Apenas mas uma de amor
32 Jacob- 5 meses
Notas iniciais
Jacob
Os dias sem ver Nessie foram um martírio. Passei as últimas semanas tentando ocupar minha mente, organizando objetos pessoais e mexendo em caixas antigas no meu apartamento. Não que ajudasse muito, mas era melhor do que encarar o vazio esmagador.
Havia pelo menos uma sensação de justiça: Tom tinha sido condenado a 15 anos de prisão em regime fechado. Além disso, a diretora do Roosevelt High estava sob pressão para encontrar os responsáveis pelo incidente no baile. A situação piorou para a escola depois que Edward Cullen os processou por lesão corporal e negligência às violências que Nessie sofreu durante o período escolar.
Enquanto me perdia nesses pensamentos, a campainha tocou. Suspirei, imaginando que talvez fosse Leah ou algum outro problema. Mas quando abri a porta, me deparei com Rebecca. Ela estava com uma expressão de preocupação que imediatamente me deixou alerta.
– Rebecca? O que houve? – perguntei, segurando a porta.
– Jacob, eu vim porque... acho que você precisa saber disso – começou ela, nervosa. – Os Cullen estão indo embora de Seattle.
Fiquei em choque, como se alguém tivesse acabado de tirar o chão debaixo dos meus pés.
– O quê? – minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. – Como assim indo embora?
Rebecca colocou a mão no meu braço, tentando me acalmar, mas sua expressão só piorava minha ansiedade.
– Eu passei lá na casa deles para ver como a Nessie estava... – explicou ela. – E vi eles colocando malas no carro. Estavam todos. Parecia que estavam indo para o aeroporto.
O pânico tomou conta de mim. Meu coração disparou, e uma onda de desespero me atingiu.
– Não... eles não podem... – murmurei, antes de dar um passo para trás.
– Jake, calma! – disse Rebecca, tentando me segurar. – Talvez você ainda consiga falar com eles.
Não esperei mais nenhuma palavra. Peguei minha jaqueta e saí correndo pela porta, o desespero guiando meus passos. Rebecca me chamou, mas eu já estava descendo as escadas, correndo como se minha vida dependesse disso.
O aeroporto. Eles tinham que estar indo para lá. Não podia deixar Nessie ir embora. Não assim. Não sem lutar por ela.
Dirigi feito um louco, sem me importar com os limites de velocidade ou os olhares irritados dos outros motoristas. Peguei a rota mais rápida: segui pela Interestadual 5, depois entrei na SR-518 em direção ao Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma. O tempo parecia passar mais rápido do que eu podia controlar, e cada minuto perdido aumentava meu desespero.
Cheguei ao aeroporto com o coração disparado. Estacionei o carro de qualquer jeito e saí correndo, minha mente focada apenas em uma coisa: encontrar Nessie.
Dentro do terminal, olhei para todos os lados, meus olhos escaneandode forma frenetica as pessoas que passavam. O lugar estava lotado, mas então eu os vi. Edward empurrava o carrinho com as bagagens, e Bella segurava a mão de Nessie, caminhando para o setor de embarque.
Sem pensar, corri na direção deles.
– Nessie! – gritei, minha voz carregada de desespero.
Por um momento, eles continuaram andando, mas depois Nessie parou. Ela virou o corpo lentamente, e meu coração apertou ao vê-la. Ela estava magra, com olheiras profundas e um semblante abatido que me destruiu.
Eu me aproximei rapidamente, ignorando os olhares curiosos das pessoas ao redor. Quando cheguei perto, ela olhou para mim com uma expressão de surpresa misturada com algo que parecia ser dor.
– O que você está fazendo aqui, Jacob? – perguntou ela, sua voz fraca, quase sem emoção.
Eu respirei fundo, tentando conter a dor que queimava dentro de mim.
– Eu vim te impedir – disse, minha voz falhando. – Não vá, Nessie. Por favor, não faça isso.
Ela balançou a cabeça lentamente, os olhos evitando os meus.
– Eu preciso, Jacob – respondeu ela, a voz carregada de uma tristeza que me deixou sem ar.
– Não... – insisti, desesperado. – Eu não posso viver sem você. Eu te amo, Nessie.
Ela fechou os olhos por um momento, como se minhas palavras fossem um peso insuportável. Quando os abriu novamente, havia lágrimas neles.
– Se você realmente me ama, Jacob... – disse ela, sua voz firme apesar das lágrimas que começavam a escorrer pelo rosto. – Então não me procure mais.
Foi como se ela tivesse arrancado meu coração e o esmagado ali mesmo. Eu fiquei congelado, sem saber o que dizer ou fazer. Ela deu as costas, segurou na mão de Bella, e as duas entraram no setor de embarque.
Fiquei parado ali, vendo a garota que mais amei na vida partir. E naquele momento, senti no fundo do meu coração que a havia perdido para sempre.
...
Cinco meses. Foi o tempo que passei sem qualquer notícia de Nessie. Parecia uma eternidade, mas ao mesmo tempo, os dias eram todos iguais. Ela havia desaparecido completamente da minha vida. Sem redes sociais, sem celular... era como se ela tivesse me apagado de sua existência.
Agora, eu estava em Cambridge, Massachusetts, onde havia iniciado minhas aulas em Harvard. Era uma tentativa desesperada de recomeçar, de me afastar de tudo o que me lembrava dela, mas a verdade é que, mesmo aqui, ela nunca saiu da minha mente.
Naquela manhã, estávamos discutindo Direito Constitucional quando meu celular vibrou. Olhei para baixo, escondendo-o discretamente sob a mesa, e vi a mensagem de Rachel.
"Precisa vir à Seattle. O bebê nasceu."
Suspirei, encarando a mensagem por um longo momento. Eu sabia que esse dia chegaria, mas não esperava que fosse agora. Mesmo assim, tentei me concentrar novamente na aula, mas outro alerta chamou minha atenção.
"O médico disse que a criança é prematura."
Meu coração começou a martelar no peito, e uma onda de fúria percorreu meu corpo. Prematura? Não havia como aquele bebê ser meu. Fiz as contas na minha cabeça mais uma vez. Se a criança nasceu antes do previsto, isso só confirmava o que eu já suspeitava. Leah havia mentido.
Levantei da cadeira apressado, atraindo alguns olhares curiosos. O professor parou por um momento, mas eu não me importei. Saí da sala com passos largos, minha mente rodando em mil pensamentos.
Enquanto atravessava o campus em direção ao meu apartamento, comecei a digitar uma mensagem para Rachel.
"Estou indo para Seattle. Me encontre no hospital."
Jacob
O voo de Cambridge para Seattle foi longo, mas minha mente estava ainda mais agitada do que o céu turbulento que cruzávamos. Cada minuto parecia uma eternidade. Tudo o que eu conseguia pensar era na mentira que Leah havia construído e no estrago que ela causou na minha vida.
Quando finalmente pousei em Seattle, peguei um táxi direto para o hospital. Minhas mãos tremiam enquanto segurava o celular, verificando novamente a mensagem de Rachel. Ela não precisava dizer mais nada. Eu sabia que havia algo errado, e estava prestes a confrontar tudo.
Cheguei à recepção do hospital e, antes que pudesse me anunciar, vi minha mãe, Sarah, esperando por mim. Seu sorriso caloroso tentou amenizar a tensão, mas eu estava muito furioso para ser consolado.
— Mãe — comecei, sem rodeios. — Leah mentiu. Se o bebê é prematuro, ele não pode ser meu.
Sarah segurou minhas mãos com firmeza, me puxando para um canto mais reservado da recepção.
— Jacob, calma. Eu sei disso. E você está certo, ela mentiu.
— Então por que ninguém me disse antes? — Minha voz saiu mais alta do que eu queria. — Eu perdi meses da minha vida tentando entender essa situação, sendo arrastado para algo que nunca foi meu!
Sarah respirou fundo, tentando manter a calma que eu claramente não tinha.
— Eu falei com Leah hoje cedo, antes de você chegar — ela explicou, com a voz tranquila, mas firme. — Fiz questão de confrontá-la. E, depois de muita insistência, ela finalmente confessou a verdade.
Eu cruzei os braços, sentindo a raiva borbulhar novamente.
— E o que ela disse?
Sarah hesitou por um momento, como se pesasse as palavras, antes de dizer:
— O pai do bebê é Sam.
Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo a informação. Era como se todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixassem, mas o sentimento de traição ainda pesava.
— Sam... — repeti, balançando a cabeça em descrença. — Isso é... Eu não tenho palavras, mãe.
— Eu sei, filho. — Sarah apertou meu braço em um gesto de apoio. — Mas agora você sabe a verdade. Você não está preso a essa mentira.
— Não é só sobre a mentira, mãe. É sobre tudo o que ela destruiu nesse processo. — Eu passei a mão pelo rosto, tentando me acalmar. — Ela me afastou de tudo que importava.
Sarah não disse nada, mas sua presença ao meu lado era o suficiente para me manter de pé. Por mais que a raiva me consumisse, pelo menos agora eu sabia a verdade. Era um passo, mesmo que pequeno, para tentar reconstruir o que sobrou da minha vida.
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