ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO XII — LIBERDADE

Então hoje vocês vão ao aquário? — Pergunta Imra, sem esconder a animação por minha atualização sobre meu relacionamento com Kara. — É tão fofo ver que já estão fazendo programas de casal. Você já está apaixonado por ela?

— É tão tocante o quanto meus amigos me dão apoio. Eu não estou apaixonado e nem vou ficar. Mesmo com essa torcida contra mim, eu vou ganhar a aposta. — Respondo, terminando de preparar o café da manhã de Holly.

Tudo bem. Continue negando a si mesmo. Será mais interessante ver você morrendo de amores por ela. Você fica fofo quando está apaixonado. — Comenta minha melhor amiga, rindo. — O que planeja fazer no aquário?

Ver animais aquáticos? — Ironizo e ela bufa.

Você sabe do que eu estou falando. Holly vai estar com vocês e vai ser difícil ter um momento romântico entre vocês. Se estar mesmo determinando a fazer essa garota se apaixonar por você, precisa tomar atitudes corretas para conquistar o coração dela. — Aconselha Imra. — Eu realmente espero que vocês já tenham avançado pelo menos um pouco quando eu for visitar vocês. Estou louca para conhecer a Kara.

— Você virá nos visitar? — Pergunto, animado.

Nas minhas férias. Eu estou morrendo de saudades. Acho que nunca fiquei tanto tempo longe de você e estou ansiosa para ser a sua cupida. Quero ver você e Kara juntos, casados e com vários filhos, nos quais eu obviamente serei a madrinha. — E lá estava a minha melhor amiga viajando na imaginação dela.

— Pare de viagem. Você e essa sua imaginação fértil é o que te faz ficar solteira. Se não ficasse tanto tempo no mundo dos sonhos, já teria encontrado alguém. — Provoco, sabendo o quanto ela odeia quando falamos sobre sua vida amorosa. Vamos dizer que Imra nunca teve um dos melhores dedos para homens.

— Vai a merda, Mike! Eu estou solteira porque eu quero. E não tente mudar de assunto! — Repreende a pediatra, irritada. — Você precisa decidir o que vai fazer. Se quer mesmo ganhar a aposta, precisa de um plano.

— Na verdade, estamos indo com calma e apenas deixando as coisas acontecerem. Quer dizer, a gente já se beijou e surtou a princípio por ter feito isso depois de ter terminado tão recentemente o namoro. Ela é uma pessoa incrível. Quanto mais eu a conheço, mais cuidado eu estou tomando para não a machucar. É claro que eu quero vencer a aposta, mas Kara é divertida e eu me sinto muito bem quando estou com ela. Acho que seria bom se as coisas entre nós acabassem como aconteceu entre você e eu. — Confesso, colocando o suco de laranja de Holly na mesa. Ouço Imra ri e suspirar.

Eu torço para que isso não aconteça. — Resmunga a mulher, entediada.

Imra! — Repreendo a pediatra, surpreso com seu comentário. Ela geralmente é a pessoa que sempre torce para que tudo acabe bem.

Mike, vocês são fofos juntos. Já parou para olhar as fotos que vocês tiraram juntos e me mandou? A forma como vocês se encaram é uma graça. É quase como se eu estivesse vendo um casal de cinema. Eu quero mesmo que você se apaixone, Mike. Que viva um amor intenso e que seu coração encontre alguém a quem pertencer. Kara é linda e parece ser uma pessoa incrível. Não seria maravilhoso se a mesma pessoa que te faz sorrir com tanta doçura seja a mesma que faz seu coração bater mais forte e te faz sentir como se estivesse em uma montanha-russa de emoções? — Questiona Imra e eu não sei bem o que falar.

Pela primeira vez em minha vida, eu realmente não sei bem como explicar o que estou sentindo. Quando eu estou com Kara é tudo intenso e diferente. É divertido e único. Com ela, eu nunca me sinto entediado. Há sempre a surpresa e a expectativa de saber como ela vai reagir as minhas provocações. Beijá-la também é uma das melhores sensações do mundo. Ao mesmo tempo em que me sinto atraído por sua beleza, o sorriso dela é o que mais me chama atenção.

— Tio Mike! — Grita Holly, entrando na cozinha com um urso de pelúcia gigante, sendo acompanhada por Mike e Eleven.

— Imra, eu preciso desligar agora. Eu te ligo à noite. — Aviso a minha melhor amiga, depois de me recuperar do susto do grito desnecessário de minha sobrinha.

Tudo bem. Eu quero saber tudo o que rolar do encontro. Divirta-se e juízo. Não faça nada de estúpido e seja um cavalheiro com a Kara. — Reviro os olhos diante dos avisos de Imra. O modo como ela fala me faz parecer um babaca.

— Tchau, Imra. — Desligo o celular e encaro os pirralhos sorridentes. — O que foi?

— Nada. — Responde Eleven, sorrindo cúmplice para Mike. — Só é fofo te ver falando sobre a Kara. Eu fico feliz que se preocupe tanto com ela.

— Vocês são irritantes. — Resmungo e Holly levanta os braços para que eu a pegasse no colo. Suspiro e faço o desejo da criança. — Vamos lanchar. Daqui a pouco a Kara deve passar aqui para nos buscar.

— Não acha que está na hora de deixar de lado a moto de nome estranho e comprar um carro? — Comenta Mike, pegando um pouco de suco de laranja.

— Primeiro que o nome de Scarlett não é estranho. É sexy! — Corrijo e meu sobrinho me encara com ironia. — E segundo que eu não preciso comprar um carro. Seu avô tinha um Opala Gran Luxo. Eu mandei dar um amigo fazer uma revisão nele e deve ficar pronto na segunda.

— Meu avô ia odiar saber que você planeja dirigir o carro que ele mais tinha ciúmes. — Comenta Mike, sentando-se a mesa para comer. Eleven faz o mesmo. Já havia virado um costume ela vir de manhã me ajudar a fazer o café da manhã e ficar para comer com a gente antes de sair com Mike para a escola ou para fazer o que adolescentes de catorze e quinze anos gênios devem fazer quando estão com os amigos.

— Bom, ele morreu já tem uns seis anos. Acho que ele não vai mais se importar de usarmos o carro que ele nunca mais vai poder dirigir. — Resmungo, encarando Mike com tédio.

— Você é terrível, tio Mike. — Comenta Eleven, tentando controlar o riso.

— O quê? É a verdade. Meu pai sempre dizia que eu só iria dirigir o Opala se fosse por cima do cadáver dele. Bem, ele morreu, então acho que estou liberado para dirigir o carro. — Respondo, colocando os ovos mexidos que havia preparado para Holly no prato e dou para a garotinha. — Você quer andar no carro do vovô, pirralha?

— Quero! — Responde Holly, animada. — O Mike e a Eleven podem ir, tio Mike?

— Claro que podem, pirralha. — Respondo, sorrindo pela animação da garota, que comemora com uma dancinha fofa por eu ter concordado com o seu pedido.

— A sua sensibilidade me comove. — Ironiza Mike, fazendo Eleven ri. — Mas o carro vai ser muito bem-vindo. Nós vamos precisar de carona para ir ao Baile dos Namorados na Hawkins.

— Baile dos Namorados? — Repito, surpreso por pensar que já estamos nessa época do ano.

— Sim. O baile vai acontecer no ginásio da Hawkins High School. Eu estou ansiosa para ir. É a minha primeira vez em um baile na escola. — Comenta Eleven, corando. Mike a encara com um sorriso bobo e eu preciso me segurar para não provocar o casalzinho que ainda não assumiu que estão apaixonado. Imra e Kara já haviam me repreendido por pegar no pé dos dois, então estou tentando me controlar.

— Vai ser incrível. — Afirma Mike, mas vejo um pouco de receio em sua voz.

— O que foi, pirralho? Com medo de levar a doce número onze para o baile? — Questiono e Holly ri do irmão mais velho.

— Mike é medroso, tio Mike. — Comenta a garotinha de três anos, morrendo de rir.

— Eu não estou com medo de levar a El para o baile. — Resmunga Mike com as bochechas avermelhadas. Eleven também parecia não saber como reagir de tão envergonhada que estava. — É só que na noite do baile tentemos desmascarar Becky.

— Não sabemos se o plano vai dar certo e ainda existe chance de sermos pegos. — Confessa Eleven, suspirando em seguida. — É arriscado e isso nos preocupa.

— Vocês vão se sair bem. Eu não conheço um grupo de nerds mais habilidosos que vocês. E se não der certo, vocês ainda tem o tio Mike aqui para fazer vocês escaparem de qualquer castigo. Como já sabem, eu sou muito bom nisso. Do que adianta ter um tio tão incrível quanto eu se não puderem usar as minhas habilidades? — Pergunto e Eleven abre um largo sorriso.

— Obrigada, tio Mike. — Agradece a garota. Mike também sorri agradecido. Apesar de não dizer nada, eu sabia que minhas palavras haviam tido um efeito positivo no adolescente.

— Agora vamos terminar logo esse lanche, pirralha número três. Nós temos um longo dia pela frente. — Aviso, chamando a atenção de minha sobrinha, que assente e começa a comer ainda mais rápido.

Depois de um café da manhã até que tranquilo quando se tem uma criança de três anos e dois adolescentes a mesa, preparo uma mochila com lanches para Holly e roupas para a garotinha. Ela tem a tendência a se sujar até mesmo com o vento. Assim, não demora muito para que Kara apareça, para a infelicidade de minha sobrinha, que ainda não gostava nenhum pouco da ideia de me compartilhar com a loira.

— Tio Mon-El, colo! — Holly joga seu corpo contra as minhas pernas e estende os braços para que eu a pegue no colo. Mike, Eleven e Kara riem do comportamento da garota.

— Você já é grandinha para ficar no colo, pirralha. — Respondo e ela continua a insistir. Suspiro e acabo fazendo a vontade da garota.

— É novidade eu ver uma criança não gostar de você, Kara. É ainda mais impressionante que seja a Solzinho a fazer isso. — Comenta Eleven, rindo.

— Acho que o tio Mike é muito precioso para ela. — Responde a loira, olhando com carinho para Holly, que abraçava meu pescoço com intensidade.

— É melhor nós irmos. Ela não vai parar de fazer birra até chegarmos ao aquário. — Aviso, pegando a mochila de Holly que estava sobre o sofá.

— Claro. Tchau, El. Até mais, Mike. — Despede-se Kara, levantando-se do sofá.

— Divirtam-se! — Deseja Eleven, sorrindo animada, enquanto acena para nós.

Não foi tarefa fácil colocar Holly na cadeirinha no banco de trás, mas assim que conseguimos, seguimos para o aquário. No início, minha sobrinha estava bastante incomodada com a presença de Kara, mas aos poucos a professora conseguiu conquistar a confiança de Holly e no fim da visita ao aquário, ela já estava no colo da loira conversando sobre o quanto ela ama filhotinhos e como estava animada para ver os gatinhos que Kara cuida no abrigo.

Estranhamente, o passeio ao aquário havia sido mais divertido que eu imaginava. Kara parecia ter a idade de Holly quando encontrava algum animal diferente. As garotas riam e se impressionavam com as informações passadas pela guia local. Eu apenas as observava vez ou outra sobre algum animal que me chamava atenção. Aquele encontro mais parecia ser o momento de Kara e Holly, então decido não interferir muito.

Antes de irmos para o abrigo de animais, decidimos passar em um restaurante para almoçar. Holly já estava com fome e Kara havia alertado que quando estivermos com os filhotes, dificilmente vamos conseguir tempo para comer, por isso era melhor ir de barriga cheia. E conhecendo minha sobrinha, eu sabia que dificilmente Holly deixaria de brincar com os filhotes de gato para almoçar.

— E então, ele caiu na poça de lama e começou a chorar. A mãe dele veio na escola reclamar que deixamos o anjinho dela se sujar. Acredita? — Kara conclui uma das histórias da semana sobre um de seus alunos. Começo a rir sem acreditar. Ela tinha que lidar com tanta coisa absurda que eu me perguntava se ela dava aula em uma escola mesmo ou se era em um manicômio. Se bem que é a Hawkins High School. Tudo é possível naquela escola desde a época em que eu estudava lá. — O garoto tem dezesseis anos! Por que diabos ele chorou por cair em uma poça de lama na escola? E que culpa eu tenho se ele não olha por onde anda? São adolescentes! É claro que eles iriam rir do menino. Até eu teria rido se não fosse uma excelente atriz!

— É mesmo? Não sabia que você atuava. — Questiono surpreso, enquanto estaciono o carro de Kara no estacionamento do restaurante. Holly havia se apegado tanto a Kara, que até mesmo chorou para que ela fosse com ela no banco de trás.

— Eu atuava bastante quando estava na faculdade. Fazia parte de um clube teatral, então nos apresentávamos com frequência. — Revela Kara, soltando o cinto de segurança de Holly. — Foi uma das épocas mais divertidas da minha vida. Era incrível estar no palco, atuando. Receber os aplausos da plateia a cada cena intensa ou engraçada, ao fim do espetáculo. Eu me divertia muito com meus amigos preparando cenários e montando roteiro. Sempre depois dos ensaios perto das apresentações, a gente saia para comer ou pedíamos pizzas e ficávamos a noite toda conversando e rindo.

— Parece divertido. — Comento antes de sair do carro para ajudar Kara e Holly a descer. — E hoje em dia? Você ainda atua?

— Em raras oportunidades. Eu amo estar nos palcos, mas eu sinto que nasci para lecionar e isso ocupa todo o meu tempo. — Responde a loira, suspirando ao sair do carro. Pego Holly no colo e travo o carro. Entrego as chaves a Kara e seguimos de mãos dadas para o restaurante. — A última peça que eu atuei foi A Megera Domada de William Shakespeare. Felizmente e merecidamente, eu fui a protagonista Catarina.

— Eu não consigo te ver sendo uma mulher de gênio terrível, que recusa todos os homens que se aproximam dela. — Digo, rindo ao imaginar a mulher que se mostra tão doce e amável sendo a impiedosa Catarina. — Você combinaria perfeitamente com o papel de Bianca.

— E qual seria a graça de interpretar alguém tão parecida comigo? — Pergunta Kara convencida. — E eu não sabia que você conhecia essa peça.

— Nancy é fã das peças de Shakespeare. Ela me fez assistir a todas e A Megera Domada era a preferida dela. — Respondo, relembrando de como minha sobrinha mais velha me perturbava para assistir qualquer peça teatral da cidade que tivesse sido inspirada em alguma história de Shakespeare. Abro a porta do restaurante e dou espaço para que Kara entre.

— Seja bem-vindos. Mesa para três? — Pergunta a hostess do restaurante.

— Sim, por favor. — Responde Kara, sorrindo simpática para a mulher de cabelos vermelhos presos em um rabo de cavalo alto.

— Por aqui, por favor. — A hostess nos conduz a uma mesa no meio do restaurante. — Irei buscar uma cadeira infantil para a criança.

— Obrigado. — Agradeço, vendo a mulher se retirar.

Ela não demora a aparecer com a cadeira para Holly. Coloco a pequena na cadeira infantil e ajudo Kara a sentar, que me encara surpresa e desconfiada. Sento-me e recebemos o cardápio do restaurante.

— Fiquem a vontade. Assim que decidirem o que vão comer, basta me chamar. — Avisa a hostess, sorrindo simpática antes de se retirar novamente.

— O que você vai querer, pirralha? — Pergunto, encarando o cardápio.

— Chocolate! — Grita a loirinha, animada. Desvio o olhar do cardápio e a observo rindo.

— Não pode ser chocolate. Isso nós só comemos depois da refeição principal. — Respondo e ela não parece muito feliz. — O que acha de macarronada? Você sempre ama quando a Eleven faz para você.

— Com salsicha? — Questiona Holly, voltando a se animar com a refeição.

— Tudo bem, mocinha. Vamos pedir uma macarronada com salsicha para você. — Respondo rindo e Holly comemora. — E você, Kara? Já decidiu o que vai comer?

— Não... eu não sei. — Kara observa o cardápio e parece em dúvida sobre o que comer. Ela suspira e fecha o cardápio antes de me encarar. — Quer saber, pode pedir o meu. James sempre fazia isso mesmo. Ele sempre brigava comigo quando saíamos para comer e eu tinha que escolher o que eu queria. Eu demoro muito tempo escolhendo, porque sou muito indecisa sobre o que eu quero comer. Então ele passou a pedir o que eu deveria comer quando saíamos.

— Nós não estamos com pressa. Você pode demorar o tempo que quiser para escolher. — Afirmo, surpreso pela informação. Relembro então do dia em que eles foram ao Sense's e eu os atendi. O babaca não deixou que ela escolhesse e ainda a proibiu de beber.

— Mas...

— Kara, você escolhe o que vai comer. Está tudo bem. Não se preocupe. Apenas escolha o que mais parece do seu agrado. — Interrompo a loira tentando soar o mais gentil possível.

— Certo. — Respondo, parecendo perdida. Ela então suspira e volta a abrir o cardápio. — Obrigada, Mon-El e me desculpa por...

— Nem pense em pedir desculpas por demorar a escolher. Enquanto você escolhe, a pirralha e eu nos divertimos. — Respondo, encarando minha sobrinha que dá um sorriso fofo. Faço sinal para que a hostess viesse.

— Vocês já sabem o que vão pedir? — Pergunta a mulher.

— Não. Ainda não. Mas vocês por acaso teriam folha e giz de cera? — Questiono, sorrindo.

— Claro. Um instante, por favor. — A ruiva vai atrás do kit de pintura para crianças e não demora a aparecer com o que eu havia pedido. — Aqui está.

— Oba! — Comemora Holly, pegando os giz de cera para colorir a folha que a hostess colocou em sua cadeira.

— Obrigado. — Agradeço, voltando a prestar atenção em Holly. A mulher sorri e volta para a entrada do restaurante.

— Tio Mike, eu vou desenhar você, a Kara e eu. — Avisa Holly, concentrada.

— É mesmo? E onde nós estaremos? — Pergunto, olhando Kara pelo canto do olho. Ela sorria levemente e encarava o cardápio.

— Com o ursinho na floresta. — Responde a garota, sorrindo docemente. — Eu vou desenhar o Mike e a Eleven também.

— Uau! Eu tenho certeza de que vai ficar muito bonito, afinal, você é uma verdadeira artista, pirralha. — Afirmo e Holly sorri animada.

— Eu já decidi o que vou querer. — Avisa Kara e vejo um brilho único nos olhos da mulher. Ela parecia orgulhosa por fazer o pedido.

— Ótimo. — Respondo, sorrindo. Faço sinal para um garçom que se aproxima para fazer o pedido. — Macarronada com salsicha para a criança e eu vou querer um Filet Mignon. E você, Kara? O que vai querer?

— Eu vou querer almôndegas de frango e sálvia. — Responde Kara, sorrindo genuinamente. Ela realmente estava feliz.

— Algo para beber? — Pergunta o garçom.

— Um suco de laranja para a criança e uma coca para mim. — Escolho e me viro para Kara, fazendo sinal para que ela escolhesse o que queria beber.

— Uma limonada para mim, por favor. — Pede Kara. O garçom anota os pedidos e recolhe os cardápios antes de se retirar. — Obrigada, Mon-El.

— Não sei o motivo de estar me agradecendo. É direito seu escolher o que vai comer. — Respondo com sinceridade.

— Eu sei. É só que sempre quando eu saia com o James...

— James já deveria estar morto e enterrado em sua mente nesse momento. Ele era um babaca e, pelo visto, bastante controlador. Você é uma mulher linda e independente, Kara. Nunca deixe que te tirem o direito de ser quem você é e nem de decidir o que você quer fazer. Seja eu ou qualquer outro homem, não deixe que te aprisionem. — Aconselho, colocando minha mão sobre a de Kara. Ela me encara com tristeza, mas respira fundo antes de sorrir. — Você é livre para fazer o que quiser.

— Obrigada. — Sussurra, parecendo fazer um grande esforço para não chorar. E novamente eu me questionava o quanto essa linda mulher já teve que se prender e esconder seus desejos por causa do babaca do ex-namorado. Pela sua reação com minhas óbvias palavras, isso havia ocorrido com muito mais frequência do que eu gostaria.

Depois disso, Holly mostrou seu desenho e decidimos mudar de assunto. Não demorou muito para que Kara estivesse rindo novamente, divertindo-se com os comentários de minha sobrinha que eram maduros demais para uma criança de três anos. Assim que nossos pratos chegaram, começamos a comer e conversar sobre o aquário. Olhando de fora, nós provavelmente parecíamos uma família feliz aproveitando o almoço de sábado para nos divertimos.

Alimentados e com duas crianças animadas — vulgo, Kara e Holly -, seguimos para o abrigo de animais. Eu nunca vi pessoas tão apaixonadas por animais quanto as duas. Tudo o que eu podia fazer era rir e observar as conversas animadas das garotas sobre o quanto gatos são fofos e como elas estavam ansiosas para brincar com os filhotes do abrigo.

Como eu imaginava, assim que chegamos ao lugar, Holly e Kara correram em busca dos locais onde ficam os gatos. Ficando para trás com as bolsas das atuais mulheres de minha vida, sigo calmamente logo atrás. Eu começava a entender o motivo dos homens reclamarem de quando suas namoradas e esposas vão fazer compras. Kara e Holly podem não estar fazendo compras, mas elas com certeza já haviam esquecido da minha existência e apenas me queriam para carregar suas coisas, enquanto brincam com os animais.

Kara avisa sobre nossa presença a um dos cuidadores do lugar, que nos apresenta o abrigo tão animado quanto as garotas que me acompanhavam. Ele nos conduz até a área destinada a gatos e é claro que as loucas dos felinos não perderam tempo em ir atrás dos filhotes. Observo tudo sem saber o que eu deveria fazer além de segurar bolsas.

— Um gatinho! — Grita Holly, segurando o gato preto de forma desajeitada. — Ele é tão fofo. Eu quero um gatinho.

— Vamos com calma, pirralha. Você vai machucar o pobre do gato. — Digo, arrumando as bolsas em meu ombro antes de pegar o gato do colo de Holly, que faz bico. — Por que não escolhe um menor para brincar?

— Olha esse, Holly. Ele é fofo. — Kara mostra um filhote de gato rajado amarelo e branco. Minha sobrinha corre até a mulher e pega o pequeno felino no colo.

— Ele gostou de mim! — Comemora Holly com os olhos brilhando ao ver o gatinho lamber seu rosto. — Eu quero ficar com ele!

— Ai, eu preciso tirar foto disso! Mon-El, me dá meu celular! Rápido! — Pede Kara, desesperada, enquanto morria de amores por Holly e o gato que brincava com a garota.

— Claro. — Suspiro, pegando o celular da mulher na bolsa e o entrego para ela, que em segundos começa a tirar inúmeras fotos de Holly como uma mãe orgulhosa.

— Sua família é muito bonita. — Comenta Jimmy, um dos cuidadores do abrigo. — Sua esposa e filha são muito parecidas. Parabéns pela família. Você deve sentir muito orgulho delas.

— Ah, elas... — Surpreendo-me com o comentário. Encaro as duas garotas se divertindo com os gatos e rindo animadas. Por algum motivo, eu realmente me sentia orgulhoso e não queria desfazer o mal entendido. Então, tudo o que eu faço é sorrir e encarar Jimmy com confiança. — Sim. Eu tenho muito orgulho delas.

— Bom, eu vou dar comida para alguns cachorros. Eu acho que suas garotas não vão querer sair daqui tão cedo, então fique a vontade para me chamar se precisar de alguma coisa. — Avisa Jimmy, sorrindo simpático. Despeço-me com um aceno e acaricio o gato preto em meus braços, imaginando como seria se Kara realmente fosse minha esposa. E tudo o que eu consigo pensar é que de fato, isso não seria tão ruim assim.

Notas finais
O que acharam do capítulo? E que tal fazer parte do nosso grupo no Facebook e no WhatsApp? Os links estão logo abaixo: Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646