Apenas mas uma de amor

38 Renesmee- Decisões


Notas iniciais
Próximo capítulo vamos saber o que Jacob fez nos últimos 10anos.

A primeira semana de tratamento de Aurora foi um turbilhão de emoções. Ela enfrentou tudo com uma bravura que me deixava orgulhosa e, ao mesmo tempo, devastada por dentro. O tratamento era intenso, mas necessário. As transfusões de sangue e o medicamento imunossupressor, administrado diariamente, causavam efeitos colaterais que a deixavam fraca e sem apetite. Aurora sentia náuseas, cansaço extremo e, em alguns momentos, dores de cabeça que a faziam franzir o cenho.

Ainda assim, mesmo nesses momentos difíceis, ela encontrava forças para sorrir. Pequenos avanços começaram a aparecer: a frequência dos sangramentos diminuiu e os exames indicavam que o tratamento estava surtindo algum efeito inicial. Era pouco, mas para mim era o suficiente para manter a esperança.

No final da semana, enquanto Aurora descansava após mais uma sessão, Daniel pediu para me encontrar em sua sala. Ao chegar lá, ele estava com um semblante sereno.

— Nessie, tenho boas notícias, — ele começou, me recebendo com um sorriso. — Aurora está respondendo bem ao tratamento inicial. Os primeiros exames mostram que conseguimos estabilizar o quadro dela por enquanto.

Soltei um suspiro de alívio, como se um peso gigantesco tivesse sido retirado dos meus ombros.

— Isso significa que ela pode ir para casa? — perguntei, esperançosa.

Daniel assentiu.

— Sim, vou liberá-la para voltar para casa hoje. Mas quero reforçar que os próximos 15 dias são cruciais. Precisamos monitorá-la de perto para garantir que a doença não avance. Vou prescrever medicamentos para ela continuar o tratamento em casa, e as visitas ao hospital serão frequentes.

— Obrigada, Daniel. Isso vai deixar Aurora muito feliz. — Meu alívio era evidente, mas uma preocupação ainda pairava sobre mim. — Ela pode viajar?

Ele hesitou antes de responder.

— Não aconselho, pelo menos por enquanto. Qualquer deslocamento longo pode ser arriscado nesse momento. Vamos reavaliar isso nas próximas semanas, dependendo de como ela estiver.

Assenti, mesmo que isso significasse adiar meus planos de levá-la a Seattle. Era difícil, mas eu sabia que a saúde dela vinha em primeiro lugar.

Daniel deu um passo mais perto, me olhando com aquela expressão cuidadosa e gentil que já era familiar.

— Nessie, sei que tudo isso é muito pesado para você, mas quero que saiba que estou aqui. Para o que precisar.

Eu agradeci com um sorriso educado, mas dei um passo atrás, criando uma distância sutil.

— Obrigada, Daniel. De verdade. — Meu tom era firme, mas não deixava espaço para dúvidas.

Ele pareceu entender, assentindo antes de se despedir.

Caminhei até o quarto de Aurora com o coração mais leve. Quando entrei, ela estava desenhando algo em um caderno, mas largou tudo assim que me viu.

— Mamãe! Você demorou! O que o tio Dan disse?

Me sentei ao lado dela na cama e sorri, acariciando seus cabelos.

— Ele disse que você pode ir para casa.

Os olhos dela se arregalaram, e um sorriso gigantesco iluminou seu rosto.

— Sério? Não estou sonhando?

— Sério, meu amor. Vamos arrumar suas coisas e voltar para casa hoje mesmo.

Ela deu um pulo, me abraçando com força.

— Obrigada, mamãe! Eu não aguentava mais esse hospital.

Ri, segurando-a em meus braços.

— Eu sei, meu anjo. Mas você foi muito corajosa. Agora, vamos para casa e continuar o tratamento lá, combinado?

Aurora assentiu, já radiante com a ideia de voltar ao seu mundo. Mesmo com as incertezas do futuro, ver sua felicidade naquele momento era tudo o que eu precisava para seguir em frente.

...


As risadas altas e as provocações ecoavam da sala de estar, e por um momento me permiti relaxar. Aurora estava feliz, jogando com Jasper e Emmett, e isso me dava forças para encarar a conversa séria que estava por vir. Na sala de jantar, eu estava sentada com Bella, Edward, Carlisle, Esme e Alice.

Bella foi a primeira a falar, interrompendo meus pensamentos.

— Então, Nessie, você já decidiu? Vai mesmo a Seattle?

Suspirei, passando as mãos pelos cabelos.

— Sim, vou. É o certo a fazer. Jacob precisa saber sobre Aurora, e talvez ele seja compatível para o transplante.

Edward franziu a testa levemente, mas permaneceu em silêncio. Foi Esme quem me encorajou.

— Você é muito corajosa, Nessie. Essa conversa não será fácil, mas acredito que está fazendo o melhor para a Aurora.

— Não é só por ela, — admiti, minha voz um pouco hesitante. — É por mim também. Preciso enfrentar isso, encarar o que deixei para trás em Seattle. Jacob merece saber que tem uma filha.

Alice, que estava brincando com a borda da taça de vinho, inclinou-se na minha direção com um sorriso leve.

— É a melhor decisão Nessie. E não se preocupe com Aurora. Ela vai ficar bem aqui.

— Exatamente, — Carlisle acrescentou, seu tom calmo e paternal. — Todos nós estamos aqui para cuidar dela. Ela é uma criança forte, mas também precisa da mãe bem resolvida e segura.

Senti um aperto no peito ao imaginar ficar longe de Aurora, mesmo que fosse por poucos dias.

— Eu sei que ela vai estar em boas mãos com vocês. — Olhei para Bella. — Mas, mãe, promete que, se ela sentir minha falta, você vai ligar imediatamente?

Bella sorriu suavemente, estendendo a mão para segurar a minha.

— Claro, Nessie. Mas você sabe que ela estará ocupada vencendo o Jasper e o Emmett no videogame.

Todos riram, e Edward, que tinha permanecido quieto até então, finalmente falou.

— Você está fazendo o que é certo, Nessie. Jacob precisa saber. Só… esteja preparada. Ele pode ter seguido com a vida.

— Eu sei, — murmurei. — É algo que venho tentando aceitar desde que decidi ir. Mas isso não importa agora. O foco é Aurora.

— Você é muito mais forte do que pensa, Nessie, — disse Esme, com os olhos brilhando de orgulho.

Assenti, respirando fundo enquanto reunia coragem para o que estava por vir.

— Obrigada a todos. Saber que Aurora está segura com vocês me dá a paz que preciso para fazer isso. Vou a Seattle, mas prometo que será rápido. Só quero conversar com Jacob, explicar tudo e… tentar reconstruir algumas pontes que foram queimadas.

Alice sorriu, com o olhar travesso de sempre.

— E quem sabe trazer uma novidade?

Eu revirei os olhos, mas não pude evitar sorrir.

— Não se empolgue Alice.

Enquanto ouvíamos outra rodada de gargalhadas de Aurora e os gritos frustrados de Emmett na sala, percebi que, apesar de todos os medos e incertezas, eu tinha uma rede de apoio sólida. E isso me dava forças para encarar as feridas do passado que aguardavam por mim em Seattle.

Depois que Aurora terminou de escovar os dentes, ela foi direto para a cama, enquanto eu arrumava o edredom ao seu redor. Sentei ao lado dela, observando-a organizar seus travesseiros e ajeitar o cabelo, ainda elétrica após a competição de videogame.

— Mamãe, você está com uma cara estranha. O que foi?

Soltei um suspiro, tentando reunir coragem.

— Eu tenho algo importante para te contar, Aurora.

Ela arqueou uma sobrancelha, curiosa.

— O que é?

— Eu decidi ir a Seattle.

Os olhos dela se arregalaram, e ela se levantou de um salto na cama, olhando para mim com empolgação.

— Você vai falar com o meu pai?

— Vou. É uma conversa que eu preciso ter com ele.

Ela começou a sorrir, animada.

— Então vamos! Quando a gente vai?

Peguei suas mãos antes que ela se empolgasse ainda mais.

— Aurora, escuta… Você não vai comigo.

O sorriso dela desapareceu, e ela franziu o cenho.

— Por que não?

— Porque é uma viagem longa e cansativa. Além disso, eu preciso ter certeza de que ele está pronto para te conhecer antes de levar você.

Aurora cruzou os braços, claramente contrariada.

— Eu não me importo com a viagem, mamãe. Eu quero ir.

— Eu sei, meu amor, mas isso é algo que eu preciso resolver primeiro. Quando chegar a hora certa, você vai conhecê-lo, eu prometo.

Ela me olhou por um momento, processando minhas palavras.

— E se ele não quiser me conhecer?

Minha garganta apertou, mas me inclinei para segurar seu rosto com delicadeza.

— Ele vai querer, Aurora. Ele só não sabe o quanto você é especial ainda. Mas, quando souber, ele vai querer te conhecer, e tenho certeza de que vai te amar tanto quanto eu.

Aurora suspirou, ainda um pouco aborrecida.

— E quanto tempo você vai demorar?

— Poucos dias. Você vai ficar com a vovó Bella, o vovô Edward, seus bisavós e seus tios. Eles vão cuidar muito bem de você, e eu prometo que volto rápido.

Ela me estudou por um instante, antes de finalmente ceder com um aceno.

— Tá bom… Mas você vai trazer ele, né?

Dei um sorriso fraco, acariciando seus cabelos.

— Eu espero que sim, meu amor. Eu espero que sim.

Ela se acomodou novamente na cama, sem esconder completamente a decepção. Mesmo assim, seu olhar parecia carregado de esperança, e isso me deu forças para enfrentar o que estava por vir.