Apocalipse

2 Capítulo 2: Encontro.


Sakura já estava acostumada com a vida apocalíptica que estava levando. Afinal, como poderia ser diferente? Durante dois anos ela vivia confortavelmente na casa das montanhas. Com o tempo, acabou descobrindo que aquele lugar era um lugar especial. A vegetação nunca morria, a água era abastecida pelo lago que havia na região e também era aquecida pela luz solar. O único problema dali era a solidão.

Sakura nunca encontrara outra pessoa viva. Vez ou outra ela ia até o vilarejo e pegava algumas coisas diferentes para comer ou para se cuidar. Não precisava de medicamentos pois havia uma vasta quantidade em estoque em um dos quartos da casa. A coisa mais curiosa sobre aquele local era que os zumbis não podiam atravessar. De alguma forma, quando eles se aproximavam, eles simplesmente eram transformados em poeira. Toda a engenharia da casa parecia ter sido feita pensando naquele apocalipse.

Naquela tarde, Sakura quis ir até a cidade procurar por alguns temperos que não tinha em casa. Como toda vez que saía, ela foi cautelosa e levou um arpão que havia encontrado no lugar que estava morando. Sakura descobrira do pior jeito que a único jeito de matar um zumbi era acertando-o na cabeça. Ainda que soubesse disso, ela preferia não arriscar encontrar com mortos-vivos, afinal sem ninjutsu ela ficava na desvantagem numérica.

Passando pelos portões do vilarejo, Sakura se dirigiu para o mesmo mercado de sempre. Pegou as especiarias que precisava e se apressou em sair dali. Enquanto passava pela rua deserta, Sakura ouviu um barulho de latas de lixo se mexendo. Ela rapidamente virou-se para trás. O barulho viera de uma rua estreita que Sakura sabia que não tinha saída. Não queria arriscar ser atacada mas mesmo assim ficou ali parada esperando algo acontecer. Quando uma silhueta caminhou para fora da rua e parou encarando-a tão surpreso quando ela.

— Sakura. – sua voz grossa parecia confusa ao chamá-la.

— Sasuke-kun!

Sakura largou tudo o que tinha em suas mãos e correu para Sasuke, abraçando-o. Sasuke parecia aliviado por encontrar alguém pois retribuiu o abraço.

—Sasuke-kun você está vivo! – Sakura se afastou dele. – Eu não posso acreditar...

— É melhor nós sairmos daqui. – Sasuke disse olhando em volta. – Estamos muito expostos.

Sakura corou.

— S-sim! Eu tenho um lugar.

Sakura levou Sasuke até seu abrigo. Durante o caminho eles conversaram um pouco sobre tudo o que havia acontecido, pelo menos até onde eles sabiam. Sasuke contou que seu Sharingan ainda permitia que ele visse as coisas, mas nenhum de seus jutsus funcionava. Ao chegarem na casa das montanhas, Sasuke pareceu atônito:

— O que é esse lugar? – indagou. – Ele exala chakra... Não, é outra coisa.

— O que? – Sakura olhou em volta. – Eu o encontrei há dois anos, pouco tempo depois de acordar aqui. Estava tudo intocado, as coisas florescem e tem bastante água. Vem, eu vou te mostrar.

Sakura guiou Sasuke até a parte de trás da casa. Eles passaram por todas as plantações até chegarem na beirada da montanha. O lago que Sakura vira há dois anos se estendia até àquela parte, e por um sistema de canos a água chegava até um reservatório, que era distribuído pela casa.

— Além disso, a água é potável. Eu posso bebê-la e também lavar os alimentos. Existe um outro reservatório que destinado para a banheira, e é esquentada pelo sol.

Sasuke estava sem palavras.

— Ninguém nunca apareceu, então eu me acomodei aqui.

— Isso é incrível. – Sasuke respondeu. – Você realmente teve sorte.

Sakura sorriu e assentiu.

— E tem outra coisa.

Sasuke virou-se para ela.

— Os zumbis não conseguem entrar.

— Como isso é possível? – Sasuke perguntou, atento.

— Eu não sei. – Sakura suspirou. – Eu descobri isso pouco tempo depois de me mudar para cá. Eu fui seguida por uma horda e não consegui fechar os portões a tempo, mas quando eles atravessaram se tornaram poeira.

— Isso é muito estranho.

Sakura concordou.

— Bom, eu fico segura. Fora isso, eu encontrei estoques de remédio e alguns alimentos em conserva.

Assim que Sakura terminou a frase, o estômago de Sasuke fez barulho.

— Você deve estar com fome. – Sakura riu. – E também cansado. Eu posso te levar até a banheira e posso preparar o jantar enquanto você se acomoda.

— Obrigado Sakura. – Sasuke o encarou, parecendo muito agradecido.

Os dois caminharam para dentro da casa. Sakura guiou Sasuke até o banheiro.

— Eu encontrei algumas roupas por aqui, vou deixá-las na porta para quando você sair.

Sasuke assentiu e Sakura o deixou sozinho. Ao se despir e entrar na água quente, seu corpo relaxou totalmente. Ele poderia ficar ali por horas. Estava tão aliviado por ter encontrado Sakura, nunca estivera tão feliz por vê-la.

Depois de longos minutos de banho, Sasuke se vestiu com as roupas que Sakura havia trago e a encontrou na cozinha preparando a mesa. Ela parecia distraída e Sasuke entendia o porquê. Os dois comeram, trocando apenas algumas palavras. Assim que terminaram a refeição, Sakura lavou os pratos e arrumou a cozinha.

Após finalizar a limpeza, Sakura saiu na varanda da casa e se deparou com Sasuke sentado na beirada da escada de madeira. Hesitantemente, ela se sentou ao lado dele, que não se importou com a companhia. Dali onde estavam, eles podiam enxergar o céu e as estrelas. A lua cheia também estava radiante.

— Como você sobreviveu por todo esse tempo Sasuke? – Sakura tentou puxar assunto.

— Eu procurei não passar muito tempo no mesmo lugar. – começou. – Eu andei por muitos lugares. Não teve uma noite sequer em que eu dormi com tranquilidade.

— E o que te trouxe para aquele vilarejo?

— Eu não sei. Eu tenho viajado sem rumo desde que acordei em um deserto há dois anos.

— Então você simplesmente acordou também?

Sasuke assentiu.

— Eu me perguntei por muito tempo o que tinha acontecido, ainda me pergunto, mas não tenho nenhuma resposta. Eu consigo enxergar as coisas com meu Sharingan, mas não consigo usar nenhuma habilidade. – disse, frustrado.

Sakura se lembrou de uma informação importante.

— No dia em que eu acordei, eu encontrei uma pessoa. Ele estava sendo atacado e eu o ajudei. Quando mencionei ninjutsu para ele, ele agiu como se não soubesse do que eu estava falando, como se fosse algo que não existisse nesse mundo.

— Como é possível alguém não saber sobre ninjutsu? Mesmo não sendo ninja, é algo improvável. – Sasuke arqueou uma das sobrancelhas.

— Depois ele me explicou sobre os zumbis. Disse que algumas pessoas ficaram doentes e começou a se espalhar... Isso não faz sentido algum, esse não parece o mundo em que conhecemos.

Sasuke ficou pensativo por algum tempo.

— Sasuke-kun eu estou tão feliz por ter te encontrado! Todos esses anos foram tão solitários, e ficar por tanto tempo é torturante.

O rapaz virou sua atenção para Sakura.

— Agora você também tem um lugar para ficar seguro e quem sabe nós possamos pensar em alguma solução para isso que está acontecendo... Quero dizer, duas pessoas pensam melhor que uma!

Por mais que Sasuke não pretendesse encontrar um jeito de fazer as coisas retornarem ao normal, não podia negar que estava satisfeito por encontrar alguém conhecido. Ele esboçou um pequeno sorriso enquanto Sakura falava. Quando ela finalmente se calou, ele disse:

— Eu estou feliz por ter encontrado você.

Os dois ficaram em silêncio enquanto admiravam a lua. Talvez os dias se tornassem menos solitários e não fosse tão ruim ficar ali.

— Sakura, eu estou um pouco cansado. Se não se importa eu gostaria de descansar.

— Ah, claro! – Sakura se levantou rapidamente.

Sasuke levantou-se atrás dela. Sakura rapidamente se lembrou de um detalhe:

— S-Sasuke-kun, tem um problema. – ela virou-se para ele, corada.

— Huh?

— É que a casa só tem um quarto, com uma cama de casal. Se você quiser descansar, eu posso dormir no sofá e...

— Não é um problema. – Sasuke passou por ela e parou de frente a porta do quarto. – É aqui?

— S-s-sim, é...

Sem demorar mais, Sasuke entrou no quarto e colocou sua espada ao lado da cama. Ele tirou seus sapatos e deitou-se na cama. Sakura estava totalmente hesitante, mas se deitou em silêncio ao lado dele.

Apesar de não se importar, Sasuke sabia que Sakura deveria estar desconfortável e ele não queria causar aquilo. Então começou, tentando quebrar o gelo:

— Essa provavelmente vai ser a primeira noite que vou dormir bem em dois anos.

— Você deve ter passado por muita coisa. – Sakura virou-se para Sasuke.

Ele estava deitado olhando para o teto. De fato tinha passado por algumas coisas, ainda estava difícil de acreditar que tinha encontrado Sakura.

— Bom, eu estou aqui agora. – respondeu quase esboçando um sorriso.

Assim como Sakura, Sasuke devia ter incontáveis dúvidas sobre o que havia acontecido, mas diferente dela ele não tinha um lugar como aquele. Sasuke devia estar cansado então Sakura não fez mais perguntas.