Apesar de tudo... estou de volta!
5 Discuções e entendimentos
Notas iniciais
(...)
– Wendy, lembre-se de que você deve se comportar muito bem e mostrar que você é uma menina bem educada.
– Eu sei mamãe.
– E coma tudo que lhe colocarem no prato.
– Sim mamãe.
– E não responda aos mais velhos...
– Eu já sei de tudo isso mamãe, fica tranquila eu fui criada por você, mas será que você pode bater na porta ou a gente vai ficar aqui a noite toda?
– Tudo bem – a ruiva suspirou e tocou a campainha.
Erza estava ensaiando cerca de vinte minutos antes de se decidir tocar a campainha, ela sabia muito bem o que a esperava dentro daquelas enormes paredes, mas não sabia como eles reagiriam diante Wendy, por isso ficou tanto tempo hesitante sobre seguir em frente ou voltar com a filha para casa e pedir uma pizza.
Assim que a porta foi aberta, a ruiva se surpreendeu por ver um enorme sorriso no rosto do azulado.
– Erza! Quanto tempo! – disse já a abraçando – Caramba como você está linda.
– Também é bom te ver Mystogan.
– E essa é a Wendy? – disse olhando para a pequena – Como ela cresceu, da ultima vez que eu a vi, ela ainda estava saindo das fraldas.
– Jelly? – perguntou a pequena confusa.
– Não Wendy, esse é o Mystogan, irmão gêmeo do Jellal – esclareceu a ruiva.
– Pode me chamar de Tio Mystogan pequena!
– Certo Tio Myst! – disse sorrindo e o abraçando.
– Ele ganha abraço e eu não?
– Jelly! – a pequena saiu dos braços de Mystogan e pulou nos de Jellal – Caramba, vocês são iguaizinhos mesmo.
– Wendy!
– Que foi mamãe, é verdade.
– Se eu ouvi bem, você não vê a Wendy “desde que ela saiu das fraldas”, Mystogan?
– Bom, eu acho que podemos falar disso depois não é?
– Claro, claro... Mas vamos para a sala, o jantar está quase pronto, enquanto isso Wendy, você conhece o meu pai.
– O que? Aquele filho da... Mariposa está aqui? Daqui a pouco vai me dizer que também convidou a sua noivinha – disse uma ruiva em brasa.
– Erza ele não é tão ruim assim, o pai até que anda de bom humor ultimamente – cochichou Mystogan apenas para a ruiva ouvir – E fique tranquila, ele não vai dizer nada para Wendy.
– Assim espero.
Todos foram para a sala e lá se encontraram com Zeref, o pai adotivo de Jellal e Mystogan sentado em uma poltrona assistindo televisão, mas assim que viu o filho de mãos dadas com uma pequena garota com os cabelos azuis, não pode deixar de se espantar, mais ainda quando viu certa ruiva entrar em sua visão.
– Então era ela que você tinha convidado para jantar?
– Eu também não gosto de você e não queria estar aqui – disse a ruiva sorrindo falsamente.
– Pode ir embora se quiser, a porta é bem ali.
– Desculpe, mas prometi para a minha filha que eu faria um esforço para conseguir jantar aqui esta noite sem maiores aborrecimentos.
– A quem você quer enganar Scarlet? Nós nos odiamos, e não é de hoje, para que continuar com isso? Suma de novo e todos nós seremos felizes.
– Queria que fosse tão fácil olhar para a sua cara e não querer soca-lo, mas é quase impossível – disse já avançando para o moreno – Mas como eu disse, eu estou aqui pela minha filha, que me pediu que aceitasse o pedido do Jellal de jantarmos aqui.
– Então isso foi ideia sua? – disse encarando o azulado – Achei que esse problema já tivesse sido resolvido há muito tempo.
– Problema? Em momento algum eu...
– Será que podemos falar desse assunto depois? – Mystogan apontou com o olhar para Wendy – Que tal fazermos assim, Wendy você quer ir lá em cima ver o vídeo game que tem no quarto do Jellal?
–Quero sim Tio.
– Ahhh que fofa, fica ainda mais linda me chamando de tio – disse o azulado com os olhos brilhando e tratando logo de tirar a menina de perto daquele possível inicio de discussão.
– Ainda bem que o Mystogan a levou daqui – disse a ruiva suspirando – Agora eu posso falar umas verdades que estão engasgadas na minha garganta por muito tempo.
– E o que você tem para me dizer ruiva? Por acaso quer cobrar do meu filho dez anos de pensão alimentícia que ele deixou de dar?
– Não, com o seu filho eu me entendo depois, meu assunto agora é com você.
– Erza, vai com calma, as paredes não são tão grossas que a Wendy não possa escutar – disse o azulado.
– Eu sei, mas também sei que o Mystogan pode dar um jeito nisso – ela voltou seu olhar para o moreno – Por que o senhor me odeia tanto? O que eu te fiz?
– Além de ter engravidado do meu filho e não ter onde cair morta, nada.
– Então era isso? Não gostava de mim por ser pobre, ou melhor dizendo, ser pobre e achar que eu daria o golpe do baú no seu filho?
– Parece que você entende muito bem as coisas, devo admitir que burra você não é – o moreno se levantou e caminhou até ficar poucos passos da ruiva – E agora que sabe disso, quer me fazer o favor de se retirar da minha casa com aquela criança.
– “Aquela criança” é sua neta – pronunciou-se o azulado – Não quero que se refira assim a Wendy.
– Agora está defendendo essa aí filho?
– O nome dela é Erza e sim eu estou defendendo a mãe da minha filha, coisa que eu me arrependo muito de não ter feito quando ela me disse que estava grávida por medo de você.
– Bom, e o que a sua noiva acha disso? Acho que a Ultear não deve gostar muito de você defendendo qualquer uma.
– Olha só quem fala o assediador de noras – soltou a ruiva – Que foi? Pensa que eu não me lembro de quando você tentava me assediar ou o que eu soube desde que cheguei?
– Você não ousaria.
– Tente fazer algo contra mim ou a minha filha e veremos do que eu sou capaz – disse a ruiva decidida – Vou subir e pegar a Wendy para irmos para casa, eu perdi o apetite.
Assim que a ruiva saiu da sala, o azulado encarou o pai por poucos segundos com olhar de ira e nojo antes de seguir a ruiva até o andar superior. Ao encontrar com Erza nas escadas o azulado lhe puxou pela mão guiando-a para um dos quartos, esse que se encontrava vazio.
– Por que me trouxe aqui? Eu quero buscar a Wendy e leva-la embora.
– Deixe ela um pouco com o Mystogan, ainda precisamos terminar a conversa de mais cedo, a começar por saber como o Mystogan já conhecia a Wendy?
Ela suspirou derrotada e se sentou na cama – Assim que sai da cidade, eu não tinha muito dinheiro então o seu irmão me ajudou, ele cuidou de mim enquanto eu me instalava em Crocus e depois que ganhei a Wendy ele foi me visitar algumas vezes antes de perdermos contato, pois tive que me mudar e perdi meu celular.
– Então aquele traíra sabia onde você estava e não me disse? Eu estava desesperado procurando por você, quase não dormia ou comia direto só para tentar te encontrar e ele sabia esse tempo todo onde você estava se escondendo?
– Eu o fiz prometer que não te diria nada, eu estava com muita raiva de você.
– Sabe o quanto eu me arrependi de tudo que te fiz? Erza eu cheguei a ser internado porque tentei me matar.
– Não acredito – disse virando o rosto – Duvido muito que você faria lago assim.
– A é? Então olha – disse mostrando os pulsos e a garganta com cicatrizes – Eu tentei mais de uma vez acabar com a minha vida apenas por não saber onde você estava, com medo que algo tivesse acontecido com você.
– Jellal...
– Olha, eu guardei algo que eu queria ter te entregue no dia em que você sumiu – disse abrindo a carteira e tirando de lá uma correntinha com um pingente de... fada?! – Eu comprei quando a vi em uma vitrine e pensei logo de cara em você, simples, única e linda – ele estendeu a corrente.
– Eu não posso aceitar Jellal.
– E porque? Eu comprei especialmente pra você, se ela não for sua eu não quero que seja de mais ninguém.
– Jellal, por que guardou isso por tanto tempo? Porque não o deu para outra pessoa? Eu não me sentiria bem aceitando algo vindo de você.
– Você já tem a coisa mais precisa que veio de mim – disse sorrindo – Esse presente ainda tem os meus sentimentos de dez anos atrás, quando eu finalmente entendi a importância quando você me disse “estou grávida”.
– Então, você aceitou a Wendy?
– Eu me arrependo de tê-la negado, eu estava de cabeça quente e descontei em você e no bebê, por isso naquela época, eu achei que deveria ter lhe comprado um presente que significasse isso, o meu arrependimento.
– E você demorou tudo isso pra me dizer? – disse exaltada – Por que não se empenhou mais para me encontrar? Por que deixou que eu fosse embora?
– Você não facilitou muito as coisas, ainda mais sendo acobertada pelo meu irmão – ele também começou a se exaltar.
– Se você quisesse teria arrancado alguma informação dele a força, caramba se tratava da sua filha!
– Falou a mãe mais compreensiva do mundo, que na nossa primeira discussão sumiu no mundo grávida.
– Eu te peguei com a Ultear na cama um dia depois de ter lhe dito que estava grávida, o que você queria que eu fizesse?
– Sei lá, me ouvisse pelo menos, quem sabe eu não tivesse uma explicação plausível?
– Sério? O que um homem fazia nu ao lado de uma mulher vagabunda coberta só por um lençol? Acha que eu era burra que não notaria o que vocês dois fizeram? Que você me traiu na primeira oportunidade?
– E você sempre foi à santinha não é? Quem é que traiu o namorado quando estava no colégio? Quem é que perdeu a virgindade com o melhor amigo do namorado mesmo?
– Você falando assim parece que só eu fui à culpada de ter traído o Simon, você era o melhor amigo dele!
– E você era a namorada gostosa demais para ficar com aquele idiota.
– Então foi só por isso que você me seduziu e me separou dele? Por que eu era gostosa?
– Claro que não, aquele imbecil sabia que eu era apaixonado por você desde pequeno, ele só começou a namorar você para me irritar, pra esfregar na minha cara que você nunca seria minha.
A ruiva ficou sem fala, aquela informação era nova para ela, nunca imaginou que o azulado nutria sentimentos por ela desde que eram pequenos assim como ela, mas a mesma nunca confessara isso diante dele.
Após processar bem a informação, ela suspirou pesadamente colocando as mãos na cabeça. Ela estava a ponto de chorar, como a vida dela foi dar um salto daquele tamanho, ontem mesmo ela ainda odiava o azulado com todas as suas forças e não queria vê-lo nem cravejado de diamantes, e agora o estava em um quarto com ele e percebendo que os sentimentos que sentia por ele ainda estavam dentro de seu peito.
Com o azulado não era diferente, por tanto tempo ele procurou a sua ruiva e agora ela estava ali, diante de seus olhos e tudo o que eles faziam era brigar, parece que isso nunca mudou entre eles. Quando mais jovens, seus amigos viviam dizendo que ambos tinham uma relação entre tapas e beijos e ele sempre se gabava pelos beijos serem bem melhores depois de uma briga com a sua amada.
Jellal andou calmamente até a ruiva e pegou em sua mão, estendendo-a e colocando sobre a sua palma a pequena corrente que anda carregava consigo. Agora ele sentia que havia tirado um peso de suas costas, finalmente aquela correntinha estava com a sua dona e assim que se preparou para se distanciar da ruiva, sentiu a mesma segurar em seu pulso.
– Porque toda vez que nos falamos, sempre acabamos por brigar?
– Eu não sei, mas queria parar um pouco com as nossas brigas para poder me aproximar da Wendy... Eu sei que se ela nos vir brigando toda hora não vai me querer perto de você.
– Nisso ela puxou muito você, sempre dá um jeitinho de conseguir o que quer do jeito que você menos imagina.
– Queria poder saber mais sobre ela.
– O que você quer saber? Se ela tem as suas manias? Se for isso pode apostar que sim, ela tem até aquela sua mania horrorosa de andar só de meia pela casa e de escovar os dentes no chuveiro.
– Quero saber se ela tem as suas manias, se ela acorda sorrindo toda manhã, mesmo que o dia esteja péssimo, se ela anda rebolando e franze as sobrancelhas quando está fazendo manha, se ela só consegue dormir quando está aquecida e se tem um amor platônico por bolo de morango.
– Você se lembra...
– Eu nunca esqueci nada referente a você, nem mesmo aquela pintinha que você tem na...
– Já chega! Entendi – disse ficando mais vermelha que seus cabelos.
Ele sorriu – Eu ainda sonho com você às vezes, mas quando acordo parece um pesadelo, pois você não está aqui.
– Por que depois de tanto tempo você ainda não saiu daqui? Por que ainda continua a viver com seu pai? Que eu me lembre você sonhava em viver longe dessas paredes e ter liberdade, sem ninguém mandando na sua vida, por que não o fez?
– Por que o meu incentivo não estava mais aqui, você tinha ido e eu não achei mais motivos para sair daqui.
– Podia ter tentado e quem sabe você teria encontrado uma maneira de...
– Será que você não vê Erza? Eu não sou nada sem você, não consegui nem mesmo te beijar desde que te vi, eu me tornei um fraco sem você.
– Você queria me beijar?
– Ainda quero, mas não vou fazer, até que eu sinta que te mereço.
– Jellal... – em um impulso de insanidade a ruiva se aproxima perigosamente do azulado, deixando que suas respirações se misturassem – E se eu te beijar? O que você vai fazer?
– Eu sei que você não vai fazer isso, você me odeia e eu te dei tantos motivos para isso que... – o azulado não pode terminar, pois fora interrompido pelos lábios da ruiva nos seus.
–
–
–
–
–
Continua...
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