ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO II — BENFEITOR

Resolveu lembrar que eu existo, Sr. Mon-El Matthews? — A fala carregada de drama de Imra usando meu odiado nome é a primeira coisa que escuto de minha melhor amiga ao atender o celular. Suspiro, já me preparando para o drama.

— Não seja injusta. Eu fiquei atolado por causa da mudança e não pude te ligar antes. Além disso, conversamos antes de ontem. — Respondo, abrindo a porta de casa.

Você praticamente morava na minha casa, seu ingrato. O mínimo que você tinha que fazer é me dar notícias suas assim que chegasse em Hawkins. O que custa me mandar uma mensagem avisando que está vivo? Você viajou uma longa distância de moto em pleno inverno e nem retornou as minhas ligações. — Reclama a pediatra e eu tenho que ri de sua genuína preocupação. Imra era quase como uma mãe para mim em alguns momentos. Ela provavelmente é a pessoa que mais se importa comigo. — Você acha graça, idiota? Eu realmente fiquei preocupada.

— Eu sei. Sinto muito por isso. Mas não se preocupe. Eu estou bem e Scarlett já esteve em seus dias melhores. — Comento e isso parece chamar a atenção de minha melhor amiga.

— O que houve com a sua moto? — A voz de Imra variava entre curiosidade e receio.

— Depois de levar a pirralha número três para a escola hoje de manhã, porque sou um excelente tio, eu estava voltando para casa quando um maluca resolveu atravessar a rua sem olhar para os lados. Para não a atropelar, eu tive que jogar a moto para a calçada da pista e acabei caindo com a Scarlett. — Conto e escuto Imra arfa, provavelmente imaginando o pior. — Eu estou bem. Continuo bonito, gostoso e o cara mais sexy de Hawkins. E Scarlett teve apenas alguns arranhões.

Eu não me importo com a droga da moto, Mike! — Resmunga a mulher e eu bufo, inconformado. Assim que fecho a porta, vou para a sala e me jogo no sofá. — E o que houve com essa maluca? Ela se machucou?

— Não. Apenas ficou bastante assustada. Chorou como uma criança de colo querendo a mãe. — Não consigo evitar o riso ao relembrar a cena. — Ela parece ser o tipo de pessoa certinha, então acho que estava apenas tendo um dia bem ruim.

Conheço esse seu tom de voz. Está interessado nela. — Comenta Imra, suspirando em seguida. — Você sabe que não está mais sozinho, certo? Agora você é responsável por duas crianças que precisam de você. Mike e Holly devem ser sua prioridade e não mulheres desconhecidas que você só se interessa até ir para cama com você.

— Você se preocupa demais. — Afirmo, encarando o teto branco da sala. — Eu sei que agora preciso bancar o pai. Eu só não sei se levo jeito para isso. Eu amo esses pirralhos, mas eu só os vejo algumas vezes no ano. Minha irmã nunca me deixou ficou muito tempo com eles. Eu não sou o tipo de cara que gosta de ficar preso e nunca precisei cuidar de ninguém além de mim. Do dia para a noite, eu tenho que cuidar de dois dos meus três sobrinhos e lidar com toda essa loucura de divórcio, repórteres invadindo casa e todas essas merdas que eu não estou acostumado. Não sei se serei a pessoas que eles precisam. É muita responsabilidade, Imra.

Eu sei que é, mas você sabe que pode contar comigo. Mesmo estando há mais de seiscentos quilômetros de distância, eu ainda posso colocar juízo na sua cabeça, se for preciso. E eu conheço você melhor do que ninguém. Sei que vai conseguir lidar com a pressão. Você é inteligente e mesmo dizendo que não sabe lidar com crianças, Holly e Mike te adoram. Nancy com certeza vai visitar vocês sempre que for preciso. Você não está sozinho. Apenas deixe de ser um mulherengo irresponsável e vai ficar tudo bem. — Responde a mulher do outro lado da linha, fazendo-me ri de seu comentário.

— Eu não sou mulherengo. São as mulheres que não resistem ao meu charme. Eu não posso fazer nada além de retribuir o afeto que me dão. Você sabe disso melhor do que ninguém. — Provoco e ela bufa, entrando em nosso joguinho.

Eu era jovem e inocente. Não pode ficar jogando na minha cara os erros que eu já cometi, Mike. — Retruca Imra, rindo.

Imra e eu namoramos por uns cinco meses, mas vimos que combinávamos muito mais como melhores amigos do que namorados. De todas as mulheres com quem me relacionei, Imra é a que tinha a personalidade mais doce e responsável. Por causa disso, passei a respeitá-la como se fosse uma irmã e ela me via como um pobre coitado que precisava de uns puxões de orelha de vez em quando. Então, nosso término não poderia ter sido melhor. E no fim, ganhei uma melhor amiga incrível.

Ouço o telefone da residência tocar e suspiro, desanimado. Não queria levantar para atendê-lo e meu corpo ainda doía pela recente queda. Eu estava com planos de permanecer deitado até a hora de ir buscar Holly na escolinha e ir almoçar com a criança em algum restaurante, já que humilhantemente, não sei nem mesmo fritar um ovo sem queimar.

— Imra, preciso desligar. Tenho que atender ao telefone. — Aviso, tentando alcançar o aparelho que estava a alguns metros de mim, mas infelizmente os meus braços não eram compridos o bastante para isso.

Tudo bem. Eu também tenho que atender um paciente agora. Eu ligo para você à noite para saber como foi passar o dia com seus sobrinhos. Trate de me atender. — Resmunga a médica.

— Certo. Até mais. — Despeço-me, desligando o celular.

Usando a pouca coragem que eu tinha naquele momento, levanto-me aos poucos e com cuidado para não piorar as minhas dores no corpo. Inconformado por ter meus planos interrompidos, ando até a mesa onde fica o telefone.

— Alô. — Atendo, desanimado.

Sr. Mon-El Matthews? — A voz do outro lado da linha parecia bastante familiar, mesmo eu não conseguindo identificar quem era a mulher misteriosa.

— Sim. Sou eu. Quem fala? — Respondo, desconfiado.

Eu me chamo Tereza Madson e sou a secretária do diretor Coleman da Hawkins High School. — Apresenta-se a secretária e logo reconheço o nome. Era a famosa bruxa da Hawkins. A mulher era secretária do diretor Coleman desde que eu estudava naquela escola. Era impressionante como ela conhecia todos os alunos da escola, mesmo sem sair de sua sala. — Eu estou ligando para falar a respeito de seu sobrinho, Michael Wheeler.

— Mike? O que aconteceu com ele? — Pergunto em alerta. Eu conhecia o garoto bem o bastante para saber que ele nunca se metia em confusão, então com certeza algo havia acontecido.

O Sr. Wheeler está bem. O diretor Coleman apenas está solicitando uma reunião para conversar sobre o comportamento de seu sobrinho. Pedimos que venha a escola imediatamente para que possamos explicar o que aconteceu e a punição que o Sr. Wheeler receberá. — Explica a bruxa, no tom entediado que só ela parecia ter.

— Tudo bem. Estarei ai em vinte minutos. — Respondo, preocupado. O que será que o pirralho tinha aprontado para eu ter que ir em uma reunião de emergência?

Assim desligo o telefone, decido conversar com meu sobrinho primeiro. Busco o número de seu celular em meus contatos e ligo para o garoto. Se eu precisava defender o pirralho, que eu ao menos soubesse por ele o que tinha acontecido. Conhecendo aquela escola como eu conheço, com certeza o velho do diretor castigaria Mike sem nem ao menos ouvir o que de fato aconteceu.

Alô. — Ouço a voz cansada de meu sobrinho e consigo imaginar sua expressão desolada. Aquele tom não era de alguém que tinha aprontado algo.

— Eu sempre soube que você seria um traficante, mas tinha que ser pego? — Ironizo, apenas para tentar animar o garoto e quase consigo vê-lo revirando os olhos pelo meu comentário.

Por que ao invés de ficar ligando para fazer comentários estúpidos, você não arruma um jeito de me tirar dessa encrenca? — Questiona, irritado. Sorrio, feliz por saber que mesmo não convivendo tanto com o garoto, eu ainda o conhecia bem. — Pelo que eu me lembro, você era mestre em se livrar dos castigos do diretor Coleman.

— Eu liguei justamente para saber o que aconteceu. Mas é claro que eu não perderia a chance de zoar o meu sobrinho santinho. Até sua irmã de dois anos apronta mais que você. — Provoco, porque não poderia perder o costume de implicar com o sabichão.

Primeiro que a Holly tem três anos. — Corrige Mike, comprovando a minha teoria que aquele garoto é mesmo um sabichão chato.

— Grande diferença. — Sussurro, entediado.

— E sobre o que aconteceu, basicamente foi armação de Becky, que saiu do controle e acabamos todos na diretoria com detenção de quatro sábados e uma advertência como punição. — Conta o garoto de maneira frustrada.

— Nesse caso, acho que posso ajudar a virar o jogo. Mas para isso, eu preciso que você me conte o que aconteceu. Precisa contar até mesmo os detalhes que acha mais irrelevantes. Tudo o que disser pode ser uma chance de virar o jogo e te tirar do castigo. — Respondo, porque se de fato somente aquilo havia ocorrido, não seria difícil mostrar que o diretor estava sendo injusto, mas eu também precisava ter algo para impedir que Mike e Eleven ficassem de castigo. Infelizmente, se Max iniciou a briga, não havia muito o que fazer pela garota.

Tudo bem.

Mike conta que quando chegaram a escola, eles se depararam com todos cochichando sobre Eleven. Ao chegarem no armário da garota, diversos remédios caem do local e isso a deixou apavorada. Nossa adorável vizinha teve alguns traumas de infância, onde haviam a usado como objeto de experimento de medicamentos. Algo realmente triste. Meu sobrinho conta também que soube no mesmo instante que isso era uma das armações da ex-namorada.

Eu não duvidava disso. Nas poucas oportunidades que tive de encontrar com Rebeca Moore, logo notei que aquela garota possuía algo de maligno em seus olhos. Todas as suas ações eram perfeitas demais para uma adolescente. Tudo muito calculado.

Por fim, Mike revela que foi atrás de Becky em busca de respostas, mas tudo que recebeu foram respostas irônicas, provocações e a confiança excessiva de alguém que tinha certeza de que jamais seria descoberta, o que só comprovava ainda mais que ela estava envolvida na divulgação de uma matéria manipulada sobre Eleven.

O grande problema mesmo foi quando Max e Eleven o encontraram. A ruiva, melhor amiga de meu sobrinho, não permitiu que Rebeca ofendessem nossa vizinha e isso resultou em uma briga digna de filme de Hollywood com direito a puxões de cabelo, gritaria e muita baixaria até que os professores interrompessem e todos fossem mandados para a diretoria. Confesso que amaria ver Max dando uma surra na odiosa ex-namorada de Mike.

— Na verdade, tirar você do castigo será mais fácil do que eu imaginava. — Comento assim que ele terminar de narrar o ocorrido. — Em momento algum você brigou com a sua ex-namorada e tudo que fez foi para impedir que algo pior acontecesse. Eu conheço muito bem o diretor Coleman. Não se preocupe, pirralho, seu herói aqui vai te tirar dessa e ainda salvar a doce donzela Eleven.

Espero mesmo que você esteja certo. — Resmunga o garoto, desesperançoso. — Eu preciso desligar agora. Não demore a vir.

— Eu já estou a caminho. Até mais.

Assim que encerro a ligação, coloco meu celular no bolso de minha calça e sinto algo amassando no local. Puxo o pedaço de papel e é inevitável não sorri ao ver que aquele era o número da gatinha selvagem de mais cedo. Observo-o por alguns instantes, ponderando se deveria ligar ou não. Relembro de seu aviso de ter namorado e acabo desistindo. Se for para me envolver com a loirinha arisca, o destino provavelmente cuidará disso. E Imra tem razão. Eu preciso me focar em meus sobrinhos. Nesse momento, eu sou tudo o que eles têm.

Pego meu capacete, minha jaqueta de couro, meus óculos de sol e com minha inseparável companheira, Scarlett, sigo para a Hawkins High School. Por estar em horário de aula, o trânsito estava muito mais calmo e consigo chegar sem problemas ao local. Assim que estaciono minha moto, guardo o capacete e observo a construção que por muitos anos foi o local que eu mais amava odiar. Eu tive uma relação bastante interessante com aquela escola.

Andando pelos enormes corredores da escola, relembro alguns bons momentos ao lado de meus amigos naquele lugar, mesmo detestando estudar. Conheci muitas pessoas interessantes e aproveitei bastante a minha juventude. Deixando a nostalgia para depois, tento puxar de minha memória onde ficava a diretoria e acabo pedindo a orientação de uma aluna que no mesmo instante se prontificou em me mostrar o caminho.

Quando finalmente me lembro onde estou, despeço-me da garota e logo encontro meu sobrinho no corredor conversando com Lucas e Max. Sorrio pela presença daqueles pestinhas que sempre me divertiam.

— Vocês estão ai, pirralhos! — Cumprimento, retirando os óculos de sol. — Parece que vocês fora idiotas de serem pegos aprontando.

— Tio Mike. — Lucas sorri e corre para me abraçar, exatamente como fazia quando criança. — Quanto tempo!

— Ligeirinho! — Exclamo, observando o garoto, embasbacado em como ele havia crescido. — Você cresceu bastante desde a última vez que nos vimos.

— Parece que você continua o mesmo folgado convencido desde que nos encontramos pela última vez, tio Mike. — Comenta Max e eu a encaro, erguendo as sobrancelhas, mas não resisto por muito tempo. Rio e abro meus braços. Em segundos, sinto o abraço apertado da ruivinha.

— E você continua com a mesma língua ferina, esquentadinha. — Retruco, enquanto bagunço o cabelo de Max. Os três riem, divertindo-se comigo. — Acho que está na hora do herói aqui tentar limpar a barra do sobrinho encrenqueiro e seus amigos delinquentes.

— A professora Danvers está vindo com sua mãe, Max. Acho que aquele homem deve ser o pai da Eleven. — Anuncia Lucas, apontando para o corredor.

Viro-me para ver de quem Lucas se referia e me surpreendo com quem vejo. A maluca que se jogou na frente da minha moto pela manhã esboça uma expressão de surpresa, antes de volta a seriedade. Sorrio, sem acreditar em minha sorte. O destino estava mesmo trabalhando a meu favor, afinal, quais são as chances de se encontrar duas vezes no mesmo dia e em situações tão diferentes uma mesma pessoa?

— Sim. Ele é o pai da El. — Responde Mike, atraindo minha atenção.

— Mas que surpresa boa te encontrar novamente, gatinha selvagem. — Comento, assim que a mulher de mais cedo nos alcança.

— Infelizmente, eu não posso dizer o mesmo. — Responde a loira de maneira petulante. Sua reação só me faz ficar ainda mais interessado. — Então você é o tio de Mike, Mon-El Matthews.

— Mike. Mike Matthews. — Corrijo, lançando o meu sorriso mais sedutor. — E qual seria o seu nome, professora Danvers?

— Eu sou a professora de Literatura de seu sobrinho, Kara Danvers. — Apresenta-se a mulher com seriedade. — Eu ouvi falar muito sobre você, Sr. Matthews.

— É mesmo? Eu tenho certeza que foram somente coisas boas. — Respondo, sorrindo por saber que de alguma forma ela me conhecia. Talvez aquele fosse o sinal que eu queria para investir na professora.

— Eu não teria tanta certeza assim, se eu fosse o senhor. — Meu sorriso se fecha na mesma hora. Ela não estava facilitando para mim. Kara sorri com falsa cordialidade e abre a porta da diretoria. — Vamos entrar. Vocês alunos devem esperar aqui, enquanto seus responsáveis conversam.

— Mas onde está Becky e seus pais? — Pergunta Max com seriedade.

— Infelizmente, os pais dela não poderão comparecer hoje. Por isso, uma secretária da família veio buscá-la mais cedo para que ela fosse para casa.

— Isso não é justo! Se essa garota brigou com minha filha, eu exijo que os responsáveis dela estejam presentes. — Responde a mulher que reconheci como a mãe de Max.

— Eu também gostaria de ter a presença da garota e de seus responsáveis. — Concorda um homem de bigode e uniforme da polícia. Segundo meu sobrinho, aquele era o pai de Eleven.

— Eu lamento muito, senhores, mas infelizmente, não há nada que possamos fazer quanto a isso. Rebeca já deve estar longe a essa hora e nenhum dos responsáveis dela estão no país. — Explica a professora, demonstrando que também não estava satisfeita com a situação.

— De qualquer forma, vamos logo começar essa reunião com o diretor Coleman. — Peço, ainda mais inspirado para acabar com aquela palhaçada. Já bastava que aquela garota fizesse um inferno na vida de Mike e seus amigos. Eu não aceitaria que ela fosse embora tão facilmente assim. — Eu terei o prazer de ouvir a justificativa dele de castigar Mike e Eleven quando ambos são inocentes.

— Lucas, volte para sua sala. Mike e Max esperem aqui, enquanto eu entro com seus responsáveis. Eleven não deve demorar para aparecer. — Orienta Kara e os adolescentes assentem, concordando.

— Não se preocupe, carinha. Eu vou te tirar dessa. — Tento tranquilizar meu sobrinho, que aquiesce, confiante.

Depois disso, entramos na diretoria e reencontro a Sra. Madson falando ao telefone. Ela faz sinal para que esperássemos. Segundos depois, Eleven deixa a sala do diretor com uma expressão cansada. Ela sorri preocupada para o pai que apenas suspira e observa a filha deixar a sala. Todos estavam bastante incomodados com essa situação.

— Entrem, por favor. — Pede a Sra. Madson, encerrando sua ligação.

Kara abre a porta e dá espaço para que entrássemos. Assim que passo por ela, sorrio confiante e sussurro, uma provocação apenas para ter o prazer de vê-la reagir impaciente.

— Está pronta para ver o benfeitor em ação?

— Eu não vejo a hora de presenciar suas ações, oh grande, benfeitor. — Ironiza, dando um sorriso falso. Suas respostas afiadas são tão divertidas que me fazer querer saber quais serão suas reações se eu a provocar ainda mais.

— Obrigado a todos por terem vindo. Sentem-se, por favor. — Pede o diretor, apontando para as cadeiras que estavam de frente a sua mesa. Kara fecha a porta e se coloca ao lado do diretor, visivelmente incomodada. — Mon-El Matthews. Faz anos que não o vejo.

— Diretor Coleman. — Cumprimento, assumindo uma postura mais séria. Eu precisava mostrar que eu não estava satisfeito com o tratamento diferenciado entre os alunos e usar todo o meu poder de persuasão para mudar a decisão do homem. — De fato, não nos vemos há muito tempo. Uma pena que nosso reencontro ocorreu em uma situação bastante incomoda. Espero que nos explique o motivo de terem nos chamado tão em cima da hora e ainda não termos a presença da quarta criança envolvida na confusão.

— Pelo visto você já deve saber o que ocorreu. — Responde o diretor, encostando-se em sua cadeira com uma expressão cansada. — Rebeca mora com o pai e a madrasta. Ambos estão viajando, portanto não há ninguém que possa representá-la. Além disso, a reunião de hoje era apenas para explicar o que aconteceu e o castigo das crianças. Todos levarão advertência e cumprirão quatro sábados de detenção.

— Diretor Coleman, eu conheço minha filha e sei que ela jamais se envolveria em brigas. Por que ela está sendo punida, quando é a vítima? — Questiona o pai de Eleven e eu preciso me controlar para não sorrir. Aquele era o argumento que eu queria colocar em ação para salvar Eleven.

— Eu entendo o que quer dizer, Sr. Hopper, mas é preciso que entenda que sua filha também participou de um ato que vai contra os princípios de nossa escola. — Responde o diretor e eu preciso bufar diante de tamanho absurdo. Até mesmo Kara parece se esforçar para não debater com o diretor.

— É mesmo? Isso não parece em nada com o que meu sobrinho me contou. — Retruco imediatamente. — Pelo que eu sei, a ex-namorada de Mike está sempre envolvida em problemas na escola e raramente é punida. Nós não temos provas de que ela está por trás da notícia espalhada pela escola, mas eu tenho certeza de que se olharmos pelas câmeras da área da piscina, veremos que essa garota não é tão inocente assim.

— Mon-El...

— Além disso, diretor Coleman, Max, Mike e Eleven são excelentes alunos. Nunca se envolveram em problemas e possuem notas excelentes. Ainda que eles tivessem iniciado uma briga, a punição deles deveria ser bem menos severa do que a dada a uma aluna tão problemática quanto Rebeca. — Interrompo o diretor, sem dar tempo dele se recuperar de argumentos.

— Mon-El tem razão. — Concorda a Sra. Hargrove, alterando o tom de voz. — Minha filha nunca teve problemas na escola. Por que ela tem que ter o histórico dela manchado da mesma forma que uma garota que já aprontou outras vezes? Por acaso o senhor tem alguma preferência de alunos?

— De forma alguma, Sra. Hargrove. — Responde o diretor no mesmo instante.

Ele estava começando a ficar nervoso. A família de Max é uma das mais poderosas da cidade. O diretor não podia arriscar se tornar inimigo de pessoas tão influentes quanto os Hargrove e os Wheeler. Além disso, pelo que eu havia notado, o pai de Eleven não era um simples policial. Pelo distintivo no cós de sua calça, ele é o delegado da cidade. Ter a polícia contra a maior escola da cidade também não era algo que seria benéfico para o diretor.

— Portanto aja de acordo com a justiça, diretor Coleman. — Retruca o delegado, cruzando os braços. — O rapaz aqui tem razão. Até mesmo quando se é réu primário, a punição é diferenciada de um réu reincidente. Como nossos filhos poderiam receber os mesmos castigos se essa é a primeira vez que cometem uma infração.

— E pelo que eu soube, diretor Coleman, Mike e Eleven tentaram separar a briga. Por que eles estão sendo tratados como se tivessem brigado? — Questiono com seriedade. — Do meu ponto de vista, a única infração que eles cometeram foi não comparecer as aulas. O que mais eles poderiam fazer ao ver duas garotas se estapeando dentro de uma piscina? Se eles fossem atrás de um professor sem fazer nada, poderia ser pior. E a professora Danvers chegou logo em seguida com o treinador Nicholson.

— Tudo bem, Mon-El. Eu retiro a punição de Jane e Michael. Dessa vez, eles receberão apenas um alerta para que eles não se envolvam em confusão. — Responde o diretor, dando-se por vencido. Ele sabia que não adiantava tentar argumentar comigo. Eu tinha a presença de duas figuras importantes da cidade ao meu lado. — Mas Maxine ainda vai precisar cumprir duas semanas de detenção. Mesmo sendo a primeira vez dela se envolvendo em problemas, o que ela fez ainda foi muito grave. Colocou a vida dela e dos outros colegas em perigo ao brigar dentro de uma piscina. Isso poderia ter acabado em tragédia se não tivessem sido interrompidas.

— Eu entendo. — Concorda a Sra. Hargrove, conformada com a punição da filha. — E a outra garota?

— Ela permanecerá com a mesma punição anterior. A advertência e as quatro semanas de detenção. — Decreta o diretor Coleman, encarando-me como se esperasse que eu interferisse.

— Obrigado, Sr. Coleman. — Agradeço e ele suspira cansado. Kara me observa com a boca levemente aberta, sem conseguir disfarçar sua surpresa com o desenrolar da reunião. Lanço uma piscadela para a mulher, que cora e desvia o olhar. Sorrio satisfeito. Mais uma vez, eu tinha salvado o dia e conquistado a mocinha.

Notas finais
O que acharam do capítulo? E que tal fazer parte do nosso grupo no Facebook e no WhatsApp? Os links estão logo abaixo: Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646