Jacob


A manhã começou cedo na fazenda, como de costume. O aroma de café fresco vindo da cozinha misturava-se ao ar frio do campo, e os primeiros raios de sol refletiam no orvalho das pastagens. O som dos cavalos relinchando e o murmúrio dos peões já trabalhando me faziam lembrar de como aquele lugar sempre pulsava vida.

Estava organizando o celeiro quando Seth Clearwater apareceu, com seu sorriso animado de garoto curioso, seguido por Sam Uley e Quil Alteara. Sam já era uma figura conhecida e confiável na fazenda, enquanto Quil era o tipo de amigo que sempre sabia como tirar sarro de qualquer situação.

— Olha só quem tá aqui comandando tudo como um chefe — Sam brincou, encostando-se a uma pilha de feno. — Parece que nasceu pra isso, Jake.

— Concordo! — Quil acrescentou, com um sorriso malicioso. — A fazenda ficaria em boas mãos.

Ri enquanto ajustava uma corda.

— Vocês estão de brincadeira. Já sabem que meus planos são outros.

Seth, que estava limpando uma cela, olhou para mim com um brilho curioso nos olhos.

— Faculdade de Direito, né?

— Exatamente — respondi. — Tenho planos maiores, mas isso não significa que eu não ame este lugar.

A conversa foi interrompida pela chegada de um caminhão trazendo os cavalos novos. Uma equipe de peões já estava preparada, mas coube a mim organizar a recepção.

— Certo, pessoal! Vamos descarregar esses cavalos com calma. Quero que os levem para o segundo estábulo. Certifiquem-se de que tenham água e feno suficiente. Quil, me ajuda a conferir os papéis com o motorista.

Enquanto a equipe trabalhava, Quil se aproximou de mim, com aquele sorriso de quem estava prestes a fazer uma pergunta incômoda.

— Ei, Jake, é verdade o que andam dizendo?

— E o que andam dizendo? — perguntei, desconfiado.

— Que você vai casar com uma riquinha da cidade.

Soltei uma risada enquanto assinava os papéis de recebimento dos cavalos.

— Não exagera, Quil. Tô namorando a Renesmee Cullen, mas estamos longe de casar. Somos jovens demais pra isso.

Quil arqueou uma sobrancelha.

— Então não acha uma ideia ruim?

Parei por um momento e sorri.

— Não... na verdade, não é uma ideia ruim.

Seth, que estava perto o suficiente para ouvir, deu uma risadinha nervosa.

— Leah não tá muito feliz com isso, sabia?

Minha expressão ficou séria por um instante, mas disfarcei, voltando ao trabalho.

— Leah pode não gostar, mas isso não muda nada. É com a Nessie que eu quero estar.

A conversa ficou mais leve depois disso, e logo estávamos todos ocupados organizando os cavalos e garantindo que tudo estivesse em ordem. No fundo, porém, as palavras de Seth ecoavam na minha mente. Leah era um assunto complicado, e eu sabia que teria que lidar com isso em algum momento. Mas, por enquanto, meu foco estava no trabalho... e na Nessie.

Depois de organizar os cavalos nas baias, me permiti uma pausa. O ar estava fresco e cheio daquele cheiro característico de terra e feno. Montei um dos novos cavalos, um alazão de temperamento calmo, enquanto Quil e Sam me acompanhavam em seus próprios cavalos. Saímos em um ritmo tranquilo, com os cascos batendo suavemente na trilha de terra que levava ao alto de uma colina com vista para toda a fazenda.

— Vai rolar uma festa em Silver Creek esse final de semana — Quil comentou, mencionando o vilarejo vizinho. — Vai ser daquelas de deixar saudade. Música, dança, e comida boa.

— É mesmo? — perguntei, ajustando o chapéu para bloquear o sol que se punha no horizonte. — A Nessie vai chegar no sábado.

Quil abriu um sorriso travesso.

— Então traz ela pra festa! Garanto que vai ser uma surpresa divertida.

Sam riu ao meu lado, sempre mais contido que Quil, mas com aquele brilho no olhar que mostrava que também gostava da ideia.

— Ela vai gostar. Silver Creek sabe como dar uma boa festa.

Ri junto com eles, imaginando a expressão de Renesmee ao ver a mistura de tradições simples e a animação do povo do vilarejo. Depois de mais alguns minutos de conversa, nos despedimos no cruzamento da trilha.

Enquanto voltava sozinho para a mansão, o sol já estava baixo, tingindo o céu de tons alaranjados e dourados. A paisagem era deslumbrante, e por um momento, me permiti simplesmente admirar a beleza daquele lugar que sempre significou tanto para mim.

Ao entrar em casa, fui recebido por Billy, que estava na sala, mexendo em alguns documentos. Ele ergueu os olhos e abriu um sorriso animado ao me ver.

— Ouvi dizer que você passou o dia todo cuidando da fazenda — ele comentou, largando os papéis. — Isso me deixa muito orgulhoso, filho.

Desci o chapéu e o coloquei sobre a mesa.

— É bom trabalhar com o que a gente gosta, mesmo que não seja meu plano principal.

Billy sorriu com um misto de orgulho e melancolia.

— Sei que seu coração tá na faculdade de Direito, e fico feliz por isso. Vou ter um filho juiz, e ainda por cima um que sabe como cuidar da fazenda quando eu não estiver mais por aqui.

Fiquei surpreso com aquelas palavras. Durante anos, Billy parecia relutante em aceitar que eu tinha outros planos além da fazenda, mas ali estava ele, finalmente reconhecendo minha escolha.

— Pai, eu não vou deixar a fazenda de lado. Sempre vai ser uma parte importante da minha vida.

Ele assentiu, o sorriso permanecendo no rosto.

— E é isso que me deixa tranquilo. Você sabe o que quer, mas também sabe valorizar suas raízes. Isso é tudo que um pai pode pedir.

Aquelas palavras me emocionaram mais do que eu esperava. Me aproximei e o abracei com força, sentindo o peso de sua confiança e orgulho.

— Obrigado, pai.

Ele deu um tapinha nas minhas costas, com aquele jeito típico de Billy Black.

— Só não esquece de preparar o discurso quando for juiz. Vou estar lá na primeira fila, com o peito estufado de tanto orgulho.

Rimos juntos, e naquele momento, senti que qualquer desafio que estivesse por vir seria mais fácil com o apoio do meu pai.

...


O jantar em família estava animado, como sempre. Rachel e Rebecca falavam sem parar sobre os preparativos para a festa de formatura da escola.

— Ouvi dizer que a Renesmee está organizando tudo — Rebecca comentou, com um sorriso curioso.

Rachel concordou. — É, e parece que ela está arrasando. Todo mundo está elogiando as ideias dela.

Minha mãe, Sarah, olhou para mim, o rosto iluminado por um sorriso caloroso.

— Parece que você escolheu bem, Jacob. Essa menina é especial.

Senti meu rosto esquentar enquanto tentava esconder o sorriso, mas antes que eu pudesse responder, Rachel perguntou:

— Ela vem para a fazenda esse final de semana, né?

— Vem sim — respondi, com um sorriso mais evidente agora.

As duas soltaram exclamações animadas, trocando olhares cúmplices.

— Isso vai ser divertido! — Rebecca disse, já começando a planejar.

Aproveitei a deixa. — Inclusive, vai ter uma festa em Silver Creek, no vilarejo vizinho. Pensei em levá-la.

— Ótima ideia! — Rachel concordou. — Ela vai adorar.

Enquanto todos pareciam animados com o plano, percebi que Leah estava em silêncio, mexendo distraidamente na comida. Sua expressão não era de quem estava apreciando a conversa.

— Leah, está tudo bem? — meu pai perguntou tentando incluí-la.

Ela ergueu os olhos, mas não conseguiu esconder o desconforto.

— Não estou me sentindo muito bem. Acho que vou para o meu quarto.

Antes que alguém pudesse insistir para que ficasse, ela levantou-se e saiu da mesa. Suspirei, mas sabia que Leah precisava de espaço.

Logo em seguida, senti o celular vibrar no bolso. Quando vi o nome "Nessie" na tela, um sorriso involuntário surgiu no meu rosto.

— Acho que é ela — comentei, levantando da mesa enquanto atendia.

— Oi, Nessie!

Mas do outro lado, a voz não era a de Renesmee.

— Jacob, é a Bella.

O tom sério e urgente na voz dela me deixou tenso imediatamente.

— Bella? O que aconteceu? Onde está Renesmee?

— Estamos no hospital da família. Eu explico melhor a você pessoalmente, mas minha filha precisa de você.

Meu coração disparou. Levantei tão rápido que quase derrubei a cadeira.

— Estou indo agora mesmo! — avisei a Bella antes de desligar.

Enquanto pegava as chaves do carro, minha mãe veio em minha direção, o rosto cheio de preocupação.

— Jacob, espera. Vou com você.

— Mãe, não precisa. Eu vou dar conta.

— Não discuta comigo, Jacob. Renesmee é importante para você, e se ela está no hospital, eu quero estar lá para ajudar no que for preciso.

Antes que eu pudesse responder, Rebecca e Rachel se aproximaram rapidamente.

— Também vamos! — Rachel disse. — Nessie é praticamente da família, e queremos estar lá para ela.

— É, Jake. Não adianta insistir, você sabe que não vai conseguir nos impedir — completou Rebecca.

Olhei para elas, suspirando. A última coisa que eu queria era arrastar todo mundo para essa situação, mas o olhar determinado das três mulheres era inconfundível.

— Tudo bem. Vamos logo, então.

Em minutos, estávamos todos no carro, a tensão no ar aumentando à medida que eu acelerava em direção ao hospital. Enquanto dirigia, minha mente não parava de pensar no que poderia ter acontecido com Renesmee. Seja lá o que fosse, eu precisava estar ao lado dela.

Sem perder mais um segundo, saí em direção ao hospital, com meu coração pesado de preocupação e a cabeça cheia de pensamentos sobre o que poderia ter acontecido com ela.