Notas iniciais
Oláaa, uma nova personagem acaba de chegar pra agitar a fic, desculpa pela demora para postar. Todos nós estávamos sem tempo, mas agora voltamos com tudo. Espero que gostem! S2

1 ano depois...

Pov. Ester Dubois

Bonjour, maman? Pouvez-vous venir me chercher maintenant? Il est juste que je ne me sens pas très bien, il devait y avoir de la nourriture ici et ...

— Ester, acho que seria melhor se começássemos a falar em inglês entre nós, afinal já tem um ano que estamos aqui em Nova York e você insiste em conversar em francês.— Disse a minha mãe.

Par... Quer dizer, desculpa. É que eu sinto falta de Parris, você sabe. Sem contar que agora você é a única com quem eu posso falar frrancês e lembrar um pouco os velhos tempos...— Falei em um tom melancólico e saudosista.

Oh, filha... Entendo que sinta saudade, mas acho que já passou da hora de começar a fazer parte daqui. A cidade luz é incrível, mas a Big Apple também é! Haha. Sabe que se começar a se sentir mais parte da cidade e aproveitar essa nova cultura, você pode até se enturmar mais com os seus colegas.— Minha mãe continuou com o seu discurso de sempre e como eu sabia que a minha opinião nunca iria ganhar da dela, apenas concordei, tenho que dizer que se a música não tivesse pegado ela de jeito, seria uma ótima advogada.

Ok, mãe. Eu vou tentar! Agora voltando ao assunto inicial, pode vir me buscar? Senon eu posso ir de metrô, sabe que eu posso até não ter me acostumado muito com a cidade, mas no quesito “andar de metrô” sou a rainha, provavelmente só não conheço as estações mais do que as ratazanas que vivem lá hahaha – Falei enquanto minha mãe ria da minha babaquice.

Bom, então senhorita “Rainha dos metrôs”, acho que vai ter que mostrar sua capacidade novamen... – Minha ligação foi interrompida no momento que meu celular caiu no chão com tudo, acompanhado da minha cara que ganhou um lindo ferimento no queixo no momento em que um dos babacas que estuda comigo, infantilmente, colocou o pé pra que eu caísse no meio do corredor da escola.

— Ops... Pardon, francesinha! Senti sua falta na aula de literatura inglesa... Que foi? Agora subestima nossa literatura também? Porque não volta pra sua terra? Lá você vai poder voltar a andar por aí com aquelas boinas, com uma baguette embaixo do braço e principalmente, ninguém vai reclamar se você passar 1 semana sem tomar banho! Apesar de que eu acho que as reclamações não te incomodam muito, afinal franceses não precisam de lugar pra serem porcos – Naquele momento eu agradeci muito pela escola não oferecer aulas de francês, porque por impulso acabei soltando um belo de um “Va te faire enculer” (que eu espero que ele nunca saiba o que significa) e em seguida dei um chute nas partes baixas dele.

— Pra começar, não! Eu não subestimo a literatura de vocês, só não fui pra aula porrque estava cheia de vocês jogando bolinhas de papel em mim e mandando bilhetinhos com um bando de piadinhas idiotas repletas de estereótipos com o meu país!! Segundo, não é boina é béret! Terceiro, nós não andamos por aí com baguettes embaixo do brraço, as vezes sim, mas sempre está dentro de sacos de papelão! E por último, NÓS NÃO SOMOS PORRCOS E EU TOMO BANHO 2 VEZES AO DIA!!! – Discursei para o garoto com um dedo na cara dele, enquanto ele se contorcia de dor no chão e choramingava pedindo desculpas, adivinhem em qual momento a diretora chegou? Exatamente! Acho que se não fosse o ferimento no meu queixo, eu teria sido expulsa da escola naquele momento. Afinal, em quem iriam acreditar? No mini tio Sam que choramingava no chão ou na reencarnação de Napoleão Bonaparte que gritava furiosamente com o pobre garoto? Bom, no fim apenas fui suspensa por duas semanas, mas pelo menos aquele panaca também foi.

Pra mim nem foi tão ruim, afinal, ia passar duas semanas longe da escola, e iria poder ficar todo esse tempo com a minha mãe no Metropolitan Opera House, aquele lugar é simplesmente incrível! Claro que nada chega aos pés do Opera Garnier, o fato de eu praticamente ter nascido lá talvez influencie, mas sério, aquele lugar é o mais lindo de todos! Com aquelas escadarias enormes, lustres infinitamente bonitos, todo o clima de mistério que ronda por lá, sem contar que de tão perfeito inspirou uma obra mais perfeita ainda, “O fantasma da Ópera”. Enquanto descia as escadarias do metrô, continuava pensando como o Garnier era maravilhoso e quanta falta me faz.

Depois de toda essa confusão de manhã acabei indo pra casa sozinha mesmo, a diretora até tentou fazer com que minha mãe fosse a escola pra que ela pudesse falar a ela tudo que me disse, mas hoje ela tem espetáculo e quando ela tem espetáculo, não tem como tirar ela do Opera House. Ela é uma mãe maravilhosa, me criou sozinha e nunca me deixou faltar nada, muito menos amor, a verdade é que nós duas compartilhamos do mesmo amor, a música. Eu nunca me senti trocada pelos espetáculos ou coisa do tipo, eu acho ela demais, cantar é o que ela mais ama fazer no mundo e eu amo ver ela cantando.

Chego a estação que em tão pouco tempo conheço tão bem, cumprimento Mickey, William e Stuart, que são meus amigos ratos (que por acaso são uns dos meus únicos amigos nessa cidade) que todo dia estão rondando a minha estação em busca de um pedaço de pizza, depois pego 10 dólares que sempre guardo e dou para o Harry que é um dos meus melhores amigos daqui, ele é um mendigo que fica tocando violão na minha estação e que canta muito.

— Oi Harry!! – Cumprimento-o deixando os 10 dólares em seu chapéu – Como está hoje?

— Salut, Ester! Estou bem, hoje o dia está sendo produtivo, acho que vou bater minha meta do dia. – Ele me cumprimenta de volta

— Olha! Seu frrancês tá ótimo, Harry! E que bom que hoje o dia está bom pra você, porque pra mim não tá nada bom. Fui suspensa por ser insultada e bater em quem me insultou. Sem contar que ele me fez cair. – Falei brava com o que houve.

— Esses moleques xenofóbicos! Como podem te insultar só porque você não nasceu no mesmo país que eles? Bom, mas enfim, fique bem. Seu metrô chegou. – Disse ele.

— Obrigada, Harry! Au revoir! Haha – Sorri pra ele – Até daqui a 2 semanas!

— Até logo! – Ele acenou sorrindo pra mim e eu segui viagem. Tinha que ir pra casa pra tomar um banho e em seguida ir ao Metropolitan ver o espetáculo da mamãe. Cheguei no meu apartamento, almocei, descansei um pouco e por volta de umas 17:00 tomei banho e vesti um vestido preto longo, o tipo de roupa que só uso em dia de espetáculo e olhe lá. Ainda sonho em poder ir a uma ópera de All Star, mas isso até então seria considerado rebeldia. Aquele pessoal é muito conservador. Desci para a portaria e quando estava quase saindo alguém me chamou.

— Senhorita Dubois! Tem correspondência pra você! – Era o Jonathan, o porteiro do prédio correndo atrás de mim.

— Ah! Obrrigada por me avisar, Jonathan, pode deixar que quando eu voltar eu vejo – Disse a ele.

— Mas, senhorita, veja só de quem é... – Ele me disse mostrando o remetente no exterior do envelope e quando li meu coração gelou, na verdade não sei se gelou ou se começou a bater o mais rápido que podia, não consegui distinguir, talvez os dois. Mas quando li “Juilliard” escrito, esqueci que tinha espetáculo ou que havia pessoas a minha volta, apenas gritei.

— MON DIEEEU, A MINHA CARTA DA JUILLIARD CHEGOU AAHHHH! – Acho que eu nunca estive tão empolgada na minha vida, claro que isso durou pouco, porque depois lembrei que havia a possibilidade de ser uma carta de reprovação. Comecei a tremer e procurei um lugar pra sentar. Comecei a abrir o envelope aos poucos até tirar a carta de dentro e finalmente tomar coragem para ler. Depois de eu ter gritado para os quatro cantos que minha carta tinha chegado, havia uma multidão de pessoas a minha volta esperando ansiosamente para que eu começasse a ler (E a maioria delas eu nunca tinha visto na vida, esses nova iorquinos são estranhos). Aos poucos fui lendo cada uma das palavras formais que a juilliard insistia em colocar pra reafirmar o seu poder e estender a carta me fazendo ficar mais nervosa. Continuei lendo a carta até que em certo ponto dizia que eu tinha sido aprovada.

— EU FUI APRROVADAAA! – Gritei para a multidão que esperava um resultado. Todos comemoramos. Passou-se algum tempo depois da euforia e lembrei do espetáculo, já estava atrasada, sorte que o Metropolitan fica a 3 minutos a pé da minha casa. Cheguei lá já depois do 1º ato, minha mãe provavelmente estava se preparando para o 2º ato, então só poderia contar a novidade depois que acabasse tudo, fui caminhando até as cadeiras próximas ao palco, o que demorou bastante já que o lugar era enorme. Sentei no lugar reservado a mim que ficava na 3º fileira e que por acaso ficava ao lado de outros filhos de cantores. Ao meu lado estava o loirinho bonito dos cabelos compridos que eu sempre encontro nos espetáculos. Até já tentei conversar com ele algumas vezes, mas ele é bem tímido e a conversa nunca rende muito. Porém hoje, para minha surpresa, ele me cumprimentou e até sorriu pra mim. Estranho? Talvez, mas eu sou uma garota de 16 anos que tem como melhores amigos a própria mãe, um cara que fica tocando violão na estação de metrô e 3 ratos, logo não posso perder a oportunidade de ser amiga do loirinho bonitinho que curte ópera.

Conversamos um pouco no intervalo, até que o 2º ato começou. Minha mãe estava linda como sempre, com seus cabelos negros e encaracolados como os meus, só que os dela só vão até metade do pescoço em um corte assimétrico, enquanto os meus são longos e vão até metade das costas. Dizem que somos bem parecidas, apesar de eu achar que ela é bem mais bonita, principalmente pelos olhos azuis que são sua marca registrada. Não que eu tenha muito o que reclamar dos meus olhos, afinal gosto da cor deles, eles têm um tom âmbar, bem amarelados, é bem raro encontrar pessoas com essa cor de olhos, por isso gosto deles. Minha pele é um pouco mais bronzeada do que a da minha mãe que faz com que eu atribua essa característica ao meu pai, que eu nunca conheci e nem quero conhecer. Bom, nós nunca precisamos dele, portanto mesmo que ele algum dia apareça, nós não iremos trocar uma palavra, pra mim, minha mãe foi o único pai que precisei toda a minha vida.

Algum tempo depois o 2º ato acabou, então pedi licença ao loirinho e fui direto pra sala de música do teatro, eu amo aquele lugar, tantos instrumentos variados, queria apenas tocar um pouco, nem que fosse pra aliviar a ansiedade de contar a novidade pra mamãe. Fui caminhando e estranhamente tinha a impressão de estar sendo seguida. Continuei, apesar de andar um pouco mais rápido até que cheguei na sala de música, entrei e fui direto para o piano tocar um pouco. Assim que comecei a tocar alguém entrou na sala, depois de algum tempo tentando decifrar quem era, percebi que era o tal loirinho.

— Até que enfim te encontrei — Ele disse com uma cara meio assustadora – Depois de todos esses anos...

— Éeee... ok, como assim anos? Não tem nem um ano que a gente se conhece... – Falei me levantando da cadeira. Enquanto ele continuava a se aproximar. – Você está começando a me assustar. – Assim que falei ele foi tomando uma forma muito estranha, ficou grande, ganhou duas cabeças de cão e uma calda de serpente. Completamente assustador e eu desejava que aquilo fosse apenas um pesadelo.

A criatura foi se aproximando devagar rosnando alto, enquanto eu corri para o canto da sala rapidamente. De repente ele destruiu o piano com apenas um movimento da sua calda de serpente, aquilo tanto me assustou muito, quanto me fez ter uma raiva enorme daquele monstro, quem ele pensa que é pra destruir uma relíquia como aquele piano! Então, provavelmente em um acesso de adrenalina peguei a guitarra mais pesada que encontrei (que era uma les paul) e bati com toda a minha força nas cabeças do monstro. Acho que a adrenalina do momento combinado com a raiva que eu senti daquele bicho me fez bater bem forte porque o monstro ficou desacordado. Logo depois do ocorrido, duas crianças que eu nunca tinha visto na vida apareceram na porta da sala e pareciam perplexos com a cena.

— C...Como você conseguiu derrubar o Ortros?! — Perguntou um menino mais baixo do que eu, de pele morena, cabelos cacheados e olhos azuis.

— Or... o quê?! Você quer dizer esse cachorro louco de duas cabeças? Não sei, apenas bati nas cabeças deles com uma guitarra, nunca conheci ninguém que tenha resistido a uma LesPaulzada. – Falei.

— Mas não é possível, ele é muito forte... bom, tanto faz, meu nome é Carol! – Falou a menina de cabelos pretos, lisos e longos, com olhos de cor muito parecida com a dos meus, enquanto me cumprimentava.

— E o meu nome é Jim – Disse o outro garoto também me cumprimentando.

— Meu nome é Ester, Ester Dubois, prazer em conhece-los. – Me apresentei para ambos que me pareciam amigáveis.

— Éee... Ester... acho melhor você olhar pra trás – Falou o Jim com uma cara preocupada, já sacando um espada, enquanto Carol sacava um arco e flecha dourados.

Custei a me virar já imaginando o que estava atrás de mim...

Notas finais
Tá aí, mais um capítulooo!! Espero que tenham gostado. Aguardo comentários, sendo críticas ou elogio eu os aprecio bastante e me impulsionam a continuar. Até a próxima!