Appetite For Self-destruction

1 Cap. 1 - Nice to meet you (Introdução)


Notas iniciais
Então... Vou admitir que estou um pouco nervosa com essa história. Claro... É muito pessoal. Mas enfim, espero que gostem!
Boa leitura!

PDV Alice

Você vai precisar me entender antes de entender esta história.

Há 14 anos saí de uma cidade pequena, um fim de mundo, para uma cidade grande. Na verdade nem tão grande e nem de perto pequena. Se isto implica em algo na minha história? Sim, bastante. Sou diferente de todos, pelo menos da grande maioria neste lugar, minha personalidade de cidade pequena permaneceu em mim até então, mesmo abandonando a cidade natal ainda quando criança.

Meus vínculos familiares permanecem neste lugar e em suas redondezas até hoje, e por este motivo continuo frequentando muito estas localidades. Não citarei nomes, pois quero ficar neste “meio anonimato”. Minha família sempre foi tudo para mim, até eu criar maturidade para entender tudo o que se passava nela e como conciliar isto era complicado.

Eu nunca fui exatamente certinha, mas já cheguei próximo a isto. Bebidas? Drogas? Cigarro? Festas? Nunca, jamais... Até então. Colégio? Também nunca fui uma boa aluna, nunca tirei notas exemplares, a não ser no final, quando realmente me via apertada, em uma situação complicada, quando então mostrava resultados ótimos, que deixavam os professores sem saber realmente o que eu estava pensando da vida. Uma característica muito comum em mim sempre foi o silêncio. Não falava muito, observava demais. Continuo sendo silenciosa e observadora. Minhas amizades não eram muitas, mas sempre tive com quem contar.

Minha condição financeira, ou melhor dizendo, a condição financeira dos meus pais, era alta. Não tão alta como de alguns por aqui, nessa cidade mediana de 450 mil habitantes, mas sempre tive quase tudo que quis. Colégio particular, um dos mais caros e melhores da cidade, quarto com tudo que eu precisava para viver somente dentro dele, instrumentos musicais que alimentavam e alimentam minha paixão por musica até hoje, aula disso e daquilo, viagens para o exterior, tudo.

Outra característica muito perceptível minha era a preguiça, algo que tira meus pais do sério até hoje. Na verdade eu não sou preguiçosa para tudo, mas para algumas tarefas domesticas ou qualquer compromisso que me faça sair de casa.

Enfim, foi no inicio de 2012 que pus tudo em jogo sem nem ao menos perceber. Eu queria sair, mas queria algo diferente, algo que se adaptasse ao meu estilo e ao estilo de vida que gostaria de ter. Eu queria sai da monotonia, não aguentava mais isso, não queria ser o que meus pais queriam que eu fosse. Eu não era um troféu, não sou um troféu. Apesar de não gostar de decepcionar meus pais, a única que devo satisfazer seria eu mesma. O que estava sendo satisfatório para mim? Autodestruição. Isso mesmo, eu estava entrando em uma terrível depressão sem perceber. Se eu tinha motivo para isso? Provavelmente.

Com tudo que minha terapeuta já conversou comigo, com tudo que ela já perguntou sobre mim e minha família, consegui ver mais a fundo o que eu não percebia. Tudo começou com a morte do meu avô paterno, minha primeira grande perda. O perdi para a leucemia. Até então eu tinha todos os avôs e avós. Depois da morte dele comecei a me culpar por não ter dado muita atenção. Lembro algumas semanas antes dele morrer, estávamos no hospital, dentro do quarto dele. Ele já não conseguia mais ficar sentado na cama, apenas deitado, mas inda conseguia conversar, lentamente, mas conseguia. Ele não conseguia lembrar meu nome e era visível a angustia em seus olhos por isso, não queria me magoar. Falei para ele e para mim mesma que estava tudo bem, mas era mentira. Aquilo doía em mim. Uma das piores coisas na vida era perceber o amor incondicional por alguém quando já é tarde demais.

Em meio toda essa função da doença do meu avô, havia minha avó, casada com ele desde os 19 anos de idade. Parece bonito contando assim, por cima, mas quem não conhece minha avó, não diz todos os problemas e brigas que causou na nossa família. Ela era e continua sendo realmente problemática. Meu avô era apaixonado por ela. Como eu já devo ter dito, quando se é pequena, muito jovem, certos problemas se passam por despercebido, por isso é tão difícil e inaceitável crescer. Quando eu tinha lá meus 7 anos de idade, eu não via brigas entre minha avó e meu pai nas vésperas de natal, não via minha avó brigando e gritando com meu avô até não poder mais e ele sempre quietinho, escutando tudo, com aquele olhar triste, provavelmente pensando: “Ela não gosta de mim”. Era sempre as mil maravilhas, até eu atingir meus 14, 15, 16, e hoje 17 anos de idade. Isso fez com que eu não gostasse mais de ir para enorme casa de 400 metros quadrados de dois pisos dos meus avos paternos, nem ao menos a piscina me chamava mais atenção. As constantes brigas me deixavam afastada de lá, e assim, consequentemente, afastada de meu avô. Como me culpo por isso...

Meus avos maternos eram mais tranquilos e simples. Sempre fui mais apegada a eles, talvez por ter passado quatro anos da minha vida com eles. Diferente dos paternos, eles eram mais simples, não tinham tantas condições. Lembro como eu amava passar as férias lá, na simples casa sem reboco na beira do rio Jacuí. Meu avô é como um pai para mim. Foi ele quem passou parte da minha infância comigo enquanto meu pai viajava para o norte do Brasil, por causa de sua profissão (geólogo). Também era muito apegada a minha avó materna. Mas como nem tudo é um mar de rosas, quando ganhei mais idade, vi o vício da minha avó crescer. Era bingo e jogo toda semana, praticamente todos os dias. Isso consumia a aposentadoria dela, que tem mais ou menos o valor de um salário mínimo. Era um absurdo a quantidade de dinheiro que minha mãe (a mais velha de três filhos e de longe a mais bem sucedida) emprestava a ela. Meu avô morria de vergonha, já que sempre foi honesto e detestava pedir dinheiro emprestado para os outros (com certeza minha mãe puxou por ele), diferente de minha avó, que nunca teve noção de dinheiro e sempre gastou mais do que tinha.

De qualquer maneira, eu amava os dois, sempre foram pessoas muito importantes na minha vida. Lembro quando me mandei para esta cidade grande, meus avos vieram junto passar um tempo. Foi a pior sensação que já havia sentido vê-los indo embora e encontrá-los apenas em alguns finais de semanas.

Voltando aos motivos que me fizeram cair nesse profundo poço escuro e gelado, o que mais me fez cair foi minha relação difícil com meu pai. Não, meus pais não são separados, embora eu tenha pedido várias vezes para que isso acontecesse, está longe de acontecer. Sempre tive um relacionamento melhor com minha mãe. Na verdade nosso relacionamento ficou mais forte depois da viajem que fizemos para Disney, Miami, Tampa e Nova Iorque em 2011, sozinhas, quando ela viu como eu poderia me virar sozinha, até muito melhor do que ela. Já meu pai eu não olhava na cara, mesmo morando no mesmo apartamento. Ele tem o temperamento completamente explosivo, assim como minha avó, mãe dele. Já me chamou de tudo que vocês possam imaginar, e o que doía em mim era que eu não fazia nada de errado, a não serem minhas notas vermelhas no colégio. Claro, eu tinha que estudar, coisa que eu não fazia, mas ele era realmente muito duro comigo. Imagina um pai chamando a própria filha de “vadia”, na verdade gritando isto para ela. Então, isso e coisas muito piores aconteciam. Já apanhei de tudo que vocês possam imaginar, fiquei completamente marcada, e sempre a mesma pergunta na minha cabeça: “O que eu fiz de tão grave?”

Foi então que resolvi deixar de ser palhaça e aproveitar a vida, não importa se era do jeito certo ou errado, eu queria diversão, e para mim, o segundo nome de diversão é Autodestruição.

Notas finais
Vou pedir que me avisem qualquer erro e que me critiquem a vontade (tanto criticas boas como ruins).
Claro que está apenas na introdução, depois a história ganhará vida.
Obrigada ;)
Bjos ♥