia sido uma confusão da sua mente que queria lhe pregar uma peça! Ele não queria ter dito, ele não podia ter dito aquilo! Era o ultima coisa no mundo na qual pensaria em dizer! Como Stan devia estar se sentindo agora? Ele provavelmente estava pensando que... “Ohh, não! Não, não, não!”. Tocou-lhe o rosto, como pode, murmurando incontáveis e sinceros “Eu sinto muito”, “Não foi intencional”, “Desculpa, Stan...”, sem conseguir encará-lo fixamente.
Stan, por sua vez, mal escutava. Os sentimentos vinham todos para ele. Em dobro. E ele simplesmente não sabia como lidar com isso.
Estava, primeiramente em choque, por também ter gritado isso. Ter chamado o nome do irmão no calor do momento. Ele havia feito. Pelos céus, ele havia gritando “Ford”! Não conseguia mover um músculo, o ar parecendo não chegar aos pulmões, a garganta seca, as pupilas que fixavam o nada contraídas. Não seria a primeira vez, mas não era certo desta. Não queria aceitar que estava tão abalado a esse ponto, não queria aceitar que, é, sentia sua falta. E mesmo que aceitasse tudo isso, aquilo já era demais. O que Fiddleford estaria pensando dele, pelo amor de Deus?! Gritar o nome do irmão assim no meio do ato não era normal! Ele podia até tentar usar a desculpa de “O seu nome é FiddleFord, eu estava tentando te chamar”, mas não. Não teria como. Ele nunca chamava o outro por Ford justamente por isso. E não seria diferente agora, não seria aceito com naturalidade, o que Fidds acharia?!
Mas, espere.
Fiddleford também havia dito isso.
Ele também gemera alto, praticamente gritara “Ford” junto dele, não é?
Agora mais a par do que estava acontecendo ao seu redor, embora o sangue ainda parecesse congelado nas veias, esquecendo de bombardear-se para o resto do corpo, ele estava conseguindo focar melhor ao ambiente a sua volta. Olhou para Fiddleford, que segurava seu rosto com carinho, murmurando incontáveis pedidos de desculpa, sem encará-lo.
Será que, no final das contas, era... Isso...?
Não mentira para si mesmo: Já havia cogitado, algumas diversas vezes, se, para Fiddleford, não era só um substituto de Stanford. Mas, sempre que começava a pensar nisso, forçava-se a parar. Nunca havia se permitido afundas nesse tipo de pensamentos porque não era justo com Fiddleford. Seria egoísta demais da sua parte. Porque Fidds era sempre tão bom e tão bom para ele. Estivera lá, o amparara, o amara e havia abandonado Stanford muito antes de conhecê-lo, não é? Ele mesmo começara com as investidas, não Fiddleford. Não seria justo com ele, que estava lá, todos esses anos, o amando, pensar esse tipo de coisa.
Mas como contestar esse tipo de provas?
Ele não podia julgar, afinal, também havia dito. E estava completamente em pânico por isso. Mas, como contestar aquele “Ford!”?
— Stan, por favor... – Voltou a focar-se nele, que parecia arrependido até os ossos. Mas por que estava tão arrependido? Seria isso tudo mesmo? Suas constatações estariam certas, uma vez na vida? Se fosse verdade, que homem de sorte era, não? A primeira vez a acertar é algo assim, que só serviria para partir-lhe o coração e magoar todos os seus sentimentos. Ele tentava não julgá-lo por seus próprios pecados, mas, em um momento como esse, qualquer ser humano é frágil e ser imparcial é simplesmente impossível.
Precisava pensar, precisava de ar. O corpo pedia a cama, mas a mente ia contra. Parece que todos vão enfrentar conflitos assim, pelo menos uma vez na vida. Ainda estava praticamente mortificado com o que fizera e não sabia como reagir ao que viera de Fiddleford. Afastou-se. Levantou.
—Stan... – Precisava de ar. Precisava respirar.
— Depois conversamos, Fiddleford. – Limitou-se, enquanto se afastava.
— Stanley...
— Depois, Fiddleford.
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