Chegamos ao aeroporto com algum tempo sobrando, e depois de despachar as malas fomos até a sala de espera, meu corpo começava a cobrar por descanso.
— Está cansada meu amor? — Carlos Daniel perguntou assim que recostei minha cabeça em seu ombro.
— Um pouco, — disse com um bocejo — ontem o dia foi muito agitado.
— E nossa noite foi muito mais. — ele disse me fazendo sorrir e me abraçou — Logo vamos embarcar e poderá descansar no avião.
— Ainda não acredito que vamos para o Canadá. — sorri fechando meus olhos, eu que nunca havia saído do México, a não ser quando fui até Houston para substituir Paola, mas sequer saí do aeroporto.
— Você vai adorar meu amor, — Carlos Daniel beijou minha cabeça — teremos dias maravilhosos lá.
Sorri e entrelacei minha mão na sua, a aliança em meu dedo parecia reluzir, Carlos Daniel levou minha mão até seus lábios e a beijou.
Ficamos alguns minutos ali, e eu quase adormeci em seu peito.
Não demorou muito e fomos para sala de embarque, e logo depois já estávamos em nossos lugares no avião.
— Eu nunca viajei assim. — sorri empolgada — Na verdade nunca viajei pra lugar nenhum.
— Vamos ter muito momentos assim, teremos que viajar com as crianças, — ele me olhou feliz — elas vão nos cobrar.
— Vão sim, — disse sorrindo — Carlinhos ainda não esqueceu o cavalo, e Lizette disse que se o Carlinhos ganhar um, vai querer também.
— Há algum tempo atrás não concordaria em deixar o Carlinhos montar depois de tudo o que aconteceu, — ele disse e me olhou profundamente — mas hoje ele é outra criança, não é mais aquele menino problemático.
— Não sabe como agradeço a Deus por isso Carlos Daniel, — disse com um suspiro — Carlinhos é um menino muito inteligente, ele só precisava de limites.
— Ele precisava de uma mãe, e você foi a mãe que ele nunca teve. — suas palavras tocaram meu coração — Se não fosse você, não sei o que seria de mim e minha família.
— Bom, não vamos pensar nisso, vamos pensar apenas no agora e em tudo que faremos juntos. — disse tentando afastar lembranças dolorosas de meus pensamentos, minha entrada na casa Bracho não foi fácil, e passamos por muitas coisas para podermos estar ali, juntos.
— Claro meu amor, — ele me beijou com ternura — não vejo a hora de chegarmos em Alberta.
— Eu também estou ansiosa.
— Eu fui uma vez com meus pais e Rodrigo, a paisagem é de tirar o fôlego.
— Aposto que sim, — sorri e o olhei — você não me deixou ver nada, só me disse que iríamos para o Canadá.
— Não quero estragar a surpresa.
— Você sempre me faz surpresas.
— Só quero cuidar da minha esposa adorada. — ele me beijou outra vez.
— Eu te amo. — disse acariciando seu rosto.
— Amor meu.!
Em pouco tempo já estávamos no ar, me recostei em Carlos Daniel e adormeci sem nem perceber, acordei com ele me chamando com carinho.
— Meu amor, — ele me chamava baixinho acariciando meu rosto — acorde, já vamos aterrizar.
— Mas já!? — perguntei abrindo os olhos sonolenta olhando pela janela, estava escuro la fora, era Outono no Canadá.
— Sim, — ele sorriu tocando a ponta de meu nariz — você dormiu a viagem toda.
— Nossa, — sorri esfregando os olhos — e você?
— Dormi um pouco também. — ele me olhou ternamente — Mas preferi ficar te admirando.
Levei minha mão até sua nuca e o puxei para um beijo cheio de amor.

Aterrissamos em Calgary, e a beleza da cidade me deixou encantada com seus arranhas céus imensos. Carlos Daniel alugou um carro e com um mapa em mãos partimos rumo ao nosso refúgio pelas próximas semanas, e logo a paisagem começou a me tirar o fôlego.
Embora estivesse de noite não dava para não notar as belezas naturais daquele lugar, no horizonte as formas das montanhas que se erguem por todos os lados deixavam a paisagem parecendo uma pintura, pequenos lagos e rios apareciam pelo caminho e até mesmo passarelas que permitem o cruzamento de animais de um lado para o outro da rodovia, não saberia descrever tudo o que via.
A viagem durou pouco mais de duas horas, e então entramos no parque natural, paramos no estacionamento em frente ao um grande restaurante, sua estrutura era toda em madeira e as grandes janelas de vidro davam a visão para a paisagem lá fora, ao longe se via lagos enormes cercados pelas montanhas.
— É lindo Carlos Daniel! — disse sem fôlego assim que descemos do carro, vestimos um casaco mais quente, o frio fez meu corpo arrepiar.
— É sim meu amor. — ele veio até mim me abraçando e seguimos para dentro do restaurante.
O clima quente e aconchegante nos envolveu, nao havia muitas pessoas ali, e seguimos até uma mesa afastada e com a visão daquela paisagem deslumbrante a nossa frente.
Logo o garçom veio nos atender, Carlos Daniel falou um inglês fluente com ele, ambos me olharam e sorriram e imaginei que Carlos Daniel lhe disse que estávamos em lua de mel.
O rapaz sorriu e se afastou.
— Fiz nosso pedido, — ele disse segurando minha mão — espero que não se importe.
— Claro que não. — sorri — Estou com tanta fome.
— Eu também. — seu riso saiu descontraído.
— Eu estou encantada com tudo isso aqui, — disse observando o restaurante, era rústico, com paredes de pedra e mesas de madeira polida — parece um sonho.
— Vai ficar ainda mais encantada quando ver onde vamos ficar. — ele sorriu misterioso.
— Aposto que sim. — disse e senti um frio na barriga, as próximas semanas seria apenas eu e ele, naquele lugar lindo e espetacular.
Em pouco tempo trouxeram nosso jantar, bife canadense com batatas assadas e um vinho para acompanhar, estava tudo tão saboroso que não foi difícil terminar o prato.
Depois de estarmos saciados seguimos viagem, ainda tinha mais alguns minutos de estrada e aos poucos fui observando algumas luzes entre as montanhas. Passamos por um centro de conveniência com um restaurante, algumas lojas, farmácias, e então comecei a avistar os diversos chalés espalhados pela paisagem.
Carlos Daniel parou o carro em frente a um chalé que parecia ter sido tirado de um filme encantado.
— Carlos Daniel! — disse sem fôlego observando o chalé de dentro do carro, era rústico, com madeiras grossas, a fachada de pedra, na varanda uma mesa de madeira, pequenos arbustos enfeitando a entrada e a grama verde em volta, pinheiros formavam uma floresta ao redor e atrás as montanhas majestosas.
— É lindo não e? — ele perguntou empolgado.
— É maravilhoso, eu não consigo encontrar palavras...
— Então vamos entrar? — perguntou sorrindo como um menino — Tem uma lareira e um aquecedor lá dentro que vão nos deixar quentinhos.
— Vamos, — sorri animada — não vejo a hora de ver tudo, parece um conto de fadas.!
— Te amo tanto Paulina. — ele disse segurando meu rosto e me beijando profundamente, nos separamos ofegantes e descemos do carro, estava muito frio, pegamos nossas malas e corremos para o chalé entre gargalhadas e tremendo de frio.
Carlos Daniel abriu a porta e assim que entramos o clima quente e aconchegante nos envolveu, a lareira estava acesa como Carlos Daniel dissera, a sua frente um tapete felpudo e um sofá grande, do lado direito uma mesa de madeira com duas cadeiras, do lado esquerdo uma cozinha pequena e charmosa, dividida por uma bancada, as parede atrás da lareira era toda de pedra, com quadros de paisagens lindas, janelas de vidro com cortinas que caía até o chão davam um charme a mais aquele lugar, o quarto estava ao fundo com uma cama imensa, um armário grande, uma banheira em frente a uma janela enorme, e uma porta que levava para o banheiro com um espelho grande, uma bancada de mármore e o box espaçoso, senti um frio na barriga ao lembrar do que havíamos feito no chuveiro no quarto de hotel e poderíamos repetir ali.
— Então? — Carlos Daniel perguntou me abraçando por trás — O que achou?
— Ainda não acredito que vamos ficar aqui, — disse me virando para ficar de frente a ele — isso aqui é o paraíso.
— Bom, — ele sorriu com malícia e me olhou — vai ser mesmo o paraíso quando fizer tudo o que pretendo fazer com você.
— Tenho certeza que vou adorar tudo isso, — sorri entrelaçando as mãos em sua nuca — já parou pra pensar que seremos só nós dois aqui meu amor?
— Claro que sim, — ele sorriu — é tudo o que consigo pensar, seremos só você e eu, não terei que te dividir com ninguém, será exclusivamente minha pelas próximas semanas.
Trocamos um beijo cheio de amor, e então Carlos Daniel foi encher a banheira para tomarmos um banho quente e relaxante, eu comecei a desfazer nossas malas e organizar tudo no armário, Carlos Daniel veio me ajudar e senti meu peito inchar de alegria quando o vi colocar nossas coisas juntas.
Carlos Daniel pegou dois roupões bem quentinhos e colocou na bancada da banheira.
— Vem meu amor, — ele me chamou com carinho — o que precisamos agora é de um banho quente para nos aquecer.
O observei tirar suas roupas, tão lindo que meu coração falhou uma batida, me aproximei e comecei a me despir tbm, Carlos Daniel segurou minha mão e entramos na água quente da banheira, ele havia colocado sais de banho, essências e espuma, a névoa que subia exalavam cheiro e calor pelo quarto.
— Esta bom assim? — perguntou quando se sentou e me colocou entre suas pernas, a água estava maravilhosa, e meu corpo relaxou por completo.
— Está maravilhoso, — sorri me recostando em seu peito, ele envolveu as mãos em volta de meu corpo — quentinho e muito confortável.
— Precisamos descansar, — ele disse deslizando as mãos por minha barriga — amanhã tenho planos maravilhosos para nós dois.
— Aposto que sim. — sorri fechando os olhos.
— Te amo tanto Paulina, — ele disse me abraçando apertado — nunca imaginei que seria possível amar tanto assim.
— Eu também te amo meu amor, — disse ainda de olhos fechados, ele beijou minha orelha e sorri — amo com tudo que há em mim.
— Estar com você aqui, agora, parece um sonho. — sua voz era suave — Cheguei a imaginar que esse dia nunca chegaria.
— Eu também Carlos Daniel, — disse me inclinando para o olhar — mas estamos aqui, estamos vivendo nosso amor, e teremos toda uma vida juntos para desfrutarmos dele.
— Sim minha vida, — ele sorriu e se inclinou para me beijar ternamente — vamos desfrutar de cada momento juntos, e te prometo que sempre seremos assim, cheios de amor, desejo, cumplicidade...
— É o que mais quero. — sorri e voltei a me recostar em seu corpo.
Continuamos ali, Carlos Daniel acariciava minha cintura, beijava meus cabelos, sussurrava a todo instante que me amava, e eu aproveitava cada segundo daquele momento. Não me lembro de quando peguei no sono, recordo vagamente que ele me enrolou no roupão e me deitou na cama, estava cansada demais, e ele também estava, dormimos abraçados e quentinhos naquele chalé encantado que seria nosso refúgio pelos próximos dias.

Notas finais
Me digam o que estão achando ;)