Notas iniciais
Ooooooi! Como estão? Mais um capítulo e espera....UM BEIJO?! Isso mesmo! Se sintam livres para comentar o que quiserem, pra xingar!

É muito incomum você se dar bem e sentir algo a mais (mesmo que não saiba ainda) por uma pessoa que você acabou de conhecer. Foi exatamente isso que Elizabeth pensou ao acordar no dia seguinte. Ela apoiou os cotovelos no colchão duro e percebeu que estava com muita dor nas costas. Observou o lugar em que estava. A noite não conseguia ver direito, mas agora que a luz entrava pela janela, podia ver o quão bem arrumada e até bonita era a cabana por dentro por mais que parecesse abandonada por fora.

Havia um jogo de sofá bege do lado esquerdo da porta com uma mesa de café no centro com uma vela em cima. Do outro lado havia uma escrivaninha e até uma estante que não tinha muitos livros e os que tinham, pareciam velhos e estragados pelo tempo. De frente para a porta havia a lareira com uma mesa e quatro cadeiras que pareciam velhas e os pés estavam comidos por cupins. E havia uma cama de casal simples com um jogo de lençol branco e um colchão que dava muita dor nas costas. A luz da alvorada entrava pelas várias janelas da casa que estavam decoradas com cortinas puídas.

Aos poucos, Elizabeth foi se lembrando de onde estava e de como havia parado ali. Sua mente foi se recordando da conversa com o estranho de ontem. Onde é que ele estava? Ela ainda não tinha olhado ao seu lado, portanto, não sabia que ele estava adormecido ali. Ela fez um tour pela cabana com o olhar. Ouviu um som de ronco, mais parecido com o rosnar de um lobo ao lado e gelou. Se lembrou do animal que estava atrás deles na noite anterior e sentiu o medo dominá-la. Virou lentamente a cabeça na direção do barulho para encontrar Robert ressonando ao seu lado. Por um triz, não soltou um grito assustado que pudesse acordá-lo. Ele não havia deixado ela ir embora no dia anterior, alegando que o animal ainda poderia estar lá fora, a espreita, mas parecia mais uma desculpa para mantê-la lá dentro. E se ele quisesse estupra-la? E se planejasse matá-la? Ou usá-la em um ritual satânico?

Jogou o cobertor para o lado e saiu lentamente da cama, tentando não fazer barulho ao se levantar. Contudo, ao pisar no chão, o assoalho rangeu. Ela olhou assustada para trás e viu Robert resmungando alguma coisa e virando o rosto para outro lado. Soltou um suspiro de alivio, pegou o sapatos e calçou-os. Quanto mais rápido sair da cabana, mais segura se sentiria. Mas algo em seu interior dizia para ela ficar lá dentro e esperar ele acordar para levá-la para casa. E também sentia alguma coisa mais...seria medo? Ou seria a saudade chegando mais cedo?

Olhou para ele que dormia tranquilamente na cama e observou suas feições. Estava escuro quando se conheceram, por isso, não pôde ver ele direito. Tinha um rosto triangular que lhe lembrava muito seu pai. Uma pele que parecia ser macia ao toque e que despertou uma vontade de fazer carinho em seu rosto. Os olhos fechados e calmos pareciam não pertencer a pessoa que havia resgatado ela na noite anterior. As bochechas eram um pouco rosadas e a barba por fazer o tornava ainda mais atraente. Seus cabelos eram tão negros quanto a noite e pareciam ser muito macios, mesmo estando bagunçados do jeito que estavam. Ela então percebeu que não queria ir embora, queria ficar ali com ele e viver uma vida longe das preocupações e das obrigações que teria quando chegasse em casa. Queria ficar ali com ele e quem sabe, se apaixonar e os dois viverem felizes para sempre como ficavam as princesas nas histórias que a mãe costumava ler para ela quando era criança...e quando ainda estava viva.

De repente, se sentiu muito culpada por estar ali, por ter abandonado seus irmãos na hora que mais precisava dela e por ter esquecido que seus pais haviam partido. O sentimento de culpa a dominou e ela resolveu sair da cabana, batendo a porta ao fechar e provavelmente acordando Robert em seguida. Saiu correndo na direção que viera, tentando se lembrar das árvores que havia visto no caminho e virando a esquerda e a direita várias vezes até parar e perceber que estava perdida de novo. Ao parar, percebeu o quanto estava ofegante por ter corrido. Se sentou no chão e sentiu as lágrimas que deslizavam por seu rosto desde o momento que saiu da cabana, dizendo tchau para um futuro que estava imaginando lá dentro.

Ficou ali por sabe-se lá quanto tempo até que viu que iria chover. “Ah! Que maravilha...estou perdida em uma floresta, sem proteção e vai chover! Eu sou ou não sou uma pessoa de sorte?” Pensou em fazer o caminho que tinha feito até chegar ali, porém sabia que não iria se lembrar dele e ia se perder de novo. Se enrolou em uma bola, sujando todo o vestido na terra e ficou ali, esperando a chuva chegar. Não soube quanto tempo ficou ali e quando resolveu se desenrolar e olhar para o céu, ouviu passos. Alguém estava chegando...e se fosse o animal da noite passada? E se fosse algum caçador que não a levaria para casa e sim para longe? Se levantou em estado de alerta. Tropeçou no próprio vestido e caiu de bumbum na terra, apoiando as mãos no chão. Sentiu uma dor lancinante na mão direita, mas ignorou pegando uma pedra com a mesma.

Levantou-se e começou a olhar para todos os lados. Seu cérebro foi analisando o lugar até perceber que era uma campina. “Espera... na noite passada também parei em uma campina...Estou perto!”. Ela saiu correndo na direção oposta que tinha vindo e só depois de ter se afastado a campina, percebeu que estava sendo perseguida. E agora, ela faria uma coisa que provavelmente a mataria se fosse a pessoa errada a estar atrás dela. Ela olhou para trás e com isso, não viu a árvore a sua frente, dando de encontro com ela e caindo no chão com um baque surdo. Sua mão direita, que já estava machucada, parecia ter quebrado e ela gritou de dor.

O perseguidor se ajoelhou ao lado dela e ela preferiu não olhá-lo. Ela sentiu um cheiro de menta e...conhecia aquele cheiro...será que era Robert? Antes de poder olhara para ele, já descobrira quem era pois ele falou:

– Você se machucou? – Robert perguntou, fazendo ela suspirar a alívio e ao mesmo tempo, causando borboletas em seu estômago. Ela olhou para ele viu que seus olhos eram realmente claros e se perdeu em seu olhar. – Elizabeth? Você está aí?

Ela ficou olhando para seus olhos até que ele jogou um pouco de água em seu rosto. Ela voltou aos eixos, e percebendo o que ele fez, protestou:

– Ei! Você está louco? – limpou o rosto com a manga – Por que fez isso seu retardado?

Opa! Vai com calma donzela! – ele disse guardando o recipiente com água. Ajudou ela a se levantar e observou ela limpar o vestido e tirar as folhas do cabelo. “Ela é muito bonita”, pensou. Tinha os cabelos loiros quase brancos e olhos azuis, não tão claros quanto os dele, mas bem bonitos de se ver. Tirando a bagunça que estava, seus cabelos eram de um enrolado natural que tornava seu rosto em formato de coração mais bonito. Sua pele tinha um tom de pêssego e parecia ser muito macia e sua boca tinha um tom avermelhado que não parecia ser maquiagem. Quando ajudou-a a se levantar, reparou que sua cintura era bem delineada. Querendo ou não, ele observou que seus seios eram fartos para uma menina que de sua idade. – Louco eu ainda não sou...mas eu posso ficar, não perca as esperanças. – ela arregalou os olhos quando ele disse isso e ele deu uma piscadela. – Não me chame de retardado, eu acabei de salvar a sua vida. Por que diabos estava correndo de mim? E por que saiu correndo da cabana? Eu não falei que te levaria para casa hoje?

Ela corou, envergonhada. Deu conta de que não precisava ter corrido daquele jeito dele, ele não faria nada com ela. Pelo menos aparentava não ter intenções de fazer.

Porque eu não tinha certeza se ia manter sua promessa e porque eu não sabia que era você.

Eles começaram a andar na direção oposta da cabana, com ele guiando-a o caminho todo. Não falaram mais nada durante todo o caminho, mas sentiam a tensão no ar. Ambos queriam falar algo, manter alguma conversa, mas não sabiam como começar. Por isso ficaram quietos o tempo todo. Eles andaram por mais de 10 minutos quando ela viu a mansão da avó a alguns metros dela. De repente, ela segurou o braço de Robert. Já sabia em que direção ir e não precisava mais da ajuda dele. Parecia ingrata, mas para ela era uma questão de segurança. E se ele estivesse mentindo e atacasse a mansão ao anoitecer? Ele olhou para ela confuso e parou.

– Er...daqui eu já sei voltar! – ela disse – Muito obrigada pela sua ajuda e...e tenha uma boa vida!

Ela fez uma mesura e saiu em direção a casa, porém o braço dele a impediu de ir. Ele queria beijá-la, mas não tinha coragem. Ela se virou para ele confusa e disse:

– Você pode me soltar já... – ela disse, dando um puxão no braço que estava preso para tentar se soltar dele. Ele, então, pegou o outro braço dela e a fez olhar diretamente para ele.

E novamente, ela se perdeu em seus olhos. Ele a analisava, pensando se ela o bateria, se corresponderia ou se faria algo surpreendente. Enquanto isso, ela já havia perdido a fala e desistido de lutar. Ele foi fechando a distância entre os dois, colocando a mão em sua cintura e tocando seu cabelo. Pegou uma mecha encaracolada e desceu a mão por ela.

– Tão macios... – ele murmurou perto dela que havia decidido colocar as mãos em seu pescoço.

“O que está fazendo Elizabeth?! Esse homem pode te matar!”, sua consciência dizia, porém seu coração falava mais alto no momento. Ele batia muito aceleradamente e ela podia ouvi-lo em seu ouvido. Será que seu primeiro beijo seria com ele? Seus corpos já estavam colados e um sentia a respiração do outro. Ele arquejava, nervoso e seu coração palpitava muito mais forte que ele queria. O que estava acontecendo com ele? Se perguntava: “Por que essa menina me faz ficar assim? Tão nervoso e com tanta vontade de tê-la?”.

Ele fechou a distância entre os dois, dando um beijo apaixonado nela enquanto a chuva começava a cair ao redor dos dois.