Apostas de Fevereiro
26 Yakuza
ROMANCES MENSAIS
LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO
CAPÍTULO XXV — YAKUZA
— Graças à Deus você está bem! — Abraço minha prima com força, aliviada por saber que tudo não havia passado de um susto. Afasto-me dela e aperto seus ombros. — Você tem noção do quanto eu fiquei preocupada? Será que dá para você parar de se envolver em problemas?
— Desculpa. — Sussurra Mal, voltando a me abraçar. — Eu realmente não tive culpa.
— Eu sei que não. — Respondo com um tom de voz mais ameno, acariciando a cabeça desmiolada da adolescente. — Só toma cuidado com quem você se envolve de agora em diante. Você nos deixou muito preocupados. Ben ficou desesperado quando você não apareceu para o ensaio e mais ainda quando recebeu a mensagem do pedido de resgate. Você deveria conversar com ele.
— Na verdade, não temos muito tempo. A competição é em algumas horas. Nós precisamos correr. — Afirma Mal, relembrando da competição de patinação artística que ela e Ben tanto haviam ensaiado.
— Você tem certeza de que está bem para patinar? — Questiona Mon-El, preocupado com a garota. — Foi uma situação bastante complicada. Ninguém te culparia se você dissesse que está psicologicamente abalada. Você ficou nas mãos de pessoas perigosas por horas.
— Eu estou bem. — Responde minha prima, dando um sorriso determinado. — Essa não é a primeira vez que me envolvo em situações perigosas como essa e... ai.
— E espero que seja a última, mocinha. — Digo, depois de ter dado um cascudo em minha prima. — Eu estou falando sério, Mal. A partir de hoje você vai morar comigo e se eu sonhar que você está envolvida com pessoas de má influência, eu vou fazer picadinhos de você.
— Eu vou... você está falando... sério? — Questiona a garota de cabelos roxos, sem acreditar em minhas palavras. Sorrio e assinto, afirmando que a decisão já havia sido tomada. Ela me abraça apertado, sorrindo largamente. — Kara!
— Agora vai ensaiar com o Ben. Nós conversamos melhor sobre isso depois. Você tem uma competição para ganhar e eu preciso descansar dessa situação estressante. — Explico e ela assente, animada.
— Boa sorte. Nós estaremos lá para torcer por você. — Avisa Mon-El, despedindo-se da garota que corre animada em direção ao parceiro da apresentação.
Vejo Ben a encarar preocupado. Eles conversam alguma coisa e de repente, Mal o abraça. Surpreendo-me ao ver as bochechas de minha prima coradas. Não é algo muito comum de ser ver. Sorrio e sinto Mon-El me abraçar. Nós provavelmente parecíamos um casal de velhos, admirando o amor juvenil. Suspiro aliviada e me aconchego nos braços de meu namorado.
Eu estava exausta. Desde que recebi a ligação de Mon-El perguntando sobre o paradeiro de Mal, eu não havia conseguido descansar. Eu sai de National City de madrugada e assim que cheguei em Hawkins, começamos as buscas para encontrar a garota em algum lugar da cidade antes que fosse tarde demais. Ainda que Ben estivesse disposto a fazer de tudo para conseguir o dinheiro apenas para garantir a segurança de Mal, isso não seria o bastante para garantir que ela sairia ilesa das negociações com o traficante.
No fim, depois de muitos problemas, preocupações e a ajuda de uma amiga de Mon-El, tudo acabou bem. Era realmente um alívio saber que não teríamos mais problemas com Zevon e que minha prima conseguiria chegar a tempo para se apresentar. Eu só espero que ela e Ben não enfrentem mais problemas. A competição é muito importante para Mal e perdê-la por interferência de terceiros não seria bom para o psicológico dela.
— Mike. — A amiga de Mon-El se aproxima com uma expressão séria.
— Ah, Natasha, muito obrigado pela ajuda. Eu não sei o que seria de nós sem você.
— Não precisa agradecer. O garoto Zevon parece estar envolvido em um outro caso meu, então na verdade, eu é que agradeço por ter me contatado. — Responde a agente Natasha Romanoff, sorrindo levemente. — Mas se possível, eu gostaria de te pedir um favor.
— Claro. Farei tudo o que estiver ao meu alcance. — Afirma Mon-El, encarando a agente com curiosidade. — No que eu posso ser útil.
— Seria possível que você não contasse a Clint que eu estou na cidade? — Pergunta a ruiva com um semblante preocupado.
— Eu não vou contar nada a ele, mas você sabe que essa informação já deve ter chegado nos ouvidos de Clint há muito tempo. Mesmo que eu não diga nada, eu tenho certeza de que ele sabe que você está aqui. — Explica meu namorado, dando um sorriso sem graça. — Eu sinto muito por não ser de grande ajuda.
— Não. Eu deveria saber que isso aconteceria. — Responde Natasha, suspirando em seguida. Ela nos encara com um fraco sorriso. — Mas obrigada de qualquer forma.
— Se serve de consolo, ele não está no país. — Comenta Mon-El, sorrindo compreensível. — Aparentemente ele foi atrás de algumas antiguidades no Japão que pertenceram a Yakuza. Ele me disse que são peças muito importantes que fazem parte da história de uma das maiores organizações criminosas do mundo.
— Isso é realmente a cara dele. — Concorda Natasha, parecendo um pouco mais animada com a informação passada por Mon-El. — Obrigada.
— Eu realmente estou muito grata pela ajuda que nos deu, agente Romanoff. — Digo com sinceridade. — Eu não sei o que seria de nós se não fosse pela sua ajuda. Acho que teríamos enfrentado ainda mais problemas.
— É sempre um prazer ajudar. Ainda mais quando se trata de um amigo de longa data. Eu fico muito feliz que tenha encontrado a sua felicidade, Mike. Depois de tudo o que você passou, merece mesmo ser feliz. — Afirma Natasha, dando um sorriso compreensível. De repente o celular de Natasha começa a tocar. Ela parece envergonhada. — Com licença. Eu preciso atender.
A agente Romanoff se afasta para falar no celular e eu me viro para Mon-El, observando seu bonito rosto. Ele aperta a minha cintura e deixa um beijo demorado em minha testa. Era bom finalmente estar de volta. Eu sentia falta de todos. Não havia sido fácil ficar longe e meu pai não estava muito bem de saúde.
— Eu estou com saudade das crianças. — Confesso e ele ri, provavelmente já esperando algo assim de mim. Mas o que eu podia fazer? Eu fiquei tempo demais longe de minha família. Essa foi a primeira vez que fiquei tanto tempo longe de Holly e Mike. Eu havia me apegado demais a essa crianças e mais ainda ao lindo homem que me abraçava com tanto caringo.
De repente, vemos Natasha se aproximar de nós de forma apressada. Sua expressão no rosto era preocupante e antes mesmo dela dizer alguma coisa, sinto um frio nada agradável em minha espinha. Eu não tinha dúvidas de que algo havia acontecido. Afasto-me de Mon-El e pego em sua mão, já me preparando para revelação que não demoraria a chegar.
— Natasha? O que aconteceu? — Pergunta Mon-El, preocupado.
— Vocês precisam ver isso. — A agente estende o celular para assistirmos a um vídeo.
Assim que ela aperta para que o vídeo se iniciasse, sinto meu coração ao reconhecer aquele lugar que era mostrado. Eu não tinha dúvidas de que aquela era de frente a casa de Mo-El. Em seguida, a gravação mostra Mike, Eleven e Holly tentando correr para longe dos inúmeros repórteres que esperavam no local.
— Vejam! Michael Wheeler. — O grito de um dos repórteres chama a atenção de todos os que o acompanhavam.
Surpreendentemente, os repórteres se aproximarem como parasitas. Mike estava com Holly em seu colo e segurava a mão de Eleven que parecia esta em estado de choque, que nem mesmo conseguia sair do lugar. Em um piscar de olhos, as crianças estavam cercados com dezenas de fotógrafos sobre eles.
— Após uma longa investigação para descobrir o paradeiro da família Wheeler, nós finalmente encontramos . — Conta uma repórter que estava no local. A imagem muda novamente. Dessa vez, o vídeo mostra os repórteres em cima das crianças.
— Michael, é verdade que você está namorando a filha do responsável pelo esquema de corrupção do grupo Ômega, Andrew Rich? — Pergunta um dos repórteres.
— Michael, como se sente em relação ao casamento de sua mãe com Billy Hargrove? — Questiona outro, surpreendendo-me com a notícia. Eu nem mesmo sabia que Karen havia se casado com o amante que destruiu seu casamento de longa data com o amantes.
— Michael! Michael!
Os gritos e as inúmeras perguntas pareciam tortura Mike. Era como se eles perguntas estão voltado ao dia em que os casos dos pais de Mike vieram a tona. Os flashes e o empurra-empurra pareciam sufocar o garoto. Holly chorava desesperada e se agarrava ao corpo do irmão, quase como se implorasse pela própria vida. Mike parecia enfrentar grandes problemas para cuidar da irmã e da namorada que ainda parecia em choque.
— Mike, quero ir embora! — Grita Holly, apertando o pescoço do rapaz. — Não deixa eles me levarem, Mike. Eu não quero ver as luzes malvadas.
— Michael, com quem você e sua irmã vão escolher ficar, agora com a separação de seus pais? — Questiona um dos repórteres, empurrando o gravador contra o rosto de Mike. Aquelas pessoas realmente pareciam saber o que é invasão de privacidade.
— Saiam! Eu não tenho nada a dizer! — Grita Mike, usando seu corpo para afastar os repórteres. — El! Vamos! Por favor, reaja!
E de repente, Eleven solta a mão de Mike e se encolhe com as mãos no ouvido. O garoto tenta alcançar a namorada, mas os repórteres continuavam aos encurralar e afastar as crianças. Holly chorava cada vez mais alto, implorando para sair daquele inferno que nos encontrávamos. Eleven chorava e por mais que Mike tentasse alcançar a garota, tudo parecia em vão.
— El! El! — Grita Mike, mas parece em vão. - Eleven! Eu estou aqui!
Mike empurra os repórteres, sem se importar com o que seria publicado ou visto pelas pessoas. Eu tinha que salvar a garota. Eleven parece finalmente me ouvir. Eu a vejo apertar o colar em seu pescoço e se levantar. Ela então estende sua mão para alcançar Mike, mas é em vão. Nesse momento, mais jornalistas aparecem e empurram Eleven. A garota perde o equilíbrio e vai ao chão.
Depois disso tudo saiu completamente do controle. Holly parecia estar no seu limite. Mike tentava se aproximar, mas os flashes da câmera pareciam o cegar. Os gritos de Holly desorientavam o rapaz. Mike cai de joelhos, tentando proteger a irmã e implorando por ajuda. Aquilo era mais do que eu conseguia suportar. Meu oração parece se quebrar em mil pedaços ao ver minhas crianças chorando . As sirenes da polícia ecoam pelo local e a confusão se torna ainda maior.
Depois disso há muita confusão. Hopper aparece para socorrer a filha e ajudar Mon-El a enfrentar aqueles repórteres malditos. Encaro meu namorado e ele parecia prestes a ter um colapso. Natasha observa o amigo com preocupação. O vídeo se encerra eu não poderia estar mais apreensiva.
— Mike, você precisa ir agora para a casa. A sua família precisa de você. O que você viu agora é uma reportagem de agora de manhã. Se for tarde demais, você pode até mesmo perder a guarda de seus sobrinhos. — Explica Natasha, demonstrando a sua preocupação.
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