Notas iniciais
Desculpem a demora... Essas últimas semanas têm sido muito movimentadas. Enjoy

Ryuzaki

Esse é um dos muitos nomes pelo qual eu já te chamei. Nunca acreditei que o nome fosse importante, pois ele é apenas uma forma limitada de definir as pessoas. Mas jamais imaginei que fosse através do nome que eu morreria e através dele salvaria a sua vida.

Lembro-me de quando você foi colocado sobre os meus cuidados. Era uma criança assustada, introvertida, cujo olhar fosco me permitia presumir como haveria sido o seu passado. Mas você não era fácil. Gostava de brincar sozinho, brigava com as outras crianças... Sempre percebi que você tinha dificuldades em lidar com o contato humano. Um dia, vi os seus olhos brilharem como nunca havia visto antes: você havia resolvido o seu primeiro caso “insolucionável”. Os meus olhos também brilharam ao perceber o bem que você poderia fazer para a humanidade. Na verdade, deixei-me levar completamente por isso e acabei cometendo muitos erros.

Permiti que o trabalho sugasse completamente a sua vida e não o estimulei a ter uma vida mais próxima do normal. Deixei que vivesse trancado, escondido, isolado da sociedade e de tudo o que ela tem a oferecer. Eu me fixei tanto na ideia de que o seu trabalho era importante que criei outras crianças para que pudessem te substituir um dia, o que você já sabe, foi desastroso. Mas não foi por mal. Fiz isso porque admirava tanto o seu talento que acreditava que o mundo precisava de uma pessoa extraordinária como você para garantir a justiça. Entretanto, a essa altura, percebo coisas que antes não conseguia perceber. Primeiro, que você é perfeitamente capaz de criar laços com outras pessoas e de escapar um pouco desse confinamento constante que é a sua vida. Segundo, por mais que o seu talento seja extraordinário, você não precisa se sacrificar por ele. Sempre haverá maldade no mundo, como também sempre haverá muita gente dando um pouco ou muito de si para que a justiça seja feita.

Por fim, não deixe que os laços que você criou com Chiara se percam. Eu sei o que há entre vocês e acho que vocês podem fazer coisas boas juntos. Essa menina tem alguma coisa especial que cativa a todos e nos faz querer ser melhores. Eu imagino que seja assim com você, e foi assim comigo. Por isso resolvi fazer o que fiz essa noite, para reparar os meus erros. Seria ela quem iria se sacrificar, mas isso seria justo. Por favor, não se sinta culpado nem a culpe por isso. Estou em paz com a minha decisão, como há muito não me sentia, espero que eu seja compreendido. Você já é perfeitamente capaz de se cuidar sozinho, mas tomei algumas providências: Roger virá da Inglaterra para ser seu novo assistente e o ajudará no que for necessário. E para você compreender completamente o que aconteceu, há uma gravação onde você verá o que aconteceu nas últimas 24 horas.

No mais, espero que você seja feliz. De verdade.

Em paz, Watari

L dobrou novamente o papel da carta que acabara de ler. Agachado no sofá ao lado de Watari, ficou um tempo com o olhar perdido e pensamento distante. Embora pouco demonstrasse, estava profundamente impactado com os eventos recém-acontecidos. Havia a possibilidade de ele perder as duas únicas pessoas com quem realmente se importa em uma única noite.

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Light havia aproveitado o tempo que L passou na sala com Watari para procurar por Rem. Ele tentava compreender por que o detetive e Chiara ainda estavam vivos e Watari havia morrido. Após procurar por um tempo, encontrou um monte de algo que parecia areia e um pouco mais ao lado restos do que provavelmente seria o caderno de Rem, que visivelmente havia sido queimados. Light inferiu que Rem queimou o caderno para não deixar para ele, o que fazia sentido, já que fora ele que induzira a morte dela. “Mas que droga! O que diabos aconteceu aqui? Se aquela Shinigami patética morreu, foi porque escreveu pelo menos algum nome no caderno. Mas por que raios só Watari morreu?”

Foi quando Light se lembrou de um pequeno detalhe: o intervalo entre a saída de Rem e o sinal de alerta, que foi dado quando Watari estava morrendo, foi muito pequeno, apenas alguns poucos segundos. Como a morte só poderia acontecer com, no mínimo, 40 segundos, não havia como a morte de Watari ter sido provocada por Rem. Então porque Watari e Rem haviam morrido? A não ser que...

“Não pode ser....”

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Light surgiu na porta da sala de vigilância, acompanhado dos outros policiais, à exceção de Mogi, que havia acompanhado Chiara.

— Ryuzaki. Eu sei que não é o melhor momento, mas precisamos conversar sobre o que aconteceu agora há pouco. Há possibilidade de todos nós estarmos correndo risco de vida.

O detetive voltou à sua atenção aos homens à sua frente. Estava novamente quase inexpressivo, como era de costume.

— Pelo que podem ver, Watari se foi. Num gesto generosos de sua parte, ele me deixou um presente. – L levantou uma das mãos, a que estava com o pedaço do Death Note e mostrou a todos. Expressões de choque surgiram nas faces franzidas dos rapazes. Apesar da tristeza, havia um quê de triunfo nos olhos de L.

Light se corroeu por dentro. Agora entendia quase tudo. Watari imunizou L e morreu em decorrência disso. Quando Rem foi escrever o nome de L, ele já estava imunizado, mas como ela tinha a intenção de salvar Misa, foi contra as regras do caderno e morreu mesmo assim. Só não estava explicado ainda porque Chiara havia sobrevivido. Será que Rem não a empurrou com força o suficiente?

— Quer dizer que Watari morreu pra imuniza-lo, Ruzaki? – O Sr. Yagami estava pasmo.

— É, eu sempre achei o Watari um homem bom, e gostava muito de você, Ryuzaki– comentou Matsuda.

— Na verdade, foi por Chiara que ele se sacrificou... – Respondeu L, olhando para o corpo de Watari.

— Por Chiara?? – Responderam quase todos em uníssono. — Como assim?

— Watari gostava muito de Chiara, mas é difícil imaginar que ele gostasse tanto a ponto de se sacrificar por ela! – argumentou o Sr. Yagami.

L sabia que iria se expor, mas ele era obrigado a manter a transparência na investigação, sendo assim, teria que contar tudo o que aconteceu.

— Era Chiara quem iria me imunizar utilizando um pedaço do Death Note. Mas Watari, para salvar a vida dela, se adiantou. Antes de morrer ele deixou uma carta para mim e outra para ela, explicando os seus motivos. Ele também deixou tudo providenciado para que outa pessoa viesse me auxiliar.

O estranhamento era geral. A história estava complicada demais para todos, principalmente para Light.

— Ryuzaki, me responde uma coisa – disse Light. — Por quê a Chiara morreria para imunizar você? Eu sei que ela queria muito pegar Kira, mas isso não justifica ela morrer pra salvar a sua vida.

L esperou um tempo para responder.

— Eu e Chiara estamos juntos – despejou ele de uma vez. A impressão que o detetive tinha era que essas foram as palavras mais estranhas que já saíram da sua boca, ainda mais em um contexto como aquele.

As expressões de choque se tornaram ainda mais intensas. Ninguém esperava que L e Chiara, pessoas tão diferentes, podiam estar juntas. Eles tinham perfis completamente distintos. Chiara era bonita, carismática e talentosa. L parecia um gênio recluso e problemático, quase assexuado. Era do tipo que era difícil imaginar com uma namorada.

— Eu nem sei o que dizer... – comentou Matsuda.

—É. São muitas revelações para uma única noite – acrescentou Aizawa.

— E quanto ao Shinigami? – Perguntou L.

— Não encontramos sinal dele – respondeu o Sr. Yagami. – Achamos que ele foi embora.

— E Chiara, como está? – perguntou o detetive.

— Mogi ligou agora pouco. Ela foi atendida no hospital e está estável. Com a queda ela quebrou duas costelas, teve uma concussão e algumas luxações pelo corpo, mas os médicos acreditam que ela ficará bem. Mas terá de ficar de repouso por um tempo.

A boa notícia não foi suficiente para que L se sentisse melhor.

— Amanhã irei visitá-la. Tem algo que eu preciso entregar a ela – disse enquanto olhava para o envelope em sua mão. – Por favor, poderiam me deixar novamente sozinho com Watari?

— Tudo bem, Ryuzaki – respondeu o Sr. Yagami. – Rapazes, vamos embora.

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Light empenhava todas as suas energias em manter o controle enquanto caminhava. Seu nível de estresse estava altíssimo. Nessa noite, ele recebera a pior notícia possível. L estava imune! Como ele poderia vencer o jogo se não poderia utilizar a sua arma principal contra o seu oponente? E ele esteve tão perto de conseguir eliminá-lo. Se não fosse a intromissão daquela ruiva petulante... Light sentia ódio por Chiara. Ao contrário de L, ela não era um bom oponente, não havia nada de interessante em lutar contra ela. Lamentou por ela não ter morrido da queda. “Nem para isso Rem serviu...”, pensou. Mas o adolescente não ia se deixar abater. O jogo havia ficado mais difícil, mas ele era perfeitamente capaz de vencê-lo. Só teria que esforçar um pouco mais. E ainda havia o relacionamento de L com Chiara. Talvez ele pudesse tirar proveito disso.

“Me aguarde, Ryuzaki. Você venceu essa batalha, mas eu irei vencer a guerra!”

Notas finais
Uma noite bem movimentada para L. E a carta para Chiara, o que diz? Cenas para os próximos capítulos...