Apenas mais uma de amor
11 Cada um para o seu lado
Notas iniciais
A chuva caia ao redor, porém os dois não se importavam. Parecia que só havia os dois naquele mundo imenso. O coração de ambos palpitava forte e quando seus lábios se tocaram, uma corrente elétrica passou por seus corpos, a adrenalina tomando conta de seus membros e controlando-os. Eles se fecharam em seu próprio mundo enquanto se beijavam, como se não houvesse mais ninguém em volta. Como se não tivessem problemas quando cada um fosse para o seu lado.
Após certo tempo, eles se desgrudaram, caindo na real. “O que está fazendo?”, se perguntavam. Elizabeth olhou para os olhos de Robert incrédula. Não acreditava que havia beijado um estranho que conhecera a uma noite. Isso não era de seu feitio. Se seus pais estivessem lá para ver isso, estariam brigando com ela. “Mas eles não estão...”, pensou cabisbaixa. Robert viu que ela tinha ficado triste de repente e achou que tinha sido o beijo que havia deixado-a assim.
– Erm...me desculpe! N-não foi minha intenção...eu não queria... – ele disse, penteando os cabelos negros com as mãos, nervoso e olhando desconfortavelmente para os lados. Seu coração batia forte e seu cérebro estava quase obrigando-o a agarrá-la de novo e lhe roubar um beijo, mas ele estava se controlando.
– Calma, calma! Isso também foi culpa minha... eu também devo pedir desculpa por ter me entregado desse jeito. – ela o interrompeu.
Só nesse momento que perceberam que a chuva caia ao redor dos dois. Seus olhos se encontraram e como magnetismo, foram se aproximando aos poucos. Não tinha consciência de que estavam chegando perto até que...
– LIZZIE! LIZZIE! AQUI! AQUI! – os dois deram um pulo quando ouviram alguém gritar. Elizabeth virou o rosto para procurar Georgine chamando. Viu seus cabelos loiros voando por entre as árvores. Georgine a abraçou muito forte, como se nunca mais fosse soltá-la. – Até que enfim de encontrei Lizzie! Estava com tanto medo de te perder! Você está bem? Onde passou a noite? Quem é ele? – Georgine falava sem respirar e Elizabeth teve que acalmá-la.
– Calma Georgie, estou bem. Quando chegarmos em casa, conversaremos e te contarei tudo o que você me perguntar. – disse, se ajoelhando na altura da irmã. Olhou para Robert e deu um sorriso. – Bom, acho que devo apresentá-los... Georgine, esse é Robert. Ele me salvou ontem a noite quando eu fui atrás da senhorita. Robert, essa é Georgine...minha irmã.
Robert se ajoelhou ao lado de Elizabeth e, com os olhos fixos nela, segurou a mão de Georgine e deu um beijo. A menina ficou vermelha igual uma pimenta e os dois riram de sua cara.
– Muito prazer, senhorita Georgine. – ela fez um reverencia e sorriu, depois que o constrangimento havia passado.
De repente, algo veio a cabeça de Elizabeth. Se levantando, disse.
– Georgine, alguém sabe que a você saiu de casa? – ela perguntou, colocando as mãos na cintura e batendo o pé como a mãe costumava fazer. A menina levantou os olhos para ela travessa. É claro que não havia avisado. – William deve estar tendo um ataque cardíaco agora por você também ter sumido! Ele vai matar você!
– M-me desculpe Lizzie... – ela murmurou com as mãos nas costas e balançando para os lados. – É porque era minha culpa por você ter se perdido na floresta e achei que seria justo eu sair a sua procura.
Elizabeth bateu com a mão na testa. Mesmo não conhecendo a vó, algo em seu coração dizia que as duas estavam encrencadas quando voltassem. Ela decidiu então ir embora, porém quando se virou para falar com Robert, esqueceu tudo o que tinha que fazer. Ele estava olhando para as duas com um meio-sorriso no rosto, os olhos destacados pelos cabelos negros que caiam um pouco em sua testa e estava encostado em um árvore com os braços cruzados no peito. Ele percebeu que ela estava o observando e pigarreou, se arrumando. Ele tinha ficado vendo a semelhança que ambas tinham e no jeito mãezona que Elizabeth tinha, mesmo molhada do jeito que estava.
– Robert, irei para minha casa agora. – disse Elizabeth, se aproximando dele até que somente os dois podiam ouvir a conversa. – Eu quero agradecer por ter me ajudado ontem e hoje. E... – ela engoliu em seco e olhou para baixo, porém ele não deixou. Pegou seu queixo com a mão e obrigou ela a olhar em seus olhos. Ela por sua vez, perdeu até o fio da meada. – e quero que guarde aquele beijo com você...
– Disponha, sempre que precisar Lizzie... – disse sorrindo. Ele pegou sua mão e a beijo, contudo quando voltou a olhar para ela, se assustou com o redemoinho de cachos molhados e loiros que bateram em seu rosto. Ela estava abraçando. Ele cheirou seu perfume, para nunca esquecê-lo e guardou-o na memória como uma boa lembrança que contaria para os netos algum dia. – Eu guardarei... – ele sussurrou em seu ouvido.
Se separaram e ele foi se despedir de Georgine que esperava impaciente atrás dele. Após isso, cada um foi para o seu lado. Elizabeth foi na direção de sua casa com Robert a observando. Depois que ela desapareceu, ele foi na direção oposto a da cabana. Estava voltando para casa. Depois de meia hora de caminhada, chegou nos jardins dos fundos da mansão de sua família. Entrou pela cozinha, cumprimentando a todos como sempre fazia e subiu até seu quarto onde encontrou Valerie o esperando na cama com uma expressão furiosa. Ele suspirou e fechou a porta, se preparando para o sermão que ouviria.
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