Notas iniciais
Tudo bem, até entrar no jogo... Boa leitura! :3

Anne's P.O.V.

Não fazia a mínima ideia de como tinha ido parar lá, mesmo.

Mas vamos lá.

Meu nome é Anne, tenho 13 anos e simplesmente AMO RPG maker. Como é de se esperar, tenho um favorito: The Witch's House. De vez em quando faço aquela pesquisa básica no Google imagens para pegar mais fanarts e colocar no papel de parede do celular e do PC, baixei a trilha sonora (mentira, só catei dos arquivos do jogo e converti, já que o celular não roda ogg), li The Diary of Ellen, fiz altas teorias da conspiração envolvendo outros RPG Makers, essas coisas.

Minha melhor amiga Elen também ama The Witch's House. Tudo começou quando ela pedia nomes de personagens de animes pra pesquisar e eu falava alguns que eu conhecia, mas tudo de RPG maker, e ela disse que não sabia que eu gostava de anime, e eu disse que era por causa dos jogos, e aí ela começou a baixar também e daí foi. Ela prefere a Ellen, e eu, a Viola. Mas ela ODEIA a Viola, e eu até gosto da Ellen.

Num belo dia de férias, nós duas fomos jogar juntas no Skype para tentar conseguir o final secreto (não é bem um final, tá mais pra cena extra, mas isso não vem ao caso). Na parte em que a gente tem que pegar as pétalas da flor para iluminar o labirinto, eu MORRI, e quase morri de verdade porque para conseguir o final secreto você não pode falar com o gato, exceto na parte da sala das distrações, no meio do jogo.

MAS MESMO ASSIM SIGNIFICA QUE VOCÊ NÃO PODE SALVAR.

Eu dei um berro tão alto que a minha mãe até perguntou se eu estava bem.

— Poxa — disse Elen. — Lindona você, hein, Anne. Escolheu a opção errada logo na parte mais fácil do jogo!

— Ah, cala a boca! — exclamei. — A parte mais fácil do jogo é aquela da caveira, que você morreu mais de dez vezes!

— Fácil! Nossa, tô até rindo de tão fácil que é, socorro!

Mas quando fui começar o jogo outra vez, havia um save estranho, com o nome de "Before all this".

— Elen... — chamei.

— Oi — ela respondeu.

— Você tá vendo isso aqui? — perguntei.

— Esse save aí? Tô — respondeu Elen.

— Ele tá no seu jogo?

— Não...

— O que eu faço?

— Clica nele, ué!

— Eu não! Vai que bota um vírus no meu computador!

— Ah, Anne!

— Hmm...

Apertei Z. Você tem certeza? "Z" para confirmar e "X" para cancelar.

— Z! Z! Z! Z! Z! Z! — exclamava Elen.

Então, Z de novo. A tela do computador ficou toda escura, e eu comecei a ter uma sensação de estar sendo sugada para dentro dele. Eu tentava gritar, mas não conseguia.

Foi uma das situações mais desesperadoras que eu já vivi.

Até que eu comecei a cair. Algumas árvores amorteceram minha queda, e logo depois caí em cima de uns arbustos.

— Anne, você tá aí? — perguntou Elen.

Não conseguia responder.

Viola's P.O.V.

Abri a porta. Senti o ar fresco em meu rosto, e sorri. Era mais um dia ensolarado. Um dia perfeito para colher flores na floresta.

— Uma margarida, um botão de ouro... olha, uma tulipa! — eu dizia a mim mesma.

Quando me aproximava de uma roseira, avistei uma garota caída no chão. Não a reconheci, e achei estranho porque eu conheço todo mundo naquela vila. Andei até ela. Parecia estar desmaiada.

— Hm... quê? — resmungou ela.

Ela tinha cabelos pretos, compridos, presos com tranças que nem o meu, e estava com um vestido igual ao meu, vermelho, preto e branco.

— Sim, eu estou aqui, Elen — disse a garota, ainda caída no chão e olhando para cima.

— Com licença, mas você está falando com quem? — perguntei.

— Com minha amiga Elen... — disse ela, ainda olhando para cima.

— Qual o seu nome? — perguntei.

— Anne — respondeu ela, finalmente olhando para mim. — Viola?

— Como sabe meu nome?

— Digamos que eu já ouvi falar de você... em algum lugar...

— Ah, sim...

Percebi que ela tinha um corte no lado direito do rosto.

— Você está bem? — perguntei.

— Mais ou menos — respondeu Anne.

— O que aconteceu?

— Eu meio que caí aqui. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu.

— De onde você veio?

— Você acreditaria se eu dissesse que eu vim de outro... bem, "mundo", e que você faz parte de um jogo?

— Você é engraçada...

— Cala a boca!

— Ah, me desculpa, eu...

— Não, não estava falando com você, estava falando com a Elen.

— Ah, sim... mas o que ela disse?

— Disse que claro que você acreditaria em mim porque é muito burra.

— Eu não sou burra!

— Não, mas ela acha que é.

— Por que eu não... escuto ela?

— Sei lá. Sei tanto quanto você.

Comecei a achar que aquela tal de Elen era uma amiga imaginária dela.

E aquele corte no rosto dela estava sangrando.

— Ai! — exclamou Anne.

— Ah, a gente tem que cuidar disso! — eu disse.

Dei uma mão para ela. Ela segurou e se levantou. Eu era mais alta que ela.

— Vamos para minha casa, pra gente cuidar desse corte.

— Tudo bem.

Anne de vez em quando dizia alguma coisa aleatória, mas eu não estava falando com ela. Sempre que dizia, olhava para cima. Então, resolvi perguntar:

— Elen é uma amiga imaginária sua?

— Não.

— O que ela é então?

— Uma pessoa de verdade, ué.

— Então por que não posso vê-la nem escutá-la?

— É porque ela está no meu "mundo". O nosso mundo. E por algum motivo eu ainda tenho contato com ela, e você não porque você faz parte de um jogo.

— Como eu faço parte de um jogo!? Isso é impossível!

— Não, não é.

Comecei a achar que tinha encontrado uma fugitiva de hospício.

Anne's P.O.V.

Viola parecia não acreditar que ela era de um jogo. Mas também, quem acreditaria? Imagine, você encontra uma pessoa no meio de uma floresta, e ela fica conversando com o nada, embora afirme que não tem amigos imaginários, e ainda diz que você vem de um jogo. Acho que tenho que ser mais convincente...

Mas não tenho culpa se pareço maluca falando a verdade.

Chegamos na casa de Viola, que na verdade parecia uma cabana, e ela pegou uma caixa com remédios e tal, e disse pra eu ficar em uma mesa. O pai dela não estava em casa.

— Ele é caçador — disse Viola.

— Nós sabemos! — retrucou Elen.

Quando Elen falava, parecia que a voz vinha de cima, como se ela fosse uma entidade superior ou algo do tipo.

— Elen? — chamei.

— Quê? — respondeu ela.

— Você consegue me ver?

— Consigo, mais ou menos.

— Como assim, mais ou menos?

— Você é igualzinha à Viola, só que com outras cores.

— Eu estou em forma de RPG maker?

— Está.

— Que legal! Você consegue ouvir minha voz?

— Não, aparece como... sei lá, aqueles diálogos de RPG maker.

— Então como você está avançando as falas?

— Tá avançando sozinho.

— Isso me incomoda um pouco — disse Viola.

— O que? — eu quis saber.

— O fato de que alguém na minha frente está falando, só que não comigo, e eu não posso ver nem ouvir a pessoa com quem ela está falando — respondeu Viola.

— Me colocando no seu lugar, acho que também me incomodaria — eu disse.

— Só porque é a Viola — resmungou Elen.

— Nada a ver! — exclamei.

— Quando que a Ellen vai aparecer?

— Não sei. Queria saber o que minha mãe ia fazer se visse que eu não estou no computador, e sim dentro dele.

— Será que se fechar o jogo, você morre? Que nem Oneshot?

— Sei lá, espero que não.

— Pronto — disse Viola, quando terminou de cuidar daquele corte.

— Obrigada — agradeci, me levantando da cadeira. — Se não se importa, vou andando, okay?

— Tem certeza que não quer ficar mais um pouco? — peguntou Viola.

— NÃO!! — berrou Elen.

— Hm... sei não, Viola — eu disse.

— Vai para onde, então? — perguntou Viola.

Realmente, não tinha para onde ir. Não conhecia ninguém ali além de Viola e de Ellen, mas não poderia chegar na casa dela do nada, vai que ela resolve trocar de corpo comigo?

— Não faço ideia — respondi.

— Você vai pra casa da Ellen — mandou Elen. — Agora!

— Então, fica aqui mais um pouco! — pediu Viola.

— NÃO! Vamos embora, Anne! — gritou Elen.

— Tudo bem — eu disse.

— Ufa, vamos — disse Elen.

— Eu fico! — exclamei.

— O quê!? — disse Elen.

— Yay! — exclamou Viola.

— Cadê esse save no meu jogo?! — exclamou Elen.

— Depois nós vamos para lá, Elen — eu disse.

— Depois quando? Se depender de você e da Viola, nunca, né? — disse Elen.

— Claro que vamos! Pelo menos ela vai, porque não é só porque eu apareci aqui que ela não tenha que conhecer a Ellen!

Aquele dia passou bem rápido, nem me lembro de onde dormi – na verdade nem sei se dormi –, mas logo de manhã estava na casa de Viola de novo.

— Minha mãe não apareceu aí, não? — questionei a Elen.

— Por que apareceria? — replicou Elen. — Não se passaram nem dois minutos desde que você caiu!

— Mas o quê? Dois minutos? — eu disse, sem entender.

— O que houve? — perguntou Viola.

— Anne, faz o favor de mandar essa menina calar a boca? — disse Elen.

— Sabe, Viola? — eu disse, ignorando Elen. — Minha amiga aqui me disse que não se passaram nem dois minutos desde que eu vim para cá.

— Como assim, dois minutos? — indagou Viola. — Você até passou a noite aqui, não se lembra?

— Passei?

— Passou — disseram Elen e Viola.

— Socorro, Anne, tá pegando a lerdeza dela?

— Eu realmente não me lembro...

O que deu em mim?

Notas finais
Não sei quando vou terminar o capítulo 2, mas logo quando terminar eu mando, okay? Deixem seus comentários!