Apenas mais uma de amor
1 O Começo do Fim
Notas iniciais
OBS: o primeiro capítulo não é contado da visão da principal!
Era tarde da noite e a chuva castigava lá fora. Um casal andava de carruagem em uma estrada tortuosa. Eles estavam supostamente indo para um baile ao qual foram convidados. Fazia muitos anos que não eram convidados para baile algum porque haviam feito o que seus corações mandou, porém a sociedade não via dessa forma. Richard até achou estranho quando receberam o convite depois de todo aquele tempo, ainda mais de alguém que ele julgava ser seu amigo, mas o traiu.
Marie, sua mulher, apertou sua mão e Richard a olhou como sempre olhava, como se tivesse sido a primeira vez. Estavam achando estranho o caminho que o cocheiro levava já que, Richard bem lembrava, a mansão onde seria o baile era para o outro lado. Pensou em ir falar com o cocheiro, mas esse parou a carruagem. Marie se apertou mais ao marido, com medo de que algo fosse acontecer. E as crianças? Como elas ficariam? Ela sabia que boa coisa não ia sair dali.
-Richard, eu estou com medo. — sussurrou ao ouvir o cocheiro descer do seu banco.
-Olhe para mim. - disse, pegando o rosto de sua mulher nas mãos e olhando em seus olhos azuis - Está tudo bem, ok? Eu vou descer e ver o que está acontecendo. Qualquer coisa, grite que eu volto correndo e... - ele hesitou ao dizer isso, estava temeroso que fosse verdade. Respirou fundo antes de dizer - E se acontecer alguma coisa, saia pelo outro lado da carruagem e corra atrás de ajuda, está bem?
Ela assentiu, com os olhos marejados. Não queria deixá-lo ir de jeito nenhum, queria que ele ficasse ali com ela para não ficar com medo, para se sentir protegida, para ser amada. Ao tentar sair, ela disse:
-Não! - o segurou pelo braço com seu rosto banhado em lágrimas. - Fica! Por favor, não vá ver o que está acontecendo, fique aqui!
-Eu não posso meu amor, eu preciso ver o que está acontecendo...logo eu volto e podemos continuar nossa viagem. — ele disse, segurou seu rosto e lhe deu um beijo apaixonado. Ela tentou prendê-lo para não deixá-lo ir, mas como ele era potencialmente mais forte, foi deixando-a enquanto saia da carruagem.
Mas o destino é traiçoeiro, ele não pode te ver feliz que ele já quer fazer algo para que se sinta mal. Ao sair e fechar a porta, se virou para olhar o que estava acontecendo e viu, não só o cocheiro, mas 5 homens armados esperando para que ele saísse da carruagem. Aquilo fora planejado, alguém havia contratado todos esses homens para assassinar a ele e sua mulher.
-Quem? — foi o que somente perguntou.
-Sua mãe... — disse o cocheiro com um sorriso amarelo. Richard bem que suspeitava, ela queria que não se casasse com Marie e sim com a filha dos DeLamarc, porém ele se negou a fazê-lo. — Agora, saia do caminho que não queremos machucá-lo, queremos sua mulher.
-NÃO! - gritou. Para não assustar Marie, respirou fundo e falou mais baixo. - Olha, não interessa a quantia que a minha mãe pagou, eu pago o dobro! O triplo! Mas, por favor, não matem a mãe de meus filhos...
Eles derem uma risada em uníssono. É, parecia que não iam mesmo desistir do objetivo.
-Você pode tentar nos subornar o quanto quiser, não iremos ceder. Sabemos que você está na miséria então, se nos der licença, queremos fazer nosso trabalho logo.
-Nem pensar - Richard se pôs na frente da porta da carruagem ao ver que o maior dos homens fez questão de se mover. Ele morreria, mas deixaria Marie viver. - Voc...vocês devem ter suas famílias, suas esposas...imagina o quão doloroso é saber que elas estão mortas. E os seus filhos? Hein? Pensem um pouco, eu não quero perder minha Marie...
-Você realmente acha que estaríamos aqui, no meio de noite, matando sua mulher se tivessemos família?
Richard parou para pensar. Realmente, não estariam ali no meio da noite. Estariam cuidando de sua família Sentiu seu coração disparar e sua respiração ficar mais rápida. Não, não podia perder Marie. Ela era tudo o que tinha. Tinha que pensar rápido em uma solução, muito rápido. O tempo passava e ele via que os homens estavam perdendo a paciência com ele, logo eles avançariam e não haveria quem os impedisse.
Ouviu passos atrás de si e viu que sua mulher havia saído da carruagem. Ele virou para trás, seus olhos começando a marejar, viu ela andando insegura.
-Richard, o que é isso? — perguntou quando chegou de seu lado. Ele a puxou para trás de si e disse:
-Querida, eu disse para não sair da carruagem... — foi interrompido pelo falso cocheiro.
-Ah, então essa é a querida Marie? Olá, Marie! — disse acenando com a cabeça para ela com a arma na mão.
-Quem deseja saber? — perguntou, grossa.
-O seu assassino, quem mais? — falou o menor deles, com uma voz fina.
-Bom, o papo está bom, aliás, está ótimo — disse o maior deles, olhando para Marie com um toque de desejo que fez com que Richard a aproximasse de si - Mas eu tenho hora, ainda quero ver se consigo falar com Chloe...
-É, precisamos ir então, VOCÊ — disse acenando com a cabeça para Richard - Saia do caminho para matarmos sua querida Marie e irmos para nossa casa!
-Nem pensar!
O falso cocheiro suspirou e falou:
-Está bem, você quer ir pelo modo difícil...a minha superior vai ficar furiosa. Ela bem disse que você iria se meter e que era bom ter cuidado com o menino de ouro dela, mas também falou que se necessário, eu poderia fazer algo com você então...
Ele apontou a arma para Richard, porém algo o interrompeu.
-Espera, espera, espera! - disse Marie saindo detrás de Richard que suspirou derrotado - Meu amor, vá, deixe eles me matarem — ela já chorava muito, lágrimas escorriam pelo seu rosto — Alguém precisa ficar com as crianças! Já que eles me querem, deixe eles me levarem e você cuidará das nossas crianças!
-Mas... — foi interrompido por ela que colocou o dedo indicador em sua boca, o silenciando.
-Por favor, é o melhor a se fazer... - ela sussurrou para ele - Eu te amo, muito! Não se esqueça...
-Eu também te amo e por isso não vou te deixar de jeito nenhum! — Richard bateu o pé teimoso.
-Amor, me escuta...faça isso por mim, sim? — ele suspirou enquanto chorava. Não queria deixá-la ir, era sua mulher, o amou desde o primeiro momento em que o viu. Ele assentiu, segurando seu rosto e lhe dando um beijo — Pronto, podem me matar agora...
Richard viu o maior deles apontar a arma para Marie, ela fechando os olhos e respirando fundo.
Em sua cabeça, passava a imagem das pessoas que mais amava na vida, seus filhos e seu marido. Lágrimas molhavam seu rosto e ela as limpou. Não iria fraquejar agora, teria que parar de chorar. Ouviu o barulho do tiro e estava pronta para recebê-lo, mas parecia que o destino queria levar os dois.
-NÃO! - gritou seu marido, ela abriu os olhos a tempo de ver Richard a empurrando e tomando o tiro em seu lugar. Ele caiu deitado no chão, com sangue manchando sua camisa branca com a lua refletida em seus olhos e as lágrimas secando em seu rosto.
-NÃO, não, não, não, não! Amor! - Marie se jogou em cima do corpo morto do marido. Começou a chorar compulsivamente e ouviu o grupo se aproximar deles. — Richard! Rich...por favor, não se vá!
Ela beijava desesperadamente sua boca para que ele acordasse como fazia às vezes, lhe assustando e fazendo-a ficar brava. Os assassinos ficaram comovidos com a cena, perceberam que havia amor verdadeiro ali, não era só o que sua superior havia falado. Era amor, puro e bonito.
-Me levem junto, por favor! Me levem! — ela suplicou para os assassinos que já perdiam a vontade de ganhar esse dinheiro sujo. — Por favor...eu estou pedindo de joelhos, me levem junto!
O falso cocheiro suspirou e se afastou, não queria ver o que ia acontecer. O maior, que havia já matado o homem, apontou a arma para ela contra sua vontade e apertou o gatilho.
Ao atirar, se viu pássaros voando de uma árvore não muito longe dali e todos os barulhos da floresta, como grilos e corujas, haviam parado. A cena ali era trágica.
Uma mulher, com seus 36 anos de idade e com um vestido de baile não muito luxuoso, caída morta em cima de um homem que estava chegando a casa dos 40, ambos com um tiro no coração e lágrimas a secar nos rostos.
A aliança em seus dedos dizia que pertenciam um ao outro e que, mesmo mortos, estariam juntos. Se deixaram filhos? Sim, e é agora que a nossa história começa. Será que seus filhos vão conseguir sobreviver sem seus pais que foram assassinados brutalmente? Só o destino pode lhes dizer.
Fale com o autor