Apenas uma Fic
2 The House
Notas iniciais
Viola's P.O.V.
Resolvi andar pela floresta com Anne. Ficamos conversando por um bom tempo, e ela me disse que Elen tinha parado de falar com ela. Então, achamos um gato preto.
— Awn, que fofinho! — exclamou Anne. — Vamos seguir ele!
— Tudo bem — respondi.
Seguimos o gato. Chegamos em uma parte da floresta em que havia muita grama alta, provavelmente porque as pessoas raramente iam até lá. Percebi que estávamos indo bem fundo na floresta, onde nunca tinha ido antes.
— Aff, odeio mato — comentou Anne.
— Anne... acho que não deveríamos estar aqui — eu disse, parando de andar.
— Quê? Por quê?
— Porque meu pai disse que eu não posso ir muito fundo na floresta...
— Mas não tem nada nessa floresta!
O gato parou. Olhou pra gente com impaciência, como se dissesse, "venham logo, suas inúteis".
— A gente vai ou não?
Hesitei um pouco, mas continuei.
De repente, o gato parou em frente a um jardim, e atrás havia uma mansão com um jardim de rosas.
A porta estava entreaberta.
— Eu sei quem mora aí — disse Anne.
— Quem? — perguntei.
— Você vai ver — respondeu Anne. — Vamos entrar?
Entramos na casa e fomos andando pelos cômodos, subimos uma escada, e fomos parar em um corredor. No final dele, havia uma porta. Lá havia um quarto, com duas garotas, – uma deitada em uma cama no meio do quarto (tinha cabelos roxos e olhos amarelos, usava um laço vermelho no cabelo e um vestido vermelho e branco) e outra sentada em uma cadeira ao lado da cama (tinha o cabelo castanho claro, olhos castanhos, usava um laço azul no cabelo e tinha as mesmas roupas da outra, mas o vestido era azul e branco).
— Elen? — perguntou Anne. — O que você está fazendo aqui?
— Eu moro aqui — disse a garota de cabelo roxo.
— Ah, então, ela é a sua amiga que você fala tanto? — perguntei.
— Na verdade, eu me referia à outra Elen — disse Anne.
— Eu não ia esperar as duas lerdas virem até a casa da suprema — disse a garota que estava na cadeira.
— Ah, tá, então você é Elen — eu disse. — E você também é Elen?
— Com dois L's — disse Anne.
— Qual das duas? — questionei.
— Ela — disse Anne, apontando para a garota com o cabelo roxo.
— Yo — disse a voz de um garotinho atrás de nós.
Nós olhamos. Era aquele gato. Olhei em volta, e não havia mais ninguém. Apenas o gato balançando sua cauda.
— Yo! — exclamaram Anne e Elen.
— Por que essa garota tá aqui, Ellen? — perguntou ele.
— Waah! — exclamei. — Esse gato fala?
— Acho que você é a única desse quarto que não sabe — disse Anne.
— Ela apareceu aqui, entrou pela porta de repente — respondeu Ellen. — E as duas de trancinha chegaram há pouco tempo.
— Eu sei, eu as trouxe — disse o gato. — Mas não previ que ela estaria aqui!
— E qual é o problema comigo, gato? — perguntou Elen, levantando-se da cadeira.
— Ah, nenhum, claro, pode ficar — disse o gato.
— Ah, bem — disse Elen.
— Tudo bem, gato — disse Ellen. — Agora eu tenho várias amigas! Bem, vocês são minhas amigas, não é?
— Claro! — exclamou Anne.
Elen's P.O.V.
Você deve esta se perguntando, "como Elen foi parar no jogo?"
Bom, eu não achei esse save no meu jogo. Enquanto as duas lerdas andavam pela floresta, pesquisei um pouco sobre esse save, mas nenhum site falava sobre ele.
Então, fui no Twitter (não tinha nada melhor pra fazer, mesmo), e havia um usuário chamado @blackcat, que estava me seguindo. Todos os seus tweets eram para mim, escrito, "come, Elen, we're waiting for ya." Mandei um tweet para ele, dizendo "how?" Imediatamente, ele respondeu "like this," e a tela do computador ficou escura, e algo me puxou para dentro.
Momentos depois, me vi dentro de um portal, caindo, e então, caí, e vi que estava na frente da casa de Ellen, com a roupa igual a dela, mas azul, e havia uma fita azul no meu cabelo. Estava descalça.
Me levantei, entrei na casa, e havia aquela sala, mas com só uma porta à esquerda. Passei por ela, e lá havia a enorme mesa, com a porta mais à direita. Entrei lá, e tinha a pequena cozinha, e mais outra porta, com a escada. Subi, e fui parar no corredor do quarto de Ellen. Entrei no quarto, e lá estava ela, deitada na cama.
— Ah, olá — disse ela.
— Oi, Ellen — eu disse.
— Como sabe meu nome? — perguntou Ellen.
Para não dar a primeira impressão da "maluca que disse que eu era de um jogo" para Ellen, disse que...
— Ouvi falar que havia uma bruxa na floresta, e resolvi procurá-la, já que eu amo esse tipo de coisa, e me disseram que o nome dela era Ellen. A propósito, também me chamo Elen.
Fui até a cadeira ao lado da cama e me sentei nela.
— Mesmo? — perguntou Ellen.
— É, com um L — respondi.
Mal começamos a conversar, e Anne e Viola entraram pela porta, e começaram a conversar com a gente.
— Tudo bem, gato — disse Ellen. — Agora eu tenho várias amigas! Bem, vocês são minhas amigas, não é?
— Claro! — exclamou Anne.
— Vamos fazer alguma coisa lá fora — sugeriu Viola.
— Eu... — começou Ellen.
— Ela não pode — interrompeu Anne.
— Como você sabe que eu não posso? — perguntou Ellen.
— Por que você não pode sair? — perguntei.
— Porque eu sei tudo sobre você, Ellen — disse Anne. — Ou quase tudo. Há um tipo de feitiço que se você sair, os sintomas da sua doença vão aparecer.
— Como você sabe...?
— Não sei como, só sei — disse Anne.
— Então, o que vamos fazer? — perguntou Viola.
— Podemos ler alguns livros na biblioteca — respondeu Ellen.
Então, foi isso o que fizemos. O dia todo. Nós quatro deitadas no chão, lendo e conversando sobre o que líamos. Quando estava anoitecendo, Viola disse que o pai dela ia ficar preocupado, então ela e Anne foram para casa.
— Então, Ellen — eu disse. — Que horas você costuma a ir dormir?
— Pergunta pra aquela sua amiga de trancinha — respondeu Ellen. — Ela deve saber.
— Haha, não acredito que ela saiba — ri.
— Elen...
— Sim?
— Você não é daqui, é?
— Nope.
— Você tem... bem, uma casa?
— Tenho.
— Onde ela fica?
— Nem um pouco perto.
— Onde fica, então?
—No meu mundo.
— Seu mundo? Quer dizer que há outros mundos, além desse?
— É, mas não sei como ir para lá.
No dia seguinte estávamos nós quatro de novo na biblioteca lendo livros. Pra falar a verdade, eu nem sequer me lembro como eu fui parar ali, na biblioteca de novo. Ellen procurava ler livros que tivesse a ver com outros mundos, e isso me preocupava um pouco. E se ela tentasse ir para o nosso mundo?
Anne's P.O.V.
Isso era bem legal. Fizemos isso por vários dias. Viola andava procurando livros sobre jogos, para ver se o que eu dizia era real.
Um detalhe: o pai de Viola parecia não me notar. Quando Viola foi me apresentar para ele, ele perguntou onde eu estava.
— Ela está bem... aqui — respondeu Viola.
— Ah, ela é sua amiga imaginária?
— Não! Ela é de verdade!
— Então onde ela está?
— Aqui!
— Filha, você está imaginando coisas.
— Anne, fale alguma coisa!
— Hey, senhor pai da Viola! — chamei. — Eu to aqui!
Ele nem sequer olhou na minha direção. Talvez realmente não me visse.
Uma semana depois, percebi que Elen estava se afastando de mim, quase não falava comigo. Estava meio que me ignorando.
Elen não saía da casa.
Até o dia em que resolvi conversar com ela.
— Hey, Elen! — chamei. — Queria conversar com você.
— A Viola veio? — perguntou ela.
— Não...
— Tudo bem.
Eu entrei na casa e nós fomos até um quarto onde havia apenas um sofá. Sentamos nele e começamos a conversar:
— Elen, por que você não fala mais comigo?
— Estou falando com você agora.
— Quero dizer que você quase não fala comigo. Só dá atenção pra Ellen.
— Claro, ela está doente.
— Eu sei que está, mas...
— E você só quer saber da Viola.
— Não é isso, eu...
Parei.
— Acho que você está me trocando pela Ellen.
— O QUÊ?!
Gritei e me levantei de um salto. Elen começou a flutuar, e seus olhos brilhavam com uma forte luz branca (tipo Herobrine). Ela veio na minha direção. Eu corri para fora da casa.
Elen veio atrás de mim.
Viola's P.O.V.
Estava andando pela floresta, procurando por Anne. Quando comecei a chamar seu nome, ela apareceu, correndo.
— Viola! — gritou ela.
— Anne! — exclamei. — Estava procurando por você.
Ela estava ofegante. Parecia ter corrido por bastante tempo.
— Que houve? — perguntei.
— Não tenho tempo... pra explicar agora... temos que... correr...! — respondeu ela. — Temos que nos esconder...!
— Esconder? Eu sei um lugar.
— Ótimo! Pode me levar até lá?
— M-hm.
Levei-a até a passagem secreta que havia lá em casa, onde meu pai guardava suas armas. Era um lugar bem grande.
— Pode me contar o que aconteceu, agora? — pedi.
— Elen. Não sei o que deu nela — respondeu Anne, sentando-se no chão. — Ela começou a vir atrás de mim só porque eu disse que achava que ela havia me trocado pela Ellen, a bruxa. Ela começou a flutuar, sei lá.
— Pegue elas! — gritou a voz de Ellen.
— Uh? O quê? — eu disse, confusa.
— Mate elas!
— Mas antes vamos acertar o pronome, né, Ellen? — disse Anne.
Nada aconteceu. Apenas escutávamos Elen nos chamando.
Depois de um tempo, ela parou.
— Acha que podemos sair? — perguntou Anne.
— Talvez — respondi.
Saímos dali. Não havia ninguém.
— Acho que ela já foi — eu disse.
— Tenho que procurá-la.
— Por quê? Ela vai tentar te matar!
— Mas ela é minha amiga.
— Mesmo assim...! Não quero que você se machuque.
— Tudo bem, Viola. É legal que você se preocupa comigo, e tal, mas eu tenho que ir.
Ela estava indo embora.
— Espere! — gritei.
— Que foi?
— Quando estávamos na biblioteca, e estava procurando livros sobre jogos, achei um livro de histórias antigas. A primeira história era sobre quatro amigas, e uma delas estava doente.
— Quais eram os nomes delas?
— Não sei. Todos os nomes estavam rabiscados com um monte de X.
— Tá. Continue.
— Então, três dessas amigas perceberam que a quarta estava ficando muito doente, e resolveram ajudá-la. Depois de muitos dias, ao entrarem na casa da quarta, elas encontraram dois corpos caídos no chão, e ela segurava uma faca, com seu rosto cheio de sangue. Daí, uma delas perguntou, "foi você que fez isso?" E ela respondeu, "sim, e vocês são as próximas."
— E aí? O que aconteceu?
— Ela acabou matando duas de suas amigas. Mas a última conseguiu escapar.
Fiquei quieta por um tempo.
— No final do livro, havia um tipo de profecia, dizendo que um século depois essas duas amigas que morreram seriam substituídas, e quando as quatro amigas estivessem reunidas, estas substitutas estariam destinadas a serem mortas pela quarta do mesmo jeito que as outras duas foram. Ah, mas isso já aconteceu há muito tempo. Não acho que isso possa acontecer.
Mas Anne não estava mais lá.
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