Apreciação Perpétua
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— E o verão está terminando mais uma vez. – Comentou na frente do espelho, notando alguns fios brancos. Fiddleford, da cama, levantou o olhar para ele, sorrindo com carinho, terminando de arriscar algumas notas no seu banjo. – Você viu isso?! – Apontou os cabelos. O outro murmurou um “Uh?”. –Estou ficando velho, Fidds.
— Estamos, Stan. O tempo passa para todos, querido. – Tentou tranquilizá-lo.
— Eu sei. Mas estou preocupado mesmo assim... Quer dizer, ele devia passar tão rápido? Olhe pro Tate! Ele já tem 16 anos! Ele devia ter 16 anos? – Fiddleford gesticulou com a cabeça, pedindo para o namorado juntar-se a ele na cama. – Ele vai embora amanhã?
— Vai, mas disse que volta antes do próximo verão. – Desde que viera morar com Stan, Tate vinha passando os verões com eles. Fiddleford era um bom pai e Stan fazia o possível para ser uma figura presente também. Gostava do garoto.
— Uh. – Gemeu ao sentar na cama, algumas dores no corpo o incomodando. Vinha trabalhando um pouco demais ultimamente, uma vez que o portal apresentara alguma reação aos seus esforços.
Fiddleford começou a tocar uma melodia agradável aos ouvidos. Os olhos fechados, a respiração calma. Os anos haviam passado, era verdade. E seguiam em uma velocidade assustadora. Mas algumas coisas eram imutáveis e o tempo não conseguia simplesmente alterá-las. Uma delas era o fato de Stan achá-lo lindo. Cativantemente lindo. Apreciou aquele momento com tudo que podia, esquecendo os grandes problemas do mundo também. Estavam ali, juntos. No momento, não era o que mais importava? O tempo ia passar, mas, esses pequenos momentos, ele, com certeza, iria guardar.
— Bom, já está tarde. – O menor encerrou a canção e deixou o instrumento de lado, apoiando-o perto da cama. – Melhor irmos dor... Stan? – Fidds notou que o namorado mantinha o olhar fixo nele, completamente perdido. Quando o escutou chamar seu nome foi trazido de volta a realidade, apoiou um dos joelhos na cama e curvou-se um pouco, trazendo o rosto de Fidds para perto do seu, tomando seus lábios com paixão, enquanto ia o empurrando, até deitá-lo, ficando por cima dele.
— Estou sem sono, nerd~ — Cantarolou, a voz rouca e baixa, daquele jeito que ele sabia que excitava Fiddleford, que não pode evitar corar forte.
— Ohh, Stan...
— Você é tão lindo, Fidds – Sussurrou perto do seu ouvido, fazendo um arrepio percorrer-lhe o corpo. – E eu te amo tanto e quero te amar inteiro... – Dito isso beijou-lhe o pescoço. Respirando fundo, o menor engoliu em seco. Stan foi então desabotoando-lhe os botões do pijama com uma lentidão enlouquecedora, a mão roçando a pele sob o tecido muito delicadamente.
— Você não vai fazer isso comigo de novo, né? Eu tenho que acordar cedo amanhã, Stan... – Fidds fingiu argumentos, já sentindo o corpo quente, o calor começando a concentrar-se entre suas pernas. A resposta de Stan foi aquele sorriso pervertido.
— Você está certo. – Disse, o pijama do outro já inteiramente aberto, e passou a mão pelo seu peito, com aquela delicadeza desnecessária, parando no seu ventre. – É bom você estar descansado amanhã... – Voltou a curvar-se e beijou-lhe o pescoço mais uma vez, os dedos parados no cós da sua calça. – Não é bom eu ficar te cansando... – Provocou, sussurrando perto do seu ouvido, agora o acariciando de leve por cima da calça. Fiddleford arfou.
— Pelo amor de Deus, Stanley! – Agarrou-lhe os cabelos e puxou-o para um beijo urgente, que era só desejo e que ele fez questão de corresponder a altura, as mãos voltando a deslizar pelo corpo do namorado. – Você já começou, não se atreva a me deixar assim! Por favor... – Acrescentou com aquela expressão incrivelmente doce. Stan sorriu vitorioso.
— Ohh, eu jamais faria isso com o meu nerd favorito!
Certamente não dormiram muito naquela noite. Como em diversas outras. Mas em noites como essa nenhum deles se importava em ter poucas horas de sono.
{...}
O telefone não parava de tocar.
Já haviam o ignorado as outras duas vezes, mas está estava pior. Fossem por estarem já meio-acordados ou pelo fato de não estar havendo desistência dessa vez, estava pior. Porque, pelo visto, a pessoa do outro lado da linha não iria desistir até alguém atender e simplesmente não parava.
Fiddleford se remexeu na cama, pronto para levantar e enfim ir ver quem precisava com tanta urgência ser atendido. Mas o braço de Stan o envolveu e puxou-o para mais perto antes que ele pudesse se sentar. Ahh, dormir de conchinha era bom, ele lembrou, e quis ficar mais um pouco. Mas precisava atender aquele bendito telefone. O outro, vendo que o menor não desistiria de se levantar, sussurrou um “Deixa que eu vou” próximo ao seu ouvido, ainda sonolento.
O telefone nem estava no quarto e ainda sim conseguia ser completamente irritante e insuportável. Stan saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. O aparelho teria sorte se ele simplesmente o atendesse, ao invés de jogá-lo contra a parede mais próxima. Respirou fundo e o tomou em mãos. Depois de contar até 1000 e o aparelho ainda não ter parado de tocar o atendeu, esfregando os olhos, com vontade de bocejar.
— Stan Pines. – Atendeu. O outro lado da linha não respondeu, mas não ficou mudo. Chiados mostravam que tinha alguém ali. Então porque não respondia de uma vez? “Só me faltava essa”, massageou os olhos. – Alô?
— S... Stan?! – A resposta finalmente veio, uma voz feminina, aparentando não ser tão jovem, exclamou, um pouco alto demais. Stan parou. Stan parou tudo. Os movimentos do indicador no fio do telefone, o pé esquerdo que antes batia contra o chão, todo o resto. A respiração, a pulsação, as batidas do coração. Por um ligeiro segundo tudo parou. Já fazia alguns anos... Mas é claro que se lembrava. Jamais esqueceria. Nunca confundiria aquela voz, única, embora alguns anos envelhecida. Da mãe. Não conseguiu responder, a garganta seca demais. – Stanford...? – Ela arriscou. Piscou algumas vezes, enchendo os pulmões de ar.
— Oi, mãe.
Não sabia como reagir a isso. Não falava com ela desde que saira de casa. Agora, receber uma ligação assim, de surpresa... Não estava preparado para isso. Talvez nunca fosse estar. Ele havia falado com o pai por telefone uma vez. Logo após aquela noticia ter saído no jornal. O pai ligara para Stanford para informa-lo sobre a lamentável morte do irmão. Ele soara arrependido e culpado. Disse que não devia ter colocado o filho para fora. Havia sido uma conversa um pouco sentimental entre “Stanford” e o pai. E já o machucara o suficiente. Para agora ter que atender a mãe, assim... A mãe, que sempre significara tanto para ele, a pessoa de quem sentia tanta falta... Que achava que ele estava morto e havia ligado para falar com o Ford... Aquilo era um pouco demais para ele.
— Aconteceu alguma coisa? É um pouco cedo para a senhora estar acordada, não é? – Foi a sua vez de arriscar. Tinha que agira como o Ford, como o Ford agiria. Porque ele tinha que ser o Stanford.
— Eu estou com saudades, filho. Não tenho conseguido dormir direito. Resolvi ligar, já que você nunca liga para a sua velha mãe. Você nunca veio me visitar e... – Era o Stanford. Tinha que agir como ele! Mesmo isso machucando...
— Mãe, eu sou um homem ocupado agora. E estou ocupado com os meus projetos nerds e... Pesquisas! – Corrigiu-se de imediato, tossindo um pouco. – Eu não sei quando... Quando vamos poder nos ver... Eu vou ver se consigo tirar uma folga logo.
— Claro... Querido. – Ela disse, a voz suave, um pouco vaga Será que ela... percebera alguma coisa? Não estava sendo convincente o suficiente? – Está tudo bem, querido? Você sabe que se tiver algo errado ou se precisar de qualquer coisa pode contar pra sua mãe. – Intuição. É claro que ela sempre fora uma mentirosa patológica, mas tudo vinha de algum lugar, sabia ele. E, se as pessoas acreditavam nela, por algum motivo, era porque ela tinha intuição. E, agora, sendo pego assim, frágil, desprevenido... Ele só queria poder contar tudo a ela. Abraça-la, ser amparado. Ela entenderia. É claro que ela acreditaria no seu menino. No seu Stanley.
— Está tudo bem, mãe. A senhora não precisa se preocupar tanto. – Ele disse, cada palavra saindo praticamente arrastada. Ele queria engolir todas elas. – Eu só estou ocupado.
— Eu sei, Stanley, querido. – E mais uma vez o ar não conseguiu chegar a seus pulmões, faltando. Ela nunca havia os confundido. Nunca. Eram gêmeos idênticos e, como as crianças que foram, obviamente já haviam trocado de roupas, Ford escondia os dedos e Stan colocava os seus óculos. “Adivinhe o Stan”, eles perguntavam a ela. Qualquer um os confundiria. Porque eram gêmeos idênticos. O pai errava. Ela não. Ela sequer havia trocado seus nomes alguma vez na vida. Ela nunca os confundia.
— Mãe... – Engoliu em seco, sem saber se devia prosseguir. Se devia desligar o telefone, desistir de tudo, contar tudo. – É o Stanford... O Stan, ele... – Não podia. Não podia envolvê-la nisso tudo.
— Oh, eu sei, eu sinto muito. – Ela respondeu, não parecendo nem um pouco incomodada com a situação, usando de uma tranquilidade invejável. – Desculpe, Stan. – Insistiu ela. – Eu sei quem você é, não sou de ficar confundindo meus filhos. – Stan era o seu apelido. Sempre fora. O de Stanford era Ford e a mãe sabia. Melhor que ninguém, ela sabia. – Eu imagino que a vida deva estar difícil e que muitas coisas devam ter acontecido... Mas saiba que eu estou aqui se precisar, ‘tá? Eu sempre vou acreditar no meu menino.
— Mãe...
— Eu te amo. Me ligue quando puder. Nem que seja para falar dos seus projetos nerds. Eu te amo, Stan, querido.
A linha ficou muda. Stan também. Quase tremia. Queria tanto contar tudo a ela. Queria tanto abraçá-la, ser confortado, voltar para casa, depois de todos esses anos. Sentias tanto sua falta. Tanto.
Subiu de volta para o quarto. Os passos pesados, os ombros doloridos de toda a tensão que havia acumulado neles durante toda a conversa. Era verão, mas, apesar disso, tudo que queria era voltar para a cama, enfiar-se sob muitos cobertores e não sair de lá tão cedo. Estava exausto demais para continuar encarando a realidade toda. Não queria. Sentia o corpo pesado por toda a culpa, e como sentia essa culpa. Era palpável, estava ali. Era uma das primeiras vezes que sentia-se mal por mentir. Quando abriu a porta foi recebido por Fiddleford, que sentou na cama e bocejou, esfregando os olhos.
— Quem era? – Perguntou com aquela voz de sono, o rosto ainda amassado no travesseiro. Stan o encarou por alguns segundos. E então se jogou na cama, descansando a cabeça no colo do amado, que, imaginando más noticias, começou a afagar-lhe os cabelos muito teramente, O sol havia acabado de nascer, mas Stan só queria descansar mais um pouco. “Depois, Fidds”, murmurou um pouco antes de pegar no sono.
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— Sua mãe?!
— É. – Stan tentava arrumar a gravata. Sempre fora bom nisso, dando os nós mais complexos em segundos. Mas ali estava ele agora, tentando falhamente dar um nó simples na gravata. Havia sido bom dormir mais um pouco. Colocar os pensamentos em ordem, esfriar a cabeça. Mas não havia sido “só um pouco”. Então acabara perdendo hora. – Ela ligou para falar com o Ford. Até ai não seria surpresa. E eu tentei fazê-la acreditar que estava falando com o nerd do meu irmão, mas... Não sei se fui... Convincente o suficiente. – Fiddleford o observava, preocupado. Aproximou-se e terminou o nó na gravata do namorado.
— Acha que ela sabe? — Stan suspirou, agora tendo o Fez colocado na cabeça por ele.
— Eu tenho certeza. Eu queria contar pra ela, Fidds. Ela é a ultima pessoa no mundo para quem eu gostaria de estar mentindo agora. E eu sei que ela acreditaria em mim. Ela sempre acreditou. Mas eu não posso metê-la nessa confusão toda. É complicado demais até para nós... – Voltou-se para o espelho.
— Eu entendo perfeitamente, Stan. – Fiddleford o abraçou com carinho. As vezes também queria poder contar toda a verdade para o filho. Mas tinha coisas em que eles simplesmente não podiam meter as pessoas de fora. Pessoas importantes. Talvez ele soubesse, mais que Stan, o quão fundo esse buraco era. E os dois estarem lá já era demais.
Olhando agora para o seu reflexo, Stan percebeu que não envergonhava-se mais de si mesmo. Era uma pessoa cheia de culpas e arrependimentos, quanto a isso não havia duvidas, mas, refletido ali, não sentia-se como alguns anos atrás, em relação a si mesmo, quando havia falhado miseravelmente em tudo. Mas o maior dos motivos disso também compunha a imagem: Fiddleford, que o abraçava tão ternamente. Talvez não tivesse chegado até ali sem ele. Possivelmente não teria chego a lugar nenhum, pelo que imaginava. Essas eram as verdades: Não sentia mais vergonha de si mesmo. E não podia mais ficar sem ele. Queria que a mãe pudesse vê-lo agora. Ela se orgulharia. Tinha certeza que sim.
Mas eles estavam todos envelhecendo muito rápido. Talvez logo não tivessem mais tempo.
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Devia ser a primeira vez na vida que preparava o café sem estar de pijamas, como de costume. Ter se caracterizado apressado com a ajuda de Fiddleford o rendera um pouco de tempo, uma vez que havia mesmo perdido hora. Fidds terminava de arrumar a mesa com a ajuda de Tate e parece que não iriam pular mesmo o café da manhã “em família”. Stan não se perdoaria por perder esse pequeno momento que sempre guardava com carinho. E, no final das contas, Tate havia vindo passar todos os verões, desde então. Isso era bom e eles se davam bem. Terminou de preparar o café e o serviu, logo se juntando aos dois na mesa. Alcançou o jornal e passou os olhos pelas matérias. Como se Gravity Falls pudesse trazer qualquer noticia interessante, afinal.
— Pai. – Ouviu Tate chamar por Fiddleford e, curioso, baixou um pouco as folhas do jornal, mais interessado no que o garoto podia ter a dizer do que todas aquelas coisas entediantes que as se passavam por noticias. Fidds também se voltou para ele, dando-lhe toda a atenção. Mas, ao invés de qualquer comentário extra, o adolescente de 16 anos apenas corou, resmungando um “Nada”, voltando a atenção para o café. Stan deu de ombros sorrindo e voltou para o jornal. “Adolescentes...”.
{...}
O dia estava particularmente tranquilo. Fiddleford no caixa, havia puxado uma cadeira e sentado, já que há uma boa hora não tivera que mexer nele. Com rosto descansando na mão, observava Stan falando com um grupo de turistas, no mínimo encantado com o que via, soltando suspiros abobados, como se ainda fosse um adolescente. Ao seu lado, Tate terminava de colocar alguns souvenires em uma prateleira nova, os olhos sob a franja também voltados ao Senhor Mistério, sem suspiros ou coisas assim, apenas aquele ar clássico de admiração.
— Acha que ele se importaria? – O rapaz perguntou, terminando de empilhar os souvenires e pegando uma vassoura, tirando o pai dos devaneios e suspiros. As vezes ele se perguntava se os dois sequer tentavam esconder ou se eram apenas tolos e apaixonados demais e simplesmente não conseguiam se conter.
— Uh?
— O Stan. – Fidds sorriu.
— Sobre? – Tate negou com a cabeça, sorrindo. O pai definitivamente não escutara uma palavra. Concluiu que era a segunda opção a correta. Tolos e apaixonados, demais.
— Eu chamá-lo... de pai. – As ultimas palavras não saíram mais altas que um sussurro. Era um pouco complicado dizer isso uma vez que tinha a total atenção do pai. Fiddleford pareceu pego completamente de surpresa e arrumou os óculos, tentando fechar a boca. Ele não esperava por essa agora. Tão cedo. Na verdade ele nunca esperou por isso. Mas não era como se não tivesse adorado a ideia.
— Tate... Ohh... Eu não sei o que dizer... Digo... Tenho certeza que tudo bem pelo Stan, mas por que... Como você...
— É evidente que vocês estão juntos, pai. – Ele se apoiou na vassoura. – Francamente, com o jeito que vocês se olham não tem como negar. – Fiddleford corou forte, sem saber onde esconder o rosto. Tate sabia esse tempo todo. E ele achando que estavam escondendo tão bem... Mero engano, mero engano! — Não tem problema, sabe. – Acrescentou um pouco sem jeito, ao notar que o pai ia começar a (tentar) dar explicações. – Eu não me importo. E considero muito o Stan. Vocês são presentes e ele me acolheu todos esses verões de uma forma tão... Stan. – Fidds entendeu o que aquilo significava. Ele sabia bem o que era essa forma Stan, que havia sido pelo que se apaixonara desde o começo. Sorriu comovido, deixando o garoto continuar. – Ele é importante. Eu queria retribuir. Que ele soubesse disso. – Ambos olharam para ele, que ainda mantinha os turistas entretidos com explicações e histórias absurdas sobre os itens da loja de presentes. E compartilharam um sorriso.
— Eu fico muito feliz, Tate. De verdade. Que sinta tudo isso em relação a ele. E tenho certeza que ele vai ficar tão feliz quanto eu e você estamos, se não mais, ao saber de tudo isso. – O adolescente sorriu sem jeito e assentiu, começando a varrer. Fiddleford não tinha como conter a felicidade. Quase não cabia no peito, que estava tão aquecido, com o coração batendo pleno e feliz.
— As vezes eu sinto que ele te salvou de alguma coisa.
— Uh...?
— Antes... Da Cabana do Mistério e tudo, eu sentia como se você estivesse se afastando. Mas é como... Você mudou quando voltaram a se falar. Voltou a ser como antes, sem estar paranoico nem nada... – Fiddleford escutou atentamente, sério. Ele sabia que havia ficado péssimo. Paranoico, desesperado, no limite, quase perdendo o juízo. Mas não se dera conta que havia passado tudo isso para o filho. Mais uma vez Stan era como uma luz. A luz da sua vida, sem nem tentar, sem nem saber. – É como se ele tivesse me devolvido meu pai. – Disse sorrindo. – E ainda me dado mais um. – E Fiddleford, com certeza, ia chorar.
— Ei, Tate! Me ajuda a levar essa caixa misteriosa e pesada para a exposição? – O motivo daquilo tudo gritou do outro lado do cômodo. – Estou ficando velho, garoto! – Tate deixou a vassoura de lado e apressou-se para perto do Senhor Mistério, que alongava a coluna, sorrindo para o pai antes de se afastar, deixando-o nostalgicamente preso nos próprios pensamentos, segurando algumas lágrimas de pura emoção.
{...}
— E o verão está acabando de novo. – Stan bateu o porta malas do carro e Tate se encostou no veiculo.
— Obrigado por me ajudar com as malas, Stan.
— Nah, você sempre me ajuda com um monte de coisas. – Ele se alongou, bocejando. Parecia mais cansado esse ultimo verão. O tempo estava passando. – Você está crescendo tão rápido... Logo não vai mais querer passar o verão aqui, vai começar a pensar em faculdade e essas coisas todas... – Ele disse, passando a mão pelos cabelos, parecendo um pouco resentindo, embora Tate não tenha entendido com o que.
— Não... De jeito nenhum, Stan. Eu estava pensando em vir para Gravity Falls, sabe, depois de me estabilizar e tudo. Assim posso ficar por perto... – Com aquele sorriso animado o Senhor Mistério deu-lhe um tapa carinhoso, embora forte, nas costas.
— Vai ser bom te ter por perto, garoto. – Ficaram em silencio por algum tempo, esperando Fiddleford, que levaria o filho para casa.
— Stan... – Resolveu começar, timidamente. Algumas coisas eram complicadas de serem ditas. O outro resmungou um “Uh?”, fitando-o com interesse. – Sabe... Obrigado, por tudo. Mesmo. – Um pouco confuso, não respondeu de imediato.
— Você e seu pai fazem isso de agradecer sempre, não é? – E, apesar de tudo, era Stan quem tinha o sorriso mais grato. – É um prazer, garoto. – Mais um curto silencio, que pareceu eterno para Tate, constrangido. Respirou fundo e tomou coragem, porque ele precisava. E porque queria mostrar a Stan isso. Respirou fundo, mais uma vez e enfim:
— Vou sentir saudades, pai. – A frase saiu de uma vez, sem rodeios. Stan olhou para os lados, confuso, procurando o namorado, mas ele não havia saído ainda. Olhou para Tate com uma expressão de duvida, sem entender. Então notou o garoto completamente vermelho, a cabeça baixa, encarando o chão, mexendo no boné, sem jeito. Abriu os lábios, meio incrédulo, e apontou para si mesmo, em forma de questionamento. O rapaz assentiu algumas vezes, ainda constrangido, sem conseguir se livrar do rubor e Stan demorou um tempo para assimilar a informação. Tate o chamara de... Pai? Ele significava tanto assim para o garoto? E Tate sabia... Sobre ele e Fidds? Antes de conseguir esboçar qualquer maior reação, ou mesmo de entender porque o coração batia tão feliz por isso, Fiddleford apareceu atrás de si, animado, cumprimentando-o com um beijo na bochecha.
— Stan, Tate. – Arrumou o boné do filho, que já estava praticamente da sua altura. –Bem, vamos indo? – O rapaz assentiu e acenou timidamente para Stan antes de entrar no carro, acomodando-se no banco de passageiro. Fiddleford deu a volta e foi para o lado do motorista.
— Fidds! – Chamou, o outro já tendo colocado o cinto. Apressou-se em se aproximar do carro e parou à janela de Tate.
— Uh?
— Ah... Boa viajem, pra vocês. – Apoiou-se na janela. – Eu também vou sentir saudades, garoto. – Esse era o seu jeito de expressar o quanto aquilo significava. E era muito. – Até o próximo verão.
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