Paulina

Ainda não acreditava que havia feito carícias tão ousadas, jamais me imaginei fazendo algo do tipo, mas com Carlos Daniel eu queria tudo.
Ainda estavamos deitados naquele tapete, nos recuperando após fazer amor mais uma vez, eu não conseguia tirar o sorriso de meus lábios enquanto Carlos Daniel deslizava as mãos por minhas costas, estava deitada em seu peito ouvindo seu coração bater rápido, não havia nada melhor no mundo que estar em seus braços.
Acabamos dormindo ali, acordei algum tempo depois sentindo o frio tocar minha pele, ainda continuava deitada sobre Carlos Daniel, não havia mais fogo na lareira e estávamos nús, com calma me inclinei e observei Carlos Daniel, tão lindo, tão sereno... naquele momento entendi o porquê dele sempre ficar me olhando dormir, eu poderia passar horas ali, apenas o admirando, gravando cada detalhe de seu rosto, de seu corpo.
Com muito cuidado tirei suas mãos de minha cintura e me levantei, antes beijei levemente seus lábios, ele sorriu mas não acordou, peguei o cobertor e o cobri, e fui até quarto vestir uma roupa mais quente, iria preparar nosso almoço.
Carlos Daniel ainda dormia na mesma posição quando passei pela sala, sorri apaixonada, parecia um menino ali, tão lindo o meu marido.
Tentei fazer o mínimo de barulho na cozinha para não acorda-lo, abri o armário e me surpreendi com a quantidade de mantimentos que havia ali, Carlos Daniel me disse que tinha pedido para abastecerem tudo, mas havia tanta coisa ali que poderíamos ficar por semanas naquele chalé sem nos preocupar.
— Pensou em tudo meu amor... — disse baixinho.
Me lembrei de quando minha mãe fazia um guisado e o arroz a la Paulina como ela dizia, com tomates, ervilhas, cenouras, temperos, sorri me lembrando daqueles momentos com minha mãe e peguei os ingredientes para começar fazer aquele prato que não comia a muito tempo.
Comecei pelo guisado, e só depois que estava cozinhando em fogo brando comecei a preparar o arroz, o cheiro estava maravilhoso, e eu estava com muita fome. Comecei picando as cenouras enquanto comia um e outro pedaço, estava tão concentrada ali que nem percebi Carlos Daniel se aproximar, me assustei quando ele me abraçou por trás.
— Desculpa meu amor, — ele sussurrou em meu ouvido e beijou meu pescoço me deixando arrepiada — não queria te assustar.
— Tudo bem minha vida. — disse sorrindo e me virei para olha-lo, ele estava nú e não se importava nem um pouco com isso, bem, e nem eu.
— E esse cheiro maravilhoso? — perguntou interessado destampando a panela e experimentando o ensopado.
— Bom, — sorri — eu acordei com muita fome, e como você estava dormindo, resolvi preparar nosso almoço.
— Poderia ter me acordado, — ele me olhou com ternura e logo depois um pouco desconfiado — eu não sabia que cozinhava.
— É claro que cozinho, — falei voltando a picar os legumes — mamãe cozinhava divinamente, não tínhamos tantos ingredientes assim, mas ela fazia milagres com o pouco que conseguíamos.
— O cheiro está maravilhoso Lina, — ele disse voltando a me abraçar — e também estou morrendo de fome.
— Bom, ainda vai demorar um pouquinho, — disse e o olhei — e você senhor Bracho, é melhor ir vestir uma roupa, está tirando minha concentração assim.
— Ah é!? — perguntou com o olhar cheio de malícia — Quem tirou minha concentração mais cedo foi você senhora Bracho.
— Carlos Daniel, — sorri sentindo meu rosto quente — você nunca perde a oportunidade não é?
— Ainda bem que você sabe disso meu amor, — ele beijou meus lábios sorrindo — eu já volto pra te ajudar.
Ele não demorou muito e voltou vestindo uma camiseta branca e uma calça preta, estava muito lindo, e fiquei o admirando alguns segundos antes de voltar ao que fazia.
— E o que vamos comer? — perguntou.
— Mamãe chamava de arroz a la Paulina, — sorri — e estou fazendo um guisado, e é apenas isso no menu.
— Está perfeito, — ele sorriu e começou a me ajudar picando alguns legumes — e porque a lá Paulina?
— Eu não sei, ela simplesmente falava assim quando fazia, acho que ela só queria me fazer sentir especial.
— Eu imagino que sente muita falta dela. — ele disse enquanto picava alguns temperos.
— Sinto muita Carlos Daniel. — o olhei profundamente.
— Passou por tanta coisa meu amor, — ele parou o que fazia e acariciou meu rosto — mas agora você tem a mim, as crianças, a vovó... Nunca mais estará sozinha minha vida.
— Eu sei Carlos Daniel... — disse sentindo um nó em minha garganta ao me lembrar de como minha vida desabou quando perdi minha mãe e logo depois a usurpação, Carlinhos doente, as desconfianças, a prisão, a morte de Paola... Naquele momento parecia que tudo aquilo havia acontecido a tanto tempo, mas tudo era muito recente ainda, iria fazer apenas dois anos que mamãe partiu.
— Paulina, — Carlos Daniel deu um beijo em minha testa com total carinho e proteção e delicadamente ergueu meu rosto para olha-lo — te amo.
— Também te amo. — disse e beijei seus lábios.
Ele sorriu e voltou a picar os ingredientes, conferi o ensopado e comecei a preparar o arroz.
Conversamos e rimos muito enquanto preparavamos o almoço, Carlos Daniel tinha um ótimo senso de humor, e eu estava me apaixonando ainda mais pelo homem com quem me casei.
Colocamos a mesa e Carlos Daniel escolheu um vinho para acompanhar, comemos tudo, estávamos realmente com muita fome, e depois de tirarmos a mesa e lavarmos tudo nos sentamos abraçados no sofá nos cobrindo com um cobertor, Carlos Daniel nos serviu de mais vinho.
— Sabe amor, — ele me olhou e bebeu um gole do vinho — acho que não quero ir embora daqui nunca mais.
Sorri e me aconcheguei em seu peito.
— Também não quero.
— Podemos fazer isso as vezes não e? — ele me abraçou — Tirar um fim de semana apenas pra nós dois, nos desligar do mundo, sermos só eu e você.
— Eu vou adorar. — disse bebendo o vinho imaginando como seria bom tudo aquilo.
— Eu te amo.
— Também te amo.
Ficamos ali, abraçados aproveitando do vinho e da companhia um do outro, eu não estava acostumada a beber então estava indo com calma.
— Amor, você viveu a vida a toda em Cancún, na praia? — Carlos Daniel perguntou depois de um tempo.
— Que eu me lembre sim, — disse com um sorriso ao me recordar de como adorava ficar sentada na frente do mar sentindo o vento salgado em meu rosto, as ondas em meus pés, a areia quentinha — nos mudamos pra Cancún quando eu era bem pequena, e com a ajuda de amigos, fizemos nossa casa na vila dos pescadores na beira do mar. Apesar de tudo, sinto saudades de lá.
— Eu imagino meu amor. Podemos ir lá qualquer dia, o que acha?
— Sério Carlos Daniel? — perguntei sentindo um misto de alegria e ansiedade, não sei como reagiria ao voltar ao lugar onde cresci e onde perdi minha mãe.
— Claro, — ele acariciou meu braço — quero conhecer o lugar onde cresceu.
— Obrigada Carlos Daniel. — disse beijando seu peito, ele sorriu. — E você? Sempre morou na capital?
— Sim, — ele começou a dizer e me afastei para olha-lo enquanto bebia mais vinho, ele me encarou — morávamos em outra casa, bem menor que a mansão, mas depois que o meu avô morreu meus pais decidiram morar com a vovó Piedade. Meu pai assumiu a fábrica e logo Rodrigo começou a ir para ajudá-lo. Alguns anos depois meus pais morreram... Rodrigo não quis morar com a gente quando se casou, ele queria ter o lugar dele. E eu não poderia deixar a vovó sozinha quando me casei com Elizabeth...
— Passou por muitas coisas também Carlos Daniel. — disse acaricando seu rosto.
— Sim, — ele me olhou e sorriu — mas agora tenho você, e você tem a mim.
— Eu te amo meu amor. — disse me inclinando para beija-lo.
— Também amo você Paulina. — ele disse aprofundando o beijo.
Ficamos ali abraçados, trocando carícias e aproveitando do vinho, e aquele clima frio estava maravilhoso.
— Amor, — disse acariciando seu peito — sabe o que me deu vontade de fazer?
— Hmmmm... — ele gemeu e me olhou com um sorriso cafajeste que me fez corar — o que Paulina? Será que é o que estou pensando?
— Dançar... — sorri alto me afastando de seu corpo.
— Meu amor... — ele me olhou surpreso e sorriu — quer dançar agora?
— Siiimmmm... — disse estendendo a palavra enquanto ria, estava me sentindo tão leve e feliz.
— Acho que alguém bebeu demais... — ele sorriu alto tirando a taça de vinho de minhas mãos.
— Eu estou bem... — sorri e me levantei, e vi que não foi uma boa idéia quando fiquei tonta e caí em cima dele.
— Paulina, — ele disse divertido enquanto me segurava — não é acostumada a beber, acho melhor você deitar um pouco.
— Ah não Carlos Danieeel... — disse me levantando devagar e sorri quando fiquei de pé — Eu quero dançar meu amor, e não estou bêbada.
— Claro que não está meu amor, só está mais alegre e solta. — ele sorriu se levantando e me segurou pela cintura — Então minha linda e adorada esposa quer dançar?
— Uhum... — disse concordando com a cabeça.
— Então vamos dançar! — ele me beijou e foi até o aparelho de som que havia na estante ao lado da tv, abriu uma gaveta e tirou alguns cd's, então escolheu um, selecionou uma música e veio até mim e me estendeu a mão — senhora Bracho, me concede essa dança?
— Será um prazer senhor Bracho. — sorri segurando sua mão, ele nos guiou até o meio da sala bem no momento em que a música começou.
Sua mão desceu até minha cintura e ele me puxou para seu corpo, envolvi as minhas em seu pescoço e deitei minha cabeça em seu ombro.
— Te amo. — sussurrou em meu ouvido.
— Também te amo. — sorri me aninhando em seu corpo enquanto éramos embalados pela melodia romântica e suave.