Apocalipse Zumbi (interativa)
16 Piedade de nosso sangue
Notas iniciais
Todos se despediram calorosamente, como se fosse a última vez que se veriam. Os mais velhos, andaram rumo ao carro roubado enquanto os mais novos (e Jason) observavam.
– Espero que eles voltem logo — disse Kath, abraçando seu ursinho — O acampamento fica muito vazio sem eles.
– Fica mesmo... — concordou Clear.
As duas se olharam, compartilhando um momento de paz e, em seguida, voltaram a fazer o que sempre faziam no acampamento: nada. Jason, que achava aquela situação completamente desfavorável para ele, se encostou numa árvore e começou a observar os pequenos. "Rebaixado a babá... Que ótimo...".
Katrina e Andrew pareciam se dar bem, Jason pensou. Conversavam bastante e Katrina cantava enquanto Andrew dedilhava alguma notas. Logo começou a tocar blues, fazendo a morena rir. Clear e Harry sempre se deram bem, mas ele nunca achou que Clear e Kath pudessem se tornar amigas. Eram completamente o oposto uma da outra. E Harry e Derick, que eram muito parecidos, pareciam não ter gostado muito um do outro.
– Ai, Senhor... Tem piedade de mim... — murmurou Jason sarcasticamente, enquanto observava os pequenos.
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O carro remexia e pulava a medida que passava por cima de pedras ou mergulhava em buracos na estrada. Gaspar dirigia, com Lucie ao seu lado. Ninguém falava, não era preciso. Nos três lugares de trás estavam Triz, Damien e Cristina. No porta-malas, Maryanne. Todos tensos, cada vez mais amedrontados a medida que se aproximavam de Atlanta.
Maryanne travou uma de suas Glocks e a depositou na parte de trás de suas calças. O arco e flecha já pendurado em seu tronco e as flechas já posicionadas. A sua segunda Glock ela entregou silenciosamente a Damien, que a travou e guardou. Cristina já estava com seu Cutelo na mão. Sempre o teve mas nunca sentiu necessidade de usa-lo pois sempre havia mais objetos úteis disponíveis. Travou um revolver que trouxera consigo e guardou-o da mesma maneira que Maryanne e o Maldonado.
Gaspar já tinha suas armas preparadas na mochila. Lucie Usava facas de cozinha e, por puro pechincho, conseguiu emprestada a LAPA FA-03 de Gaspar.
Triz estava com um punhal e uma Eagle Express calibre 50. Nada mais. Todos estavam ansiosos, um tanto quanto apreensivos. O Sol ainda não havia baixado o suficiente para se tornar preocupante, logo, ainda tinham horas restantes para entrar e sair.
O carro parou num solavanco.
– Chegamos — anunciou Gaspar.
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Todos pularam para fora do carro como gatos. Nem o carro fez barulho ao desligar, como se entendessem a gravidade da situação. E o cheiro... Aquele cheiro de morte que os sobreviventes conheciam tão bem. E os gemidos. Podiam ver a movimentada cidade de Atlanta... Movimentada como se o Inferno tivesse subido.
– Muito bem — começou Gaspar — Iremos em duplas fora das ruas principais. Nossa prioridade é armamento e munição. Será a primeira parada na rota que escolhi. Ninguém desvia o caminho. Por nenhum motivo.
Todos fizeram que sim com a cabeça.
– Ótimo — continuou — A segunda parada é logo em frente, no supermercado. Pegaremos o máximo de comida que pudermos e, assim que eu der o sinal, nós damos o fora, entenderam?
Mais acenos com a cabeça.
– Perfeito. Formem as duplas.
Por um instante, todos ficaram paradas até que, enfim, as duplas foram formadas. Gaspar fez dupla com Lucie e Maryanne fez dupla com Triz. O Maldonado fez dupla com Cristina.
– Todos prontos? — perguntou Gaspar — Vamos entrar.
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Dupla por dupla, o grupo de sobreviventes pulou a cerca de metal que rodeava a cidade. Entraram pela parte de trás, parte que Clear deduziu estar menos lotada. Estava certa, porém isso não facilitava nem um pouco a vida dos mais velhos.
Estavam em formação.Gaspar e Lucie iam primeiro, Gaspar de frente e Lucie de costas, as costas dos dois encostadas. Cinco metro depois, Triz e Maryanne na mesma posição e, mais cinco metros depois, Cristina e o Maldonado.
Andavam em paços cuidadosos e silenciosos, porém, não o bastante. Errantes.
Eles avançaram sem nem mesmo pensar. Gaspar, que havia ordenado previamente a todos a não usar armas de fogo, esfaqueou a cabeça do primeiro. A dupla rodou como numa dança e Lucie pregou suas duas facas de cozinha na cabeça do outro, chutando seu corpo para desprender o errante de sua arma.
Mais atrás, os errantes atacavam Triz e Maryanne. Nenhuma das duas desgrudou as costas. Triz esfaqueou o primeiro errante três vezes na cabeça. O sangue preto e mal-cheiroso respingou em seu rosto. Maryanne cravava flechas a curta distancia, para que as duas pudessem recupera-las.
Com o Maldonado e Cristina a situação não era diferente. Cristina grunhia ao arrancar cabeças de errantes com o cutelo e ao derrubar alguns deles para que Damien rodasse e esmagasse suas cabeças mórbidas no chão. Estava tudo indo bem. Já haviam avançado alguns metros e já conseguiam ver a primeira parada.
– Vamos conseguir... Vamos conseguir... — murmurou Maryanne, enquanto chutava um dos errantes do chão, abrindo passagem para Triz.
Tudo indo bem.
Mais a frente, havia um bloquei um tanto anormal de carros. Triz se lembrava dele como se o tivesse visto ontem mesmo.
– Mey... — murmurou.
– Devagar, todos — anunciou Gaspar — Vamos ter que passar por cima. Com cuidado, não saiam da formação.
E assim fizeram.
Um por um, todos escalaram os carros, ajudaram sua dupla a passar e continuaram derrubando os errantes. Gaspar e Lucie... Maryanne e Triz...
Damien subiu primeiro, pois havia rodado para frente. Seu peso fez o carro balançar um pouco, mas nada que fizesse muito barulho. Se equilibrou e estendeu o braço para ajudar Cristina. Porém, antes mesmo que ela pudesse aceitar a ajuda, um errante apareceu por trás.
– Cristina! — alertou Damien.
Com o canto do olho, a jovem o viu. Pegou impulso com a mão esquerda e a jogou contra o cranio do errante, esmagando-o sem dar nenhuma chance de sobrevivencia. Porem, o golpe fora muito forte.
O cutelo de Cristina continuou o trajeto, sem parar, até atingir o vidro do carro em que subiam. O barulho do alarme foi agoniante. Um verdadeiro agouro da morte.
– Corram, corram CORRAM! — berrou Damien, enquanto puxava Cristina para cima com força e rapidez e corriam.
Todos estavam correndo. Precisavam entram na primeira parada, não importava o que acontecesse.
– AAARGH! — gritou Cristina, enquanto corria, ou melhor, mancava atrás de Damien. Este parou e olhou para a parceira — Minha perna...
Ela sangrava muito. Tinha um corte muito profundo que poderia ser tanto uma perfuração do vidro quebrado quanto uma mordida de errantes. Sem pensar duas vezes, o Maldonado puxou Cristina para suas costas e saiu correndo atrás do resto do grupo.
Os errantes, rastejavam, mancavam, corriam atrás dos sobrevivente procurando por um saboroso pedaço de suas carnes. E o pior de tudo: gemiam como almas penadas no inferno.
– Vamos, vamos vamos! — gritou Lucie para os outros, enquanto ela abria a porta junto a Gaspar e indicava para que entrassem.
Triz e Maryanne entraram correndo sem problemas na loja de armamentos/primeira parada. Damien corria como um condenado enquanto ouvia Cristina murmurando "Me desculpa! Me desculpa! Me desculpa!". Enfim, chegaram a loja.
Damien caiu de joelhos e sentou Cristina no chão.
– Ela está ferida! — anunciou — Alguma coisa cortou a perna dela.
Triz imediatamente correu na direção da amiga para examinar.
– Foi um dos pedaços de vidro da janela do carro — disse Triz — Vamos ter que retirar o vidro e fazer um curativo. Foi profundo e pegou praticamente toda a coxa de Cristina. Terei que ser cuidadosa e...
– AAAAAAAAAARGH!!! Alguém! ALGUÉM!! — gritou Lucie da porta.
Gaspar virou a cabeça e viu Lucie chorando a porta. Os errantes chegaram mais rápido do que o planejado e Lucie não conseguira fechar a porta.
Um errante mordera o braço dela.
– Alguém! Por favor... Por favor... — implorou Lucie enquanto o errante arrancava um bom pedaço de carde de seu braço.
Gaspar... Gaspar estava enfurecido. Em dois passos chegou a porta e esmagou o cranio do errante com as próprias mãos. Fechou a porta com força e colocou um móvel para obstruir a abertura da porta.
Lucie cambaleou e caiu no chão respirando curta e rapidamente. Suava e olhava para o teto.
– O que eu faço... — murmurou Gaspar — O QUE EU FAÇO??!!
Triz removeu o vidro da perna de Cristina, causando gritos e mais gritos. Jogou o pedaço de vidro no chão e rasgou a calça da amiga, para poder ver melhor.
– Enfaixem — ela ordenou. Damien e Maryanne obedeceram.
Triz se ajoelhou ao lado de Lucie, que parecia ter convulsões.
– Gaspar, se afaste — ela disse — Estava esperando por uma oportunidade para testar isso...
– Testar o que? — perguntou Gaspar.
– Pegue o cutelo de Cristina Gaspar — disse Triz — Rápido!
Gaspar obedeceu. Triz limpou o máximo que pode enquanto ordenava ao major que tirasse o cinto e amarrasse bem forte próximo ao cotovelo de Lucie.
– Talvez o veneno não tenha se espalhado por completo — explicou ela — Tentei com a minha mãe, mas ela sangrou muito. Já havia perdido sangue demais. Lucie pode conseguir. Precisa confiar em mim, major.
Gaspar hesitou. Deveria correr riscos?
– Triz... — grunhiu Lucie — Faça.
Triz respirou fundo, ergueu o cutelo e, com toda a força que tinha, martelou o braço da amiga. Ignorando as lágrimas e os gritos. Lucie finalmente desmaiara. Depois de mais algumas marteladas, o braço de Lucie estava solto do corpo, sangrando sozinho no chão.
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