Apocalipse
1 Capítulo 1: Sakura.
Sakura abriu os olhos ao mesmo tempo em que sentia algo úmido em sua mão. Parcialmente atordoada, ela gritou ao ver um cervo lambendo seus dedos. O animal pareceu tão assustado quanto a garota e saltitou para longe, para dentro da floresta.
Sem saber onde estava ou o que tinha acontecido, Sakura seguiu caminho por uma estrada de terra até avistar um vilarejo. Na entrada não haviam guardas, o que a deixou ainda mais curiosa. Cautelosamente, Sakura adentrou os portões. Não parecia haver uma alma viva naquele lugar.
As casas pareciam abandonadas e os estabelecimentos não pareciam diferentes. Talvez a cidade tivesse sido evacuada por causa da guerra. Era a opção mais sensata. Sakura se perguntava se encontraria suprimentos naquele lugar, não sabia quanto tempo havia passado desacordada e precisava comer.
Não muito longe de onde estava Sakura avistou o que parecia ser um mercado. Sakura abriu a porta mesmo que seus vidros estivessem quebrados e ela pudesse passar por eles. A maioria das mercadorias estavam abertas e caídas no chão, mas ainda sim Sakura conseguiu encontrar alguns alimentos. Ela não sabia que dia era, então não podia dizer se tudo o que pegara estava dentro do prazo de validade. Depois de colocar tudo em uma sacola, Sakura saiu novamente na rua.
Apesar da teoria da cidade ter sido evacuada fazer sentido, alguma coisa parecia estranha naquele vilarejo. As casas abandonadas pareciam ter sido invadidas e os comerciantes provavelmente haviam deixado a cidade às pressas. Sakura resolveu dar mais uma olhada pelo local até que ouviu um grito. Ela correu em direção ao som e ficou paralisada com o que vira.
Uma horda de pessoas com a pele machucada e até necrosada estava atacando um homem que também parecia ferido. Sakura precisava ajudar mesmo estando em desvantagem. Ela largou a sacola de suprimentos no chão e correu em direção ao homem ferido.
Golpeando as pessoas que atacavam o homem, Sakura conseguiu resgatá-lo. Aquelas pessoas tinham olhos estranhos, pareciam doentes e irritadas. Não entendendo muito bem o que estava acontecendo, Sakura carregou o homem para fora da cidade, por sorte ela parecia ser mais rápida que seus oponentes.
— O senhor está bem? – Sakura indagou enquanto soltava o homem ferido abaixo de uma árvore.
— Eu estou bem. – O homem respirou fundo mas ainda tremia.
— O que houve com aquelas pessoas? Por que elas queriam machucá-lo. Elas pareciam doentes...
— Não estão doentes, estão mortas.
— Mortas?! Como isso é possível...?
Sakura sabia que trazer os mortos de volta a vida era possível com Edo Tensei, ela havia presenciado aquilo, mas a situação no vilarejo parecia diferente.
— Eu não sei como explicar. – O homem parecia confuso.
— Foi algum tipo de jutsu?
— Jutsu? – ele pareceu confuso.
Sakura assentiu.
— Sim, como um jutsu de reencarnação.
— Olhe garota, eu não sei do que você está falando, muito menos que história é essa de jutsu, mas aquilo lá são pessoas mortas que foram transformadas por outras pessoas mortas! É como se fosse um vírus.
Sakura estava perdida. Até pessoas que não eram ninjas sabiam o que eram jutsus. Ela precisava saber mais.
— Por favor senhor, me explique.
O homem ajeitou sua coluna no tronco da árvore.
— Como é possível que você não saiba o que aconteceu no mundo? Do nada algumas pessoas começaram a ficar doentes e então começaram a comer umas as outras.
— C-comer?! – Sakura tremulou.
— E as pessoas que eram mordidas acabavam ficando igual. Isso dizimou todo o mundo... Como é possível você não saber disso?
Sakura devia estar sonhando. Mortos-vivos que comiam uns aos outros? O que tinha acontecido com o mundo ninja? A guerra? Kaguya? Seus amigos...? Os olhos de Sakura começaram a se encher de lágrimas.
— Aquele vilarejo está infestado... – O homem parecia ofegante. – E aqueles zumbis não morrem. Eu consegui sobreviver na floresta, mas os suprimentos daqui são muito escassos. Arrisquei voltar até lá mas se não fosse por você eu estaria morto.
Sakura não conseguia mais prestar atenção no que aquele homem estava falando, só conseguia se perder em perguntas sem respostas sobre o que estava acontecendo. Seria algum genjutsu?
— Ei, menina? Você está prestando atenção? Eu estou me sentindo estranho...
Sakura ainda estava aturdida.
— S-sim...
Sakura era uma ninja médica, poderia ajudar.
— O que você está sentindo? – indagou.
O homem parecia estranhamente mais pálido e seu rosto apresentava algumas gotículas de suor.
— Meu corpo parece estar pegando fogo e meu estômago... AH!
O homem gritou e as veias de seu corpo saltaram. Sakura se aproximou e colocou a mão na testa do homem que parecia estar extremamente febril. Em seguida, notou que os olhos dele estavam ficando mais claros. Novamente, ele grunhiu.
— Senhor, acalme-se!
Sakura se apressou em usar ninjutsu medicinal mas parecia estar sem chakra, na verdade, ela parecia não sentir que tinha chakra.
—Me ajude!
O homem parecia desesperado. Sakura não sabia o que podia fazer para ajudá-lo sem sua medicina, muito menos parecia saber o que ele tinha. Depois de um grunhido o homem desmaiou. Sakura checou seu pulso e não sentiu nada, ele estava morto.
Sem entender o que havia acontecido, Sakura começou a sentir medo. Ela estava sozinha e aparentemente incapaz de usar ninjutsu. Tudo parecia cada vez mais difícil e Sakura parecia estar cada vez mais longe de uma resposta.
Um rosnado fez com que Sakura virasse sua atenção para o cadáver caído a sua frente. A pele parecia ressecada e escura em algumas regiões. Sakura se aproximou alguns centímetros para analisar melhor. Um cheiro podre parecia exalar do corpo, o que não fazia sentido porque só haviam passado alguns minutos da hora da morte.
Infelizmente Sakura não teve um reflexo muito rápido quando aquele corpo a segurou pelo braço. A força do homem morto era inacreditável. Sakura tentou soltar-se mas estava amedrontada com o cadáver que agora grunhia para ela. Os dentes em sua boca pareciam podres, assim como o cheiro que saía dali.
Sakura arriscou um chute contra o peito do homem, que continuou estável. O zumbi arriscou uma mordida em direção à Sakura que conseguiu escapar. Ele era claramente mais forte do que ela. Em uma nova tentativa de mordida, Sakura conseguiu chutar a mandíbula do moto-vivo, que fez um barulho de ossos se quebrando.
Com um pouco de dificuldade, Sakura conseguiu se levantar e deu alguns passos para trás. A mandíbula do homem estava de fato quebrada e torta. Ainda se sentindo hesitante sobre o que deveria fazer, Sakura começou a correr por dentro da floresta.
Sakura corria e deixava as lágrimas rolarem por seu rosto. Ela estava apavorada, confusa e sozinha. Quando finalmente ficou sem folego, Sakura se apoiou em uma árvore, sua visão estava turva e rapidamente ela desmaiou.
Quando Sakura acordou, percebeu que já estava escuro. A lua iluminava vagamente algumas partes do caminho na floresta. Ainda sem saber se tudo havia sido um pesadelo, Sakura subiu em um dos galhos da árvore, era mais seguro. Após colocar sua cabeça no lugar, Sakura decidiu que precisava de um plano para sobreviver. Lembrou-se de que o homem que encontrara havia dito que sobrevivia na floresta, então provavelmente deveriam existir outras pessoas vivas naquela área.
Mesmo que a noite não fosse o melhor horário para voltar para a cidade, Sakura decidiu ir até lá para tentar recuperar seus suprimentos do mercado. Tudo por ali estava silencioso e Sakura foi muito cautelosa ao voltar para a rua do mercado. A sacola continuava largada no chão e alguns alimentos haviam se espalhado pelo chão. Ela rapidamente colocou tudo de volta, e na mesma velocidade saiu da cidade. Sakura correu percorreu o mesmo caminho para dentro da floresta, e se sentou em um galho enquanto comia algumas barras proteicas.
Depois de se alimentar, Sakura subiu mais alguns galhos na intenção de analisar a região em sua volta. No norte, ela pode ver o vilarejo. Mais para frente dele havia apenas mato. Para o sul, Sakura viu que a lua refletia em um vasto lago, ela não conseguiu ver seu fim, o que significava que deveria ser muito extenso. Sua atenção ficou no leste de onde estava: havia uma casa relativamente grande no topo de uma montanha. Com certeza deveria existir alguém morando ali. Sakura não demorou a tomar seu caminho.
Sakura chegou na base da montanha pelo amanhecer. Apesar de estar cansada, estava contente por não ter encontrado nenhum zumbi pelo caminho. A subida para a casa era de pedregulho, levaria alguns minutos para subir. Da mesma forma que Sakura estava ansiosa para encontrar alguém, também estava com medo da casa estar infestada de mortos-vivos.
Ao chegar no topo da montanha, havia um grande portão de ferro com as iniciais HO. Sakura empurrou o portão que rangeu. Preferiu deixá-lo aberto para caso tivesse que fugir. Aproximando-se da casa, Sakura notou que ela era maior do que havia imaginado. Antes de entrar, deu uma volta e ao chegar na parte de trás da casa, viu um amplo campo fértil, com algumas plantações que haviam dado frutos. Havia também alguns animais que pareciam não ter notado sua presença ali.
Sakura voltou para a porta principal da casa e, por coincidência, ela estava aberta. Sakura não podia deixar de ser cautelosa, ainda não sabia o que encontraria ali. O primeiro cômodo era uma sala, havia uma lareira, sofás, uma mesa de centro, uma jukebox e as janelas estavam fechadas. Sakura seguiu por um dos dois corredores e acabou em uma cozinha. Tudo parecia limpo e organizado. Arriscou abrir a geladeira e ela estava cheia.
Pegando o caminho do segundo corredor, Sakura se deparou com algumas portas. Abriu uma por uma e descobriu um quarto elegante com uma cama de casal. A medida que Sakura abria as portas ela ficava mais curiosa sobre quem seria o dono daquele lugar. Apesar de tudo aparentar estar novo, o lugar estava abandonado. Sakura estava voltando para fora da casa quando do outro lado da sala tropeçou em uma porta subterrânea. Quando puxou a maçaneta de ferro e descer as escadas, Sakura ficou boquiaberta com o que encontrara.
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