Apenas mais uma de amor
7 O estranho
Notas iniciais
Elizabeth tentou correr o máximo que conseguia. Tinha 16 anos e sua irmã tinha 9, sendo assim, Georgine bem mais rápida. Ela se emaranhou na floresta atrás da irmã que se perdeu na escuridão da noite. A única iluminação a sua volta era da lua e isso não a deixava muito confortável. As árvores eram altas e grossas, deixando a floresta ainda mais assustadora. Como era outono, haviam várias folhas amareladas e alaranjadas espalhadas no chão e quando pisadas, faziam ‘crec’.
Elizabeth foi avançando pela floresta gritando pela irmã que poderia muito bem ter subido em uma árvore já que vivia fazendo isso. Mas como ela saberia? Perdeu a irmã de vista ao entrar na floresta. Olhou para trás para ver se ainda conseguia ver começo da floresta para tentar voltar e fazer uma busca melhor junto de seus irmãos, mas a floresta era tão densa que parecia que havia se fechado quando Elizabeth entrara. E se a irmã ficara para trás? Como ela saberia? Enquanto caminhava, pensava como fora burra por continuado sozinha após perder a irmã. Devia ter voltado para levar alguém junto dela.
Decidiu voltar. Virou-se para a direção de onde vinha e ficou pensando como é que descobriria o caminho de volta. Não cogitou a ideia de procurar seus passos na terra úmida, pois estava totalmente escuro para vê-los. Começou a andar cuidadosamente, identificando uma árvore aqui e ali. Contudo, chegou um momento em que não sabia mais onde estava. Imaginou quantas pessoas tinham se perdido na floresta e nunca mais conseguiram voltar para casa. Será que haviam selvagens nela? Impossível. Se tivesse, ninguém moraria pelas redondezas e ela não estaria ali nesse momento.
Sentou no chão, encostada em uma árvore e de frente para uma campina. Será que alguém já havia notado sua presença? Será que Georgine já havia encontrado o caminho de volta para casa? Ela esperava que sim, assim só teria um trabalho a fazer: Voltar para casa. Fechou os olhos por uns segundos, estava um caco. Seus pés doíam e tinha certeza de que iria ter bolhas mais tarde, seu cabelo devia estar uma bagunça por causa da corrida e seu vestido todo sujo de lama. Queria chorar, não gostava de ficar perdida naquele lugar assustador.
Estava quase pegando no sono quando ouviu o barulho de passos. Seus olhos se abriram em placa e se levantou em um pulo. Se escondeu atrás da árvore e tentou ver de onde vinham os passos. Eles estavam ficando mais alto e não conseguia achar de qual direção vinham até que alguém tocou em seu ombro suavemente. Porém, no momento, ela deu um pulo, se virou na direção do dono da mão, gritou e deu um grito na canela da pessoa que derrubou a vela que trazia em mãos.
Ela saiu correndo o mais rápido que conseguiu até que percebeu que a pessoa não havia ido atrás dela, pelo contrário, estava com as mãos na canela, uivando de dor. Ela parou e ficou onde estava. Tinha medo de se aproximar e a pessoa estar enganando-a. Falou de onde estava:
– Eu te machuquei?
– Não, imagina...estou aqui com a mãos na canela e uivando porque sou bobo. – disse uma voz profunda e grave que causou um arrepio em seus braços. – Você vai ficar parada? Não vai pedir desculpas nem nada? Que educação hein...
Esse comentário enfurecera Elizabeth. Como ele ousava falar que ela não tinha educação?
– Eu ia pedir desculpas, se você esperasse um pouco. Mas, não pedirei mais nada! – disse, cruzando os braços e ousando se aproximar um pouco do desconhecido. – E digo mais, foi muito bem feito o chute, para aprender a não tratar damas desse modo.
Ele bufou e se levantou, pegou a vela no chão. Fechou a distância que estava entre os dois para vê-la melhor, porém a luz (ou a não existência dela) não deixava. Ela também tentava ver o rosto dele, contudo era impossível.
– A senhora sem educação tem educação tem nome ou terei que inventar? – ela bufou para ele e rolou os olhos. Não diria seu nome para ele até saber que estava segura em suas mãos e seu instinto não sabia o que decidir.
– A senhora educação aqui não dirá o nome dela até descobrir se ela está segura ou não ao seu lado. – disse e resolveu acrescentar – E minha consciência diz que eu não deveria.
– Ah então não se identificará para mim? Tudo bem então, senhora estranha. Vou obedecer o que sua consciência diz. – seu hálito a lembrava bolo de limão, sua sobremesa preferida. Ele pegou-a pela mão em um aperto forte para ela não conseguir se soltar e a arrastou para mais fundo na floresta.
Ela tentou se soltar do aperto, porém não conseguiu. Ele evidentemente era mais forte e parecia se divertir com o desespero da menina. Sabia que não faria nada de mal a ela, todavia, ela não sabia e isso o divertia. Ela era uma pessoa engraçada e por mais que haviam se conhecido a 5 minutos, ele já conseguia dar boas risadas com ela que não eram forçadas como costumava ser.
– Do que está rindo hein? – ela disse, ofegando por causa do esforço – Vai me dizer para onde vai me levar? O que você vai fazer comigo? ME SOLTA!
Disse em um puxão, porém ele estava alerta e ela não conseguira se soltar. Ele se limitou a olhar para ela e dar um meio sorriso que fez seu coração palpitar. Ela se negava a sentir algo por alguém que havia conhecido a pouco tempo, mas seu coração dizia o contrário. Algo nele a encantava e ela não estava gostando do que estava sentindo. Por um segundo, havia esquecido o porquê estava ali no meio da noite e se concentrou nas suas mãos juntas.
Foco Elizabeth! Você tem que encontrar sua irmã e ir viver sua vida. Ela tinha jurado para si mesma que não sentiria mais nada pelo resto da sua vida após a perda dos pais, o que estava acontecendo com ela? Havia algo errado? Por que estava encantada por esse estranho? Não percebeu que eles chegaram em um chalé que parecia bem confortável e convidativo. Ele entrou e soltou-a, ficando parado no portal, esperando ela tomar uma decisão; sabia que ela não saberia voltar para casa. Ela ficou olhando para ele indecisa, ainda não conseguia ver seu rosto e descobriu que estava muito curiosa para descobrir.
Ele desistiu de ficar esperando e entrou na casa, acendendo a vela que carregava em mãos. Virou-se para ela e viu que ela estava parada no portal, sem fechar a porta. Ele se aproximou para observar seu rosto e ambos ficaram surpresos com o que viram. Ela ficou sem ar ao ver o quão belo ele era e ele observava suas feições suaves.
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