Appetite For Self-destruction
2 Cap. 2 – All over again
Notas iniciais
Boa leitura!
PDV Alice
20 de fevereiro de 2012
Um detalhe que eu havia esquecido de relatar, e que influenciou muito para que eu entrasse nesse inferno, foi minha reprovação no colégio. Aquilo não havia sido uma surpresa, afinal, vadiar um ano inteiro, ainda mais na 2ª série do 2º grau, era pedir para repetir o ano. Eu havia pegado sete matérias, era impossível passar de ano. Recebi a infeliz notícia, mas já esperada, em dezembro, quando estava fazendo um mochilão pelo nordeste junto a minha família, na manhã quente, logo ao acordar. Uma mensagem da minha amiga Danieli. Aquilo havia acabado com meu dia e minha viajem, mas não falei nada para meus pais. Era melhor a notícia vir no papel chamado boletim (costumo chamar de sentença de morte, por motivos já conhecidos por todos, ou pela maioria).
Minha mãe foi mais tranquila comigo, claro que não passou a mão por cima, e dou razão para ela, mas o problema foi meu pai. Ele gritou tanto comigo, mas tanto que nem sabia mais como escutá-lo. Aquilo me matou. Eu já estava acabada por perder meus colegas, alguns faziam mais de 14 anos que faziam parte da minha vida, eu havia perdido todos eles. Não haveria mais a formatura tão sonhada, ao lado das pessoas que eu conhecia tão bem, haveria eu ao lado de estranhos. Bom, como se não bastasse isso, meu pai tinha que acabar com o resto que sobrara de mim. Sim, aquilo me detonou completamente, mas eu consegui erguer a cabeça. Só que não durou tanto tempo.
Primeiro dia de aula, entro no colégio e encontro algumas das minhas amigas, troco algumas palavras e subo em direção à minha nova e assustadora sala de aula. Este era um dia no qual eu queria ficar quieta. No corredor encontro Luiza, uma das garotas de um antigo grupo de amigas que eu estava. Nunca havia conversado mesmo com ela.
- Oi Alice! – ela falou.
- Oi... Como tu tá? – perguntei desanimada.
- É... Mais ou menos né...
- Então quer dizer que você também rodou?
- Sim... Tu também, né... Eu vi. Que merda isso. – me animei um pouco mais, pelo menos alguém que eu conhecia estaria ali.
- Em que sala tu ficou? – perguntei entusiasmada.
- 202, e tu?
- Merda! 204.
- Eu vou falar com a coordenação, eles mudam no primeiro dia.
- Faz isso, não quero ficar sozinha nesse inferno. Sabe de mais alguém que repetiu?
- Sim, mas ninguém que a gente realmente converse... A maioria muda de escola quando isso acontece.
- Verdade... Tomara que esse ano passe rápido.
- Foda-se, eu vou pra tua sala hoje.
- Tá, mas antes pega a autorização lá em baixo, vou junto contigo.
Fomos até pedir a tal autorização com uma das freiras. Ela assinou o papelzinho, mas Luh, como geralmente a chamávamos, poderia mudar de turma apenas no dia seguinte. Subimos as escadas silenciosamente e ao chegarmos ao nosso andar ela olhou para mim.
- Vou ficar lá contigo, não quero ficar sozinha. Depois que me mandem para fora, não custa tentar.
- Tu que sabe.
Primeiro período era matemática, Rosane. Eu já conhecia aquela professora. Era a mais rígida que eu já havia conhecido, mas eu a amava. Era uma ótima professora. Como de costume ela deu seu primeiro discurso para que não conhecia e obviamente, falou dos repetentes... Eu era um desses. Não falou nada negativo, tentava algumas palavras de conforto, mas parecia mais um livro de autoajuda saindo de sua boca. Ao chegar a hora da chamada, claro, Luiza não estava na lista da turma e como sempre, a professora notou.
- Luiza... Tem certeza de que esta é sua sala? – a professora perguntou calma. Ela levantou da classe atrás de mim com o papel da autorização na mão e foi até ela – Você sabe que isto é valido apenas amanhã, certo? – ela assentiu positivo com a cabeça – Tudo bem... Pode voltar a sentar.
- Ela deixou? – perguntei complexada, pelo que eu conhecia da professora, não era isso que deveria acontecer. Luh me lançou um olhar surpreso, assentindo com a cabeça novamente. Logo depois voltamos a ficar quietas, era proibido dar um suspiro naquela aula.
Claro, faltou comentar como me senti naquele lugar. Apesar de estar naquela escola desde meus 3-4 anos de idade, aquela fora a volta as aulas mais sem noção. Meu novos colegas, com exceção dos que também haviam repetido o ano, pareciam ser 5 anos mais novos que eu, quando na verdade tínhamos de 1 a 2 anos de diferença na realidade. Os meninos eram mais infantis do que qualquer um possa imaginar. Logo de cara minha cabeça detectou o inferno naquele lugar. E eu teria que passar dois anos com aquilo, infelizmente. Como sempre fui uma pessoa completamente observadora, já sabia quem eram os grupinhos, quais que gostavam de uma intriga, os mais quietos, os garotos que se achavam “os inconsequentes” quando na verdade tinham medo da professora levantar a voz com eles. Bem, eu nada podia falar, já que até então meu único ato “errado” fora repetir o ano. Tenho vontade de rir quando me lembro dessa época.
Notas finais
Posto o próximo o antes possível para história ficar mais, digamos, emocionante.
Bjos ♥
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