Appetite For Self-destruction
3 Cap. 3 – Piece of a new world
Notas iniciais
Desculpem a demora, e desculpem também por não ter revisado. Se acharem algum erro, pedem avisar.
Boa leitura!
PDV Alice
Lembro como se fosse ontem a primeira vez que entrei no local o qual se tornou muito importante na minha vida, o Classic, o rock bar que frequento até hoje.
Era dia 17 de março, o segundo trimestre ainda não havia começado, mas estava conseguindo tirar notas “agradáveis”, ou seja, meus pais ainda não estavam pegando tanto no meu pé. Fui para casa de Dani, me arrumar para o aniversário de uma amiga nossa, a Marina. O aniversário seria em uma pizzaria, em um local famoso por seus bares de blues e também local do antigo Classic, que agora havia mudado para uma localidade mais afastada de lá. Mudou para o centro da cidade, mas isso já havia um tempo, um bom tempo.
Chegamos a tal pizzaria e ficamos por um tempo ali, até que eu, já que sempre tive muita vontade de ir para o tal “rock bar”, tive a brilhante ideia de ir até lá, depois que terminássemos de comer e conversar. Por fazer muito tempo, não lembro exatamente o que estávamos conversando, mas provavelmente sobre as peripécias de algumas das garotas que ali estavam. No meio disso tudo fiquei mais quieta, como sempre, observando tudo o que elas contavam e com isso “filosofando”. O que eu havia feito na minha vida? O que contaria para os outros quando ficasse mais velha? Que minha vida, minha adolescência, teria sido uma monotonia, algo sem diversão, uma história tediosa qual quem fosse lê-la, fecharia na primeira página? Não, isso não podia acontecer, minha adolescência estava praticamente perto do fim.
Lembro também de ter afastado esses pensamentos e pensado novamente comigo mesma: “Eu não posso, não preciso fazer nada errado para me divertir”. E como eu estava errada. Mas continuei com esse novo e contraditório pensamento.
A hora de sair chegou, pedimos a mãe de Marina que nos levasse para o bar. Até aí tudo bem. Eram sete pessoas entrouxadas dentro de um carro para cinco. Eu estava vestida como sempre: uma camiseta (não era de banda, pois até então eu não havia nem uma. Não que não gostasse, sempre amei bandas de rock no geral, não poderia ficar citando, pois daria um capítulo inteiro) geralmente escura, calça jeans mais escuro, all star de couro e minha camisa preta, com uma caveira dourada atrás (graças a um ser superior, o qual eu não acredito, na época caveiras não estavam na moda). Mas o resto estava com roupas (desculpem, mas é verdade) ridículas. Não por que saiam do meu padrão, não tenho nada contra o jeito de cada um para roupas. Mas por favor, cá entre nós, tem gente que não sabe se vestir. Isso não vem ao caso.
Se não bastasse aquelas pessoas que não combinavam nada com o lugar, os pais da aniversariante ficaram lá esperando o bar abrir até a meia noite. Tudo bem, a cidade onde moro é realmente muito perigosa, mas não havia problemas em ficar esperando ali na rua, que estava lotada. Eu e Dani nos entreolhamos, não precisávamos falar nada.
Passando o momento vergonha, comecei a olhar melhor para as pessoas que estavam esperando o Classic abrir. Era como se eu estivesse no paraíso, já na rua o lugar me acolheu de uma forma extraordinária. Todos com camisetas de bandas, calça de couro, homens na maioria com cabelos maiores que o meu, tatuagens, piercings, pulseiras com aquelas pontas metálicas, coturnos, all star. Tudo tão... Perfeito para mim.
O tempo passou e, para meu alívio, o bar abriu. Era um estreito corredor com escadas que te levavam até a verdadeira entrada do bar.
– De maior ou de menor? – perguntou o cara que entregava as comandas.
– De menor... – respondi. A porcaria do meu extinto “certinha” havia falado mais alto.
Subi lentamente as escadas, observando cada detalhe daquele lugar. Até então nada de mais, até chegar ao final da escadaria. Já dei de cara com um quadro enorme do Elvis e, logo ao lado, um do guitarrista que me inspira até hoje, Jimi Hendrix. Mais ao lado também havia um quadro de uma das minhas bandas prediletas, Beatles. Aquela parede era de um vermelho sangue, que realçava ainda mais os posters. Mas calma. Aquilo era apenas o começo, o corredor do caixa. O corredor, além do caixa, havia duas portas. Uma delas estava fechada, ao final do corredor, logo era a janela do caixa, e bem ao meu lado, a direita, a porta que dava acesso a uma parte do bar. Entrei encantada. As paredes continuavam naquele vermelho com algumas pretas para contrastar e, claro, coberta de quadros, posters, alguns acessórios antigos que me lembram de Londres. As mesas eram espalhadas em uma parte, onde também ficava um sofá vermelho de canto, com uma mesa central no mesmo. Mais atrás havia um bar estilo aqueles que vemos em filmes de motoqueiros, e bem na frente uma mesa de sinuca. Lá havia duas TV’s enormes, uma em cada extremidade.
Não era apenas isto. Havia uma porta com isolante acústico ao lado do bar. Fomos até lá ver do que se tratava. Ao abrir a primeira, entramos em um minúsculo cubículo com duas portas, os banheiros. Alguns passos a frente havia outra porta igual. Saí em disparada para abri-la. Agora o local era diferente, onde havia os shows. Não era muito grande, as paredes eram todas pretas e, evidentemente, repletas de novos posters, tanto de bandas, cantores, quanto de bebidas. Lá havia o palco e mais um bar, semelhante ao outro. O teto era forrado com isolante acústico.
Eu não estava acreditando no que estava vendo. Não podia imaginar que um lugar daqueles existisse logo naquela cidade. Foi paixão a primeira vista. Cada detalhesinho do lugar fazia eu me sentir em casa, era mágico.
Ficamos por ali, esperando a banda começar a tocar. Para minha surpresa, bem neste dia tocou Rosa Tattooada. Não conhecia muito bem a banda, mas já havia escutado algo sobre ela. É muito conhecida na região.
Foi quando começaram a tocar. Eles realmente eram muito bons, muito bons mesmo. Quem me chamou mais atenção foi o baixista, que tinha cabelo ondulado, pela cintura e estava sempre brincando com o público.
Depois de ter acabado o show, eu e Dani fomos para a outra parte, no bar. Sentamos em uma das mesas e para minha surpresa, ao olhar para TV, estava passando o show do Guns N’ Roses em Tokyo, minha banda favorita, até que...
– Oi... – olhei para o lado, havia um cara, aparentemente uns trinta anos, careca, mas muito bonito, acocado ao meu lado – Tudo bem? – dei uma risada baixa.
– Tudo. – queria cortar assunto, já que eu era tímida demais.
– Posso saber seu nome? – olhei para o lado, havia um outro cara conversando com Dani, provavelmente amigo desse outro cara que estava conversando comigo.
– Alice.
– Prazer, o meu é Daniel. – assenti com a cabeça, prestando atenção no show – Nunca te vi por aqui...
– É a primeira vez que venho.
– Sério? Que bandas você gosta? – dei um profundo suspiro. Odiava essa pergunta, tinha preguiça de responder.
– Mais bandas de Hard Rock, alguma coisa de Metal, Blues... Sei lá, por aí.
– Você é muito bonita. – ri com vontade.
– Obrigado – falei irônica.
– Está gostando do bar?
– Bastante.
(silêncio)
– Acho que você não está a fim de conversar.
– É. – o politicamente correto me atacando novamente.
– Bom... Tudo bem... Foi muito legal te conhecer. – falou selando meu rosto e saindo com seu amigo da mesa. – olhei para Dani, ela estava rindo. Comecei a rir também, voltando a atenção para a TV.
Eram Quase quatro da manhã quando pagamos a comanda e saímos do bar, completamente sóbrias. Sentamos na rua, esperando pelo pai dela. Eu dormiria lá esta noite. Antes de irmos embora, dois meninos, provavelmente da nossa idade, vieram conversar. Não lembro muito bem sobre o que, mas também não damos muita conversa, e logo o pai de Dani chegou.
Aquele dia eu havia conhecido o paraíso, ou melhor, o meu inferno.
Notas finais
Vou ficar muito feliz com os reviews
Até o próximo, lindas!
Bjos ♥
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