Notas iniciais
Decidi postar o segundo :)

Elizabeth acordou assustada em um solavanco. Havia tido um pesadelo, no qual seus pais a deixavam no orfanato junto de seus irmãos por falta de dinheiro para cuidar das crianças. Sua família não era rica, pelo contrário, seu pai batalhava para que tivessem condições de viver adequadamente. Mas também não eram pobres, sem nem ter o que comer. Alimentar 5 filhos não era uma coisa fácil para quem não havia seguido o que a sociedade queria. Perdeu o seu status na sociedade e todos que diziam ser seus amigos haviam virado as costas para ele e fingiam que não o conheciam. Por isso, decidiu-se mudar de vilarejo e foi morar em um lugar onde ninguém sabia quem ele era e ninguém se importava com quem ele havia se casado, somente se importavam se ele era uma boa pessoa ou não. Com o tempo, foi arrumando amizades que sentia que seriam verdadeiras e percebeu que os que diziam ter sido seus amigos, eram somente pessoas interesseiras.

Um ano depois de casados, Marie deu à luz a seu primeiro filho, William que trouxe alegria a todos e se tornou um cavalheiro. E logo após ele, veio Elizabeth, Raphael, Georgine e Rosalie para completar a família. Todos tinham duas características em comum, cabelos louros iguais os de sua mãe e olhos tão azuis quanto o de seu pai que eram claros e impressionantes. Os 5 cresceram juntos e em harmonia, quase nunca brigavam e sempre ajudavam no que podiam. Não faziam a mínima ideia do que os pais enfrentaram a anos atrás e não iria ser tão cedo que ambos os contariam o que havia acontecido.

Elizabeth se assustou com um trovão que gritou lá fora e saiu de seu torpor. Era outono e grande parte do dia chovia, por isso não ficava surpresa. Pensou em ir para o quarto da mãe e lhe contar seu pesadelo, pedindo para que ela velasse seu sono, porém se lembrou de que seus pais haviam sido convidados para uma festa. Na mesma noite em que receberam o convite, brigaram. Seus filhos ficaram assustados já que era a primeira vez em anos que viam seus pais brigarem. Seu pai não queria ir de jeito nenhum, dizia que pessoas daquela “espelunca” não mereciam a presença deles já que esqueceram da existência de ambos, porém sua mãe discordava. Dizia que deveriam ir para mostrar que não guardam rancor da estupidez das pessoas. No fim, decidiram ir por insistência de Marie.

Elizabeth sorriu ao lembrar como sua mãe estava bonita, vestindo um vestido que dizia não usá-lo a tempos. Decidiu se levantar e preparar um chá para si mesma com o intuito de esquecer o pesadelo que ainda a atormentava, mas a preguiça a dominava. Estava criando coragem para levantar quando outro trovão estourou lá fora. Esse fora alto, porém não a impediu de ouvir batidas na porta. Ficou se perguntando quem diabos seria essa hora da noite. Resolveu levantar de uma vez para que não ficasse presa na cama com sua preguiça. Quem deveria ser essa hora da noite? Não era normal as visitas irem bateram nas portas dos outros essa hora da madrugada.

Saiu do quarto tentando não fazer muito barulho para não acordar nenhum dos irmãos, porém não pôde conter o grito quando viu William parado do outro lado do corredor. Ele correu até ela, colocando a mão em sua boca para que ela não acordasse os irmãos. Quando percebeu que ela não faria mais nenhum barulho, soltou-a e começou a descer as escadas para chegar a porta.

Elizabeth o seguiu, se questionando quem poderia ser essa hora da noite e o que estaria fazendo ali. Quando pisou no primeiro andar, William a encarou e ficou pensando até que sussurrou:

- Acho melhor você subir e ficar com as crianças, deixa que eu resolvo o que pode estar acontecendo. – disse, empurrando-a. Elizabeth, quando percebeu o que estava acontecendo, se segurou no corrimão da escada para que não subisse.

- Não Will, não vou subir! Eu quero saber o que está acontecendo – sussurrou de volta para ele que suspirou e largou-a. Ela quase caiu no chão, pois era ele quem estava segurando-a. Deu um gritinho quando tropeçou nos próprios pés e recebeu um olhar mal-humorado de seu irmão. Se acordado no meio da noite, ele ficava um saco.

William chegou até a porta e Elizabeth foi atrás, ficando em seu flanco e esperando que ele abrisse. Estavam preparados para que fosse seus pais ou que fosse algum saqueador, só que para surpresa de ambos, não era nenhum nem outro. Era o Coronel Livington que estava todo molhado por causa da chuva. Ambos ficaram sem ação por um segundo até que deram espaço para o Coronel entrar, Elizabeth com o rosto assustado e William com a testa franzida. Era muito, muito estranho receber visita do Coronel.

- Sente-se Coronel – disse Elizabeth, se acomodando em um poltrona ao lado de William. – Sinta-se a vontade.

Ele balançou a cabeça e se sentou no sofá de frente aos dois. Suspirou e tirou o chapéu que usava. Ele suava, mesmo a noite sendo fria e chuvosa. Ficou olhando para os dois que estavam esperando que ele falasse, medindo as palavras que sairiam de sua boca e mudariam a vida dessas pobres crianças para sempre.

- Senhor William e Senhorita Elizabeth, eu sinto muito. Chegamos muito tarde no lugar, não havia mais nada a ser feito – ele disse com um olhar pesaroso.

- O que aconteceu? Fale logo! – exigiu Elizabeth, desesperada e com lágrimas nos olhos. William passou a mão em suas costas como um gesto de afeto.

- Seus pais...e-eles estão mortos. – o silêncio predominou na sala assim como as lágrimas que começaram a cair de ambos, Elizabeth demonstrando mais sua tristeza e William somente chorando, porém também sentindo a tristeza do mundo.

Notas finais
Mereço alguma review? Algo? Um xingamento?