Apocalipse Zumbi (interativa)
17 Piedade de nossas almas
Notas iniciais
– Você acha que eles estão bem? — perguntou Kath a Clear — Já está ficando tarde...
O Sol ja começava a descer no horizonte. Clear arrumou seus óculos de armação e sorriu.
– Sim, acho que eles estão bem.
– É Kath — disse Derick — O que poderia acontecer de errado?
– Muita coisa — respondeu Harry — Mas eles estão bem. Têm que estar. Aposto que já estão subindo no carro com as mochilas cheias de armas novas e munição. E bastante comida também. Vocês vão ver!
Os quatro se juntaram a Katrina, Andrew e Jason. Kath sorriu e abraçou seu ursinho, mais confiante.
– É... Com certeza ele estão bem — murmurou.
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O braço de Lucie cuspia sangue sem parar. O braço, inerte e separado do corpo também sangrava, mas não tinha mais importância. Triz apertou mais o cinto de Gaspar preso ao braço da outra líder.
– Arrume alguma coisa para reter o sangue — disse Triz ao major — Agora!
Gaspar, sem pensar duas vezes, arrancou a própria camisa, revelando mais cicatrizes que todos desconheciam. Estendeu a blusa a Triz que rasgou-a e começou a enfaixar o braço da colega. Os músculos estavam começando a inchar. O osso, cortado ao meio, tinha uma aparencia horrível, tão horrivel que Maryanne, assim que bateu os olhos em Lucie, se virou e vomitou.
Cristina já estava com a perna enfaixada e os olhos estavam molhados por lágrimas que foram arrancadas a força pela dor. Damien a ajudou a levantar. Cristina andou um pouco pela loja, porém sua perna vacilou e ela teve que segurar na bancada para não cair. Damien correu para ajudar a parceira, porém ela se levantou sozinha. Olhou para ele e fez que não com a cabeça.
– Não consigo... — murmurou.
Maryanne se recompôs e pois-se a ajudar Triz, tentando ao máximo não olhar para o espaço onde deveria haver o braço de Lucie.
– E agora? — perguntou Damien — Estamos presos, como vamos sair daqui?
– Vamos fazer logo o que viemos fazer aqui — disse Gaspar — Pegar armamento e munição. Rápido, quero essas mochilas transbordando de balas.
Gaspar acenou com a cabeça para Maryanne, indicando para a ruiva que fosse atrás de Cristina e Damien. Desesperados, eles jogavam caixas e mais caixas de munição. Maryanne animou-se com uma besta que encontrou. Cristina gostou de uma espada na esposição e Damien se apaixonou por uma Sub Metralhadora Uzi co2 4,5mm. Semi-automatica. Pegou Duas.
– Como está Lucie — perguntou Maryanne, enquanto fechava a mochila cheia de pistolas e munição e jogando-a nas costas.
– Nada bem — disse Triz — Melhor que antes, mas, mesmo assim...
– Qual a chance dela sobreviver? — perguntou Gaspar.
– Aqui? Nenhuma — respondeu Triz — No acampamento? 45%.
Gaspar grunhiu. Olhou para o estado de Cristina e de Lucie. Estavam presos. Não tinham como sair dali sem deixar alguém para trás. Sim, Gaspar estava pensando na possibilidade de usar um bode expiatório, mas não podia fazer aquilo. Era completamente contra os seus princípios. Respirou fundo. Não podia entrar em pânico. Respirou fundo de novo. Todos olharam para ele.
– Tudo bem — disse Gaspar — Damien e Maryanne, quero que vejam os fundos da loja. Saídas subterraneas, esgoto, fundos... Qualquer coisa, e...
– Ora, ora — disse uma voz, que vinha atrás de todos — Se não é a loirinha gostosa.
Triz gelou. Todos se viraram.
Haviam três caras de pé, próximos a porta dos fundos. Todos eles armados até os dentes com facas, bestas, pistolas... O do meio, provavelmente o líder do pequeno bando, deu um passo a frente. Era loiro, olhos azuis, pele bronzeada, alto e tinha uma voz que dava nojo em Triz.
– Vejo que estão com dificuldades — ele disse — O que aconteceu?
– Nada que seja da sua conta — respondeu Triz, rispidamente.
O loiro levantou as mãos enquanto os dois feiosos atrás dele riam.
– Calma, lindona.
– Faz o seguinte — interrompeu Triz — Pega essa calma e enfia no seu cu! Seu bosta!
Os três riram ainda mais. Os nossos sobreviventes já tinham entendido. Eles eram os estupradores, os violadores. Bom, pelo menos dois deles sim. Gaspar arrastou Lucie para um canto onde havia um sofá. Colocou-a atrás dele e andou até a frente. Todos ficaram ainda mais tensos com o barulho de risadas e de gemidos dos errantes no lado de fora.
– E você seriam? — perguntou Gaspar.
Todos os nossos sobreviventes pegaram nas armas, tensos. Mais um conflito estava por vir e eles sabiam disso.
– Sou Troy — respondeu o loiro — E esses são...
– Crabe e Goyle? — perguntou sarcasticamente Maryanne.
Triz sorriu e se levantou.
– Uou! Sabem, nós não precisamos ser assim — disse Troy — Só queremos as suas armas e, quem sabe, a loirinha aí. Talvez vocês deem a ruivinha de presente e...
Troy olhou para Cristina, porém Damien se meteu na frente.
– E o que, seu merdinha? — ele perguntou.
Troy soltou um suspiro.
– Nada... Só estou dizendo que não precisa haver conflito armado.
Todos ficaram em silencio por um tempo. Estavam sendo ameaçados. Ameaçado por um cara de pau sem igual. Todos seguraram ainda mais forte suas armas. Então Triz deu dois passos a frente. Ela sorria. Mas não cruelmente. Sorria como se fosse uma criança que havia acabado de ganhar um doce.
– Lembra da última vez em que nos vimos, bonitão? — ela perguntou, ainda sorrindo — Não pense que ainda não vou te abri como um peixe, seu arrombado de merda.
E voltou para o seu lugar no grupo.
Troy sorriu.
– Você tem espirito, loirinha.
Foi o suficiente. Triz levantou a pistola que havia conseguido a pouco e apontou para Troy. Os três do outro lado levantaram suas armas e os nossos sobreviventes também. Triz atirou na cabeça do "Crabe" a sua esquerda e no ombro do "Goyle" a sua direita. Houveram explosões de sangue. Os dois caíram. Triz apontou a arma para Troy, mas era tarde demais. Troy atirou primeiro. Por muita sorte, o loiro tinha uma péssima mira, enquanto Triz fazia parte do clube de tiro antes do apocalipse.
Troy acertou seu ombro. A força da bala fez Triz recuar e quase cair.
– Seu filho da puta! — gemeu Triz, enquanto cobria o ferimento, que sangrava.
O "Goyle", que não havia morrido, se levantou e deu dois tiros. Um de raspão, no braço de Marryanne e um que acertou o ombro de Damien. Troy apontou a arma para Triz e, antes que ele pudesse atirar, Gaspar se jogou contra ele, do mesmo modo que Cristina fizeram com Damien para salvar Triz. Triz se sentia inútil e caiu no chão pelo choque.
Gaspar socou o rosto de Troy com força e tirou a arma que Troy segurava. "Goyle" apontou sua arma para Gaspar e uma bala, junto com uma flecha, atravessaram a cabeça dele. Não sabiam quem o havia matado, Maryanne ou Cristina. As duas se sentiam igualmente cheias de remorso e vitoriosas. Gaspar socava, socava, socava o rosto de Troy, mas este pegou uma faca. Gaspar relaxou por um segundo, mas foi o que bastou. Troy cravou a faca de pequeno porte no olho direito do major.
– AAAAAAAARGH! — gritou, caindo para o lado.
Troy levantou para dar a última esfaqueada em Gaspar quando um barulho de tiro se fez presente. Damien havia acertado um ponto não letal de Troy mas foi o que bastou.
Um grito de guerra vindo da garganta de Triz se fez presente, quando a loira chutou Troy no chão, sentou em sua barriga e enfiou dois dedos no buraco da bala. Troy gritou, gritou, gritou.
– Você tem energia, né bonitão? — perguntou Triz — Está doendo? Acho que sim, mas não o suficiente — Triz pegou sua faca, enfiou no machucado e rodou. Troy berrou tanto que o errantes do lado de fora se animaram mais ainda — Aaaah sim! Você tem espírito. Bom. Quero que esteja consciente agora, pra ver como eu vou te matar.
Triz tirou a faca do ferimento de Troy sem cerimonia e rasgou a blusa dele. Ele estava suado e respirava de um jeito falho. Triz se abaixou e deu um beijo no pescoço e outro no peito de Troy. Sorriu.
– RIP Troy Peixinho — dei um rapido beijo em seu lábios.
Colocou a faca no pescoço dele e perfurou profundamente. Antes que Troy pudesse desmaiar, rasgou pele e musculos para baixo, em direção a barriga de Troy. Fez isso três vezes. O sangue espirrava em seus cabelos e rosto, mas ela estava achando aquilo mágico.
Troy finalmente parou de gemer.
Triz caiu no chão. Todos os sobreviventes a olhavam e depois olhavam para um Troy, aberto como um peixe no chão. Triz começou a chorar no chão. E então todos se deram conta de que não tinham condições para continuar o percurso para o acampamento.
E então rezaram entre lágrimas.
"Piedade de nossas almas..."
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