Apenas mais uma de amor
8 A Cabana
Notas iniciais
Ela ficou pasma ao vê-lo. Esperava uma pessoa completamente diferente, com feições que indicariam que é praticamente uma pessoa selvagem, um homem com uma barba grande e grossa, perigoso e nada confiável. Ao invés disso, viu um homem de olhos do tom de azul mais bonito que ela já havia visto, com um rosto fino e requintado. A barba estava por fazer, o cabelo meio bagunçado pela corrida até a cabana e usava uma roupa que não parecia ser de alguém que vivia na floresta e sim de alguém que vivia em um castelo com tudo do bom e do melhor.
Contudo, ela não era a única surpresa ali. Ele também estava abismado com sua aparência angelical. Ela possuía cabelos loiros com cachos bem delineados, uma maçã do rosto levemente destacada, olhos também azuis e uma pele que parecia ser muito macia. Inconscientemente, ele levantou a mão para tocar em sua bochecha, porém seu subconsciente lhe avisou da besteira que iria fazer e, para disfarçar, penteou os cabelos.
Ela ficou olhando para ele, chocada demais para falar alguma coisa até que ouviu um barulho que a fez pular com o susto e correr para dentro da cabana, mas havia um empecilho no caminho: ele. Não havia percebido isso até que bateu em seu peito que tapava a entrada da casa. Ele a segurou para que não caísse e a puxou de volta antes que atingisse o chão. Ela se segurou em seus braços que percebeu que eram fortes e musculosos. Ele olhou em volta dos dois e parecia preocupado, puxou-a para dentro e entrou na casa, apagando a vela.
– O que... – começou Elizabeth antes que ele colocasse dois dedos em sua boca para fazê-la ficar quieta.
– Shhhhh...quieta! Ele pode nos ouvir e tentar entrar aqui! – sussurrou para ela. Eles estavam bem próximos um do outro, ela com a cabeça em seu peito, porém nenhum dos dois percebeu.
– Ele quem? – ela perguntou bem baixinho.
– Deve ser algum animal, um lobo provalvemente... – ele disse e ela se apertou nele – Houve um surto ano passado deles, chegaram a matar uma mulher. Não conseguiram caçar todos, mas a maioria ou fugiu ou foi parar empalhada na casa de alguém.
Ela não falou mais nada. Ficaram um tempo assim, abraçados e com medo. Ele encostou o queixo em sua cabeça e a abraçou mais forte, foi nesse momento que eles perceberam que estavam abraçados desde a hora que a porta estava aberta. Ele se soltou dela mesmo contra sua vontade, sentia que devia protegê-la de todo o mal. O que estava acontecendo com ele? Por que estava se sentindo assim? Não é uma coisa normal gostar de alguém sem nem ao menos saber seu nome. E por que diabos ela confiava nele? Será que ninguém havia ensinado a ela que não devia conversar com estranhos e principalmente abraçá-los?
Ela também não tinha gostado dele tê-la largado e já ia protestar quando ele disse:
– Vou ver o que é que tem lá fora... – ele disse, se afastando e pegando algo em uma mesa ao lado da porta que ela não conseguiu ver.
Ela sentiu que não devia deixa-lo ir, sentia que algo estava errado. De repente, segurou seu braço e ele se virou para ela com uma expressão confusa e surpresa ao mesmo tempo.
– O que foi? – ele perguntou.
– N-não vá! – ela gaguejou.
– Por quê? Eu preciso ver o que tem lá fora para ver se consigo levá-la para casa...
– M-mas é muito perigoso! – ela disse estridente. - Você pode morrer lá!– insistiu.
– Se acalme... – ele disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha – Eu prometo que voltarei, conheço essa floresta como a palma da minha mão.
– Tome cuidado, por favor... – ela disse, soltando sua mão lentamente.
Ele saiu e ela saiu tateando pela cabana até encontrar um lugar para se sentar. Parecia uma cama, pois ela afundou um pouco quando se sentou. Engoliu em seco e sentiu borboletas em seu estômago. Aquilo era nervosismo ou era...? Não, não podia ser... Mas, e se for? Não...sua mãe havia lhe dito que quando sentia algo intenso por alguém ela saberia pois, seu coração lhe contaria e ela sentiria...
– Ai meu Deus! Eu estou apaixonada por ele! – ela disse, colocando a mão na boca. Ela se levantou, querendo que ele voltasse para lhe levar para casa.
– Apaixonada por quem? – ela deu um pulo, olhando para a porta. Quanto tempo ele ficou lá fora?
– P-p-por ninguém... – ela murmurou nervosamente, torcendo os dedos e sentindo a mão ficar gelada. Se sentia uma idiota. Se as velas estivessem acesas, ele veria que ela estava corada. Ouviu uma risada rouca vindo de onde ele havia entrado e, ao olhar, percebeu que era ele.
Ela ficou quieta, tentando ver o que ele estava fazendo. Não conseguia porque estava muito escuro e por isso, o perdeu de vista na escuridão e começou a ficar com medo. Se sentou novamente na cama e perguntou:
– O-onde você está?
A voz veio de trás dela, bem baixa e rouca. Ele estava atrás dela e disse bem baixinho em sua orelha:
– Aqui... – em um pulo, ela levantou da cama e ele desatou a rir dela.
– Por que você fez isso? Você é louco? – ela perguntou para ele, aumentando a voz. – Quase me matou de susto!
– Ai, ai, ai, ai minha barriga! – ele disse, rindo muito com a mão na barriga – M-me desculpe... – ele disse em um suspiro.
– Você já pode me levar para casa – ela disse de um jeito autoritário, cruzando os braços.
– Na verdade, eu não posso não. – ele disse se levantando da cama. Tirou o casaco e colocou-o em uma cadeira que estava perto dele. Ela olhou para ele com um olhar indagador, esperando que ele explicasse porque não podia leva-la, porém perdeu a fala ao ver seus braços destacados na camisa que usava por baixo do colete. Ele olhou para ela e percebeu que devia ter continuado a explicar – Não posso porque pode ser perigoso. Eu não sei o que é que estava lá fora e não sei se ainda está por perto. Portanto, a senhorita terá que ficar aqui até que eu diga que é seguro sair.
Ela ia protestar quando ele continuou.
– Não adianta achar ruim, você parece não conhecer essa floresta, não sabe o que tem lá fora e eu não sei que tipo de louca você é para entrar em um lugar desse, escuro e sombrio, correndo no meio da noite. – ele disse, colocando uma mão no bolso da calça e gesticulando com a outra. Ela ficou muda. – Aliás, meu nome é Robert. E o seu?
– Não irei lhe contar! Por que deveria? Não confio em você! – ela disse com a mão na cintura – E a razão de eu ter entrado na floresta não é da sua conta também! – disse, batendo o pé.
Ele deu uma risada rouca e se aproximou dela. Colocou seu cabelo atrás da orelha e sussurrou em seu ouvido:
– Eu salvei sua vida...pode mostrar só um pouco de gratidão? – ao dizer isso, ela ficou tonta. Não estava acostumada com esse tipo de coisa e, por ele ser totalmente atraente, ela ficava sem ar. Ele a soltou e ela ficou parada, o observando. – E então, vai falar algo ou vai ficar me olhando com essa cara de boba?
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