Notas iniciais
[Nota da NanamiUchiha] Antes de mais, começo por agradecer à Naiara Bomfim que deixou o seu Review no Capítulo passado. Arigatou gozaimasu o/ Bem... Eu bem disse que o Sasuke ia levar muito nas orelhas, e parece que a Sakura me deu ouvidos, e nós as duas junta-mo-nos ao baka do Naruto para ver se ele ganha um pouco de juízo naquela cabeça. Se bem que... Teimoso como ele é... Veremos qual será o resultado aqui. Aqui têem mais um Capítulo fresquinho para vocês, espero que esteja do vosso agrado o/

– Já me tinha esquecido que este elevador consegue ser bem lentinho.

– Relembra-me lá de novo… Quem disse que podias vir comigo?

– Ora, deixa-me ir lá ver a tal beleza que tens como secretária, posso estar comprometido, mas não sou cego. Além disso, agora sei como conquistares uma miúda de forma a ela não ir embora no dia a seguir. É, seguramente, uma arte que ainda não dominas…

– Valha-me Deus…

– Por isso, deixa que um profissional te mostre como se faz.

– Vê mas é se ficas calado a um canto e me deixas trabalhar. De certeza que papelada não me há-de faltar.

Saí do elevador, após este dar o habitual “plim” irritante, quando chegou ao meu andar. O Naruto seguia-me como uma lapa, olhando em volta, embasbacado. Enquanto abria a porta, ouvia a voz da Haruno, certamente a falar ao telefone, pois despachou a pessoa assim que ouviu o barulho dos meus passos. Ouvi algo a ser embrulhado também. Talvez ela estivesse a almoçar, se bem que já passava da hora para isso. Bem… Ela aguentara as pontas ali durante os dias em que eu não fora, logo não tinha de reclamar de nada.

– Boa tarde. – Disse simplesmente, entrando depois na minha sala, fechando a porta para o Naruto parar de lhe mandar olhares de incentivo para algo que eu não queria saber o que era.

Suspirei ao olhar a secretária. Bem… Não eram tantos processos como eu pensava que iriam ser. Uns trinta, pelo menos, estavam sobre a mesma, com um molho de, assim à vista larga, umas cinquenta quartas, alinhadas ao seu lado. Sentei-me pesadamente na minha cadeira, abrindo o primeiro arquivo. A Tsunade de certeza que já devia ter mandado vir, tínhamos um caso de peixes graúdos para tratar e eu nem tinha medido cá os coutos. Franzi, por isso, o sobrolho ao ver o bilhete que ela deixara. Contacta-me assim que vieres da “Conferência”ou estaremos ambos em sérios sarilhos com o Promotor Público.

Conferência? Qual Conferência?

Carreguei no intercomunicador, ouvindo o “beep” lá de fora.

– Haruno, chega aqui.

– Ahh, não sejas tão frio com a rapariga. Ela até é bonitinha. Porque não a chamas pelo primeiro nome?

– Porque não faço ideia de qual seja, tenho mais que fazer do que decorar nomes.

– Francamente, se não tivesses de assinar tanto papel com ele, aposto que até do teu nome esquecias.

– Às vezes, isso era tão bem pensado…

– Lembras-te do que a gente conversou há umas horinhas, certo?

– Naruto fecha a matraca, sim? Estou a tentar concentrar-me. Queres uma folha para fazeres um desenho?

– Pára de me tratar como uma criança, eu vou casar.

– Se voltas a referir mais alguma vez isso, garanto-te que a lua-de-mel não vai ter grande acção. – Peguei na minha lâmina de abrir carta, abrindo uma missiva meio à bruta. O engolir em seco do Naruto confundiu-se com o barulho da porta a abrir-se, dando passagem aos cabelos rosados.

– Chamou, doutor? – Não passou despercebido o tom irónico que ela empregou ao título.

– Chamei sim. – Levantei o bilhete. – Posso saber a que Conferência a Tsunade se refere? É que também já encontrei mais referências a ela, em algumas das cartas.

– Bem, eu tive de dar algum tipo de justificação para a sua ausência, dado que não me deu uma de qualquer tipo, apesar de todos os meus telefonemas. Tive de dizer a todos os seus accionistas e clientes que tinha ido, de emergência, para uma Conferência no exterior, e que não sabia quando iria voltar. – Respondeu ela, sem demover o tom irónico ao tratar-me por você. O olhar dela estava mais cortante que o habitual, os braços em redor de mais arquivos, que mantinha abraçados contra o corpo.

O Naruto riu-se, no seu canto, dizendo algo como “Ui, ela tem pêlo na venta”.

– E eles acreditaram?

– Tendo em conta o número de aspas usadas em torno da palavra, penso que não, mas pelo menos fingiram bem tal coisa.

– Pelo menos, não vou fazer uma total figura de parvo, quando voltar a falar com eles. Podes ir.

– Peço desculpa?!?

Levantei os olhos do arquivo em que tinha pegado, admirado com o choque que ouvia na voz dela. Ela olhava-me de boca aberta, com a indignação patente em cada linha do rosto. Ela ficava assustadora assim… Assustadoramente atraente.

– Sim?

– “Não vai fazer uma total figura de parvo”? E a figura que eu tive de fazer, colocando em questão a minha imagem como sua secretária e até o seu próprio nome? Já pensou o que poderia ter acontecido se todos tivessem percebido que o que eu contei era mentira, e fossem dizer ao seu pai? O que faria neste momento, se eu tivesse sido demitida? A culpa seria inteiramente sua, pois não se deu ao trabalho de sequer pegar no telemóvel para atender as minhas chamadas, para que eu pudesse dizer algo credível aos accionistas ou clientes. Eu não vim para aqui para mentir descaradamente às pessoas, Doutor Uchiha. Vim aqui para trabalhar decentemente, e consegui fazê-lo durante anos para o seu pai. Coloquei a minha dignidade e todo o meu trabalho em jogo e tudo o que me diz é “podes ir”?

– Ele não é lá muito agradecido, não, ainda há bocado lhe…

– Cala-te, Naruto. Onde queres chegar com isto, Haruno?

– Quero chegar ao ponto de, pelo menos, me tratares como uma pessoa. Não tenho culpa que sejas um fedelho mimado, habituado a ter tudo o que sempre quiseste e que agora, por mau comportamento, te vejas obrigado a tratar de algo que o teu pai criou. Não sou as habituais mulheres que usas e deitas fora, depois de te servires, Uchiha. E não me digas que nunca pediste por nada disto. – Interrompeu ela, quando eu ia para abrir a boca. – Estou bem ao corrente de todas as discussões com o teu pai, bem como a opinião que tens sobre esta empresa. Mas este trabalho tem sido a minha vida e eu não vou por a minha ética nunca mais em risco, só para te salvar de “fazeres uma completa figura de parvo”. Tenho uma novidade para ti, que cresceste a ter tudo: A vida não corre como queremos! Eu sei a falta que a tua mãe te faz, mas caramba a tua vida continua! Levanta-te e faz qualquer coisa dela, pára de agir como uma criança mimada numa birra sem fim.

– Vês? Tal e qual o que eu te disse.

– Cala-te, Naruto! – Berrei dessa vez, enquanto a Haruno lhe pedia o mesmo, mas acrescentando um “san” e um “por favor” no fim. Olhei-a só muito, durante algum tempo, voltando a vê-la a ter uma atitude mais profissional, mas sem parecer arrepender-se de nenhuma palavra.

– Se me quiser demitir devido às minhas palavras, está no seu direito. Tenho a certeza que há muito mais pessoas qualificadas, para estarem neste lugar.

Não disse uma palavra, ponderando sempre as dela, cruzando-as com as que o Naruto havia dito horas atrás. Cruzando-as com as que o meu pai me vinha a dizer há anos. Cruzando-as com as que a minha mãe me dizia, quando ainda era viva. Era improvável que fossem eles a estarem errados, tendo tantos argumentos em comum, e ser eu o correto no meio de tudo.

Quanto à atitude dela… Lembrava-me de o meu pai falar como ela, uma vez, se virara incisivamente contra ele, mantendo-se fiel a quem era, mesmo sendo tão inferior, do ponto de vista económico, à vida que nós levávamos. Perante o meu olhar tão fixo, ela limitou-se a pousar os arquivos que ainda abraçava contra o corpo e virou-se para a saída. Suspirei baixinho, mandando o meu pisa-papéis à cabeça do Naruto, quando este me começou a fazer sinais para não a deixar sair assim.

– Haruno? – Os olhos verdes dela viraram-se de novo na minha direcção. Lembrei-me do dia em que, meio arrogante, a convidara para almoçar comigo, pensando que ela iria cair nos meus encantos como todas as outras. De facto, nunca tinha conhecido uma mulher como ela, que não mudava apesar de todas as tentações ou pedras no caminho. – Obrigado. Por tudo. Quando puderes, traz-me um café e todos os arquivos pendentes. E… Tens três dias de folga, na próxima semana. É tudo.

A boca dela abriu-se ligeiramente espelhando surpresa, antes de sorrir um pouco e curvar a cabeça, fechando a porta atrás de si.

***

Olhei para o relógio, quando este apitou cinco vezes. Eram cinco da manhã, e eu não desviara dos assuntos do trabalho já há um dia. Conseguira despachar mais de metade dos processos, tendo já ido ao tribunal umas boas dez vezes nesse espaço de tempo. Todos os assuntos com os accionistas já tinham sido tratados, por entre algumas bocas de Conferências por parte da Senju, do A e do Onoki. Curiosamente, apenas o Sabaku me perguntou se eu tinha ficado chateado com a atitude da minha subordinada, ao que respondi que não antes de desligar o telefone.

Passei as mãos pela cara, suspirando longamente, apoiando a cabeça no tampo da mesa. Não aguentava mais da minha cabeça e o meu corpo ansiava por sair dali de vez. Olhei para a porta do gabinete, mantendo a cabeça apoiada. Não se ouvia barulho nenhum lá fora, nem nenhuma luz reluzia no escuro. A Sakura – nome que o Naruto descobriu, quando o mandei embora dali, e me mandou depois numa mensagem – já se tinha ido embora fazia horas, pois eu não permitira que ela ficasse a trabalhar depois das 21h. Já ia ter de me virar três dias sem ela, logo qualquer hora extraordinária que ela fizesse só ia aumentar o número de horas que teria de lhe dar de folga. E sinceramente precisava dela ali.

Nunca me sentira bem por nada que o meu pai tivesse feito, mas de facto ele tinha feito bem em ter ido atrás dela da outra vez e lhe ter pedido para ela ficar no escritório. Mais uma vez eu tentara convidá-la para uma refeição comigo, sob o pretexto de me desculpar pela minha ausência. Ela respondera que a melhor desculpa era eu despachar o meu trabalho para ela poder descansar a cabeça do som irritante do telefone, dirigindo-me um ténue sorriso antes de sair.

Percebia bem o quanto a cabeça dela estava saturada, pois nesse momento senti o meu telemóvel a vibrar dentro do bolso do casaco. Olhei o ecrã, reconhecendo de imediato o número apesar de não o ter gravado na minha lista de contactos. Era o tipo de contacto a que ninguém gostava de ser associado. Deixei o telemóvel tocar, pousando-o no tampo da mesa à minha frente, vendo o saltar na madeira a cada vibração, fazendo o meu queixo tremer. Com aquele número, todas as críticas atiradas à minha pessoa naquele dia vieram-me a cabeça, uma vez mais. Com o passar das horas, tinha vindo a dar razão a cada uma delas.

Há já muito que tinha desistido de fazer planos para a minha vida, dado que, por vezes, me sentia um fantoche à mercê das vontades do meu pai. Talvez fosse altura de rever antigos sonhos, ver se algum tinha potencial para seguir mais além. Talvez conseguisse mesmo o apoio do meu pai para isso, se lhe falasse do assunto como deve ser e deixasse bem claro que não queria financiamento algum, mas sim apoio da parte dele como outrora a mãe me tinha dado. E, claro, teria de deixar bem claro que não iria deixar a Firma. E após aquele dia, não tinha bem a certeza se o queria mesmo fazer. Ali encontrara um modelo de vida, como nunca tinha encontrado antes, e não estava disposto a abrir mão dele.

Levantei-me, almejando ir buscar mais um copo de café à máquina, ouvindo mais uma vez o telemóvel tocar. Ignorei-o uma vez mais. A ruiva teria de arranjar outra pessoa, a partir de agora. Eu tinha um futuro à minha frente e ela não fazia parte dele.

Notas finais
[Nota da SahhChan] Bem e parece que as coisas acabaram por resolver-se, pelo menos em parte, não é mesmo? Ele voltou à empresa e a nossa rosada teve os seus merecidos 3 dias de folga que irá, com certeza, aproveitar ao máximo. No próximo Capítulo, espero trazer-vos uma nova ocasião para se rirem um bocadinho kkk' Não há um Naruto na família da nossa heroína, mas de certeza que haverão momentos de grande humor durante as suas mini-férias passadas com os pais. Até lá, minna !! Voltaremos em breve com mais um vislumbre da história! Esperamos que estejam a gostar dela :3 Sayonaraaa o/