ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO III — CONTROLE

Assim que deixamos a sala do diretor, eu só conseguia pensar no quanto Mon-El Matthews era impressionante. Com uma facilidade absurda, ele conseguiu deixar o diretor Coleman sem argumentos, retirar as punições de Mike e Eleven e ainda diminuir a de Max, que havia iniciado a briga. De fato o que ele disse fazia bastante sentido, mas a postura e o olhar severo do tio do melhor aluno da escola impediu que até mesmo Russell Coleman conseguisse se defender.

— Impressionada, gatinha selvagem? — Sussurra Mon-El, sorrindo convencido.

— Onde estão Mike e Eleven? — Pergunto a Lucas e Max, ignorando o comentário do outro. Eu precisava manter a compostura e não me deixar levar pelo sorriso bonito e olhar sedutor de Mon-El.

— Eles foram tomar um ar. Já devem estar chegando. — Responde Max com um sorriso inocente. Eu conhecia aquelas crianças o suficiente para saber que havia muito mais por detrás daquela história, mas resolvo deixar de lado. O pai de El não parecia muito feliz com a explicação de qualquer forma. — E então? O que aconteceu?

— Mon-El salvou o dia. — Responde a Sra. Hargrove, aliviada. — Sabiamente, ele convenceu o diretor que vocês sempre foram ótimos alunos e que era injusto terem a mesma punição que a outra garota que está sempre envolvida em problemas. Depois ele argumentou sobre Mike e Eleven não se envolveram na briga e os dois acabaram livres de qualquer castigo além de um aviso para não se envolverem em brigas.

— Você foi realmente impressionante, rapaz. Acho que me lembro de você mais jovem na casa de seus pais. Ainda era um molecote quando saiu de casa, não é mesmo? — Relembra o Sr. Hopper, sorrindo com nostalgia.

— É verdade! Você é Jim Hopper. Não tivemos muito contato, porque eu sai de casa assim que você se mudou para a casa ao lado da minha. — Responde Mon-El, sorrindo. — É muito bom te encontrar de novo, Sr. Hopper. A sua filha tem ajudado muito a minha família. Muito obrigado.

— Eu é que agradeço. Desde que Eleven começou a cuidar de Holly, ela tem estado tão feliz. — Afirma o delegado e eu quase deixo uma risada escapar pela ingenuidade do homem de achar que a pequena Holly era a principal causa dos sorrisos bobos de Eleven. O motivo com certeza é um dos Wheeler, mas não é a caçula.

— Espero que ela continue nos ajudando. Eu vou começar a trabalhar em alguns eventos e seria bom ter alguém de confiança para ficar com a pirralha. — Explica Mon-El e o Sr. Hopper sorri largamente. — Se o senhor permitir, é claro.

— Eu tenho certeza de que Eleven ficará muito feliz com isso.

Assim que vejo Eleven e Mike se aproximarem as pressas, encaro o casal com desconfiança. Ao nos encarar, vejo as bochechas de Mike ficarem vermelhas e isso só aumenta ainda mais as minhas suspeitas que eles não estavam apenas tomando um ar. Nos livros que eu leio, quando um casal está sozinho sempre acontece muito mais do que apertos de mãos e abraços fofos.

— Onde vocês estavam? — Sussurro para Eleven. A minha curiosidade e imaginação fértil me faziam criar inúmeras teorias envolvendo a garota.

— Depois eu te conto. — Cochicha a garota em resposta.

— Eleven, você estava chorando? — Pergunta o pai de Eleven, lançando um olhar nada amigável para Mike. — O que aconteceu?

— Nada, pai. Eu estou bem. Não se preocupe. — Afirma a garota dando um sorriso que parece convencer o delegado. — E sobre a reunião?

— Você e Mike estão livres do castigo. Max terá dois sábados de detenção e a punição de Becky continuou a mesma decida pelo diretor. Pelo que sei, se ela se envolver em mais alguma confusão, será expulsa do colégio. — Conto, sentindo a alegria por finalmente a garota ter o castigo que merecia. — E tudo isso graças ao sr. Matthews.

— Achei que já tivéssemos intimidade suficiente para me chamar de Mike, Kara. — Responde o homem de sorriso galanteador. Observo o rosto bonito de Mon-El e não gosto como o meu coração reage a ele.

— Não. Nós não temos intimidade alguma, sr. Matthews. E por favor, eu prefiro que me chame de Srta. Danvers. — Digo, tentando não demonstrar que seu sorriso me afetava. Eu devo estar enlouquecendo de vez.

— Exatamente como uma gatinha selvagem. — Comenta Mon-El e eu lanço um olhar raivoso para o tio de meu aluno, que apenas sorri satisfeito.

— De qualquer forma, tio Mike conseguiu tirar vocês dois do castigo e ainda aliviou o meu. — Comemora Max, sorrindo largamente.

— Eu disse que o herói apareceria para salvar a donzela em perigo ou, nesse caso, as donzelas e o meu chato sobrinho. Quando for se envolver em problemas, que ao menos seja algo que valha a pena eu ser chamado na escola. — Brinca o homem, que recebe um olhar mal-humorado do sobrinho.

— De preferência, continue o bom menino que você é, Mike, e não se envolva em problemas. — Peço, preocupada com o adolescente.

— Não se preocupe, professora Danvers. Apesar de compartilhamos o mesmo sangue e o mesmo apelido, meu tio e eu somos bastante diferentes. — Afirma o garoto, sorrindo.

— Bom, eu preciso ir. Vamos, Eleven? Eu te deixo em casa antes de voltar para a delegacia. — Fala o delegado da cidade, encarando a filha preocupado.

— Nós podemos deixá-la em casa, Hopper. — Responde Max, sorrindo docemente.

— Nós também já estamos indo embora, filha. — Afirma a mãe de Max, encarando o relógio. — Inclusive, eu já estou atrasada para voltar ao trabalho. Vamos?

— Eu vou ficar, mãe. Eu preciso resolver alguns problemas no clube A.V., não é, Lucas? — Fala Max, encarando o namorado com um sinal claro de que ele deveria concordar.

— Sim, sim. Eu prometo que eu a deixo em casa assim que terminarmos aqui, Sra. Hargrove — Concorda Lucas, sorrindo nervoso para a sogra.

— Tudo bem. — Responde a mulher, suspirando. Ela beija a testa da filha e a encara com seriedade. — Não se envolva em mais confusões.

— Pode deixar. — Max sorri para a mãe e acena em despedida.

— Eu também quero ficar, pai. — Responde Eleven a Hopper.

— Você tem certeza, querida? A secretária do diretor me contou por telefone sobre o que aconteceu hoje de manhã. Não é melhor você ir para casa descansar um pouco? — Pergunta o homem, preocupado.

— Eu estou bem. E quero ficar um tempo com os meus amigos. — Afirma Eleven com determinação.

— Tudo bem. Mas se acontecer alguma coisa, eu quero que me ligue imediatamente para que eu venha buscá-la. — Pede Hopper e a garota aquiesce. — Assim que eu chegar na delegacia, iniciarei uma investigação para saber quem está por trás dessa infeliz armação. Eu prometo que isso não ficará assim. Eu não descansarei até descobrir quem fez isso com você.

— Obrigada, pai. — Agradece Eleven e seu pai acaricia sua cabeça. — Tenha cuidado.

— Eu sempre volto, querida. Não se preocupe. — Declara Hopper com amabilidade.

Os pais de Eleven e Max deixam a escola, restando apenas o tio de Mike, os adolescentes e eu. Observo Mon-El discretamente. Eu não sabia dizer se era sua personalidade ou aparência que mais chamavam atenção, mas definitivamente isso não estava fazendo bem para a minha sanidade. Porque perto desse típico mulherengo, eu me sentia nervosa e vulnerável.

— Pelo visto, você também vai ficar, não é mesmo, pirralho? — Questiona Mon-El, encarando o sobrinho, que assente, concordando.

— Sim. Eu preciso treinar a tarde. — Explica o adolescente. — Isso me lembra que você vai ter que ficar a tarde com a Holly. Não se esquece de dar comida para ela. Geralmente, era a El que ficava com ela nesse horário, então seja paciente com ela e não esqueça de alimentá-la. De preferência com algo que não seja a sua comida.

— Quanto ingratidão! A minha comida é muito saborosa. — Resmunga o homem, que recebe um olhar irônico. Eleven começa a rir e isso chama a atenção do motociclista. — Até você, doce Número Onze?

— Desculpa, tio Mike. Mas eu vou ter que concordar com o Mike que sua comida não é uma das melhores. — Responde Eleven e ele leva a mão ao coração, fingindo ter levado uma facada no peito com aquela declaração. Isso faz com que a garota ria ainda mais. O homem então se recompõe e dá um sorriso bonito.

— Tudo bem. Eu vou pedir comida. Eu prometo. — Afirma Mon-El, dando uma piscadela. Ele então me encara e tudo que faço é observá-lo com tédio. — E você tem planos para amanhã à noite, gatinha selvagem? O que acha de sair comigo?

— Eu tenho compromisso amanhã. — Digo, sorrindo convencida. — E mesmo que eu não tivesse, eu não sairia com você. Qual a parte de eu tenho namorado você não entendeu?

— Não tem problema. Eu não tenho ciúmes. — Responde o homem descaradamente, fazendo os garotos rirem.

— É muita cara de pau mesmo. — Resmungo, rindo incrédula. — Você com certeza é a pior espécie de homem que existe no mundo.

— Você é adorável. — Ironiza o homem, lançando uma piscadela. Reviro os olhos e cruzo os braços, irritada. — Eu adoraria ficar aqui, conversando com você, gatinha selvagem, mas eu preciso buscar a pirralha número três na escola. Então vejo você por ai.

— Se Deus quiser, nunca mais nos vemos. — Retruco, sorrindo sarcástica.

Mon-El ri e acena, em despedida. Respiro fundo algumas vezes, suspirando aliviada quando o homem que tanto me incomoda vai embora.

— Eu vou para a sala dos professores para preparar as minhas aulas. — Aviso, decidindo que era melhor eu voltar ao trabalho. — Por favor, não se metam em confusão. Eu não vou aguentar mais um problema de vocês.

— Nós iremos nos comportar. Eu prometo. — Eleven responde sorrindo com sinceridade.

Aceno para os quatro adolescentes e vou para a sala dos professores. Eu estava esgotada e não via a hora de chegar em casa. Depois de tantos problemas para uma única manhã, tudo o que eu desejava era um bom banho quente e minha cama confortável. Pego meu celular dentro da bolsa e o coloco para carregar.

Um caderno cai de minha bolsa e vejo que é o meu plano de vida. Nostálgica, vejo que eu estava conquistando todos os objetivos que havia programado aos dezoito anos. Eu consegui terminar a faculdade de Letras e me especializar em Literatura. Mesmo longe de minha família, eu consegui emprego em uma das melhores escolas do país. E agora, estou prestes a completar dez anos de namoro e não poderia estar mais animada por isso.

Não apenas por ser uma comemoração importante, mas também porque James e eu planejamos, assim que começamos a namorar, que em nosso décimo aniversário de namoro, se ainda estivéssemos juntos, ele me pediria em casamento. Amanhã será o nosso grande dia e eu ansiava por seu pedido. Depois de tanto tempo juntos, eu ansiava pelo próximo passo em nosso relacionamento. Casar e construir uma família sempre foi um sonho e eu finalmente estou prestes a realizá-lo.

Guardo meu plano de vida em minha bolsa e ligo meu celular. Como era de se esperar, recebo inúmeras ligações e recados da Sra. Madson questionando o meu atraso, mensagens do meu grupo de amigos e de James que parecia falar a respeito de nosso jantar.

Ignorando as outras mensagens, abro a de meu namorado e me surpreendo com o pedido para adiantarmos o nosso jantar para hoje. Estranho a mudança de planos. Ainda mais metódico do que eu, James odeia quando as coisas saem diferente do planejado. Para ele querer mudar o nosso jantar, algo deveria ter acontecido. Concordo com o pedido e questiono o motivo da mudança. Por causa do horário, eu sabia que ele só me responderia no almoço, por isso, resolvo verificar as mensagens de meus amigos.

Muitas bobagens e reclamações de Lena e Winn. Nada com o que eu não estivesse acostumada. Alex comenta vez ou outra e a também reclamava de estar com saudades, que Los Angeles não era tão divertida sem a gente. Eu também sentia falta da minha irmã, mas confesso que é um alívio morarmos separadas. Quando juntas, tudo o que fazíamos era discutir. Isso devia ao fato de nossas personalidades opostas. Alex sempre preferia viver o agora intensamente sem se importar com o amanhã, aproveitar a vida ao máximo. Eu preferia viver algo mais concreto e planejado, estar preparada para as possibilidades.

Lena manda mensagem no nosso grupo nos convidando para almoçar juntos. Olho para o meu relógio e vejo que estava quase na hora do almoço. Eu só daria as duas últimas aulas do dia e depois de tantos problemas, eu merecia uma boa distração. Depois de Winn concordar e Alex reclamar mais uma vez da injustiça de ser a única que não poderia ir por estar longe demais, aviso que também iria e deixo o celular carregando. Eu precisava organizar as atividades que se sujaram de manhã e havia muitos aulas a serem planejadas.

[...]

— E deixa eu adivinhar. Você paralisou de culpa e começou a chorar feito um bebê. — Supõe Lena, assim que conto sobre o acidente com Mon-El.

— Como você adivinhou? — Pergunto surpresa pelo acerto preciso de minha melhor amiga.

— Está brincando comigo? Você é a pessoa mais previsível que eu conheço. É tão fácil ler você que posso adivinhar facilmente o que você vai falar a seguir. — Responde Lena, dando um sorriso desafiador.

— Eu não sou tão previsível assim. — Digo, mal-humorada.

— Eu não sou tão previsível assim. — Lena repete a minha fala ao mesmo tempo que eu. — Está vendo? Não é tão surpreendente assim saber a sua reação.

— Isso não é verdade, certo, Winn? — Questiono a meu melhor amigo, que para de beber o suco e me encara hesitante. — Certo, Winn?

— Desculpa, Kara. Você sabe que eu raramente concordo com a Lena, mas ela está certa. Você é bastante previsível. — Afirma meu melhor amigo, sorrindo sem graça.

— Eu sempre estou certa. — Retruca Lena e Winn revira os olhos diante da afirmação.

— Não exagera. — Repreende o programador, entediado. — O fato é que você nunca se arrisca ou sai da sua zona de conforto, Kara. Você até mesmo tem um caderno com sua vida inteira planejada nele. Mesmo que muitas coisas aconteçam com você por causa da sua falta de sorte, não é tão difícil assim a gente prever o que você vai fazer ou como vai reagir.

— Não é tão estranho assim eu ter um plano de vida. Eu apenas sou mais objetiva que as pessoas. Foi assim que eu fui a melhor aluna da faculdade, consegui emprego em uma das mais renomadas escolas do país. Além disso, eu posso ser imprevisível se eu quiser. — Tento me explicar, mas Lena começa a rir e Winn volta a beber seu suco pelo canudo em silêncio. — O quê?

— Kara, você sabe que eu te amo muito, muito mesmo, mas você não consegue amiga. Acho que a coisa mais rebelde que você já fez na vida foi escolher ser professora de Literatura ao invés de ser uma cientista como seus pais. Você é sempre tão certinha, amiga, que até mesmo a sua comida é a mesma que você pede há anos. — Lena ri ainda mais e toma um pouco de seu suco.

— Não nos leve a mal, Kara, mas você não é tipo de pessoa rebelde que age sem pensar. Você gosta de ter o controle de tudo. Se as coisas não saem como você quer ou algum imprevisto acontece, você se desespera. Como quer que a gente acredite que você pode ser imprevisível, quando você chora e surta toda vez que você lida com algo diferente dos seus planos? Não se lembra como você ficou quando não foi escolhida para ser a personagem principal daquela peça na sua faculdade? — Relembra Winn, sorrindo cauteloso. Ele parecia temer me machucar.

— Eu só não ganhei o papel principal de A Bela e a Fera, porque eu estava gripada. Eu tinha tudo para ser a Bela. Não pode me julgar por ficar chateada por não conseguir o papel. — Resmungo, inconformada e ele suspira.

— Admita, amiga. Você não consegue ser imprevisível. — Responde Lena, encarando-me convencida. — Até mesmo esse paspalho aqui consegue ser mais rebelde que você e olha que ele é o típico pau mandado da Lyra.

— Ei! — Reclama Winn, mas ele não tenta negar. Todos sabem que Winn faz tudo o que a esposa dele pede sem pensar duas vezes.

— A verdade é que você tem medo de viver. — Afirma minha melhor amiga, cortando a carne em seu prato. — Você é incrível, Kara. É divertida, amável e responsável. Não existe ninguém mais organizado nesse mundo que você, mas sejamos sinceros. Você nunca viveu uma aventura de verdade. Está tão preocupada em viver uma suposta vida perfeita que escreveu em seu caderno idiota, que nem mesmo percebe que existe um mundo gigantesco, esperando para ser explorado. Por que ao invés de ficar lendo romances bobos, você não tenta viver o seu próprio conto de fadas com um príncipe de verdade e não uma versão mal feita de um robô?

— Não fale assim dele, Lena. — Repreendo minha melhor amiga. — Ele é uma ótima pessoa e acho que ele finalmente vai me pedir em casamento.

— Eu não teria tanta certeza assim. Ele tem te enrolado por dez anos, Kara. Se ele realmente quisesse se casar com você, já teria te pedido em casamento. — Alerta Lena e Winn a encara com repreensão. — E nem é por falta de dinheiro ou oportunidade. É só porque le não quer mesmo.

— Não fale assim. Lena. James apenas está esperando o momento certo para pedir a mão de Kara em casamento. — Winn defende o melhor amigo e Lena bufa, contrariada.

— Ah, por favor. Você realmente acredita nisso? — Questiona a presidente da L-Corp, encarando Winn com tédio. — Quando você pediu sua esposa em casamento, por acaso estava esperando o momento certo? Ou você simplesmente sentiu que deveria passar o resto da sua vida ao lado dela e por isso fez o pedido depois de um ano de namoro?

— Mas isso é diferente. Lyra e eu temos uma conexão única. — Responde o rapaz sem transmitir muita segurança. — James e eu somos pessoas diferentes, então não se preocupe, Kara. Em algum momento, ele deve fazer o pedido.

— Ele me pediu para nosso jantar ser adiantado para hoje. Acho que o grande dia chegou. Amanhã completamos dez anos de namoro e ele jamais trocaria a data de nossa comemoração se não fosse por algo importante. — Conto, animada.

— Está vendo, Lena? Nós conhecemos James muito bem para saber que não é de seu feitio permitir mudanças nos planos. Ele deve fazer o pedido hoje. — Winn parecia ainda mais animado do que eu. — O momento finalmente chegou e eu vou fazer questão de jogar na sua cara.

— Eu não sei. Não entra da minha cabeça que ele vai realmente pedi-la em casamento. — Confessa Lena, pensativa. Ela se vira para Winn e o encara intensamente. — Ele por acaso te disse isso? Vocês são melhores amigos. Se ele realmente fosse pedir Kara em casamente, ele te contaria. Em algum momento, James ao menos citou a palavra casamento com você?

— Bem, não, mas.... — Winn tenta explicar, mas Lena o interrompe.

— Apenas não vá para esse jantar com tantas esperanças. Eu tenho certeza de que você já está até mesmo querendo marcar a data de casamento, reservar as passagens para a lua de mel e até já deve estar montando a lista de quem serão os convidados da cerimônia, sem nem mesmo ter sido pedida em casamento ainda. — Pede Lena e eu suspiro, frustrada. — Eu estou falando sério, Kara. Sem expectativas.

— James não é esse monstro que você fica descrevendo, Lena. É verdade que somos incompatíveis em muitos pontos, como o fato dele não gostar de crianças e nem animais, quando eu sonho em ter filhos e gatinhos em nossa casa. Mas ele me ama e em algum momento ele vai sentir a vontade de ser pai. — Explico, confiante. James tem sido meu namorado há muitos anos. Talvez tudo o que ele precise seja de um incentivo como um próximo passo em nosso relacionamento para que aflore o seu desejo de ter filhos.

— E se ele não mudar de ideia, Kara? E se ele insistir que não quer ser pai? Vai desistir dos seus sonhos por causa dele? — Questiona minha melhor amiga, repreendendo-me. — Não pode se casar esperando que uma pessoa seja o que ela não é e muito menos que ela mude por você, porque isso não vai acontecer. Ninguém muda por causa de outra pessoa. Você namora com James há quase dez anos e ainda assim ele insiste que não quer ser pai, mesmo você deixando bem claro que isso é o seu sonho.

— Lena... — Winn repreende a Luthor.

— O quê? Eu apenas quero que ela seja feliz e eu sinto que isso não vai acontecer enquanto ela insistir nesse relacionamento com James. Eles não parecem se encaixar. Não tem química. Não tem aquela paixão. Parece que falta algo. Posso não ser a pessoa mais romântica desse mundo, mas eles parecem muito mais estar acomodados um com o outro do que apaixonados. — Lena coloca a mão sobre o meu ombro e me encara com preocupação. — Eu sei que posso parecer não estar do seu lado, mas você é minha melhor amiga. Não quero que faça algo que possa se arrepender depois. Afinal, casamento é algo sério e se você tem mesmo que passar o resto de sua vida ao lado da mesma pessoa, ao menos que seja alguém que possa te tirar o fôlego, se sentir extremamente atraída e torne seus dias únicos.

— Talvez ele faça eu me sentir assim. — Digo e ela nega, suspirando.

— Não. Ele não faz, Kara, e você sabe disso.

Notas finais
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