Apenas mas uma de amor
31 Jacob- Paternidade
Chegamos ao hospital com pressa, meu coração batendo tão rápido que parecia prestes a explodir. Bella estava ao meu lado, tão angustiada quanto eu, mas tentando manter a calma. Assim que entramos na recepção, vi Edward. Ele estava de pé, com uma expressão grave, mas o alívio em seu rosto ao nos ver era visível.
– Como ela está? – perguntei antes mesmo de chegar perto, minha voz embargada de ansiedade.
Edward respirou fundo antes de responder.
– Ela foi dopada, Jacob. Eles estão fazendo uma lavagem gástrica para eliminar qualquer resquício da substância do organismo e administrando fluidos intravenosos para hidratá-la e estabilizar seus sinais vitais.
Bella cobriu a boca com a mão, lágrimas escorrendo por seu rosto. Ela deu um passo à frente e envolveu Edward em um abraço apertado. Ele a segurou com força, oferecendo consolo.
– Tom está preso – Edward continuou, sua voz firme. – Ele vai responder por vários crimes. Isso acabou, Bella. Ele não vai machucar ninguém mais.
Enquanto eles se abraçavam, uma médica se aproximou, seu jaleco impecável e a expressão profissional, mas acolhedora.
– Vocês são os familiares de Renesmee Cullen? – perguntou ela.
– Sim, somos – respondi imediatamente, me levantando de onde estava.
– Renesmee está bem agora – disse a médica, com um pequeno sorriso. – Ela está acordando no quarto. Os sedativos e a medicação estão fazendo efeito, e ela está estável. Podem vê-la, mas peço que evitem sobrecarregá-la. Ainda é cedo para muitas emoções.
Bella enxugou as lágrimas rapidamente e olhou para mim e Edward.
– Eu quero ver minha filha – disse, a voz cheia de urgência.
A médica assentiu e indicou o caminho para o quarto. Bella saiu rapidamente, e Edward fez menção de segui-la, mas antes olhou para mim.
– Você vem? – perguntou ele, mas eu balancei a cabeça.
– Não agora – respondi, sentindo o peso de tudo finalmente me atingir. – Vou esperar um pouco.
Sentei no sofá mais próximo, enterrando o rosto nas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos. A adrenalina que me mantinha de pé até agora começava a desaparecer, deixando apenas exaustão e culpa. Eu devia ter protegido Nessie. Eu devia ter feito mais.
Senti um peso familiar no meu ombro e, quando olhei para o lado, vi Edward. Ele havia se sentado ao meu lado e colocado um braço firme, mas solidário, em volta dos meus ombros.
– Isso não é culpa sua, Jacob – ele disse baixinho, sua voz calma e firme. – Ela está segura agora, e é isso que importa.
Não respondi de imediato, mas suas palavras trouxeram um pequeno alívio. Ele estava certo. Nessie estava segura, e eu precisava focar nisso. Respirei fundo e olhei para Edward, assentindo levemente.
– Obrigado – murmurei, a voz quase falhando.
Ele apertou meu ombro levemente, antes de se levantar e seguir em direção ao quarto. Fiquei ali por mais alguns minutos, tentando encontrar forças para enfrentar Nessie e mostrar a ela que tudo ficaria bem. Porque, acima de tudo, isso era o que eu mais desejava.
Acordei com a voz de Bella me chamando suavemente. Minha cabeça estava pesada, e o desconforto do sofá era a menor das minhas preocupações. Pisquei algumas vezes, tentando me situar, até finalmente focar no rosto preocupado de Bella.
– Jacob... – ela começou, sua voz gentil mas carregada de preocupação.
– Como ela está? – perguntei rapidamente, me sentando e passando as mãos pelo rosto. Meu coração disparou, ansioso por qualquer notícia.
Bella hesitou, seus olhos se desviando por um momento antes de voltar a me encarar.
– Ela finalmente acordou – disse, e meu peito se apertou com um alívio momentâneo. Mas o tom de sua voz me alertou de que havia algo mais. – Mas, Jake... ela não quer te ver.
As palavras foram como um golpe. Assenti devagar, engolindo em seco, tentando esconder a dor que cortava meu peito.
– Eu entendo – murmurei, olhando para o chão. – Não posso culpá-la.
Bella se aproximou e sentou ao meu lado, tocando levemente minha mão.
– A psicóloga que falou com ela explicou que isso é comum em vítimas de traumas como o dela – explicou com cuidado. – É difícil para ela confiar ou encarar alguém próximo. Ainda mais você, Jake... o namorado.
A palavra "namorado" ecoou na minha mente, mas ao invés de conforto, trouxe raiva. Não contra Nessie, mas contra Tom. Saber que ele encostou nela, que a machucou de qualquer forma, fazia meu sangue ferver.
– Aquele desgraçado – rosnei baixinho, cerrando os punhos. – Ele vai pagar por isso. Eu juro que vai.
– Ele já está preso, Jacob – Bella respondeu com firmeza, apertando minha mão. – E Nessie precisa de você calmo e forte. Agora não é hora de perder o controle.
Respirei fundo, tentando dissipar a raiva que me consumia, mas não era fácil. A ideia de que eu também a tinha machucado, de uma forma diferente mas igualmente cruel, era quase insuportável.
Bella pareceu perceber minha luta interna.
– Jacob – ela começou novamente, sua voz mais suave agora. – Você precisa descansar. Vá para casa, tome um banho, durma um pouco. Eu prometo te avisar assim que ela estiver pronta para te ver.
Olhei para ela, relutante. Eu não queria sair dali, não queria estar longe quando Nessie precisasse de mim. Mas sabia que Bella estava certa. Eu não podia ajudar Nessie desse jeito, exausto e carregado de culpa.
– Tá certo – respondi com um suspiro, me levantando devagar. – Me avise assim que... assim que ela quiser me ver, ok?
– Eu prometo, Jake – Bella assegurou, sua expressão cheia de compreensão.
Antes de sair, olhei em direção ao corredor que levava ao quarto dela, meu peito apertado com a ideia de não poder vê-la agora. Mas essa dor eu merecia. Eu a machuquei tanto quanto ou até mais que Tom. E isso era algo que eu teria que carregar.
Cheguei ao meu apartamento e fechei a porta atrás de mim, sentindo o peso de tudo desabar de uma vez. Não acendi as luzes; a escuridão parecia apropriada para o que eu sentia por dentro. Caminhei até o sofá e me joguei nele, a cabeça apoiada nas mãos enquanto o silêncio preenchia o espaço.
A noite que deveria ter sido inesquecível, cheia de sorrisos e promessas, havia se transformado na pior da minha vida. Eu fechei os olhos, mas tudo o que conseguia ver era o rosto dela: a humilhação, a dor, o medo. Cada detalhe era como uma facada no peito.
Não consegui segurar. As lágrimas vieram, quentes e pesadas, correndo pelo meu rosto sem controle. Eu me sentia um fracasso, um homem que falhou com a mulher que amava mais do que qualquer coisa. O som da minha própria respiração trêmula preenchia o silêncio da sala.
Meu celular tocou no bolso, quebrando o momento. Peguei o aparelho e olhei a tela. "Mãe". Suspirei, passando o polegar sobre o nome, mas não atendi. Eu não podia falar com ela agora. Não podia falar com ninguém. Eu precisava de um tempo para pensar, para tentar colocar minha cabeça no lugar.
Me joguei para trás no sofá, deixando o celular ao meu lado. Minhas mãos ainda tremiam, e o gosto amargo da culpa não me deixava em paz. Tudo o que eu queria, mais do que qualquer coisa, era o perdão de Nessie.
Mas como eu poderia pedir isso? Depois de tudo? Ela tinha todos os motivos para me odiar. E, ainda assim, tudo o que eu desejava era consertar as coisas, de alguma forma. Mostrar a ela que eu estava ao lado dela, que não importava o que acontecesse, eu nunca desistiria dela.
Fechei os olhos, respirando fundo. Mas a dor era profunda demais, e o vazio na sala parecia ecoar meus próprios pensamentos. A noite parecia interminável, e eu sabia que essa luta dentro de mim estava apenas começando.
...
A semana passou como uma tortura lenta. Nessie havia tido alta do hospital, mas, como Bella me informou, ela ainda não queria me ver. Apesar da dor esmagadora que isso causava, eu respeitei seu desejo. Ela precisava de tempo, e eu não tinha o direito de pressioná-la. No entanto, havia outro problema que não podia mais ser ignorado: Leah.
Dirigi até a fazenda onde minha mãe e Leah estavam, tentando manter a calma. Sarah me recebeu na porta, como sempre fazia, com um abraço caloroso.
– Jacob, meu filho, que bom que veio – disse ela, acariciando meu rosto como se eu ainda fosse um garoto.
– Preciso falar com Leah, mãe – respondi, tentando não deixar transparecer a tensão na minha voz.
Antes que ela pudesse dizer algo, Billy apareceu na sala, empurrando sua cadeira de rodas, com uma expressão séria.
– Jacob, espero que tenha vindo aqui para fazer o que é certo – disse ele, direto como sempre.
Suspirei, já imaginando onde essa conversa ia parar.
– Do que está falando, pai? – perguntei, cruzando os braços.
– Você sabe muito bem do que estou falando – retrucou ele, apontando para mim. – Se Leah está esperando um filho seu, você tem a obrigação de assumir a responsabilidade. E isso significa se casar com ela.
Minha mãe interveio antes que eu pudesse responder.
– Billy, não force o Jacob a fazer algo que ele não quer – disse Sarah, com firmeza. – Assumir um filho não significa obrigatoriamente se casar.
– Não estou dizendo que ele não deve ser um bom pai – rebateu Billy. – Mas o que vai ser dessa criança? Criada entre visitas? Isso não é justo!
Levantei a mão para interromper a discussão antes que ficasse pior.
– Se a criança for minha, pai, eu vou assumir, e serei um bom pai, disso você pode ter certeza. Mas eu não vou me casar com Leah – declarei, olhando diretamente para ele.
Nesse momento, Leah apareceu na porta, com os braços cruzados e uma expressão de raiva no rosto.
– Não vai, não é? – disse ela, caminhando até mim. – Você prefere me humilhar e duvidar da paternidade do que assumir sua responsabilidade.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
– Leah, se os meus cálculos estiverem certos, você está grávida de quatro meses – comecei, minha voz firme. – Isso significa que, se essa criança não nascer dentro de cinco meses, ela não é minha.
Ela me encarou, incrédula, e então riu, mas não de um jeito amigável.
– Você é mesmo inacreditável, Jacob – disparou ela. – Está me chamando de mentirosa?
– Estou dizendo que quero ter certeza, Leah – respondi. – Não é uma acusação, é um fato. E você sabe disso.
Minha mãe colocou a mão no meu ombro, tentando me acalmar, enquanto Billy balançava a cabeça, frustrado. Leah continuou me encarando, mas não respondeu. A tensão no ar era palpável, mas eu sabia que precisava manter minha posição. Esse não era o momento para ceder à pressão.
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