Apenas mais uma de amor
9 Dormindo com o ini...ao lado dele
Notas iniciais
Queria tocá-lo, tocar seus cabelos, seus braços. Seus rostos estavam bem próximos e ela sabia que se aproximasse alguns centímetros, eles se beijariam. Ela queria fazer isso, queria quebrar essa distância e beijá-lo. Contudo, ela nunca havia beijado alguém e não queria fazer com que esse momento mágico fosse com esse homem que conhecera a pouco tempo.
“Vamos Lizzie! Essa é a hora de você dizer algo inteligente, soltar um de seus comentários sarcásticos! Vamos, vamos!”. Ela continuou olhando-o o que pareceu ser uma eternidade até que percebeu que ele esperava uma resposta dela e que ela estava parecendo um idiota olhando para ele.
– M-meu nome é Elizabeth. – disse por fim e se afastou dele, indo para perto da cama para que seu corpo não saísse do controle e fizesse aquilo que queria. – Você poderia, por obséquio, me levar para casa? Minha família deve estar procurando por mim.
– Você é teimosa o tempo todo ou só a noite? – ele perguntou, virando as costas e acendendo a lareira. Ela bufou e se sentou na cama, afundando no travesseiro. – Já disse e não vou repetir mais, não posso te levar para casa essa hora da noite!
Ela ignorou, preferiu não responde-lo para não se estressar. Ambos ficaram quietos, ela não queria começar nenhuma conversa que terminaria em uma outra briga e ele não queria se estressar mais. Eles ficariam naquele silêncio mortal até que algum desse o braço a torcer. Ele estava sentado em uma mesa que havia ali, esperando o chá que estava preparando ficar pronto e ela acabou deitada, pensando se já haviam parado de procura-la e qual seria a reação da família quando ela chegasse no outro dia.
A água na chaleira começou a borbulhar. Elizabeth viu ele se levantar da cadeira e ir em direção da lareira. Ela não sabia que ele estava fazendo chá; e curiosa para descobrir porque ele havia levantado, se sentou na cama. Robert pegou duas canecas e as encheu com a água fervida. Ela deitou novamente, ouvindo tudo o que ele fazia. Estava cansada de toda a viagem e ainda tinha que se adaptar com a ideia de que não estaria na casa da avó para passar as férias e sim, para viver o resto de sua vida até que ache alguém que queira ficar com ela, além de ter que lidar com o fato de que seus pais haviam morrido.
Pensando em tudo isso, esqueceu de prestar atenção no que Robert estava fazendo e não ouviu ele se aproximando. Ele pigarreou e ela saiu de seus devaneios para vê-lo com uma caneca esticada para ela. Ela hesitou em pegar, e se ele colocou alguma coisa nela que fizesse mal?
– Pode pegar, não vai arrancar sua mão e também não está envenenado. – ele murmurou como se tivesse lido os pensamentos dela.
Ela pegou a caneca e deu um sorriso tímido de agradecimento. Ele a estudou com os olhos e se afastou, voltando para o lugar em frente a lareira. Ela bebericou o chá enquanto observava-o, olhando o fogo na lareira. De repente, ela se sentiu muito mal educada. Ele salvara sua vida mesmo sendo um homem muito misterioso, a levara para um lugar seguro e não lhe fizera mal em nenhum momento. Se levantou e se sentou ao lado dele. Robert olhou para ela, estranhando a ação.
– O que foi dessa vez? – perguntou na defensiva.
– E-eu... v... – ela pigarreou para que parece se gaguejar – Eu vim agradecer tudo o que fez por mim hoje mesmo não sabendo quem eu sou... – no final, ela deu um sorriso tímido.
Ele olhava profundamente seus olhos e deixou-a um pouco envergonhada, por isso, bebericou seu chá novamente. Sentia que estava sendo observada, mas se negava a olhá-lo.a
– De nada – murmurou, rouco e seco.
Ficaram por um bom tempo em um silêncio constrangedor. Nenhum dos dois sabiam como começar um conversa depois de tudo o que havia acontecido. Elizabeth, cansada do silêncio, resolveu falar alguma coisa, porém ao tomar fôlego, Robert pareceu também querer falar e os dois acabaram falando juntos.
– Por que você entrou na floresta? – ele disse.
– Você vive aqui a muito tempo? – ela disse.
Após essa tentativa de comunicação, ambos falaram igualmente:
– Você primeiro – eles riram um do outro. Parecia estranho duas pessoas que haviam acabado de se conhecer, rirem juntos do modo como os dois riam, mas quem via de longe achava que eram somente jovens conversando. Ela resolveu responder a pergunta.
– Minha irmã fugiu de mim e entrou nessa floresta, eu vim atrás para acha-la – ele a olhou surpreso – Ela deve ter escalado alguma árvore ou eu devo ter ido para o lado errado e acabamos nos desencontrando...
– Bom, eu espero que ela encontre o caminho para sair daqui e não entre tão profundamente na floresta igual a irmã dela fez – ele disse, piscando um olho para ela, que por sua vez, sentiu o coração palpitar. Ela deu um risada leve e bebeu mais do chá. Eles ficaram em silêncio novamente, porém esse não durou muito.
– Você não vai responder minha pergunta? – ela perguntou.
– Desculpe? - ele saiu de seu devaneio.
– A minha pergunta, você não vai respondê-la? – ele pigarreou antes de falar.
– Sim... – ela olhou para ele com um olhar indagador. A resposta dele podia ser usada nas duas perguntas. – Qual a sua pergunta mesmo? – perguntou, se aproximando.
– Vive aqui a muito tempo? – ela perguntou, dando uma olhada rápida na cabana.
– Não moro na cabana... – ele disse e Elizabeth ficou esperando ele terminar de responder. Ele não percebeu que ela esperava e engasgou antes de responder. – Eu só venho aqui para escapar de meu avô que enche meu saco na minha casa. Eu moro do outro lado do lago, na casa dos Westminster.
Elizabeth tinha a impressão de que já ouvira esse nome, porém não lembrava onde. Ignorou o enigma que se formava em sua mente para descobrir que família era essa. Ela deu um sorriso para ele. Depois disso, ambos terminaram o chá em silêncio. Ela bocejou, cansada e ele a acompanhou. Robert se levantou, foi em direção a um armário de madeira que tinha aparência velha, mas era bem conservado. Pegou um cobertor de dentro e foi em direção ao sofá. Elizabeth pensou que ele iria fazê-la dormir lá, porém ele se sentou e falou:
– Você pode dormir na cama ali...espero que seja confortável. – ela viu que ele tremia de frio, o cobertor não esquentava nada e ele estava longe da lareira, e o sofá parecia ser muito desconfortável. Ela olhou a cama e viu que os dois caberiam ali confortavelmente e ficariam aquecidos.
Ela se levantou e foi até cama, onde já havia um cobertor. Se sentou e olhou para ele que havia se deitado e virado para as costas do sofá. Sentindo-se culpada pela noite mal dormida que ele teria, tomou uma decisão que sabia que se arrependeria.
– Robert? – ele soltou um grunhido. – Quer se deitar aqui?
Se arrependeu de ter perguntado assim que ele olhou para ela. Ele devia ter achado que ela estava se oferecendo. Essa pergunta tinha sido muito estranha para alguém que era grosso o tempo todo. O que essa menina queria?
– Não precisa, estou bem aqui...
Ela bufou e grunhiu enquanto ele se virava. Era óbvio que não estava confortável.
– Ah vamos lá Robert! Eu sei que você não está nada confortável nesse sofá. Aqui tem espaço para ambos!
Ele observou-a, espreitando os olhos. É, ela realmente era impulsiva e louca desse modo. Ele nunca dormiria ao lado de alguém que é mais forte que ele e que poderia mata-lo, mas ela parecia decidida.
– Está bem... – ele se levantou e foi até ela, deixando o cobertor na cama. Se deitou ao seu lado sem tocá-la e virou de costas. – A propósito, pode me chamar de Rob...
Ela sorriu. Sim, ela havia se apaixonado por ele. “Tão rápido Lizzie?! Você nem o conhece!”, dizia sua consciência.
– Pode me chamar de Lizzie... – ela chegou um pouco mais perto dele, que ofereceu o braço para ela se deitar. Ele cheirava a menta e algo másculo, bem característico dele. Ela suspirou, satisfeita e ele também, apirando o cheiro de morango que exalava dela.
Não havia somente uma pessoa amando ali.
E os dois adormeceram assim.
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