Apostas de Fevereiro

25 Xícara de Café


ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

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CAPÍTULO XXIV — XÍCARA DE CAFÉ

— Eu preciso de ajuda. — Fala o garoto de cabelos castanhos e olhos verdes sentando no balcão. Ele coloca as mãos na cabeça e suspira frustrado. — Eu não sei o que eu faço.

— Você não deveria estar se preparando para a apresentação com a cabelo de beterraba? — Pergunto, enquanto enxugo um dos copos que eu havia acabado de lavar. — Você até disse que ficaria um tempo sem vir aqui, porque precisava ensaiar com todo o pouco tempo que restava.

— Sim! O problema é exatamente esse. Eu não consigo achar a Mal em lugar nenhum. A apresentação é amanhã e ainda não conseguimos ensaiar sem acertar todos os passos. E bem... a gente brigou feio ontem e desde então ela não atende o celular. Eu realmente preciso de ajuda. — Implora o adolescente e eu suspiro. — O que eu faço, tio Mike?

— Oi Ben! — Cumprimenta Ally, colocando uma bandeja com algumas xícaras sobre o balcão. Ela encara o garoto, confusa. — Que surpresa te ver aqui. Você não deveria estar...

— Sim. Eu deveria. Mas a minha acompanhante está desaparecida. — Responde Ben, interrompendo a morena de forma um tanto desesperada. Ally me encara preocupada e apenas faço um gesto, afirmando que eu cuidava disso. Ela suspira e assente, saindo.

Benjamin Florian é afilhado de Clint, mas como eu vi esse pirralho crescer, acabou se tornando meu afilhado de consideração. Ben tem um sério problema em se preocupar com o que as pessoas pensam dele, por isso está sempre guardando para si quem ele realmente é por medo de decepcionar as pessoas. No entanto, desde que começou a sair com Mal, a prima de Kara, ele parecia completamente diferente.

A garota de personalidade forte parecia ter fisgado Ben de jeito depois que foram obrigados a cumprir detenção na escola. Desde então, eles foram obrigados a passar um tempo juntos e mesmo brigando com frequência, de alguma forma, eles passaram a se dar bem. Aos poucos, Ben parecia muito mais a vontade em ser quem ele é e até mesmo havia aceitado ajudar a garota a se apresentar em um campeonato de patinação artística escondido da família e amigos. As únicas pessoas que sabem que eles irão se apresentar somos nós da Hawkeye, a melhor amiga de Mal e Kara. O que de certa forma é um grande problema.

Mas apesar de estar sempre juntos fora da escola, dentro dela, eles ainda se autodeclaravam inimigos e pessoas que não se suportam. Então, eu não conseguia entender com clareza a relação estranha desses dois e nem o motivo de esconderem que são amigos ou algo assim. Kara diz que o amor adolescente é complexo e que tudo o que podemos fazer é apoiar, mesmo sem entender. No entanto, é realmente cansativo ouvir as lamúrias de Ben por causa das brigas deles, como se eu realmente pudesse resolver alguma coisa.

— E como exatamente você acha que eu te ajudaria? Se vocês brigaram, deveriam logo fazer as pazes e se preparar para a apresentação de amanhã. — Digo, guardando os copos que irei usar mais tarde quando o Hawkeye abrir.

— Poderia falar com Kara para saber onde a Mal está. — Arrisca Ben em tom de súplica.

— Duvido muito que ela saiba. Kara foi para National City passar o fim de semana com a família. O pai dela não está muito bem. Ela volta amanhã de manhã para assistir a apresentação de vocês.. — Responde, desanimado.

Três semanas se passaram desde que Kara e eu decidimos namorar. Eu realmente não poderia estar mais feliz. Ao lado da linda mulher e meus sobrinhos, minha vida parecia um verdadeiro sonho. No entanto, nem tudo é um mar de rosas e antes dela viajar, nós discutimos por algo bobo, mas que deixou o clima nada agradável entre nós. Eu apenas esperava que ela voltasse logo para que a gente possa se resolver.

— Nós temos que encontrar a Mal. — Afirma Ben, preocupado.

— Nós? — Questiono, encarando-o com ironia. Pego uma xícara e coloco um pouco de café que havia na garrafa que eu trouxe de casa. Eu precisava de uma boa xícara de café para ficar acordado a noite e ainda lidar com as crises do garoto a minha frente. — Não fui eu que briguei com a namorada.

— Na verdade, você brigou sim. — Responde o garoto com o sorriso sabichão irritante. Bufo e tomo um pouco de café. — A Mal me contou que a Kara viajou com raiva de você. Como você consegue ser tão lerdo a ponto de não conseguir afastar uma mulher quando ela está dando em cima de você? É claro que ela ficaria com raiva.

— Ela não estava dando em cima de mim. A Sam e eu somos amigos e temos esse tipo de brincadeira desde que nós tínhamos a sua idade. O pai dela era amigo de longa data do seu padrinho. A Kara ficou irritada e nem quis ouvir minhas explicações. — Conto e Ben me encara compreensivo. — De qualquer forma, ela volta amanhã e eu vou tentar explicar. Sam está até namorando! Por que eu tinha que a encontrar sozinha no aeroporto logo quando a Kara vai viajar? É muito azar mesmo.

— De qualquer forma, você precisa me ajudar a encontrar a Mal. — Insiste Ben e eu suspiro, cansado. — Por favor, tio Mike. Só você pode me ajudar.

— Garoto, eu preciso trabalhar. Eu tenho duas crianças em casa para sustentar e uma casa burlesca e um restaurante chique para cuidar sozinho, já que o bonito do seu padrinho prefere viajar o mundo e deixar toda a responsabilidade das empresas dele nas minhas costas. — Respondo, guardando os copos que Cait havia trago.

— Eu estou preocupado com a Mal. Ela não é de desaparecer assim. Alguma coisa pode ter acontecido com ela. A Mal jamais faltaria aos ensaios assim no dia anterior. — Explica Ben e eu finalmente consigo entender o motivo da preocupação dele.

— Nesse caso, você deve procurar os pais dela. Pelo que eu sei, o pai estava tentando fazer as pazes com ela, certo? E se ela realmente desapareceu, a mãe dela deve estar preocupada. Ou liga para a melhor amiga dela. Como era mesmo o nome dela? Ellen?

— Evie. — Corrige o garoto.

— Isso. Ela ou aqueles amigos estranhos devem saber do paradeiro dela. Você mesmo disse que ela tem dado apoio para vocês. — Relembro e Ben suspira, frustrado.

— Eu já tentei falar com a Evie, mas ela também não sabe onde Mal pode estar. Carlos e Jay não sabem sobre a Mal e eu, então duvido muito que eles me contem alguma coisa. Eu já fui na casa da Mal, mas ela não está lá. Ela não tem contato com a mãe e eu não faço ideia de onde o pai dela esteja. Eu já procurei a Mal em todos os lugares possíveis, mas não tive nenhum sinal dela. — Responde Ben, começando a me deixar preocupado. — Nós temos que fazer alguma coisa, tio Mike.

Observo a preocupação do garoto que eu praticamente vi sair das fraldas. Suspiro e acabo me dando por vencido. Mesmo não querendo me envolver, ele e a garota que sempre tenta me extorquir toda vez que nos encontramos são importantes para mim e para Kara.

— Eu vou tentar falar com a Kara. — Afirmo e ele abre um sorriso animado. — Mas como eu disse, Kara não está na cidade. As chances dela saber onde Mal está são quase inexistentes.

— Tudo bem. Obrigado, tio Mike. — Agradece Ben, esperançoso.

Pego meu celular e disco o número de minha namorada, um pouco apreensivo. Nós não havíamos conversado direito ainda, mas ainda havia o fator de estar preocupado com Mal. Apesar da garota ser rebelde e um pouco fora de controle, Ben tinha razão em dizer que ela jamais deixaria de ensaiar para o campeonato. Eu sei do amor de Mal pela patinação artística e ela havia feito muitos sacrifícios para conseguir essa oportunidade de se apresentar.

Alô. — Kara atende a ligação.

— Oi amor. — Cumprimento, sentindo meu coração aliviado por ela parecer um pouco mais animada desde a última vez que nos falamos. — Por acaso você sabe onde a Mal está?

Mal? Não. A última vez que nos falamos foi ontem. Ela tinha me contado que brigou com Ben e apenas isso. Por quê? — Pergunta, preocupada.

— Ben está aqui no Hawkeye, falando que não consegue falar com Mal e que ela não compareceu ao ensaio hoje. Ele disse que já procurou por ela em todos os lugares e que não a encontrou. Faz alguma ideia de onde ela esteja? — Explico a situação a Kara, que arfa surpresa.

Mas a apresentação deles é amanhã! Mal jamais faltaria a um ensaio. Alguma coisa deve ter acontecido. — Afirma a loira do outro lado da linha, alarmada.

— Ben disse a mesma coisa. Você realmente não faz ideia de onde a Mal pode estar? — Insisto e Kara suspira.

Não. Eu não conversei com ela hoje. — Explica com o tom de voz apreensivo. — Vocês já tentaram perguntar para a Evie? Ela deve saber onde a Mal está. Elas sempre contam tudo uma para a outra. Eu tenho certeza de que a Mal não sairia sem falar nada para ela.

— Sim. Mas Ben disse não saber onde ela também está e nem responde as mensagens dele. — Explico, relembro que também tinha pensado na garota.

Droga. Onde será que essa menina se meteu? — Sussurra Kara, ainda mais frustrada.

— Calma. Eu tenho certeza de que está tudo bem. Não se preocupe. Nós vamos encontrá-la. — Tento acalmar a minha namorada. — Nós vamos dar um jeito por aqui.

Mas você trabalha hoje, certo? — Relembra a loira.

— Ben vai continuar procurando por ela. Se não a encontrar, nós vamos a polícia registrar o desaparecimento dela. — Explico e ela suspira, inconformada.

Está bem. Me mantenha informada. Eu devo chegar em Hawkins umas cinco horas da manhã. — Conta Kara e eu quase choramingo pelo horário. Eu não ia conseguir dormir nada.

— Tudo bem. Eu vou te buscar no aeroporto. — Aviso e Ben me encara com curiosidade. — Eu preciso desligar agora.

Certo. Se encontrar a Mal, não esquece de me ligar. Eu te amo. Beijos. — Despede-se com aquelas palavras doces que tanto acalmam meu coração.

— Eu também te amo. Beijos. — Encerro a ligação e encaro Ben com desanimo. — Sinto muito. Ela também não sabe onde Mal está.

— Droga! — Exclama Ben, frustrado. — E o que iremos fazer?

— Exatamente o que eu disse a Kara. Eu não posso sair daqui hoje. Você vai continuar procurando por ela e se não a encontrar, nós vamos na polícia registrar ocorrência do desaparecimento. — Respondo e ele não parece muito satisfeito. Ele olha nervosamente para o celular e sinto que há algo de errado. — Por que eu sinto que você está escondendo algo de mim, pirralho?

— Mal se envolveu com pessoas barra pesada no início do ano. Ela devia muito dinheiro para eles. Eu estou com medo dela ter mentido para mim sobre ter quitado a dívida. Ontem nós discutimos por causa da ligação que ela recebeu do cara que ela devia dinheiro, dizendo que ela deveria ir encontrá-lo em um local muito perigoso na cidade. Eu temo que ele tenha a levado e a machuque de alguma forma.- Revela Ben e essa informação me deixa ainda mais preocupado com a garota.

— Droga, cabelo de beterraba. O que você tem na cabeça? — Sussurro, frustrado. Coloco mais café na xícara, preocupado. — Sabe onde fica esse grupo barra pesado com quem ela se envolveu?

— Não. Eu só sei que é na periferia da cidade. — Responde Ben com seriedade. Ele bate o punho sobre o balcão, fazendo as xícaras sobre a bandeja que Ally deixou no local estremecerem. — Droga! Se ela estiver mesmo com eles, não podemos envolver a polícia. Isso só a deixaria em um perigo ainda maior.

— Espero que não esteja pensando em procurá-la na periferia sozinho. — Repreendo o garoto, vendo que ele planejava fazer uma idiotice.

— Mas tio Mike, ela...

— Você nem sabe onde ela está, Ben. Se você for até lá sozinho, não sabemos o que pode acontecer. Não tente bancar o herói. Tudo o que temos são suposições. E se ela não estiver por lá e você acabar se envolvendo em problemas? — Suponho e ele bufa, inconformado por eu estar correto. — Eles conhecem quem é de fora de longe. Você seria presa fácil para eles.

De repente o celular de Ben vibra, anunciando que ele havia recebido uma mensagem. Ele rapidamente pego o aparelho para olhar, provavelmente ser Mal. O garoto ler a mensagem e vejo sua expressão esperançosa dar lugar a uma desesperada. Ele se levanta de uma vez e acaba derrubando as xícaras do balcão no chão, fazendo um enorme estrondo. Todos encaram Ben, confusos pela reação do garoto.

— O que aconteceu? — Pergunto, preocupado. Ele me estende o celular e eu finalmente entendo o porquê do estardalhaço de Ben. Ele recebeu uma mensagem com a foto de Mal amarrada em uma cadeira, desacordada.

"Venha até esse endereço se quiser ver a sua amada novamente ao amanhecer. Traga dez mil dólares com você e não envolva a polícia. Se eu suspeitar que você está armando para mim, pode dar adeus a sua garota.

Z."

Dez mil dólares? E quem é esse Z? — Pergunto, preocupado.

— Zevon. — Responde com fúria. — Ele é o líder da gangue que Mal devia dinheiro.

— Droga! — Suspiro, frustrado. Ben tenta sair, mas por sorte eu consigo segurar seu braço antes que ele escapasse. — Onde você pensa que vai?

— Eu vou atrás dela, é claro. — Afirma Ben, completamente fora de controle.

— E desde quando você ganhou super-poderes para lutar contra gangues perigosas? — Pergunto, sarcástico. — Acorda, Ben! Se você só for até lá sem um plano, só vai piorar a situação.

— E o que você sugere? Eu não posso simplesmente ficar aqui de braços cruzados. — Responde o garoto, desesperado.

— Aconteceu alguma coisa? — Pergunta Ally, aproximando-se com uma vassoura e uma par para recolher os cacos das xícaras que Ben havia quebrado. Encaro a garota, pensativo.

— Acho que eu tenho um plano. — Digo, pensando sobre o que deveria fazer. — Ally, não deixe que o Ben saia daqui. Eu farei algumas ligações.

— Você não deveria estar se preparando para a apresentação com a cabelo de beterraba? — Pergunto, enquanto enxugo um dos copos que eu havia acabado de lavar. — Você até disse que ficaria um tempo sem vir aqui, porque precisava ensaiar com todo o pouco tempo que restava.

— Sim! O problema é exatamente esse. Eu não consigo achar a Mal em lugar nenhum. A apresentação é amanhã e ainda não conseguimos ensaiar sem acertar todos os passos. E bem... a gente brigou feio ontem e desde então ela não atende o celular. Eu realmente preciso de ajuda. — Implora o adolescente e eu suspiro. — O que eu faço, tio Mike?

— Oi Ben! — Cumprimenta Ally, colocando uma bandeja com algumas xícaras sobre o balcão. Ela encara o garoto, confusa. — Que surpresa te ver aqui. Você não deveria estar...

— Sim. Eu deveria. Mas a minha acompanhante está desaparecida. — Responde Ben, interrompendo a morena de forma um tanto desesperada. Ally me encara preocupada e apenas faço um gesto, afirmando que eu cuidava disso. Ela suspira e assente, saindo.

Benjamin Florian é afilhado de Clint, mas como eu vi esse pirralho crescer, acabou se tornando meu afilhado de consideração. Ben tem um sério problema em se preocupar com o que as pessoas pensam dele, por isso está sempre guardando para si quem ele realmente é por medo de decepcionar as pessoas. No entanto, desde que começou a sair com Mal, a prima de Kara, ele parecia completamente diferente.

A garota de personalidade forte parecia ter fisgado Ben de jeito depois que foram obrigados a cumprir detenção na escola. Desde então, eles foram obrigados a passar um tempo juntos e mesmo brigando com frequência, de alguma forma, eles passaram a se dar bem. Aos poucos, Ben parecia muito mais a vontade em ser quem ele é e até mesmo havia aceitado ajudar a garota a se apresentar em um campeonato de patinação artística escondido da família e amigos. As únicas pessoas que sabem que eles irão se apresentar somos nós da Hawkeye, a melhor amiga de Mal e Kara. O que de certa forma é um grande problema.

Mas apesar de estar sempre juntos fora da escola, dentro dela, eles ainda se autodeclaravam inimigos e pessoas que não se suportam. Então, eu não conseguia entender com clareza a relação estranha desses dois e nem o motivo de esconderem que são amigos ou algo assim. Kara diz que o amor adolescente é complexo e que tudo o que podemos fazer é apoiar, mesmo sem entender. No entanto, é realmente cansativo ouvir as lamúrias de Ben por causa das brigas deles, como se eu realmente pudesse resolver alguma coisa.

— E como exatamente você acha que eu te ajudaria? Se vocês brigaram, deveriam logo fazer as pazes e se preparar para a apresentação de amanhã. — Digo, guardando os copos que irei usar mais tarde quando o Hawkeye abrir.

— Poderia falar com Kara para saber onde a Mal está. — Arrisca Ben em tom de súplica.

— Duvido muito que ela saiba. Kara foi para National City passar o fim de semana com a família. O pai dela não está muito bem. Ela volta amanhã de manhã para assistir a apresentação de vocês.. — Responde, desanimado.

Três semanas se passaram desde que Kara e eu decidimos namorar. Eu realmente não poderia estar mais feliz. Ao lado da linda mulher e meus sobrinhos, minha vida parecia um verdadeiro sonho. No entanto, nem tudo é um mar de rosas e antes dela viajar, nós discutimos por algo bobo, mas que deixou o clima nada agradável entre nós. Eu apenas esperava que ela voltasse logo para que a gente possa se resolver.

— Nós temos que encontrar a Mal. — Afirma Ben, preocupado.

— Nós? — Questiono, encarando-o com ironia. Pego uma xícara e coloco um pouco de café que havia na garrafa que eu trouxe de casa. Eu precisava de uma boa xícara de café para ficar acordado a noite e ainda lidar com as crises do garoto a minha frente. — Não fui eu que briguei com a namorada.

— Na verdade, você brigou sim. — Responde o garoto com o sorriso sabichão irritante. Bufo e tomo um pouco de café. — A Mal me contou que a Kara viajou com raiva de você. Como você consegue ser tão lerdo a ponto de não conseguir afastar uma mulher quando ela está dando em cima de você? É claro que ela ficaria com raiva.

— Ela não estava dando em cima de mim. A Sam e eu somos amigos e temos esse tipo de brincadeira desde que nós tínhamos a sua idade. O pai dela era amigo de longa data do seu padrinho. A Kara ficou irritada e nem quis ouvir minhas explicações. — Conto e Ben me encara compreensivo. — De qualquer forma, ela volta amanhã e eu vou tentar explicar. Sam está até namorando! Por que eu tinha que a encontrar sozinha no aeroporto logo quando a Kara vai viajar? É muito azar mesmo.

— De qualquer forma, você precisa me ajudar a encontrar a Mal. — Insiste Ben e eu suspiro, cansado. — Por favor, tio Mike. Só você pode me ajudar.

— Garoto, eu preciso trabalhar. Eu tenho duas crianças em casa para sustentar e uma casa burlesca e um restaurante chique para cuidar sozinho, já que o bonito do seu padrinho prefere viajar o mundo e deixar toda a responsabilidade das empresas dele nas minhas costas. — Respondo, guardando os copos que Cait havia trago.

— Eu estou preocupado com a Mal. Ela não é de desaparecer assim. Alguma coisa pode ter acontecido com ela. A Mal jamais faltaria aos ensaios assim no dia anterior. — Explica Ben e eu finalmente consigo entender o motivo da preocupação dele.

— Nesse caso, você deve procurar os pais dela. Pelo que eu sei, o pai estava tentando fazer as pazes com ela, certo? E se ela realmente desapareceu, a mãe dela deve estar preocupada. Ou liga para a melhor amiga dela. Como era mesmo o nome dela? Ellen?

— Evie. — Corrige o garoto.

— Isso. Ela ou aqueles amigos estranhos devem saber do paradeiro dela. Você mesmo disse que ela tem dado apoio para vocês. — Relembro e Ben suspira, frustrado.

— Eu já tentei falar com a Evie, mas ela também não responde e eu não faço ideia de onde ela pode estar. Carlos e Jay não sabem sobre a Mal e eu, então duvido muito que eles me contem alguma coisa. Eu já fui na casa da Mal, mas ela não está lá. A mãe dela deve estar no trabalho e eu não faço ideia de onde o pai dela esteja. Eu já procurei a Mal em todos os lugares possíveis, mas não tive nenhum sinal dela. — Responde Ben, começando a me deixar preocupado. — Nós temos que fazer alguma coisa, tio Mike.

Observo a preocupação do garoto que eu praticamente vi sair das fraldas. Suspiro e acabo me dando por vencido. Mesmo não querendo me envolver, ele e a garota que sempre tenta me extorquir toda vez que nos encontramos são importantes para mim e para Kara.

— Eu vou tentar falar com a Kara. — Afirmo e ele abre um sorriso animado. — Mas como eu disse, Kara não está na cidade. As chances dela saber onde Mal está são quase inexistentes.

— Tudo bem. Obrigado, tio Mike. — Agradece Ben, esperançoso.

Pego meu celular e disco o número de minha namorada, um pouco apreensivo. Nós não havíamos conversado direito ainda, mas ainda havia o fator de estar preocupado com Mal. Apesar da garota ser rebelde e um pouco fora de controle, Ben tinha razão em dizer que ela jamais deixaria de ensaiar para o campeonato. Eu sei do amor de Mal pela patinação artística e ela havia feito muitos sacrifícios para conseguir essa oportunidade de se apresentar.

Alô. — Kara atende a ligação.

— Oi amor. — Cumprimento, sentindo meu coração aliviado por ela parecer um pouco mais animada desde a última vez que nos falamos. — Por acaso você sabe onde a Mal está?

Mal? Não. A última vez que nos falamos foi ontem. Ela tinha me contado que brigou com Ben e apenas isso. Por quê? — Pergunta, preocupada.

— Ben está aqui no Hawkeye, falando que não consegue falar com Mal e que ela não compareceu ao ensaio hoje. Ele disse que já procurou por ela em todos os lugares e que não a encontrou. Faz alguma ideia de onde ela esteja? — Explico a situação a Kara, que arfa surpresa.

Mas a apresentação deles é amanhã! Mal jamais faltaria a um ensaio. Alguma coisa deve ter acontecido. — Afirma a loira do outro lado da linha, alarmada.

— Ben disse a mesma coisa. Você realmente não faz ideia de onde a Mal pode estar? — Insisto e Kara suspira.

Não. Eu não conversei com ela hoje. — Explica com o tom de voz apreensivo. — Vocês já tentaram perguntar para a Evie? Ela deve saber onde a Mal está. Elas sempre contam tudo uma para a outra. Eu tenho certeza de que a Mal não sairia sem falar nada para ela.

— Sim. Mas Ben disse não saber onde ela também está e nem responde as mensagens dele. — Explico, relembro que também tinha pensado na garota.

Droga. Onde será que essa menina se meteu? — Sussurra Kara, ainda mais frustrada.

— Calma. Eu tenho certeza de que está tudo bem. Não se preocupe. Nós vamos encontrá-la. — Tento acalmar a minha namorada. — Nós vamos dar um jeito por aqui.

Mas você trabalha hoje, certo? — Relembra a loira.

— Ben vai continuar procurando por ela. Se não a encontrar, nós vamos a polícia registrar o desaparecimento dela. — Explico e ela suspira, inconformada.

Está bem. Me mantenha informada. Eu devo chegar em Hawkins umas cinco horas da manhã. — Conta Kara e eu quase choramingo pelo horário. Eu não ia conseguir dormir nada.

— Tudo bem. Eu vou te buscar no aeroporto. — Aviso e Ben me encara com curiosidade. — Eu preciso desligar agora.

Certo. Se encontrar a Mal, não esquece de me ligar. Eu te amo. Beijos. — Despede-se com aquelas palavras doces que tanto acalmam meu coração.

— Eu também te amo. Beijos. — Encerro a ligação e encaro Ben com desanimo. — Sinto muito. Ela também não sabe onde Mal está.

— Droga! — Exclama Ben, frustrado. — E o que iremos fazer?

— Exatamente o que eu disse a Kara. Eu não posso sair daqui hoje. Você vai continuar procurando por ela e se não a encontrar, nós vamos na polícia registrar ocorrência do desaparecimento. — Respondo e ele não parece muito satisfeito. Ele olha nervosamente para o celular e sinto que há algo de errado. — Por que eu sinto que você está escondendo algo de mim, pirralho?

— Mal se envolveu com pessoas barra pesada no início do ano. Ela devia muito dinheiro para eles. Eu estou com medo dela ter mentido para mim sobre ter quitado a dívida. Ontem eu a vi discutindo com um dos homens que fazem parte do grupo que ela devia dinheiro. Eu temo que eles a tenham levado e a machuquem de alguma forma. — Revela Ben e essa informação me deixa ainda mais preocupado com a garota.

— Droga, cabelo de beterraba. O que você tem na cabeça? — Sussurro, frustrado. Coloco mais café na xícara, preocupado. — Sabe onde fica esse grupo barra pesado com quem ela se envolveu?

— Não. Eu só sei que é na periferia da cidade. — Responde Ben com seriedade. Ele bate o punho sobre o balcão, fazendo as xícaras sobre a bandeja que Ally deixou no local estremecerem. — Droga! Se ela estiver mesmo com eles, não podemos envolver a polícia. Isso só a deixaria em um perigo ainda maior.

— Espero que não esteja pensando em procurá-la na periferia sozinho. — Repreendo o garoto, vendo que ele planejava fazer uma idiotice.

— Mas tio Mike, ela...

— Você nem sabe onde ela está, Ben. Se você for até lá sozinho, não sabemos o que pode acontecer. Não tente bancar o herói. Tudo o que temos são suposições. E se ela não estiver por lá e você acabar se envolvendo em problemas? — Suponho e ele bufa, inconformado por eu estar correto. — Eles conhecem quem é de fora de longe. Você seria presa fácil para eles.

De repente o celular de Ben vibra, anunciando que ele havia recebido uma mensagem. Ele rapidamente pego o aparelho para olhar, provavelmente ser Mal. O garoto ler a mensagem e vejo sua expressão esperançosa dar lugar a uma desesperada. Ele se levanta de uma vez e acaba derrubando as xícaras do balcão no chão, fazendo um enorme estrondo. Todos encaram Ben, confusos pela reação do garoto.

— O que aconteceu? — Pergunto, preocupado. Ele me estende o celular e eu finalmente entendo o porquê do estardalhaço de Ben. Ele recebeu uma mensagem com a foto de Mal amarrada em uma cadeira, desacordada.

"Venha até esse endereço se quiser ver a sua amada novamente ao amanhecer. Traga dez mil dólares com você e não envolva a polícia. Se eu suspeitar que você está armando para mim, pode dar adeus a sua garota.

Z.

Dez mil dólares? E quem é esse Z? — Pergunto, preocupado.

— Zevon. — Responde com fúria. — Ele é o líder da gangue que Mal devia dinheiro.

— Droga! — Suspiro, frustrado. Ben tenta sair, mas por sorte eu consigo segurar seu braço antes que ele escapasse. — Onde você pensa que vai?

— Eu vou atrás dela, é claro. — Afirma Ben, completamente fora de controle.

— E desde quando você ganhou super-poderes para lutar contra gangues perigosas? — Pergunto, sarcástico. — Acorda, Ben! Se você só for até lá sem um plano, só vai piorar a situação.

— E o que você sugere? Eu não posso simplesmente ficar aqui de braços cruzados. — Responde o garoto, desesperado.

— Aconteceu alguma coisa? — Pergunta Ally, aproximando-se com uma vassoura e uma par para recolher os cacos das xícaras que Ben havia quebrado. Encaro a garota, pensativo.

— Acho que eu tenho um plano. — Digo, pensando sobre o que deveria fazer. — Ally, não deixe que o Ben saia daqui. Eu farei algumas ligações.

Notas finais
Bom, meus amores, o próximo capítulo será cheio de momentos incríveis de Mon-El e Kara. Eu realmente espero que gostem. Obrigada pelo carinho. Beijocas e até amanhã ♥! Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646