— Paulina! — Vovó Piedade disse alegre ao telefone — Estava agora mesmo pensando em vocês, como estão minha filha?

— Vovó, — respondi sorrindo — estamos muito bem, felizes, e aqui é tão lindo.

— Eu imagino, — seu riso era de pura felicidade — e espero que estejam aproveitando ao máximo sua lua de mel.

— Estamos sim vovó. — disse sorrindo para Carlos Daniel, ele se sentou ao meu lado e ficou me observando — E as crianças?

— Estão ótimas minha filha, acabaram de sair para a escola.

— Mais tarde eu ligo pra falar com elas, já estou morrendo de saudades.

— E nós também estamos minha filha. Imagina, agora que sabemos que nunca mais vai embora... Estamos ansiosos para que esteja aqui e assuma seu papel.

— Aí vovó Piedade, — suspirei — as vezes parece ser um sonho tudo isso.

— Mas não é minha filha, você agora é esposa do meu neto, o que a torna minha nora-neta, e você sabe que te tenho como uma filha.

— Vovó! — disse emocionada, aquela senhora que desde o começo se tornou tão especial pra mim e que sempre esteve ao meu lado — Muito obrigada por tudo.

— Ah minha filha, eu agradeço a Deus todos os dias por você ter ouvido meu neto, ele não conseguiria ser feliz sem você.

— E eu também não vovó, — disse segurando a mão de Carlos Daniel e o olhando nos olhos — o amo mais que tudo.

— Eu sei Paulina, e Carlos Daniel te ama muito também, vocês dois são cabeças dura, mas no final o amor falou mais alto.

— Por pouco teria sido diferente. — disse me lembrando que estivesse a um passo de me casar com o doutor Edmundo Serrano, seria um erro enorme.

— Mas não foi, — ela sorriu — e agora vocês dois estão juntos.

— Sim vovó, e estamos muito felizes. Vovó, vou me despedir, o Carlos Daniel quer falar com a senhora, — disse quando ele fez um sinal pra mim — mais tarde eu ligo pra falar com as crianças, um beijo vovó Piedade.

— Outro pra você minha filha, estamos todos muito contentes aqui, e não se preocupem, as crianças estão bem e a fábrica está em boas mãos.

— Eu sei vovó, vou passar para o Carlos Daniel.

Carlos Daniel me beijou antes de pegar o telefone.

— Vovó, — ele disse alegre — como a senhora está?... Sim vovó... Também estamos... Eu vou fazer ela feliz vovó... — ele sorriu pra mim — Agora vamos dar um passeio pelo parque, está um pouco frio aqui mas o dia está lindo lá fora... Claro vovó, mais tarde ligamos, um beijo vovó Piedade.

— Vovó Piedade está feliz como nunca, — Carlos Daniel disse desligando o telefone e pegando minha mão — não vê a hora de voltarmos.

— Eu também confesso que estou ansiosa meu amor. — disse me aproximando dele.

— Mas antes, vamos aproveitar esse lugar aqui, — ele envolveu as mãos em minha cintura — aproveitar que somos só nós dois, por que depois que voltarmos vou ter que te dividir com as crianças, a vovó, a fábrica...

— Seu bobo... — disse entrelaçando minhas mãos em sua nuca e o beijando — teremos nosso tempo a sós, em nosso quarto.

— Sim meu amor, — ele sorriu — a noite será apenas nossa.

— Bom, agora vamos fazer o passeio? — perguntei sorrindo — Estou louca pra ver tudo lá fora Carlos Daniel.

— Vamos meu amor, — ele me beijou — te amo.

— Eu também te amo muito.

Vestimos um casaco, Carlos Daniel pegou uma mochila onde havia colocado café, alguns pães, frutas e um cobertor, e saímos pelo parque, a visão era de tirar o fôlego, as paisagens verdes, as montanhas com os picos cobertos de neve, os lagos ao longe refletindo o céu tão azul.

Andamos por uma trilha onde conseguimos observar alguns animais selvagens, e por longo de todo caminho tinha uma paisagem diferente, as cadeiras vermelhas espalhadas pelo parque davam um ar especial ao lugar, andamos por algum tempo, encontramos algumas pessoas pelo caminho, alguns casais, crianças, era um lugar mágico.

Perdi o fôlego quando subimos até uma colina e vi a imensa cachoeira há alguns metros a nossa frente, a queda dágua ainda estava fraca devido ao congelamento das águas no inverno, mas era deslumbrante a beleza daquele lugar, um par de cadeiras vermelhas estavam bem a frente dela, onde podíamos observar todo o seu esplendor enquanto relaxavámos. Poucas pessoas estavam ali.

— Que lugar lindo Carlos Daniel! — disse observando a paisagem, a montanha rochosa a nossa frente, a queda dágua que formava um véu e se juntava ao rio que formava o lago mais abaixo.

O céu estava tão azul que parecia uma pintura, as folhagens das árvores com a mistura de verde, amarelo, laranja e vermelho marcando o estação de Outono. O vento frio pinicava meu rosto, mas era uma sensação boa.

— Realmente é de tirar o fôlego, — ele disse em um suspiro — se soubesse desenhar, queria retratar esse lugar. Mas como não sei, — ele disse e abriu a mochila retirando a máquina fotográfica — vamos tirar uma foto? Ainda não temos nenhuma da nossa lua de mel.

— Nossa é verdade. — sorri.

Carlos Daniel pediu a um casal de idosos para tirar uma foto nossa tendo como fundo a cachoeira. Ainda ficava impressionada com o inglês fluente de Carlos Daniel.

— Olha meu bem, como são lindos! — a simpática senhora disse enquanto o marido tirava a foto.

— São encantadores Mercedes, — o senhor sorriu — aposto que são recém casados, da pra ver o brilho nos olhos deles.

— Vocês são mexicanos!? — perguntei surpresa, o sotaque dos dois não deixava dúvidas.

— Oh! — a senhora sorriu — Somos sim, não acredito que encontramos alguém de nosso país, quase nunca temos essa sorte... — ela entregou a máquina a Carlos Daniel e nos cumprimentou — Meu nome é Mercedes, e esse é meu marido Gonçalo.

— Muito prazer, — Carlos Daniel e eu os cumprimentamos — sou Carlos Daniel e essa é minha esposa Paulina.

— São um casal tão lindo, — a senhora Mercedes disse com um sorriso simpático — e da pra ver pelo olhar dos dois o quanto são apaixonados.

— São recém casados não é mesmo? — senhor Gonçalo perguntou sorrindo.

— Sim senhor Gonçalo, — respondi com um sorriso e olhei para Carlos Daniel — nos casamos a poucos dias.

— Eu sabia, — ele deu um soco no ar — conheço bem esse brilho no olhar.

— Meu marido fotografou muitos casamentos por muitos anos, — a senhora começou a dizer — e hoje reconhece jovens casais de longe.

— Bom sendo assim, não tenho dúvidas que nossa fotografia ficou perfeita. — Carlos Daniel brincou balançando a máquina fotográfica.

— Não tem como não ficar, — senhor Gonçalo sorriu — se me permite dizer, sua esposa é linda, de uma beleza impressionante senhor Carlos Daniel, a senhora é modelo?

— Ah não, — disse um pouco envergonhada — imagina senhor Gonçalo.

— São um casal muito bonito mesmo! — a senhora disse abraçando o marido que a abraçou de volta — Eu e meu velho estamos comemorando 50 anos de casados.

— Nossa, meu parabéns!

— Obrigada Paulina, eu fico muito feliz quando encontro um casal como vocês, e desejo aos dois muita felicidade, e acima de tudo respeito e companheirismo.

— É verdade, — Gonçalo completou — sem isso nenhum relacionamento dura, por mais amor que tenha.

— Obrigado pelo conselho, — Carlos Daniel respondeu e me abraçou — o que mais desejo é envelhecer ao lado de Paulina.

— Ah vocês vão, — a senhora disse sorrindo — agora nós vamos continuar nosso passeio e deixar vocês em paz.

— Imagina senhora, — disse lhe dando um sorriso — foi um prazer conhecer vocês, e mais uma vez meus parabéns pelo aniversário de vocês.

Nos despedimos deles e voltamos a sentar no banco vermelho, Carlos Daniel segurou minha mão.

— Imagina Paulina, quando estivermos comemorando nosso aniversário de 50 anos?

— Nossa, — sorri imaginando nós dois velhinhos — é tudo que mais quero.

— Eu também meu amor, — ele me olhou — quero envelhecer ao seu lado. Uma vez você me disse que toda uma vida seria pouco para me amar, — ele disse e meu coração acelerou, quando disse aquilo ainda era uma usurpadora e não tinha certeza de nada do meu futuro — e agora, eu tenho certeza que nem se vivesse mil vidas seria o suficiente para te amar.

— Carlos Daniel.! — disse com os olhos marejados.

— Meu amor, você mudou a minha vida... Mudou minha casa, me fez enxergar o mundo de outra maneira. Eu te amo tanto Paulina, tanto que chega a doer.

Ele selou aquele momento com um beijo cheio de amor e cumplicidade, jamais imaginei que seria tão feliz, e pensar que tínhamos tanto para viver.

Ficamos ali por algum tempo, apenas admirando aquela paisagem e sentindo o quanto Deus é grandioso.

Carlos Daniel forrou o chão com o cobertor e nos sentamos sobre ele, bebemos o café quente e comemos um pedaço do pão, depois voltamos o caminho das trilhas e passamos no chalé apenas para trocar de roupa e pegarmos o carro.

Carlos Daniel dirigiu até uma pequena cidade, havia várias lojas com opções para turistas que buscavam levar um pouquinho daquele lugar para casa.

Paramos no estacionamento de um restaurante que estava bem movimentado, a grande maioria de turistas como nós.

Almoçamos e depois andamos pela cidadezinha, aproveitei e comprei alguns presentes.

Quando começou a entardecer voltamos para o chalé, o frio do anoitecer era mais intenso e depois de andar pela cidade tudo o que queríamos um banho quente e relaxante.