ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO XIII — MATURIDADE

14 de fevereiro. Dia dos Namorados. A época onde as áreas comerciais são enfeitadas de rosa e vermelho, cheias de corações e outros adornos bonitinhos, como flores, fitas e cupidos. Onde as crianças têm costume de trocar cartões e doces de todos os tipos e os adolescentes se vestem de cupido e entregam bilhetes de um estudante para outro. Para todo lugar que se olhe há um casal passeando pelas ruas de mãos dadas, trocando carícias e juras de amor.

Apesar de haver diferentes histórias sobre a popularização da data, a mais famosa é que o Dia de São Valentim, aniversário de sua morte, deu-se graças à associação do santo ao amor romântico por ser contra a proibição do casamento durante a Idade Média.

O imperador Cláudio II decretou uma lei que regulava os matrimônios durante a guerra por acreditar que os homens eram melhores soldados quando solteiros. O bispo Valentim, desafiando as ordens do imperador, continuou a casar jovens apaixonados em segredo. Quando descoberto, ele foi mandado à prisão e condenado à morte. Durante os seus dias encarcerado, ele recebia cartas de pessoas que ainda acreditavam no amor e no matrimônio.

Algo realmente romântico e adorável demais para combinar com o meu humor do dia. Esse é o primeiro Dia dos Namorados que eu passo sem James desde os meus 14 anos. Isso me traz muitas lembranças que eu queria esquecer. E para completar o dia, eu ainda preciso trabalhar no Baile dos Namorados da Hawkins High School.

Além de ficar responsável pela decoração do ginásio onde o baile irá ocorrer, eu ainda teria que cuidar dos adolescentes à noite, garantindo que nenhum deles irá cometer uma loucura durante a festa ou aprontar com os outros colegas. Isso realmente me desanimava. Eu estava exausta por estar fazendo enfeites cheios de detalhes e pelas noites sem dormir, preocupada com a responsabilidade que esse ano havia ficado em minhas costas.

Mas mais do que o cansaço por causa desse baile estúpido, eu sabia que o motivo do meu mau humor era um moreno de olhos azuis cristalinos e sorriso típico de criança traquina que faz meu coração bater mais forte apenas por ser alvo de sua atenção. Essa semana tinha sido uma loucura e eu não tive tempo de conversar com Mon-El desde o nosso encontro no aquário e no abrigo de animais com Holly. Ele estava tendo que trabalhar no Sense's e no Hawkeye todas as noites e a sobrinha tinha ficado gripada, então estava ainda mais apegada ao tio que de costume. Eu também não podia me dar ao luxo de perder tempo, já que precisava preparar toda a decoração do baile e cuidar das minhas aulas.

Eu odeio admitir isso, mas sinto falta dos comentários maliciosos, as brincadeiras sem noção e dos encontros recheados de adrenalina. De forma inexplicável, eu me apeguei a ele. Como uma as águas do mar que se quebram na costa da praia e nos puxa para dentro de sua imensidão, antes que eu percebesse, eu já estava completamente acostumada com a sua presença única. Estar com Mon-El é tão fácil e relaxante, que é como se nada mais importasse além de nossa diversão. Sem pressão ou qualquer preocupação. É apenas o nosso momento.

— Kara, onde eu coloco isso? — Pergunta Lena, mostrando o enorme coração de papel laminado vermelho e dourado.

— Todos os corações que tiverem esse formato ficarão na pilastras da parede. — Explico, apontando para o saco onde estavam os outros corações semelhantes ao que minha amiga segurava. — Daqui a pouco, o treinador Nicholson aparece para nos ajudar a colocar a cortina de corações no palco.

— Tudo bem. Eu vou colocar os enfeites nas arquibancadas. — Avisa Winn, pegando os cupidos e outros adornos que estavam no chão.

Para a minha sorte, Lena e Winn pegaram folga no trabalho apenas para me ajudar com a decoração do salão. Eu não sei o que seria de mim se não fosse pelos dois que estavam desde as seis horas da manhã na escola me ajudando a colocar enfeites no teto, limpar o ginásio e fazer todos os preparativos para o baile que acontecerá à noite.

— Eu não sei nem como agradecer a ajuda de vocês. — Digo, chamando a atenção de meus amigos. — Se não fosse por vocês, acho que eu ainda estaria descarregando os enfeites do carro.

— Não precisa agradecer. Eu não queria trabalhar hoje mesmo. — Comenta Lena, dando um sorriso divertido. — Vir te ajudar era a desculpa perfeita para não aparecer na empresa.

— Você não é a CEO? Não deveria estar dando o exemplo para os seus funcionários? — Pergunta Winn, colando um cupido na grade da arquibancada.

— E você não deveria estar colando calado esse cupido ao invés de ficar se intrometendo onde não é chamado? — Ironiza Lena, fazendo Winn bufar.

— Não precisa agradecer, Kara. Eu ia tirar folga hoje de qualquer jeito, já que ontem eu trabalhei dois turnos. — Conta Winn, sorrindo gentil. — Você sabe que eu não gosto de ficar em casa, então eu fiquei feliz com o convite de vir ajudar na decoração do Baile dos Namorados.

— De qualquer forma... — Meu celular começa a tocar, interrompendo minha fala. — Um instante.

Busco meu celular dentro da bolsa e assim que o encontro, vejo o nome de Mon-El e uma foto nossa brilhando na tela. Sinto meu coração bater mais rápido e uma felicidade desnecessária dentro de mim. Respiro fundo, tentando controlar o grande sorriso que se formou em minha face só por ver que a pessoa que ultimamente não sai da minha cabeça está ligando.

— Alô. — Atendo a ligação.

Alô. Por acaso eu falo com Kara Danvers, a mais bela professora de Literatura de todo o país? — Pergunta Mon-El e eu não consigo evitar um revirar de olhos pela cantada idiota.

— Ao que devo a honra de receber uma ligação de Mon-El Matthews? — Questiono e logo sou alvo da atenção de meus amigos. É claro que eles não perderiam a chance de ouvir nossa conversa.

Você se lembra que eu te pedi para deixar que eu cuidasse do encontro no Dia dos Namorados? — Mon-El mais parecia uma criança no outro lado da linha.

— Claro. E o que você tem em mente? — A animação do bartender me faz ficar ansiosa para o que ele estava planejando para o nosso encontro.

O que você acha de você e eu no The Capital Grille hoje às oito horas da noite? — Sugere Mon-El me surpreendendo.

— The Capital Grille? Aquele restaurante super complicado de conseguir reserva? O mesmo restaurante que precisa ligar meses antes para conseguir fazer uma reserva?O restaurante que eu sempre tive vontade de ir, mas nunca pude porque eu nunca consegui fazer reserva? — Pergunto apenas para ter certeza de que ele estava falando do mesmo restaurante que eu sempre desejei conhecer.

Exatamente. — Responde Mon-El e quase posso ver o sorriso convencido dele. — Depois de comer no The Capital Grille, nós vamos a um lugar muito especial para mim. Se nós sairmos às sete de Hawkins, conseguimos chegar a tempo para jantar e ainda visitar o lugar que eu planejei te levar. Ah, você precisa vestir roupas quentes e confortáveis.

— Mas, tipo, precisa ser hoje? Quer dizer, nós não podemos ir amanhã? — Indago, ainda mais revoltada com a droga do baile.

Você não pode ir hoje? — Questiona o homem, desanimado.

— Não vai dar. Eu tenho que trabalhar no Baile dos Namorados da Hawkins. Começa as sete e eu não faço ideia de que horas vai acabar. — Explico, suspirando. — Eu sinto muito, muito mesmo. Se eu pudesse fugir, eu com certeza faria isso, mas todo ano o diretor escolhe um professor para ficar responsável pelo baile. Infelizmente, esse ano eu fui a sorteada.

Tudo bem. Eu entendo. — Mon-El suspira, desanimado. — É só que eu estava realmente animado para hoje. Combinei com a Joyce para deixar a Holly com ela e até consegui um carro incrível para te levar para o nosso encontro, mas tudo bem.

Eu prometo que vou te recompensar de alguma forma. — Digo, sentindo-me péssima e ainda mais chateada por não conseguir sair com o homem. — Se você puder, nós podemos sair amanhã. Ou domingo, se for melhor para você.

Infelizmente, terei que trabalhar sábado e domingo. Eu até combinei com a número onze para cuidar da pirralha, enquanto eu passo o dia fora. Clint quer que eu assuma a gerência da Hawkeye e por isso preciso ir em algumas reuniões com ele esse fim de semana. Eu provavelmente só terei folga na quarta-feira. — Conta e eu consigo sentir sua irritação pelo tom de voz usado por ele.

Gerente? Mon-El! Isso é ótimo. Parabéns! — Parabenizo, feliz pela conquista do rapaz. — O grande problema é que quarta-feira minha prima Mal vem me visitar. Ela vai ficar de quarta-feira a domingo comigo para participar de uma competição de patinação artística que vai ocorrer na cidade. Não sei se conseguiríamos fazer algo com uma adolescente de dezessete anos em cima de nós. Mesmo podendo deixar ela em casa e saber que ela jamais faria algo de errado, minha mãe me mataria se soubesse que deixei minha prima em casa para ir a um encontro.

— Isso significa que nós só nos veremos na outra semana? — Indaga o motociclista e essa informação me deixa ainda mais desanimada.

— Parece que sim. — Suspiro e meus amigos se aproximam de mim, curiosos. — Eu sinto muito por estragar os planos de hoje.

Não. Eu não sabia que você estaria tão ocupada hoje. O erro foi meu ter marcado as coisas sem confirmar com você se daria para ir. — Desculpa-se Mon-El e isso só me dá mais vontade de encontrar com o rapaz.

— Ei, pode colocar a ligação no viva-voz? — Pergunta Lena e eu a encaro confusa. — Por favor! Eu prometo que não vou fazer nada demais.

— Tudo bem. — Sussurro, ainda chateada. — Mon-El, eu vou colocar a ligação no viva-voz. Minha melhor amiga quer falar com você.

Certo. — Responde, incerto.

Coloco a chamada no viva-voz e aproximo o celular de Lena. Winn e eu encaramos a morena, desconfiado do que ela iria fazer. Eu amo a minha melhor amiga, mas ela é uma das pessoas mais impulsivas e imprevisíveis que eu conheço. As chances de me arrepender de deixar que Lena e Mon-El conversem é alta, mas daria o voto de confiança a ela.

— Mon-El Mike Matthews. Quem diria que conversaríamos depois de tantos anos. — Fala Lena e me surpreendo por ela saber o nome e apelido de Mon-El. — Você continua o mesmo idiota que acha que tomate é verdura?

Lena Kieran Luthor? — Pergunta Mon-El, surpreso. — Meu Deus! Acho que aquele ditado é verdadeiro. Quem é vivo, sempre aparece. E eu não tenho culpa se tomate parece uma verdura. A gente faz salada com ele, então é claro que ele deveria ser uma verdura.

— Vocês se conhecem? — Questiono, tentando entender o motivo daquela intimidade toda entre os dois.

— Sim. Nós estudamos juntos aqui na Hawkins. Nós... bem, tivemos uma espécie de amizade colorida. — Revela Lena, parecendo incomodada por dizer isso.

A minha primeira vez foi com a Lena. Até hoje eu sou grato a ela por isso. — Comenta Mon-El, rindo. — Nós perdemos contato depois que eu me mudei para a Filadélfia. Fico feliz de poder conversar com você de novo, Lena.

A sua primeira vez foi com ele? — Pergunto, surpresa. Eu sabia da história da primeira vez de Lena, mas acho que jamais imaginaria na coincidência de ter sido Mon-El.

— Sim. Nós dois sabíamos que a primeira vez seria uma droga, então seria melhor com quem não amássemos. E eu queria me gabar para as pessoas que eu havia tirado a virgindade de Mon-El Mike Matthews. — Explica Lena, fazendo Mon-El ri. — Nós éramos ótimos amigos e ele é um cara legal, então pensei que seria interessante ter a minha primeira vez com. E foi ótimo. Eu nunca me arrependi disso. Mon-El foi muito cuidadoso e me fez ter uma boa experiência.

Eu também sou grato por ter sido você. Agora eu posso falar que eu perdi a virgindade com a CEO da L-Corp. Quer algo mais incrível que isso? — Brinca Mon-El e por algum motivo, aquela conversa não estava me agradando. Por que de todas as mulheres no mundo, ele tinha que ter a primeira vez logo com a Lena?

— Você continua um idiota. — Afirma Lena, rindo. — Que mundo pequeno. Eu nem sabia que você tinha voltado para Hawkins. Quando eu ouvi Kara falando o seu nome e sobrenome, logo reconheci. Você é a única pessoa no mundo que poderia propor uma ideia maluca de aposta como essa. É agora que eu realmente torço por Kara. Será interessante te ver todo apaixonado.

Você deveria estar do meu lado. — Resmunga Mon-El. A voz de Holly pedindo alguma coisa faz com que o Matthews suspire. Estranhamente, eu me sinto aliviado por ter acabado com aquela cumplicidade que estava tendo entre Lena e Mon-El. — Bom, meninas, eu vou ter que desligar. Tem uma pirralha implorando por comida aqui.

Tudo bem. A gente se fala depois. Foi muito bom conversar com você novamente, Mike. Espero que perca a aposta e faça uma linda declaração de amor para Kara. — Lena se despede e Mon-El bufa pela falta de crença de minha amiga nele.

Enfim, me avisa se surgir uma oportunidade de sairmos durante essas duas semanas, Kara. — Pede Mon-El e dessa vez sou eu quem suspira.

— Claro. Mande um beijo para Holly e Mike. — Respondo, desanimada.

E meu beijo? — Brinca e meus amigos me encaram com sorrisos maliciosos. — Você não vai me dar? Eu estou ansioso por isso. Sabe, é só o que eu tenho pensado.

Cala a boca, Mon-El. — Reclamo, envergonhada. Ele gargalha, provavelmente sabendo como eu estaria nesse momento. — Tchau.

Até mais, minha adorável gatinha selvagem. — Despede-se Mon-El, encerrando a ligação. Bufo por ele relembrar o apelido irritante que ele me deu no dia em que nos conhecemos.

— Você gosta mesmo dele. — Comenta Winn, surpreendendo-me. — Eu acho que nunca te vi ficar tão triste por não poder sair com alguém. E você ficou com ciúmes da Lena com ele.

— O quê? Não diga bobagens, Winn. — Resmungo, incomodada. Dessa vez é Lena que me encara surpresa. Ela se aproxima mais de mim e me encara com seriedade.

— Kara, eu juro que o que houve entre Mon-El e eu ficou no passado. Eu jamais me colocaria entre vocês dois. — Afirma Lena, preocupada. Lanço um olhar repreendedor a Winn por ter falado mais do que ele deveria.

— Não é isso, Lena. Eu apenas não esperava que você e Mon-El já tivessem namorado. — Respondo, o sentimento desagradável que me incomodava ao imaginar Lena e Mon-El juntos.

— Nós nunca namoramos, Kara. Nós tivemos uma espécie de amizade colorida. Eu gostava muito dele, mas apenas como amigo e ele também só gostava de mim dessa forma. Nada além disso, eu juro. — Lena suspira e parece mesmo está sendo sincera.

— Por que não me contou antes que o conhecia? — Pergunto, deixando um pouco da minha mágoa se sobressair. Repreendo-me mentalmente por não conseguir me controlar.

— Eu não sabia que era a mesma pessoa. Você nunca conta muito sobre ele e somente disse o sobrenome dele durante essa ligação. Se eu soubesse que se tratava do mesmo Mon-El, eu teria contado para você. — Garante Lena, preocupada.

— Está tudo bem. Eu e ele também somos apenas amigos. E como você disse, o que aconteceu entre vocês está no passado. Mesmo que eu ficasse chateada, algo que eu definitivamente não estou, não poderia fazer nada quanto a isso. — Afirmo, sentindo as palavras saírem de forma amarga de minha boca.

— Kara... — Lena tenta dizer alguma coisa, mas eu a impeço.

— Vamos voltar a decoração do ginásio. Nós temos muito o que fazer e pouco tempo para terminar. — Digo, pegando mais um dos corações para espelhar pelo ginásio. Ao menos, mexer com a trabalhosa decoração me faria ocupar a mente e parar de pensar em bobagens.

[...]

A música alta ecoava no ginásio da escola, enquanto os adolescentes dançavam de forma animada na pista de dança. Eu observava a todos, atenta a qualquer sinal de problemas que o baile pudesse ter. Modéstia à parte, o ginásio havia fico lindo com as decorações nas cores vermelho, rosa e dourado. O diretor também parecia satisfeito com o resultado de minha organização e até sorria para os alunos.

Eu estava exausta por ter passado o dia arrumando o ginásio e tentando não pensar em Mon-El. Estupidamente, eu até mesmo tinha ficado mais distante de Lena e me repreendia demais por não conseguir disfarçar meu incomodo. Eles não tinham feito nada de errado. Inclusive, eu propus a regra onde ambos podem sair com outras pessoas se quiserem, mas imaginar Mon-El com minha melhor amiga não me deixava feliz.

Pego um pouco de ponche de frutas e suspiro antes de beber. O que há de errado comigo? Estou tão estressada e... triste. Eu acho que nunca me senti assim. Winn tem razão. Essa é a primeira vez que fico tão frustrada por não sair com uma pessoa. Nem mesmo quando James desmarcava nossos encontros em cima da hora eu ficava tão chateada como estou.

Eu deveria ter maturidade para lidar com uma situação como essa. Não é culpa minha e nem de Mon-El. Nós somos adultos e temos nossas responsabilidades. Nem tudo pode ser como nós queremos. Ainda assim, o meu lado egoísta desejava que ele resolvesse aparecer nesse baile e simplesmente me levasse para longe daqui.

E como se minhas preces fossem atendidas, Mon-El entra no ginásio com um buquê de rosas alaranjadas, enquanto trajava um elegante terno preto e gravata azul marinho. Ele caminha pelo local a minha procura e assim que me encontra abre um largo sorriso. Meu coração bate acelerado e só consigo pensar no quanto aquele homem estava ainda mais bonito essa noite.

Calmamente, Mon-El atravessa o ginásio, sendo o alvo de atenção das professoras e alunas do lugar. Não consigo evitar me sentir orgulhosa de ser a única que Mon-El encarava e que era responsável pelo bonito sorriso em seus lábios. Assim que ele me alcança, nós nos encaramos por um tempo em silêncio e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me puxa pela cintura e me beija intensamente.

Se fosse em outro momento, eu teria gritado com o homem por me beijar enquanto estou trabalhando e quanto eu deveria estar prestado atenção nos adolescentes cheios de hormônios que estavam no lugar, mas tudo que eu faço é corresponder ao beijo com o mesmo fervor. Eu sentia saudades daquele irresistível sedutor então aproveitaria o momento, mesmo não querendo admitir isso.

— Boa noite, gatinha selvagem. — Sussurra Mon-El assim que nos separamos.

— Boa noite, estranho mulherengo. — Respondo de volta, rindo. Ele acaricia minha bochecha e me encara com uma doçura perigosa demais para o meu coração.

— Você está ainda mais bonita que o normal. Acho que deveria ganhar o prêmio como a rainha do baile. — Galanteia Mon-El, deixando-me envergonhada. — Eu te trouxe essas flores. Você me disse uma vez que gostava de rosas alaranjadas. Não foi fácil de encontrar, mas espero que goste.

— Elas são lindas. — Afirmo, encantada pelo lindo buquê que ele havia comprado e impressionada por ele ter prestado atenção em algo que nem mesmo eu lembrava que tinha dito. — Obrigada.

Mon-El sorri e encara a pista de dança. Ele estende a mão para mim como aqueles cavalheiros de filme e me dá um de seus melhores sorriso. Preciso me controlar para não suspirar. Eu tenho uma queda por homens de terno. Naturalmente com os seus trajes de bad boy, Mon-El já bastante atraente. Ele de terno então? É quase um crime de tão sexy.

— Você quer dançar comigo? — Propõe, encarando-me intensamente.

— Claro. Eu só preciso... Ah, Aubrey, poderia me fazer um favor? — Chamo a professora de Matemática que colocava um pouco e ponche em seu copo.

— Do que precisa? — Pergunta a mulher, colocando o copo sobre a mesa.

— Poderia guardar essas flores junto a minha bolsa? Eu... vou dançar um pouco. — Explico e Aubrey sorri maliciosa.

— É claro. Divirta-se com o seu príncipe bonitão. — Responde a mulher, dando uma piscadela.

— Obrigado! — Agradece Mon-El, quando Aubrey pega o meu buquê e leva para o local onde estamos guardando as bolsas das professoras.

Mon-El me conduz para a pista de dança, que não demora muito para trocar a música agitada por uma romântica. Vejo Eleven e Mike começarem a dançar. Observo-os como uma mãe orgulhosa. Eles dançavam e se encaravam de maneira tão doce. Sinto meu parceiro de dança pega meu queixo para encará-lo.

— Eu sei. Eleven e Mike são adoráveis, mas o que acha de aproveitarmos essa noite? — Sugere Mon-El, puxando-me para mais perto dele.

— É uma excelente ideia. — Respondo, aconchegando-me nos braços de Mon-El. — Fico feliz que tenha vindo. Foi uma surpresa muito boa.

— Quando parei para pensar que ficaríamos tanto tempo sem nos ver, eu senti que precisava vir. Eu sei que está no trabalho e que eu provavelmente não deveria estar aqui, mas você sabe, eu dificilmente penso antes de agir. Então quando eu dei por mim, já tinha comprado um buquê de rosas alaranjadas e estava me arrumando para vir. — Conta Mon-El e isso só me faz sorrir ainda mais. — Eu sinto muito se estou atrapalhando.

— Meu chefe com certeza não está muito feliz, mas duvido muito que ele faça algo contra o respeitado e poderoso gerente da Hawkeye. — Comento, vendo o diretor Coleman me encarar com um olhar repreendedor. E sinceramente, nesse momento, eu não me importava com isso. Mon-El ri, parecendo ficar sem jeito pelo comentário. — Parabéns pela promoção.

— Não é exatamente uma promoção. Antes de deixar Hawkins, eu já era gerente da Hawkeye, então ele apenas me devolveu o cargo. Mas eu estou muito feliz por isso, então obrigado. — Agradece o moreno, sorrindo como uma criança que acaba de ganhar o presente dos sonhos. — Acho inclusive que eu mereço uma recompensa por isso.

— É mesmo? E o que você sugere? — Pergunto, entrando no jogo do homem. Ele sorri de maneira traquina e encara o sobrinho que ainda dançava com Eleven.

— Sabe, em determinado momento da noite, algo grandioso vai acontecer. Eu não posso contar o que é e nem quando será, mas sei que todas as atenções das pessoas aqui presentes vai estar voltada para esse acontecimento. O que acha de nesse momento você pegar suas coisas e a gente fugir daqui? — Sugere Mon-El como quem não quer nada.

— O quê? O que você está aprontando? — Questiono, preocupada. — Por favor, não me diga que vão estragar o meu baile.

— Não se preocupe. Será apenas uma exposição merecida. Depois disso, acho que teremos uma declaração de amor, mas isso é apenas uma suposição. — Responde o motociclista, pensativo. — Eu não sei de muitos detalhes, mais sei que irá acontecer. E já que perdemos a oportunidade de jantar no The Capital Grille, nada mais justo que pelo menos aproveitar a segunda parte dos planos de hoje.

— Você fala do lugar especial que queria me levar? — Indago, relembrando de nossa conversa sobre o que Mon-El tinha planejado para a noite.

— E então? O que você acha?

E lá estava o homem de sorriso encantador e ideias perigosas me influenciando novamente a agir diferente do meu comportamento comum, a sair da minha zona de conforto. Olho em volta, pensando em como isso é arriscado, mas ao mesmo tempo, sinto aquela emoção única de entrar de cabeça naquela loucura. Sorrio e decido que talvez fosse aquilo que eu precisava.

— Tudo bem. Vamos fazer isso. — Respondo, sorrindo e o sorriso de Mon-El se amplia ainda mais. De repente, a música para e a tela principal do ginásio começa a exibir o que parecia ser uma discussão entre Mike e o acompanhante de Becky.

— O momento chegou. Vamos lá! — Avisa Mon-El e logo entendo o que ele quis dizer com exposição.

Não perco tempo para assistir ao acompanhante de Becky revelando que havia ajudado a garota a espalhar a notícia manipulada do vício de Eleven em medicamentos. Pego minha bolsa, meu casaco e o buquê de rosas. Enquanto todos corriam para o jardim para ver o que estava acontecendo e se surpreender com a chegada de Becky, Mon-El e eu corremos para a saída do baile, ansiando pela noite que estava apenas começando.

Notas finais
O que acharam do capítulo? E que tal fazer parte do nosso grupo no Facebook e no WhatsApp? Os links estão logo abaixo: Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646