Notas iniciais
Espero que esse capítulo seja maiorzinho, pq... Ah! Vcs vão ver :3
Esto gostando muito dos comentarios :3
Boa leitura ^3^

Cristina, Jason e Clear corriam em meio ao caos de Atlanta. Faltava pouco para os limites da cidade. Cristina abatia alguns errantes no caminho com mais facilidade do que ela podia imaginar. Clear corria com sua mochila pesada o máximo que podia e Jason se sentia um inútil.

"Eu tenho uma arma!", disse a pequena Clear. Mesmo assim, ele fora proibido de usa-la perto de muitos errantes. Então ganhou uma adaga.

– Foi mordida? — gritou Cristina para Clear.

– Não! Meus pais foram! Saí antes que se levantassem de novo — gritou a pequena.

Os dois mais velhos se admiraram com a frieza com que Clear disse que seus pais estavam mortos. Quase como se não sentisse nada. Quase.

– Certo! Nossa melhor chance de fuga é a Interestadual! — gritou Jason — Já está amanhecendo e lá terão carros e um caminho livre pra correr!

– É pra lá que estamos indo! — gritou Cristina de volta.

Todos corriam como nunca antes. As pernas ardiam e os pulmões protestavam, mas essa era a regra número um da sobrevivência: ignore a dor.

Depois de alguns metros (e alguns errantes abatidos por Cristina e Jason) eles chegaram a Interestadual. Eles pararam para recuperar o fôlego e, depois de algum tempo, levantaram a cabeça e olharam ao seu redor. Haviam pessoas correndo, carros parados e batidos. Sem contar os (muitos) errantes circulando.

– A situação não está muito melhor do que lá atrás — disse Clear, arrumando seus óculos de armação no rosto — Ainda sim, teremos que correr muito se quisermos achar um pouco de paz.

– É isso o que vamos fazer — disse Cristina. Então ela olhou para a mochila de Clear — Aliás, o que você tem aí dentro?

Clear arregalou os olhos e deu um passo para trás. Não deixaria ninguém tocar em seus preciosos livros.

– N-nada! — respondeu ela, mais alto e mais agudo do que ela pensava — Quer dizer... Nada. Por que?

Jason não acreditou. Aliás, ninguém acreditou no que Clear disse. A garota era astuta, mas não sabia mentir. Em um movimento rápido, Jason puxou a mochila dos ombros da pequena, abrindo-a logo em seguida.

– Ei! — protestou a mais nova, pulando em cima de Jason, com os braços levantados — Me devolva isso! Agora!

Jason levantou uma de suas sobrancelhas.

– O que foi? — perguntou Cristina.

– É isso? Estamos no meio de um apocalipse zumbi e você trás livros? — perguntou ele, puxando o livro de física de dentro da mochila.

A pequena Clear se zangou. Num pulo, puxou seu livro favorito das mãos de Jason e lhe deu um chute na virilha. Jason grunhiu e caiu no chão. Cristina teve que segurar uma risadinha. Clear, ainda com raiva, se pronunciou.

– Escuta aqui, playboyzinho! Eu fui tachada de nerd durante toda a minha vida e, sim, eu sou uma. Se eu quis trazer meus livros isso não é problema seu nem de ninguém! Ouviu bem? — Clear se abaixou e pegou sua mochila, colocando a nas costas — Ah! E não sei se você leu ou, se ao menos sabe ler, mas os livros iriam me ajudar a sobreviver aqui fora! E O QUE VOCÊ TROUXE?

Cristina agora ria muito. Para ela, era engraçado ver uma garota de 14 anos dando sermão e jogando no chão um homem de uns 25. Jason murmurou algum palavrão no chão e se levantou, com uma expressão de dor.

– Escuta aqui, pirralha! Eu não tenho que ficar dando satisfação e nem ouvindo sermão de ninguém! Eu sou mais velho que você, logo eu mando em você, entendeu bem? Agora se você...

– Se eu o que? Se eu te der outro chute, vai me deixar de castigo, é isso? Pois meus pais não morreram pra eu ficar ouvindo sermão de um babaca qualquer, então, se me derem licença...

Dizendo isso, Clear se virou e começou a andar na direção oposta a dupla. Cristina sentiu uma pontada de preocupação. Como aquela garotinha iria conseguir sobreviver sozinha? Por impulso, Cristina estendeu o braço e segurou o ombro de Clear.

– Não vá! — ela disse — Você não vai conseguir sobreviver por aí sozinha, Clear... Esqueça a sua raiva e pense racionalmente.

Clear respirou fundo e pois-se a pensar. De fato, não era a escolha mais inteligente e lógica a se fazer naquela situação. A mais nova suspirou e se rendeu.

Depois de uma conversa e dois pedidos de desculpas, os três começaram a andar na direção oposta a cidade, ignorando os pedidos de socorro, até que, não tivesse mais nenhum.

~#~#~

Katrina acordou num pulo. Sua cabeça e seus músculos doíam. Se sentou com os olhos fechados e tentou se lembrar da noite passada. Os errantes, a fuga, a floresta, Gaspar e Harry... Christian. A morena abriu os olhos e se sentou. Ela, Harry e Christian estavam dormindo dentro do trator, enquanto Gaspar estava de guarda do lado de fora. O Sol já brilhava e fazia muito calor.

Olhou ao seu redor. Harry estava dormindo com uma cara de anjo. Até seria uma se seu travesseiro não fosse uma LAPA FA-03. Suspirou e se levantou. Saiu do trator e viu Gaspar sentado ao lado de uma das rodas.

– Ahn... Olá — ela disse.

– Ah! Bom dia! — respondeu Gaspar, sorrindente. As cicatrizes dele ficavam ainda mais assustadoras de dia — Harry já acordou?

– Não senhor...

– Entendo...

Os dois ficaram um tempo em silêncio, sentindo o vento nos cabelos e no rosto. O céu estava bem azul, e as árvores estavam mais verdes do que geralmente estariam. Parecia tudo em paz, se não fosse... Pelo que mesmo? Ah, é! Os errantes.

Katrina se sentou tímidamente ao lado de Gaspar, que não se importou. O major segurava uma arma bem grande que, aos olhos de Katrina, parecia um fuzil.

– Eu só... — começou Katrina, ganhando a atenção de Gaspar — Eu queria agradecer por vocês terem nos ajudado e...

– Agradeça quando o garoto estiver bem — cortou Gaspar.

Katrina abaixou a cabeça e ficou calada. Os dois ficaram um tempo assim, observando o céu ou a ponta dos sapatos. Depois de um tempo, Harry finalmente acordou.

– Hey pai! Vou ficar aqui, do lado de cima do trator para vigiar, ok?

Gaspar permitiu e os três continuaram em silêncio, até que Katrina se levantou.

– Eu vou... Vou ver Chrstian, esta bem?

Gaspar apenas fez que sim com a cabeça e voltou a olhar a estrada.

Katrina entrou no trator e se sentou ao lado de Christian. Ele estava branco, inconsciente e com uma blusa enrolada na cabeça, para reter o sangue. Sua boca estava seca e sua respiração, mesmo constante, estava fraca.

A morena achava que a culpa era dela, mas não sentia tanto remorso quanto pensava que sentiria. Afinal, eles se odiavam e nada no mundo mudaria esse sentimento entre os dois.

– Errantes! — gritou Harry de cima do trator.

Gaspar se levantou num pulo e preparou seu fuzil. Harry apontou a LAPA FA-03 para um ponto no horizonte. Katrina pulou para fora do trator e fechou a porta com força, procurando os tais errantes.

Quando ela achou, viu apenas silhuetas no horizonte. Pareciam ser apenas três, correndo, mas depois de um tempo, perceberam ser quatro. Tinha um em cima do outro. No começo, todos acharam estranho, até perceberem que não eram errantes. Eram sobreviventes.

– Eles estão vivos! — gritou Harry, quando os quatro se aproximaram.

Os dois abaixaram as armas e Katrina relaxou. Eram dois homens e duas mulheres, sendo que, uma delas estava nas costas do outro com algo enrolando seu tornozelo.

– Estamos vivos! — gritou a loira nas costas do homem.

– Percebemos! — respondeu Harry.

Gaspar e Katrina correram na direção deles e Harry voltou a apontar sua arma na direção dos novos sobreviventes.

– Por via das dúvidas... — murmurou ele consigo mesmo.

Gaspar e Katrina desaceleraram junto com o grupo novo quando se aproximaram. Eles se encararam por um tempo.

– Alguém foi mordido? — perguntou Gaspar.

– Não — respondeu o moreno de olhos azuis — Mas a minha namorada quebrou o tornozelo.

Gaspar assentiu.

– Podem nos ajudar? — perguntou a loira no chão — Temos comida e armas, podemos ajudar a proteger o lugar, mas precisamos parar. Pelo bem de Avery.

Katrina abaixou a cabeça. Não era uma boa idéia, afinal, o trator era pequeno e já tinham muitas pessoas, sem contar o Christian, que estava ferido. Gaspar pensou da mesma maneira.

– Desculpem, mas estamos com muita gente, sem contar um ferido e...

– Beatriz é médica — interrompeu o moreno de pé — Podemos ajudar, mas precisamos parar.

– Nós estamos implorando — disse a loira nas costas do homem — Não dormimos a noite inteira!

Gaspar suspirou. Ainda não era uma boa idéia aos olhos dele, mas eles precisavam de um médico.

– Tudo bem. Mas deixem as armas e suas mochilas na roda do trator. Deixem tudo, pois se eu encontrar alguma coisa no baculejo vocês serão expulsos.

O moreno de olhos azuis bufou, em tom de desprezo, mas todos fizeram o que Gaspar pediu sem maiores problemas.

E a noite foi pasando...

~#~#~

– Está tudo bem por você? — perguntou Katrina a Gaspar — Quer dizer, tudo bem deixar eles aqui só por causa da médica? Por que, se for incomodo...

Já era tarde. O sol já estava se pondo. Katrina e Gaspar conversavam um pouco distantes do trator enquanto Beatriz cuidava de Christian e Harry, Avery e Damien conversavam um pouco.

– Realmente não tem problema Katrina — respondeu ele — Além do mais, me sinto responsável por aquele garoto, por te machucado ele.

– Você sabe que não foi você...

– Mas me sinto culpado. Afinal, ele era s;o um rapaz inocente e...

– Inocente? — Katrina soltou uma risada — O senhor vai me desculpar mas... Mano... O senhor ficaria realmente surpreso se soubesse de todas as besteiras que aquele babaca já fez!

Gaspar a olhou com uma expressão divertida e sombria no rosto.

– Garota, com tudo o que está acontecendo, eu realmente duvido que eu ficaria surpresa com alguma coisa...

Então todos escutaram um gritou:

– Heeeeeey! Vocês estão vivos!

Ao longe, três silhuetas puderam ser distinguidas. Uma de um homem, uma de uma mulher e outra de uma adolescente.

– Oh, meu Deus!

– Uma família!

– Eles sobreviveram!

Quando eles chegaram mais perto, todos puderam perceber que eles não eram uma família. Os três pararam na frente de Gaspar e Katrina.

– Olha... Estamos correndo a um dia inteiro e... — disse a mulher.

– Poderiamos passar uma noite aqui? — perguntou o homem.

A mais nova olhou para Gaspar e abaixou a cabeça, arrumando seus óculos de armação em um movimento nervoso.

– Só... Só essa noite... — pediu a garota.


Notas finais
E aí? Gostaram? Espero que sim!
Mandem Reviwes!
=^.^=