Apenas mais uma de amor

1 Capítulo 1 Paulina Martins Bracho


—Está pronta senhora Bracho? — Lalinha perguntou assim que entrou no quarto, eu terminava de me arrumar para finalmente sair em lua de mel com Carlos Daniel, sentia um frio na barriga e meu coração acelerado.

— Estou Lalinha, — disse com um sorriso radiante no rosto — Carlos Daniel já está me esperando?

— Está sim senhora, seu marido te aguarda lá em baixo com os convidados, — Lalinha sorriu — faz muito tempo que essa casa não tinha uma festa como essa, todos estão muito felizes.

— Eu vou descer então, — disse com um suspiro de felicidade — parece um sonho tudo isso Lalinha.

— Mas é a realidade senhora, agora a senhora é oficialmente a Paulina Martins Bracho, legítima esposa do seu Carlos Daniel Bracho.

— Paulina Bracho, — disse pensativa — o nome que antes era da minha irmã Paola...

— Não pense nisso senhora, — Lalinha me encarou — não vale a pena recordar de coisas que vão te deixar triste justamente hoje, no dia do seu casamento.

— Tem razão Lalinha, — lhe dei um sorriso — vamos descer então?

— Vamos senhora, mas primeiro a vovó Piedade pediu para que fosse no quarto dela, ela já subiu para descansar.

— Claro, já está bem tarde e foi um dia cansativo, diga para meu marido, — sorri — que já estou descendo.

— Sim senhora, — Lalinha sorriu e me olhou com um ar travesso — e aproveite sua lua de mel com seu marido.

Nem tive tempo de responder, ela saiu do quarto me deixando ainda mais nervosa com minha primeira noite com Carlos Daniel.

Assim que aceitei me casar com Carlos Daniel, ele e vovó Piedade insistiram para que eu ficasse na casa Bracho, mas eu não queria estar ali sem ser oficialmente sua esposa, já havia enganado a família Bracho me passando por uma usurpadora, e agora só entraria naquela casa quando estivesse casada com Carlos Daniel.

Continuei no hotel durante pouco mais de dois meses até nosso casamento, e como frequentemente jantava com a família Bracho, ou Carlos Daniel me acompanhava para jantarmos fora, passávamos muito tempo sozinhos em meu apartamento quando ele ia me deixar. O desejava demais, e meu amor por ele parecia aumentar a cada dia, queria me entregar a ele e isso quase ocorreu em uma dessas noites, quando percebi que estávamos na cama, Carlos Daniel sem camisa e suas mãos começando a tirar as minhas roupas, me sentei rapidamente.

— O que foi meu amor? — Carlos Daniel me perguntou franzindo a testa, os olhos escuros, o desejo estampado em seu rosto — Fiz algo que não gostou?

— Não, não é isso. — disse puxando o lençol para me cobrir.

— Então o que foi? — ele sorriu e acariciou meu rosto — Achei que quisesse tanto quanto eu, te desejo tanto...

— Eu também Carlos Daniel, — disse sorrindo segurando sua mão e a beijando — te desejo e amo muito.

— Então, — ele me olhou com expectativas — qual o problema?

— Eu não sei como te contar isso Carlos Daniel, — disse desviando os olhos do dele e sentindo meu rosto quente — a Célia riu de mim e acho que você vai rir também.

— Rir de você Paulina? — ele perguntou erguendo o rosto para me olhar — Por que faria isso?

— É que... — disse me sentindo ainda mais vermelha o vendo me encarar preocupado — eu nunca fiz amor antes.

Carlos Daniel me olhou com os olhos ligeiramente arregalados, abriu e fechou a boca algumas vezes, e então me beijou com todo amor e carinho.

— Eu te amo muito Paulina — ele disse sorrindo espalhando beijos por todo meu rosto — e estou me sentindo o homem mais feliz do mundo, não sabe a alegria que sinto ao saber que serei o primeiro e único homem em sua vida.

— Não está me achando uma boba? — perguntei o olhando com o rosto iluminado.

— Claro que não, — ele sorriu e deslizando os dedos por minha face disse — eu não imaginava, e não mudaria nada se fosse o contrário, mas saber disso... — ele me beijou — me sinto até honrado por ser o primeiro.

— Eu te amo tanto. — disse o abraçando.

Sorri me lembrando de como ele foi carinhoso e paciente em esperar nosso casamento, e então fui me despedir de vovó Piedade.

— Vovó Piedade, — disse abrindo a porta de seu quarto, ela estava sentada em sua cadeira lendo um livro, o barulho da festa lá em baixo não era tão alto ali — vim me despedir.

— Minha filha, — ela se levantou e veio até mim me dando um forte abraço — que vocês aproveitem muito esse tempo só de vocês dois e que Deus e a virgem os abençoe.

— Obrigada vovó, — sorri segurando suas mãos — vamos ser muito felizes.

— Claro que vão, — ela disse como quem sabe das coisas — nunca duvidei que foram feito um pro outro.

— Obrigada por tudo vovó, — lhe abracei mais uma vez e beijei seu rosto — eu vou descer que o Carlos Daniel já está me esperando.

— Claro meu amor, — ela beijou minhas mãos — e não se preocupem com nada, vamos cuidar das crianças e Rodrigo consegue se virar na fábrica durante esses dias, o único que deve ter seus pensamentos agora é seu marido.

— Eu vou tentar não me preocupar vovó. — lhe sorri e beijei seu rosto — Agora precisamos ir, vamos ligar todos os dias.

— Que Deus os acompanhe.

Desci as escadas e todos os olhares se voltaram pra mim, senti minha face esquentar, eu usava um vestido bege, quase rosa, pouco acima do joelho e que ajustava perfeitamente em meu corpo, uma sandália de salto alto, e o mais importante, a aliança em meu dedo.

Carlos Daniel me esperava ao lado da escada e me deu a mão assim que o alcancei.

— Está linda meu amor, — ele sorriu e beijou minha mão — podemos ir?

— Sim Carlos Daniel, — sorri com um suspiro — já podemos ir pra nossa lua de mel.

Carlos Daniel me beijou pouco se importando para os convidados ali, e eu tampouco. Logo os sons de palmas e risos ecoaram pela sala e nos separamos rindo olhando todos nossos amigos ali.

Nos despedimos de todos, a festa ainda continuaria, Rodrigo e Patrícia estavam se divertindo como nunca os tinha visto, e certamente aproveitariam ao máximo a festa.

Seguimos então para o hotel que Carlos Daniel havia feito a reserva para nossa primeira noite, Pedro nos levava e seguimos o caminho todo entre beijos e sorrisos, estávamos tão felizes que não conseguíamos disfarçar.

— Tenham uma boa viagem, — Pedro disse sorrindo assim que descemos em frente ao enorme hotel no centro da cidade — e parabéns pelo casamento, foi uma cerimônia muito bonita.

— Obrigada Pedro, — agradeci segurando suas mãos — eu estou muito feliz.

— Todos percebemos senhora. — ele sorriu.

— Pedro, cuide da vovó e das crianças, — Carlos Daniel lhe disse apertando sua mão — e muito obrigado por tudo.

— Não precisa agradecer senhor, — ele disse meio envergonhado — vou voltar para casa, boa noite.

— Boa noite Pedro. — dissemos juntos.

Carlos Daniel nós guiou para o hotel, ele já havia deixado nossas malas no quarto mais cedo, então subimos direto para o último andar.

— Não consigo acreditar que finalmente estamos casados. — ele me abraçou assim que entramos no elevador — esses dois meses me pareceram uma eternidade.

— Mas agora estaremos juntos para sempre. — sorri apertando meus braços em volta de seu corpo.

— Sim meu amor. Para sempre.

A porta do elevador se abriu e senti meu coração acelerado, a tanto tempo o desejava estar com ele, ser dele, que agora que o momento havia chegado me sentia ainda mais nervosa e ansiosa.

— Hoje iniciaremos nossas vidas juntos meu amor, — Carlos Daniel disse assim que paramos em frente a porta — e quero que essa noite seja tão especial quanto você merece, quero que nos lembremos dela mesmo quando estivermos bem velhinhos.

— Já está sendo especial Carlos Daniel, — disse o olhando — jamais vou me esquecer desse dia.

— Eu te amo senhora Bracho. — Carlos Daniel disse me erguendo em seus braços e logo depois abrindo a porta da suíte que finalmente nos entregaríamos um ao outro.