Apenas mas uma de amor
19 Jacob- Hospital
Assim que cheguei à recepção do hospital em Seattle, meu olhar foi direto para Edward Cullen. Ele estava de pé, conversando com dois policiais, sua expressão séria e controlada como sempre. A presença da polícia imediatamente me deixou desconfortável.
— senhor Cullen! — chamei, caminhando rapidamente até ele com minha mãe e minhas irmãs logo atrás. — O que aconteceu? Onde está a Nessie?
Ele se virou para mim, seus olhos refletindo uma preocupação que ele tentava mascarar. Antes de responder, ele cumprimentou Sarah, Rachel e Rebecca com um breve aceno.
— Senhora Black, é um prazer conhecê-la. Jacob, suas irmãs — ele disse educadamente, mas seu tom carregava tensão.
— Edward, por favor. O que está acontecendo? — insisti, meu peito apertando de ansiedade. — Por que tem policiais aqui?
Ele hesitou por um momento antes de finalmente falar:
— Renesmee foi atacada por um aluno na escola.
As palavras me atingiram como um soco. Levei as mãos à nuca, tentando processar o que ele acabara de dizer.
— O quê? — minha voz saiu num sussurro incrédulo antes de aumentar. — Quem fez isso?
Minha mãe colocou uma mão em meu braço, tentando me acalmar. — Jake, respire. Vamos entender o que aconteceu.
Edward suspirou, seus punhos cerrados ao lado do corpo.
— Tom Evans. Ele fugiu depois do ataque. A polícia está procurando por ele, mas até agora não o encontraram.
Senti uma onda de raiva fervendo dentro de mim. Meu corpo inteiro parecia estar prestes a explodir, aquele desgraçado do Tom havia passado de todos os limites.
— Eu vou encontrá-lo. Ele vai pagar pelo que fez.
Edward balançou a cabeça, sua voz firme mas carregada de emoção.
— Eu também quero justiça, Jacob. Mas agora, Renesmee precisa de você.
Essas palavras me atingiram de forma diferente, trazendo-me de volta à realidade. Ele estava certo. Nessie precisava de mim agora, mais do que nunca.
— Onde ela está? — perguntei, minha voz falhando um pouco.
— No quarto com Bella. Vou avisar que você chegou.
Eu assenti, tentando controlar a tempestade dentro de mim enquanto ele se afastava. Minha mãe me encarou com um olhar firme, mas cheio de compaixão.
— Jake, estamos aqui com você. Renesmee vai ficar bem.
Eu apenas balancei a cabeça, incapaz de responder. Tudo o que importava agora era vê-la.
O caminho pelos corredores do hospital parecia interminável. O som de meus passos era abafado pelo zumbido dos meus pensamentos. Raiva, preocupação, medo – tudo se misturava num turbilhão dentro de mim. Cada porta que passava parecia ser um obstáculo entre mim e Nessie.
“Como isso aconteceu?” “Por que ninguém fez nada?” Eu apertava os punhos, sentindo o sangue ferver em minhas veias. Tom. O nome dele ecoava na minha mente, inflamando a raiva que eu lutava para conter.
Cheguei à enfermaria e vi Bella parada à porta, o rosto dela pálido e cansado. Assim que me viu, ela abriu a porta parcialmente e deu um passo à frente, me barrando.
— Jacob — ela começou, sua voz baixa, quase um sussurro. — Nessie está em choque. Ela ainda não disse uma palavra desde que chegou aqui.
— Como ela está? — perguntei, minha garganta apertada.
Bella suspirou, os olhos dela se enchendo de lágrimas.
— Fisicamente, ela está bem. Apenas algumas marcas no braço. Mas emocionalmente… — Ela hesitou, passando a mão pelo rosto. — Acho que você pode ajudá-la a sair disso.
Assenti, sem conseguir encontrar palavras. Minha mente já estava dentro daquele quarto com ela.
Bella segurou meu braço por um instante, me olhando nos olhos. — Seja gentil, Jake. Ela precisa de você mais do que nunca agora.
Respirei fundo, passando pela porta. Assim que entrei, meu coração se apertou. Nessie estava encolhida sobre a maca, os joelhos puxados contra o peito, abraçando-os com força. Seu corpo parecia tão pequeno, tão frágil.
— Nessie… — chamei, a voz tremendo.
Ela não se moveu. Seus cabelos ruivos caíam sobre o rosto, escondendo sua expressão, mas eu podia ver a tensão em seus ombros. Dei um passo à frente, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair.
— Ruivinha, estou aqui — murmurei, a voz embargada. — Sou eu, Jake.
Por um momento, pensei que ela não me responderia. Então, lentamente, ela ergueu a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos, inchados, cheios de medo. Assim que nossos olhares se encontraram, ela se jogou em meus braços, o soluço dela ecoando na sala.
Eu a segurei com força, como se pudesse protegê-la de todo o mal do mundo.
— Tudo vai ficar bem — sussurrei contra seus cabelos, beijando-os suavemente. — Estou aqui agora, ruivinha. Eu prometo, nunca mais vou deixar ninguém te machucar.
Ela se apertou ainda mais contra mim, tremendo enquanto chorava. E naquele momento, todo o resto desapareceu. Só havia ela nos meus braços e a promessa que eu faria tudo para cumprir.
Segurei Nessie com todo o cuidado do mundo, sentindo seu corpo tremer nos meus braços. Cada soluço dela parecia uma facada em meu peito. Quando ela começou a se acalmar, afrouxei o abraço apenas o suficiente para olhar para o rosto dela.
— Ele… ele chegou do nada, Jake — sua voz quebrou, e ela apertou os olhos, as lágrimas voltando a cair. — Ele me atacou… e tentou… — Ela engoliu em seco, mas não conseguiu terminar a frase, escondendo o rosto no meu peito enquanto começava a chorar novamente.
Meu coração parecia ter parado. Uma mistura de raiva e desespero tomou conta de mim, mas fiz o possível para manter a calma por ela. Beijei sua testa, deixando meus lábios permanecerem ali por alguns segundos enquanto respirava fundo.
— Ei, olha pra mim — pedi, segurando delicadamente o rosto dela com as mãos. Seus olhos se abriram, brilhando com lágrimas. — Escuta bem o que vou dizer, Nessie. Nunca mais… nem o Tom, nem ninguém dessa escola ou de qualquer lugar vai te machucar de novo. Eu prometo.
Ela balançou a cabeça em concordância, mordendo o lábio, enquanto mais lágrimas desciam pelo rosto dela. Então, sem dizer mais nada, ela se jogou em meus braços novamente, abraçando-me com força. Fechou os olhos, como se minha presença fosse o único alívio que ela tinha naquele momento.
Enquanto eu a segurava, olhei para a porta. Bella e Edward estavam parados ali, observando em silêncio. Ambos pareciam aliviados ao nos verem juntos, e, pela primeira vez, notei a expressão de gratidão nos rostos deles.
Edward passou um braço ao redor de Bella, e ela descansou a cabeça no ombro dele, parecendo finalmente respirar com mais tranquilidade. Eu sabia que eles estavam confiando em mim para cuidar de Nessie agora, e eu não iria falhar.
Voltei minha atenção para a ruivinha em meus braços. Tudo o que importava era ela. Ela estava segura. E eu faria de tudo para mantê-la assim.
...
Depois de ajudar Nessie a subir para o quarto e certificar-me de que ela estava confortável, sentei-me ao lado da cama, observando-a ajeitar os travesseiros. Apesar do cansaço visível em seu rosto, ela parecia um pouco mais tranquila.
— Você está bem? — perguntei suavemente, tocando sua mão.
Ela olhou para mim, seus olhos ainda brilhando com resquícios de lágrimas.
— Sim, melhor… mas não quero ficar sozinha, Jake. — Sua voz era quase um sussurro, cheia de vulnerabilidade. — Você pode ficar?
Sorri, apertando sua mão com firmeza.
— Claro que sim, ruivinha. Não vou a lugar nenhum.
Nessie deu um pequeno sorriso enquanto eu me levantava e me ajeitava na cama, recostando-me na cabeceira. Estendi a mão para ela.
— Vem cá.
Ela hesitou por um momento, mas logo se aproximou, deitando-se contra o meu peito. Passei um braço ao redor dela, puxando-a para perto.
— Você pode dormir tranquila agora — murmurei, minha voz baixa e reconfortante. — O super Jake está aqui para te proteger.
Ela riu baixinho, um som suave que iluminou meu coração.
— Super Jake? — ela perguntou, levantando a cabeça para me olhar, um brilho de diversão nos olhos.
— Isso mesmo — respondi, piscando para ela. — Super Jake, o herói especializado em proteger ruivinhas lindas.
Ela riu de novo, e eu não consegui evitar o sorriso que se espalhou pelo meu rosto. Vê-la sorrir, mesmo que por um momento, era a maior vitória daquele dia.
Enquanto ela se aninhava novamente contra mim, lembrei-me de uma canção que minha mãe costumava cantar para mim quando eu era criança, especialmente nas noites em que eu tinha medo ou pesadelos. Comecei a cantarolar baixinho, o som reverberando pelo quarto.
Nessie levantou a cabeça levemente, curiosa.
— O que é isso?
— Uma canção em quileute — expliquei, acariciando suavemente seu cabelo. — Minha mãe cantava para mim quando eu precisava me sentir seguro.
Ela fechou os olhos, suspirando suavemente.
— Gosto disso… é reconfortante.
Continuei cantarolando até sentir sua respiração ficar mais lenta e uniforme. Meu peito se encheu de alívio e ternura enquanto a observava adormecer nos meus braços.
— Eu prometi, ruivinha — murmurei baixinho. — E vou cumprir. Nunca mais ninguém vai te machucar.
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