Apreciação Perpétua
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Porque Stan era como ele, mas totalmente diferente.
As coisas haviam acontecido rápido demais para que Fiddleford conseguia colocar em ordem.
Ele e Stanford haviam começado como colegas de faculdade. Dividiam o quarto, conheceram-se. A vida seguiu depois disso.
Os anos passaram e nada espetacular aconteceu. Não até Stanford chamá-lo, tanto tempo depois, para um projeto grandioso. Seriam novamente apenas os dois.
Ford era brilhante. Genial. E, embora Fiddleford também o fosse, na época, não conseguia cogitar comparar-se a ele. Ford era tudo isso. Sabia de tudo, seguia com paixão tudo aquilo que admirava. Sua devoção pela ciência e espaço fascinavam Fiddleford.
O encantavam.
E, como se tudo isso já não fosse o suficiente para preencher as características marcantes de um grande homem, ele também era lindo.
Com o tempo, passaram a dividir tudo: Idéias, sonhos, aspirações, teorias, livros, ferramentas.
A cama.
As estrelas.
O espaço.
Mas Stanford, como todo homem genial, também tinha seus limites. E, sua maior limitação parecia também ser esta: Tinha grande dificuldade para entender tudo que era relacionado a “sentimentos”. Ele trabalhava melhor sozinho, ele tinha suas prioridades e “sentimentos” jamais estariam no topo de sua lista de prioridades. Fiddleford entendia. Não tinha problema. Estava tudo bem. Ele estava bem.
Mas todos tem limites.
O temperamento de Ford foi piorando de tempos em tempos. De entusiasta à neurótico. Mas tudo bem. Isso devia ser normal, a ansiedade, a pressão que colocava sobre si mesmo, todas as expectativas. Isso certamente mexia com ele. O portal estava quase pronto. Logo teriam seus méritos. E que tudo voltasse ao normal. Ou passasse a brilhar de uma vez.
Foi quando o dia do teste chegou.
Um pequeno descuido, sabe-se lá por conta de quem. Como poderiam imaginar?
O acidente.
Fiddleford Hadron McGucket viu coisas horríveis. Que ele jamais poderia descrever em palavras. E não queria. Jamais desejaria que alguém mais visse o que viu, que qualquer um passasse pelo que passou. Não. Ele estava em choque. Devastado. Aterrorizado.
Ele só queria esquecer. E quem poderia culpá-lo?
Não podia concordar com isso. Previsivelmente Stanford não aprovou. Mas Fiddleford sabia que não tinha problema, no final das contas. O cientista não precisava dele. Sabia trabalhar sozinho e fazia isso muito bem. Não teria problemas.
Na verdade, tinha todos os problemas do mundo. Sabia do estado de Stanford, beirando a sanidade tanto quanto ele, ouvindo vozes, aquilo que Fiddleford gostava de pensar que eram apenas alucinações e o resto todo do quadro. Não queria abandoná-lo. Mas sentia que acabaria perdendo a própria sanidade se não partisse imediatamente.
Se já não tivesse perdido.
Fale com o autor