Apocalipse Zumbi - Viver Ou Morrer?
8 Capítulo 8 - A Casa
– Que ótimo! Um minuto que eu não presto atenção e fica sob sua responsabilidade você consegue estragar tudo! — Eu disse enfurecida.
– Como você queria que eu prestasse atenção no caminho se a única coisa que importava era te salvar? — Ele retrucou.– Você não serve pra nada mesmo! — Virei-me e segui andando, adentrando na mata. Logo ouvi Steve atrás de mim.Em silêncio, andamos por horas. Era quase o meio da tarde quando avistamos uma clareira na floresta e em seguida uma casa velha.– Melhor ficarmos por aqui hoje. Logo vai anoitecer. — Disse Steve.Olhei pra ele com a expressão de quem diz: Aaah não me diga! E fui em direção a casa.A porta estava emperrada. Forcei-a enquanto Steve procurava outra entrada pela lateral da casa.– Mas que droga! — Eu disse enquanto afastava-me da porta para poder chutá-la com tudo. Pow!Nenhum centímetro dela se moveu, apenas conseguiu me derrubar. Meio zonza olhei pra porta, em seguida pro chão. Tinha sangue, logo imaginei que algum zumbi deveria estar ali. Tentei levantar num pulo mas cai novamente. Senti uma dor forte na minha coxa direita. Estava com um corte bem louco.Nesse tempo, Steve ouviu a pancada na porta e voltou dos fundos da casa.– Amy! O que houve? Você está machucada! Quem fez isso com você? Você foi mordida? Cadê esse maldito? Steve estava histérico indo de um lado ao outro procurando quem quer que fosse com o machado nas mãos. – Hey! Para! Abaixa esse machado! Não tem ninguém aqui. Ninguém me mordeu. Ele parou, abaixou o machado e me olhou. – Eu só... Fui tentar abrir essa porcaria e me cortei.Ele continuava me olhando.Então soltou o machado, abaixou a guarda, se aproximou de onde eu estava sentada e disse:– Amy, por que você faz essas coisas comigo? Me assusta assim? Eu não aguento sabia? Ele estava com os olhos marejados. Aquilo mexeu comigo. Mas eu não podia abaixar a minha guarda, afinal, se eu fizesse isso não seria eu.– Eu não te assustei. Tava tentando entrar. Ao contrário de você que sumiu!– Tudo bem. Me perdoe. Deixa eu te ajudar.– Não! — Respondi quase que de imediato — Eu consigo sozinha.– Mas Amy, está muito fundo o corte e...– Eu consigo! — apoiei-me na maçaneta da porta e tentei erguer-me. Consegui.– Certo. Como vamos entrar?– Eu posso tentar abrir essa porta. As outras, dos fundos da casa, estão travadas.– Eu não consegui abrir essa porta. Até parece que você consegue. — Desafiei-o. Se tinha uma coisa que Steve era incapaz de negar eram desafios. Se alguém o desafiasse ele faria o que fosse preciso para provar-se.– Tá legal... Se eu conseguir, o que eu ganho? Ein? — Disse com um sorriso malicioso. – Um muito obrigada e uma chance de sobreviver! Anda logo! Steve levantou-se. Eu fui pulando em um pé só ate afastar-me um tanto considerável da porta. Ele começou a empurrar. A porta rangia. Pegou o machado e começou a forçar embaixo dela como uma espécie de pé de cabra improvisado. A porta começou a se mover. Eu estava de costas, vigiando, e de braços cruzados, quando ouvi a porta se mexer virei-me na hora. Ele forçou, empurrou, forçou, empurrou e abriu. O insuportável conseguiu abrir a porta. Ele virou pra mim e disse com cara de safado:– Acho que considerando o tempo que demorou pra eu abrir deveria ganhar uns bônus no meu prêmio? O que acha? Haha.Eu revirei os olhos e comecei a pular até ele.Ele veio até mim e segurou minha cintura.– Não precisa, eu consigo!– Amy, me deixa ao menos te proteger agora. Você está machucada, não consegue se defender sozinha.Ele estava certo. Eu não revidei, não teimei, não briguei. Coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço e ele me apoiou até a porta.– Espera um minuto, eu vou ver se está seguro.Steve entrou na casa e me deixou com um pedaço de ferro que pegou nos fundos da casa. Não demorou muito ele voltou.– Tá tudo bem, não tem nada. Já olhei em tudo, a casa não é tão grande. Vem eu te ajudo. Ele me pegou pela cintura, eu me apoiei em seus ombros e entramos na casa. Steve fechou a porta.De fato, a casa não era grande. Sala de estar, cozinha, banheiro e um quarto. Tirando a bagunça era perfeita para duas pessoas perdidas que tentavam sobreviver em meio a um apocalipse zumbi.Steve me colocou sentada no chão encostada no sofá em frente à porta e começou a "fuçar" na casa. Fechou todas as janelas e verificou se as portas estavam travadas. – Eu encontrei uns pedaços de pano limpos, vou cortar pra fazer um curativo em você. – Não precisa. Eu estou bem. — Eu dizia, mas a dor era forte e continua, tudo o que eu mais queria era um comprimido pra tirar essa dor.– Amy, EU estou cuidando de você, e EU quem vai decidir as coisas! — Steve disse olhando bem no fundo dos meus olhos. Eu apenas o olhei impressionada, pois ele não costumava me enfrentar assim. Eu não retruquei porque estava doendo muito e eu precisava de ajuda.Ele foi buscar os panos e voltou com uma garrafa , duas latas e uma bacia com um pouco de água.
– Peguei essas latas de ervilhas pra comermos. Ah! Achei uma coisinha que vai ajudar o seu ferimento. — Ele se sentou do meu lado — Põe sua perna aqui no meu colo. Eu coloquei. Ele começou a rasgar os panos, molhou na bacia e limpou o machucado.– Aih! Cuidado! Assim dói!– Calma. Está quase acabando.Então ele pegou a garrafa e despejou um pouco do líquido dela no pano e passou na minha perna. Começou a queimar, arder demais.– Que merda Steve! — Gritei — Ta tentando me matar? O que você fez?Ele riu.– Não meu amor, jamais faria isso. Eu encontrei um pouco de álcool. Precisa limpar bem pra não infeccionar o machucado. – Mas me avisasse! – Se eu te avisasse você não ia deixar ou me faria beber o álcool.Tá, eu não deixaria. Mas não faria ele beber.Ele pegou o pano rasgado e enrolou em minha perna, dando três voltas. – Pronto meu amor. Vamos comer? Ele abriu as latas, me deu uma colher e comemos.– Que bom que encontramos essa casa né Amy?! — Steve começou a puxar assunto.– É. — respondi.– Ah ela até que é legal vai! Nada exagerado! Eu dei um sorriso de lado quase imperceptível pra ele, que ficou meio sem jeito.– Bom, eu vi uns cobertores no quarto e travesseiros, vou pegar pra gente, já volto, tá bem?Afirmei com a cabeça. Enquanto ele saiu, fiquei pensando em tudo o que acontecera e em como minha perna havia melhorado. A dor aliviada. Graças ao Steve.Ele voltou me deu um travesseiro e uma coberta. Eu coloquei no chão, me deitei de barriga pra cima e me cobri.Steve fez o mesmo ao meu lado direito. Eu não estava me importando em ele estar perto demais de mim. Eu queria ele perto de mim. Eu precisava dele perto de mim.Ficamos algum tempo em silêncio.– Sua perna melhorou meu anjo?– Sim.– Ufa! Ainda bem. — Ele sorriu. Mais um tempo em silêncio.– Amy, acho que vou dormir um pouco. Qualquer coisa você me chama, me aperta, me bate, tudo. – Ok.– Boa noite meu amor.Eu não respondi. Alguns minutos depois:– Ste...– Oi Amy? Tudo bem? — Disse virando-se para mim.– Tá... Obrigada por me salvar duas vezes hoje.Ele sorriu:– Fica tranquila. Você sabe que eu vou cuidar de você pra sempre.Eu deixei um sorriso escapar. Ele se aproximou me deu um beijo na testa e passou a mão em meus cabelos.– Você é linda!Eu corei.– Melhor dormimos. Boa noite. — Virei-me para a esquerda de costas pra ele. Steve voltou para o travesseiro. – Boa noite linda.
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