Notas iniciais
Oláaaa, mais um capítulo pra vocêes!! Como viram, dessa vez não demorei pra postar e o próximo também vai ser rápido, portanto fiquem sempre de olho. Espero que gostem! Bjsss

Pov. Ester Dubois

Eu me virei e lá estava a visão de quem eu mais temia encontrar, era novamente aquele cachorro louco de duas cabeças. Corri rapidamente para trás dos dois que eu tinha acabado de conhecer. Então, Jim avançou para cima da criatura com a espada, enquanto Carol atirava diversas flechas contra este. Subitamente, aproveitei para sair aos poucos, já que agora aquele monstro estava ocupado demais para vir atrás de mim. Depois de estar a alguns metros da sala, me preparei para correr o mais rápido que podia, porém antes que pudesse sair, minha consciência pesou ao pensar que aqueles dois poderiam morrer lutando contra uma coisa que só queria me pegar, mesmo que eu fosse inútil na batalha e pudesse ser apenas mais uma das vítimas, eu morreria lutando bravamente ao lado deles.

Corri de volta para a sala e ao chegar encontrei a criatura que continuava lutando contra os dois, Carol atirava flechas na tentativa de provavelmente atingir os olhos do monstro, enquanto Jim lutava com a cauda de serpente deste.

— Vai Caroool! Acerta logo o olho dele! – Jim exclamava pra Carol.

— Eu tô tentando, mas minha pontaria não é tão boa a noite, sem contar que aqui não é tão claro – Carol retrucava.

Na dúvida do que fazer, impulsivamente peguei dois pratos e os bati, na intenção de chamar a atenção da besta, que ao ouvir veio em minha direção. Porém, ficou tão distraída que mal lembrou dos outros dois que com ela lutavam, aproveitando o momento de distração, Carol acertou o monstro nas costas com diversas flechadas fazendo-o ganir, enquanto Jim cortou a calda deste fazendo com que se virasse para ele novamente, furioso e dolorido, avançando contra ambos. Nesse momento, avistei um violino próximo a mim, peguei seu arco e pulei nas costas do monstro enfiando-o em um espaço entre suas cabeças. A besta ganiu de dor novamente e me atirou violentamente contra a parede. Então, a última coisa que vi foram apenas borrões, mas parecia que o monstro, após mais algum golpe, se desfazia em uma espécie de pó amarelo. Logo, tudo ficou escuro.

Em algum momento, senti o sabor de algo doce na minha boca, que não soube identificar o que era. Fui abrindo os olhos lentamente e percebi que estava encostada na parede de um dos corredores que levavam aos camarins no Metropolitan e que as mesmas pessoas que estavam lutando contra o monstro comigo estavam ali me dando aquele doce estranho e me oferecendo água.

— Ei, você tá bem? Te encontramos aqui no corredor desmaiada – Falou Jim, agora parecendo que não me conhecia.

— Pois é, ficamos preocupados, você aceita um pouco de água? – Carol falou com um tom de preocupação.

— Mas, mas.. Vocês não lembrram de mim? Eu acabei de lutar com vocês contra aquela besta enorrme. Até ela me atirar na parede e eu desmaiar – Falei confusa. Os dois me olharam preocupados inicialmente, mas depois se entreolharam e riram.

— Você deve ter tido um sonho, um sonho que parece ter sido bem divertido. Imagina, eu lutando contra monstros hahahaha – Falou Jim, enquanto gargalhava junto a Carol. A convicção deles para com a afirmação de que tudo foi um sonho e a estranheza das circunstâncias que eu dizia ter vivido, me levaram a crer que na verdade tudo não passara de um sonho.

— É, provavelmente devo ter desmaiado por causa de alguma queda de presson ou coisa do tipo, mas muito obrigada por me acudirem, acho que agorra estou bem. Preciso encontrar minha mãe, pois o 3º ato já deve ter acabado. – Disse e assim fiz. Segui o corredor até chegar ao camarim da minha mãe que estava repleto de pessoas, em sua maioria admiradores com flores em suas mãos, esperando um pouco de atenção dela. Fui abrindo caminho por dentro da multidão de pessoas que se formou na porta e finalmente consegui entrar, como sou pequena não foi muito difícil. Minha mãe assinava autógrafos e batia fotos com os fãs. Então, apenas entrei, pisquei para ela, que me devolveu com um sorriso e fiquei sentada na cadeira em frente ao espelho, esperando a sessão terminar como já estava acostumada.

Ao olhar minha imagem no espelho, não podia deixar de notar, como eu estava acabada pra quem apenas tinha dado um cochilo no corredor e assistido ópera a noite toda. Imediatamente, a ideia de que tudo aquilo não tinha sido apenas um sonho voltou a perambular na minha mente, mas logo voltei a sanidade e reafirmei para mim mesma que nada daquilo tinha acontecido. Passou-se algum tempo até que finalmente a sessão de autógrafos terminou e pude ficar a sós com minha mãe para contar-lhe as novidades. Assim que ela atendeu o último fã e este se retirou, fui abraça-la. Estava morrendo de saudades porque não tinha visto ela o dia todo e como eu precisava de um abraço da mamãe depois de um dia cheio de emoções como este. Depois do abraço demorado, finalmente pudemos sentar para contar sobre tudo que se passara conosco durante o dia.

— E então senhorita, como foi seu dia? – Ela me perguntou, olhando atenciosamente para ouvir tudo que eu dissesse – Sugiro que comece pela suspensão que recebeu, ou pensa que esqueci? – Dessa vez me olhou com uma expressão repreensiva, mas ao mesmo tempo brincalhona, pois ela sabe que sou muito certinha pra me meter em uma encrenca das grandes sem motivo.

— Éeer... sabe que semprre há uma explicação. Bom, lembra da horra que estávamos converrsando pelo telefone de manhã? – Perguntei e ela assentiu – Pois bem, naquele exato momento que a nossa ligação foi corrtada, o meu queixo também foi. – Contei apontando para o meu queixo e ela observou preocupada – Acontece que um garroto imbecil, colocou o pé pra que eu caísse no meio do corredor.

— Mas como assim? Sem motivo algum? – Ela perguntou ainda preocupada, mas ainda assim esperando a resposta para apurar que expressão deveria fazer.

— Sim, sem nenhum – Falei e então ela arqueou uma das sobrancelhas como se duvidasse do que eu disse.

— Mesmo? – Perguntou, quase como se estivesse me interrogando.

— É... quer dizer... – Ela começou a rir controladamente – Eu admito que algumas vezes zombei da cultura deles e disse que a França é milhões de vezes melhor do que qualquer outro país...

— Sabia – Ela continuava a rir – Te conheço, filha. Sei que seu patriotismo as vezes sobe à cabeça e você não percebe que está insultando alguém até que você passe por isso também.

— Tá, ok, eu errei feio. Mas nunca os agredi fisicamente, sem contar que eles fazem piadinhas xenofóbicas comigo desde que cheguei. Mas agora que sei como é ruim, não farei de novo. – Falei arrependida. Ela sempre faz isso comigo, as vezes eu queria que ela apenas concordasse comigo que os outros é que estão errados, mas confesso que se ela fizesse isso ela não seria tão boa mãe quanto é e eu nunca aprenderia tanto com ela quanto aprendo com essa visão de mundo diferente dela.

— Sim, eles também estão errados e mereciam ser punidos e, portanto, foram. Mas achei interessante quando você disse “nunca os agredi fisicamente”. Tem certeza? Não era bem isso que ouvi da diretora hoje de manhã. Pelo que eu soube, você pode ter tirado qualquer possibilidade do menino ter filhos depois daquele chute – Ela riu e eu a acompanhei. – Mas admito que nesse quesito, eu que levo a culpa, afinal você herdou meu gênio impulsivo e assim como você já fiz coisas parecidas. Mas se eu sou sua mãe, obviamente minha missão é que não cometa os mesmos erros que cometi, portanto não pense que impulsividade é uma qualidade, sei que faz parte de você, mas precisa ser controlada. Enquanto é adolescente pode continuar batendo em tudo que não te agrada, mas quando crescer, sabe que a história é outra, ou seja melhor começar a treinar desde já. Agora pra encerrar esse discurso chato, digo que aquele menino de certa forma mereceu. Mas nunca mais faça algo do tipo! – Depois do sermão, ela me deu outro abraço e então pude começar a falar da parte boa do dia.

— Agorra tenho uma notícia maravilhosa para te contar – Falei e então o rosto dela logo se iluminou – É uma notícia que nós estávamos esperrando a muito tempo e finalmente chegou. Mais precisamente, pouco antes de eu chegar aqui. – Ela começou a ficar ansiosa e ficava insistindo para que eu contasse logo

— Preparada? – Perguntei e então ela assentiu – Mãe, gostaria de anunciar que sua querida filha, FOI ACEITA NA JUILLIAAAARD!!!

Assim que falei ela ficou perplexa por alguns segundos, imóvel, até que finalmente pareceu que sua ficha havia caído porque começou a gritar de entusiasmo e a me parabenizar. Minha mãe sempre quis estudar em Juilliard, mas morava no interior da França e pra ela era difícil ir até a Paris, quem dirá Estados Unidos. Só pôde realizar o sonho de conhecer a escola, agora que já é uma cantora de ópera renomada. Mas agora era diferente, era como se eu estivesse prestes a realizar o sonho que ela sempre teve e que passou a ser o meu.

— Eu sempre soube que conseguiria, filha. Você é um talento nato, o dom da música já nasceu com você. – Uma lágrima escorreu pelo rosto dela e eu não sabia distinguir se era por tristeza ou felicidade. Pelo momento, diria que era de felicidade, mas descia de uma forma tão angustiante que possivelmente era de sofrimento. Resolvi apenas abraça-la mesmo sem saber o motivo de tal tristeza. Passou-se algum tempo e finalmente fomos pra casa. Pedimos uma pizza para comemorar e também porque nunca fomos muito boas cozinheiras, quem dirá tão cansadas, deitamos no sofá e lá mesmo adormecemos.

No outro dia, acordamos perto da hora do almoço, completamente doloridas. Nós nunca conseguimos começar o dia sem tomar o café da manhã, portanto mesmo que já passe do almoço, tomaremos café. Enquanto eu preparava umas torradas para nós, (pois nenhum francês que se preze consegue começar o dia sem pão) minha mãe colocava as cápsulas na cafeteira para fazer o meu cappuccino e o cortado dela. Nos sentamos a mesa e comemos até que o celular da mamãe tocou.

Alô?... Ah! Oi, Sebastian, bom dia... Quê?!! Como é possível?!!.... Certo.... Okay.... Ajudo sim... Tchau, beijo. — E assim encerrou a ligação da minha mãe com o responsável pelo Metropolitan.

— O que foi, mãe?! – Perguntei um pouco aflita, enquanto bebia o café.

— Uma coisa muito estranha aconteceu ontem... Acredita que o piano, aquele lindo da sala de música, foi destruído e não se tem a mínima ideia de como?! – Minha mãe respondeu ainda perplexa com o que havia ouvido, enquanto eu, logo quando ouvi “piano” e “destruído”, cuspi todo o meu café diante da surpresa de que, afinal meu sonho havia sido real.

— Eca, Esteer! Que nojeira você fez aqui!! Trate de limpar agora!! – Minha mãe ordenou furiosa pelo cappuccino que cuspi em toda a mesa. Me retirei para buscar um pano, mas enquanto isso minha mente não parava de pensar como era possível eu ter visto um monstro e pior, lutado contra ele. Procurei todas as possíveis respostas, mas no fim nenhuma delas era realmente possível, então decidi que encontraria os dois que me ajudaram no dia anterior para que explicassem tudo e dissessem porque mentiram.

Depois da refeição, acompanhei minha mãe até o Metropolitan e perguntei a todos se haviam visto aqueles dois, se sabiam quem eram e onde moravam, porém não obtive sucesso. Então, enquanto a mamãe resolvia o problema do piano, fui passear pelas ruas, em busca de algum rastro dos dois ou ao menos algo para se entreter. Após passear um pouco, fiquei com fome e resolvi comprar uns donuts e tomar um café, fui a cafeteria mais próximo que encontrei, era um ambiente bem agradável e próximo do Metropolitan, definitivamente era um lugar que gostaria de visitar sempre, fui ao balcão e notei que lá tinha um garçom bonitinho, fiz meu pedido e voltei a observar o garçom que ia de mesa em mesa servindo, apenas a beleza dele atraia minha atenção naquele momento, até que ao olhar para uma das mesas que o garçom estava servindo vi figuras conhecidas. Eram justamente Jim e Carol, as pessoas que me ajudaram na luta contra aquele monstro estranho e depois mentiram dizendo que havia sido apenas um sonho. Fui me aproximando da mesa devagar, enquanto não estavam olhando, pois ambos estavam muito distraídos.

Jim bebia o cappuccino que havia pedido com gosto, só de olhar já dava até vontade de pedir outro, enquanto Carol lia o jornal com curiosidade e com a testa franzida, parecendo que estava lendo um monte de notícias bizarras ou quem sabe as tirinhas que ficam no fim do jornal que as vezes são um pouco difíceis de entender pela quantidade de referências que fazem (Ou quem sabe fossem fáceis para os americanos e difíceis apenas pra mim que nunca capto as referências). Estavam tão entretidos que mal perceberam quando sentei na mesma mesa que eles e passei a encará-los. Carol enfim me percebeu e cutucou Jim para que abrisse os olhos e parasse de tomar o cappuccino. Olhavam para mim com expressões de dúvida (A de Jim tinha o bônus de um bigode de leite) e acredito que receosas por temerem que eu ainda duvidasse do que eles haviam me dito.

— Olhe só se não nos encontrramos de novo... talvez seja o destino querrendo que eu saiba a verdade sobre algo – Falei deixando os dois mais apreensivos. – Vejam, eu já sei que aquilo que aconteceu ontem não foi um sonho... Hoje de manhã encontrarram o piano da sala de música quebrrado, tal como aconteceu no meu “sonho”. Non é possível que seja apenas uma coincidência. – Falei um pouco mais baixo.

— Ok, você nos pegou... o que aconteceu ontem foi real sim, só não sabíamos se você iria digerir bem tanta informação em só um dia... Iriamos esperar até termos certeza, mas levando conta o que vimos ontem, acho que precisamos ter uma conversa séria pra te explicar tudo – Falou Carol

— Só não pode ser aqui, porque as paredes têm ouvidos. – Falou Jim, sussurrando e olhando para os lados desconfiado.

— Bom, a gente pode ir prra minha casa, é a poucos minutos daqui e garanto que lá as parredes non têm ouvidos. – Sugeri e eles assentiram. Então fui guiando eles até chegarmos no meu apartamento. Nos sentamos no sofá e finalmente eles começaram a me contar a verdadeira história sobre o que aconteceu no outro dia.

— Éerr... Não sei como começar, é a primeira vez que somos mandados para missões desse tipo – Falou Jim nervoso.

— Missão? Como assim? Vocês são parrte de algum grupo caça-monstro ou o quê? – Perguntei confusa.

— Não, não é bem isso... O que o Jim quis dizer é que nós não estamos acostumados a ser as pessoas que explicam as coisas para os outros de nós – Falou Carol me deixando mais confusa ainda – Há um ano nós estávamos no seu lugar.

— Tá, vão direto ao ponto, que eu já estou ficando nervosa – Falei.

— Vamos começar te explicando porque aquele monstro estava te perseguindo... – Falou Jim – Aquele monstro era o Ortros, uma criatura da mitologia grega e como você deve ter percebido, ela queria te matar – Falou novamente e eu engoli seco – Esses monstros só atacam pessoas especiais, pessoas que não são meros humanos como os outros.

— Non entendi, eu sou tipo uma alienígena e nunca soube? E que papo é esse de mitologia grrega, aquilo foi uma invenção dos povos antigos, nada daquilo existe. – Afirmei com toda a certeza do mundo.

— Era o que pensávamos também, até que nós nos tornamos parte disso e passamos a vivenciar a mitologia todos os dias – Carol continuava a falar me deixando cada vez mais confusa. – Você deve ter alguma noção de mitologia né? Sabe dos Deuses do Olimpo e afins, não?

— Na verdade non, nunca liguei muito prra isso, minha mãe dizia que erra bobagem e eu também acho. Quanto aos Deuses, sei muito pouco, acho que só conheço Zeus, Hades, Poseidon, Afrrodite... acho que só. – Falei deixando eles boquiabertos.

— Ok, então vai ser um pouco difícil de explicar, acho que só vamos explicar o essencial e o resto você vai ver com seus próprios olhos. – Falou Jim – A questão é que existem vários Deuses e esses Deuses não se relacionam apenas com os outros Deuses, as vezes eles descem para a terra e constroem relacionamentos com mortais, que na maioria das vezes acaba “gerando” semideuses.

— Tá, talvez eu esteja sendo bem lerrda, mas o que isso tem a ver comigo? – Perguntei

— Tudo! – Disseram em uníssono.

—Você não vê, Ester? Você é uma... – Carol ia falando quando foi interrompida pela minha mãe anunciado que tinha acabado de chegar.

— Mon chérieee, cheguei! Ah, não tinha visto que estava com visitas, que milagre hahaha – Falou cumprimentando os dois e bagunçando meu cabelo.

— Mãe, essa é a Carrol e esse é o Jim, são os dois que eu estava prrocurrando hoje de manhã. – Apresentei ambos.

— Ah, sim! Fico feliz que tenha feito amizades. – Falou sorrindo para os dois — Vocês querem lanchar algo?

— Não, obrigado, a gente estava contando algo para Ester e acho melhor que você ouça também. – Falou Jim e então minha mãe ficou com uma expressão apreensiva.

— Então, Ester, a verdade é que você é filha de um Deus, você é uma semideusa! – Jim continuou e minha mãe não parecia nada surpresa, apenas triste. Fiquei sem palavras, pois se a mamãe não tivesse levado aquilo tão a sério eu iria começar a rir e dizer que eles eram loucos.

— Crianças, vocês podem nos dar licença por algum tempo? Preciso falar a sós com a minha filha... – Minha mãe falou com uma expressão tão triste que eu nunca imaginei que ela era capaz de fazer. Então, os dois saíram do apartamento e ficaram no corredor.

— Mas mãe, isso só pode ser brrincadeirra né? – Falei incrédula. – Porque non é possível, non existe isso de Deuses grregos, você mesma semprre me disse isso...

— Disse porque temia que esse dia chegasse... queria te manter longe de toda essa confusão. Tinha medo de te perder – Ela falou e então uma lágrima desceu sobre seu rosto – Não entendo como te encontraram, vivíamos nos mudando justamente para evitar que te encontrassem, achava que eu sozinha conseguiria te proteger.

— Mas, mas, non tô entendendo nada. Como assim me perrder, eu vou ter que ser sacrrificada para os Deuses ou algo do tipo? E me prroteger de quem? Daquele monstrro de ontem? – Perguntei completamente confusa.

— Monstro?!! Então eles realmente descobriram! Eu pensava que eles tinham vindo antes de qualquer monstro te atacar... não acredito... não pude te proteger como deveria – Então foi aí que ela desabou em lágrimas, logo fui abraça-la. – Me desculpe, Ester. Fui muito egoísta... seu lugar é com eles, lá você vai estar segura, muito mais do que comigo. – Falou entre soluços e mesmo que eu não entendesse nada também comecei a chorar, como ela podia estar se culpando tanto, ela sempre foi a melhor mãe que eu poderia ter.

— Mãe, mas prra onde eu vou? Nós... vamos nos separrar? – Falei com dificuldade, pois só de pensar em me afastar da minha mãe já desabava em lágrimas.

— Você... vai pra um acampamento, filha... onde todos são como você. Especiais! Garanto que você vai se sentir em casa. – Ela falou ainda com as lágrimas descendo pela face.

— Non... non... sem você non tem como me sentir em casa! Você é minha melhor amiga, minha única família. Não me imporrta se sou filha de um Deus, ele nem ao menos teve corragem de se aprresentar todos esses anos, prra mim ele non é nada. – Falei triste e um pouco revoltada, enquanto abraçava novamente minha mãe.

— Já disse que é para o seu bem... se algo de mal acontecesse a você, eu nunca iria me perdoar. Ficar aqui agora que sabem de você é um perigo constante. Mesmo que fique, nada será como antes, viveremos com medo. Ficar longe de você vai ser horrível, mas pelo menos sei que vai estar bem, isso vai me consolar – Ela falou enxugando as lágrimas e se recompondo um pouco, enquanto eu continuava a chorar.

— Je t'aime, maman! – Falei e abracei-a pela milésima vez, pois sei que esse abraço me faria muita falta.

— Je t'aime beaucoup plus, ma petite étoile. – Falou me chamando do apelido que costumava me chamar quando eu era criança, significa “minha estrelinha”. Depois de mais algum tempo abraçadas, finalmente fomos ao encontro dos dois que aguardavam lá fora, ambas com a maior cara de choro, quando encontramos os dois no corredor, estavam os dois também chorando, eu e minha mãe gargalhamos e eles nos acompanharam.

— Isso foi tão emocionante – Disse Jim, secando as lágrimas – Me fez sentir falta da minha mãe também.

— É, mas Senhora... – Carol falava até perceber a cara que minha mãe fez quando ela falou senhora.

— Me chame de Margot, Margot Dubois – Ela finalmente se apresentou.

— Ok, mas Margot, pode confiar que nós vamos cuidar bem da Ester lá – Ela falou e me fez rir.

— É engrraçado ter duas pessoas mais novas do que eu falando que vão cuidar de mim – Falei brincando, pois apesar de não saber a idade exata deles era evidente que não tinham 16 anos.

— Haha – Riram sarcasticamente em uníssono.

— Pois saiba que mesmo que tenhamos 14 anos, já vivemos muitas aventuras que exigiram muito de nós e somos bem mais maduros do que as pessoas da nossa idade – Falou Jim.

— Eu acrredito, mas não posso perrder a chance de me gabar por ser mais velha hahaha – Rimos e então finalmente chegou a hora de irmos para esse tal acampamento. Pegamos o elevador, saímos do prédio e então ouvimos alguém falar.

— Querida, chegueeei – Falou um cara loiro, de óculos escuros e jaqueta dourada, querendo chamar mais atenção do que o sol.

— Eu pedi uma carona – Falou Carol rindo e apontando para o mesmo cara que chamou. Então ele continuou a rir, até que ficou com uma expressão séria, tirou o óculos e percebi que ele estava olhando fixamente para a minha mãe.

— Margot? – Ele perguntou ainda sério.

— Olá, Apolo – Falou minha mãe com uma expressão um pouco surpresa, mas que depois se tornou uma expressão irônica.

— Você está... muito bem! – Falou o tal do Apolo, já de volta a velha expressão.

— Acho que não posso dizer o mesmo de você – Minha mãe respondeu e Apolo engoliu seco. Provavelmente ela não gostava muito daquele cara.

— Vocês se conhecem, pai? – Perguntou Carol.

— Ah, sim, a Margot é uma amiga de longa data – Ele sorriu pra minha mãe, que continuava séria. — Érr.. bom, então filha, vamos? Quem é a nova semideusa? – Ele olhou pra mim e sua expressão voltou a ficar séria – É você?

— Sim, sou eu. Ester Dubois – Me apresentei desanimada, pois não fui com a cara dele.

— Prazer, meu nome é Apolo – Ele falou de novo.

— Isso eu ouvi – Falei dando um sorriso irônico.

— É sua filha, Margot? Muito bonita – Falou Apolo olhando para mim e para minha mãe.

— É, Apolo, é nossa filha – Minha mãe falou me abraçando de lado com expressão séria, demorou um tempo pra que a minha ficha caísse e eu finalmente entendesse. Aquele idiota era o MEU PAI.

Notas finais
O capítulo ficou muito longo, mas não conseguiria transmitir tudo que precisava transmitir se fizesse menor, portanto espero que entendam e continuem acompanhando, pois os próximos serão menores. Por favor, comentem se gostaram ou não e o que pode ser melhorado, nós apreciamos muito! Desde já, obrigada por lerem! Tradução: je t'aime, maman - Eu te amo, mamãe Je t'aime beaucoup plus, ma petite étoile - Eu te amo muito mais, minha estrelinha.