Apenas mas uma de amor

60 Jacob- Mágoas do passado


Notas iniciais
Acho que Renata vai dar problema, o que vocês acham?

Jacob


A manhã seguinte chegou rápido demais. Eu mal dormi, com minha mente presa ao que estava por vir. Depois de deixar Aurora e Hope na escola, Renesmee e eu seguiríamos para o hospital. Eu estava nervoso, e Aurora percebeu isso antes mesmo de sairmos de casa.

No carro, enquanto dirigia em direção à escola, senti seus olhos me observando pelo retrovisor.

– Tá tudo bem, pai? – perguntou Aurora, segurando a alça da mochila.

Respirei fundo, tentando manter a calma. – Claro que sim, princesa. Só tenho um dia cheio no trabalho, só isso.

Ela arqueou uma sobrancelha, desconfiada. – Tem certeza? Você tá mais quieto que o normal.

Sorri, tentando dissipar suas dúvidas. – Tenho, sim. Às vezes, os adultos têm preocupações que vocês não precisam carregar.

– Tá bom, mas se precisar de ajuda, tô aqui – respondeu ela, com uma maturidade que sempre me surpreendia.

Parei o carro em frente à escola e olhei para Aurora. – Eu sei, e fico muito orgulhoso de você por isso. Agora vai, ou você vai se atrasar.

Ela beijou Ness e se inclinou para me dar um beijo no rosto e desceu do carro, acenando antes de desaparecer entre os outros alunos.

Depois de deixar Hope na escola, seguimos para o hospital. Eu e Renesmee caminhávamos lado a lado pelos corredores, mas minha mente já estava à frente, no quarto onde Ryan estava. Meu coração batia rápido, e minha respiração parecia pesada.

Quando virei o corredor, a vi. Renata estava parada do lado de fora do quarto, mexendo nervosamente nas mãos. Ao nos ver, ela olhou diretamente para mim, hesitando por um momento antes de falar.

– Jacob, antes de você ver o Ryan, acho que nós precisamos conversar.

Senti meu peito apertar. Renesmee não disse nada, mas notei sua expressão mais pálida. Ela apertou minha mão suavemente antes de soltá-la.

– Vou esperar por você na minha sala – disse ela baixinho, com um sorriso forçado.

Assenti, observando enquanto ela se afastava. Quando voltei minha atenção para Renata, ela indicou a lanchonete do hospital com um gesto.

– Vamos conversar num lugar mais reservado– disse ela.

Concordei com um movimento de cabeça, e seguimos em silêncio até a lanchonete. Meu coração estava pesado, mas eu precisava ouvir o que ela tinha a dizer. O garoto que ela dizia ser meu filho estava há poucos metros, e a verdade finalmente estava ao meu alcance.

Sentado à mesa da lanchonete, observei Renata com atenção. Ela parecia cansada, diferente da mulher confiante e cheia de vida que um dia conheci. O silêncio entre nós era pesado, quase palpável. Tomei a iniciativa, cruzando os braços sobre a mesa.

– Você mudou – comentei, mais para quebrar o gelo do que por qualquer outra razão.

Renata soltou uma risada amarga, passando os dedos pelo cabelo. – O tempo faz isso, Jacob. E a vida também.

Eu suspirei. – Renata, por que você nunca me contou? Por que não insistiu?

Ela levantou o olhar, e pela primeira vez, percebi a mágoa brilhando em seus olhos. – Porque eu tentei. Tentei por meses, Jacob. Liguei, deixei mensagens, implorei para que você me escutasse. Mas você me ignorou, me bloqueou.

Senti meu estômago revirar. A culpa que já me consumia aumentou. – Eu… Eu não sabia. Não fazia ideia que você estava tentando falar comigo.

Ela inclinou-se para frente, os olhos brilhando com uma mistura de dor e raiva. – Você sabia que eu estava grávida. Rebecca deve ter dito. E mesmo assim, nada.

– Por que você não me procurou quando eu voltei? – perguntei, a voz mais firme, tentando entender. – Você teve outra chance. Por que não me contou?

Renata abaixou o olhar, mexendo nervosamente em uma colher sobre a mesa. – Eu procurei, Jacob. Eu fui atrás de você. Mas quando cheguei a La Push, vi você com ela… – sua voz quebrou ao mencionar Renesmee. – Vi você com a Renesmee, segurando um bebê nos braços.

Ela respirou fundo, olhando para mim com os olhos cheios de lágrimas. – Eu pensei que talvez Rebecca tivesse razão, que você me rejeitaria de novo. Que rejeitaria o Ryan.

As palavras dela me acertaram como um soco. Eu passei uma mão pelo rosto, tentando processar tudo. – Eu nunca rejeitaria um filho meu, Renata. Nunca.

– Eu cuidei dele com a ajuda dos meus pais – ela continuou, agora mais calma, mas ainda visivelmente emocionada. – Mas eles estão idosos, Jacob. E agora, com o Ryan doente, eu não sei mais o que fazer.

Olhei para ela, sentindo uma onda de culpa e responsabilidade me inundar. Estendi a mão sobre a mesa e segurei a dela.

– Renata, eu prometo que nada mais vai faltar ao Ryan. Eu vou cuidar dele, do jeito que ele merece. Ele é meu filho, e eu estarei lá por ele.

Ela olhou para nossas mãos, hesitante, antes de finalmente assentir com um movimento de cabeça.

– Você quer vê-lo agora? – ela perguntou, a voz quase um sussurro.

– Quero – respondi sem hesitar. – Preciso vê-lo.

Levantei-me, e juntos, seguimos para o quarto onde meu filho estava. Meu coração batia rápido, mas agora, mais do que qualquer outra coisa, era o amor e a determinação que me guiavam.

Enquanto seguíamos para o quarto do hospital, senti um misto de ansiedade e emoção. Não sabia o que esperar. Ryan, meu filho... Essa ideia parecia tão surreal e, ao mesmo tempo, tão natural. Quando Renata abriu a porta, meu coração disparou.

Ele estava deitado na cama, o pequeno corpo repousando sobre travesseiros brancos. Sua perna estava engessada e elevada, mas isso não apagava a energia no olhar dele. Seus cabelos castanhos brilhavam sob a luz do quarto, e seus olhos, grandes e curiosos, me encararam assim que entrei.

E então, notei a semelhança. Ele tinha o mesmo brilho nos olhos que Hope, aquele jeito inocente e curioso que imediatamente trouxe um sorriso ao meu rosto.

– Ryan, querido – Renata começou, a voz doce e carinhosa. Ela sentou-se ao lado dele e tocou sua mão. – Lembra que você sempre quis conhecer seu papai?

O menino assentiu rapidamente, seus olhos arregalados de empolgação.

Renata virou-se para mim, indicando com um gesto. – Esse é ele. O papai que você tanto queria conhecer.

Ryan piscou, olhando para mim com admiração. – Meu papai?

Eu me aproximei devagar, sentindo um calor tomar conta de mim. Ajoelhei-me ao lado da cama para ficar à altura dele.

– Oi, Ryan – falei, minha voz saindo mais suave do que eu esperava. – Sou eu.

Ele me olhou por um momento, como se tentasse confirmar que era real, e então sorriu, um sorriso que iluminou todo o quarto. – Você é grande!

Eu ri, incapaz de conter a emoção. – Bem, sim, um pouquinho.

– Eu sabia que você ia me encontrar um dia – ele disse, com a confiança que só uma criança poderia ter.

Renata sorriu, acariciando o cabelo dele. – E agora ele está aqui, querido.

Ryan abriu os braços pequenos, convidando-me para um abraço. Meu coração apertou, e cuidadosamente, alcancei-o, pegando-o no colo com todo o cuidado para não machucar sua perna engessada.

– Você é forte – comentei, segurando-o firme contra meu peito.

Ele riu baixinho, a cabeça recostada no meu ombro. – Eu sou, mas você é mais!

Fiquei parado por um momento, segurando aquele pequeno ser que era parte de mim, parte do meu passado e, agora, do meu presente.

– Eu prometo – falei, a voz firme, mas carregada de emoção –, que nunca mais vou deixar você.

Ryan olhou para mim com seus grandes olhos, sem entender completamente o peso das minhas palavras, mas com uma confiança inabalável. – Tá bom, papai.

E naquele instante, percebi que ele já tinha me perdoado sem nem mesmo saber que precisava fazê-lo.

As horas passaram sem que eu notasse. Cada minuto ao lado de Ryan foi precioso. Ele me contava com entusiasmo sobre os amigos da escola, os desenhos que gostava de assistir e até mesmo sobre seu cachorro imaginário, Max. Era difícil acreditar que eu tinha perdido tanto tempo da vida desse menino incrível.

Enquanto ouvia Ryan, senti meu celular vibrar no bolso. Peguei-o rapidamente e vi uma mensagem de Renesmee:

"Temos que buscar as meninas na escola, hoje é dia de almoço com elas."

Olhei para Ryan e suspirei. – Ryan, eu preciso ir agora, mas prometo que volto mais tarde.

Ele fez uma expressão triste por um momento, mas logo iluminou-se ao ouvir minha próxima frase:

– Quero que você conheça suas irmãs.

– Eu tenho irmãs? – ele perguntou, os olhos brilhando.

Assenti, sorrindo. – Duas. Aurora e Hope. Você vai adorar elas.

– Elas são legais?

Eu ri. – Muito.

Levantei-me da cadeira ao lado da cama e olhei para Renata. – Vou resolver algumas coisas agora. Depois volto, mas, enquanto isso, vou cuidar de algumas pendências.


Renata assentiu, e sua expressão ficou mais leve. – Jacob, eu... obrigada por tudo.

Coloquei uma mão no ombro dela, firme. – Vou pagar todas as contas do Ryan daqui para frente, Renata. Ele não vai faltar nada. E quero que você encontre um lugar melhor para morar com ele. Enquanto você não puder trabalhar, eu cubro todas as despesas.

Renata piscou algumas vezes, tentando segurar as lágrimas. – Não sei como agradecer.

Ajoelhei-me novamente para ficar na altura de Ryan, que olhava para mim com um sorriso sapeca. Abracei-o apertado e beijei seus cabelos.

– Cuida bem da sua mãe, hein? E me espera.

– Papai? – ele perguntou baixinho, hesitante.

– Sim, campeão?

– Você vai me dar um Playstation? – ele perguntou, com a voz carregada de inocência.

Renata levou uma mão à testa, claramente envergonhada. – Ryan!

Eu ri alto, não conseguindo segurar a diversão. – Esse será meu primeiro presente para você, que tal?

Os olhos dele brilharam, e ele soltou um gritinho de comemoração. – Sério? Oba!

Renata balançou a cabeça, mas acabou rindo. – Você não tem jeito, Jacob.

Quando me levantei, ela me olhou por um momento antes de perguntar:

– Posso... posso te dar um abraço?

Fiquei surpreso, mas assenti. – Claro.

Ela se aproximou e me abraçou, apertando-me com gratidão. Eu retribuí o gesto, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a porta do quarto se abriu.

Virei-me e vi Renesmee parada ali. Seus olhos se fixaram em nós, e sua expressão foi impossível de decifrar.

– Ness... – comecei, soltando Renata rapidamente.

Renata afastou-se de mim, parecendo igualmente desconcertada.

Renesmee respirou fundo e entrou no quarto, mas havia algo no jeito como ela olhou para nós que me deixou inquieto.