Notas iniciais
O terceiro :)

O mundo havia acabado para Elizabeth naquele momento. Seus pais e seus irmãos era tudo o que tinha de mais precioso e ela havia acabado de perder uma grande parte disso sem que pudesse fazer nada para evitar que isso ocorresse. Havia perdido as pessoas mais importantes de sua vida e agora só lhe restara os irmãos. O que seriam deles? Será que separariam as crianças e as mandariam para algum orfanato longe? Será que nunca mais se veriam? Ou as pessoas as abandonariam naquela grande casa para que morressem? Mil e um pensamentos se passaram na cabeça de Elizabeth, porém só um ficou: o que aconteceria com ela e seus irmãos agora?

Ela havia perdido a capacidade de falar enquanto as lágrimas rolavam pelos seus olhos inconstantemente e ela não conseguia parar de soluçar. Deitou a cabeça no ombro de William que não mostrava nenhuma reação ao o que estava acontecendo. Não se mexia e mal dava para perceber que respirava. Ela olhou para o Coronel querendo fazer uma pergunta, mas antes que pudesse falar algo, William disse com a voz trêmula:

- O-o que aconteceu?

O Coronel pigarreou antes de falar. Estava se sentindo incompetente sem poder fazer nada para confrontar aquelas pobres crianças que agora seriam obrigadas a assumirem responsabilidades e que não tinham para onde ir.

- Bom, eu ainda não sei o que realmente aconteceu já que meus homens ainda estão investigando a carruagem e os corpos, porém nosso melhor palpite até agora é que alguém quis roubar a carruagem e as jóias que pertenciam à sua mãe e seus pais devem ter reagido ao furto, tomando assim um tiro cada um.

Elizabeth havia escondido o rosto no ombro de William a partir do momento em que o Coronel começara a falar. Ele acariciava seus cachos dourados como se aquilo fosse acalmar o impacto. Ela só queria seus pais entrassem rindo na casa, falando que era uma brincadeira. Ela só queria gritar com eles de raiva mais uma vez por terem feito uma brincadeira de mal gosto. Ela só queria que depois de alguns minutos, seu pai viesse lhe pedir desculpa e prometesse que nunca mais faria isso. Ela só queria o abraço terno de sua mãe e uma beijo na testa de seu pai. Ela só os queria de volta.

- E o que será de nós agora? – perguntou William, que soou muito inseguro.

- Eu ainda não sei...amanhã procuraremos o advogado da família para que ele leia o testamento de seus pais e descubramos o que irá acontecer com vocês. Por enquanto, peço que fiquem em casa e não contem ainda para seus irmãos o que aconteceu. – disse com um meio sorriso inseguro no rosto – Deixem para dar essa má notícia amanhã de manhã, quando a tempestade baixar e vocês estiverem com a mente mais limpa para pensar. E não se preocupem, nada de mal ocorrerá a vocês. Prometo que não deixarei separá-los.

Parecia que o Coronel ouvira a mente de Elizabeth sobre o futuro dela e dos irmãos, dizendo-lhes palavras para confortá-la mesmo não funcionando muito bem. O Coronel foi se levantando e William deu um tapa de leve no ombro de Elizabeth para que ela levantasse a cabeça. Ela olhou para o Coronel com os olhos marejados e vermelhos, e um rosto molhado em lágrimas.

- Agora irei continuar as investigações crianças. Meus pêsames. Eu realmente não queria que isso tivesse acontecido. Adeus e até amanhã – disse, fazendo uma mesura para ambos que repetiram o ato.

- O-obrigada Coronel – disse Elizabeth com a voz rouca e falha.

- Obrigado, até mais – agradeceu William.

Assim que fechou a porta, Elizabeth abraçou o irmão tão forte que o sufocou. Ela desapertou o abraço quando ele começou a tossir. Chorou descontroladamente durante uns 30 minutos enquanto William fazia carinho em sua cabeça. Ele a levou até o sofá e sentou ambos ali.

- Lizzie...Lizzie – disse, pegando o rosto da irmã e levantando a altura de seus incríveis olhos azuis. – Vai ficar tudo bem, eu prometo! A mamãe e o papai não estão aqui, mas tenho certeza de que superaremos essa...

- Por favor William, não minta para mim! Eu sei que não vamos superar essa... – disse, suspirando – Tem um buraco enorme em meu peito e eu sei que há um no seu também. Não sei se conseguiremos superar essa! O que será de nós? Estamos sem ninguém no mundo!

- Se acalme, tudo dará certo... –ele disse e deitou a cabeça de Elizabeth – eu espero – sussurrou.

Os dois dormiram profundamente no sofá. Acordaram com uma batida forte na porta. Elizabeth se levantou como um raio e tirou os amassados da roupa de dormir, enquanto William pigarreava. Os irmãos ainda estavam dormindo, deixando ambos surpresos já que a noite foi cheia de raios e trovões. William foi até a porta para ver quem era e Elizabeth ficou atrás dele, olhando de soslaio.

Quando abriu a porta, tomaram um choque ao ver quem era. A última pessoa que esperavam ver no mundo estava ali e que só viram uma vez na vida. George, o primo deles estava com um olhar esnobe, parado no portal.

Elizabeth se lembrava bem dele. Tinha uma irmã chamada Jane que era sua gêmea, ambos tinham praticamente a mesma personalidade, por isso ficavam brigando muito e atormentaram a vida dos primos quando eram crianças. Lembra-se muito bem de George falando que ela era sua prometida e de logo depois, seu pai negar isso, dizendo que ele nunca permitiria que ela se casasse com um traste daquele e que ela se casaria com seu príncipe encantado. Contudo, ela não tinha mais o pai para protege-la do monstro que era George e isso a assustou muito.

- Até que enfim abriram essa maldita porta. – disse, olhando para os primos com desdém. – Vamos, me chamem para entrar.

- E-entre... – gaguejou William.

George roçou o ombro em William de propósito como se para mostrar que era melhor que ele, porém esse não se importou com o outro. Ele se sentou no sofá sem esperar ser convidado e ficou olhando para Elizabeth que estava com uma cara inchada e extremamente irritada e surpresa ao mesmo tempo.

- Isso são modos de me receber priminha? – disse, olhando-a de cima a baixo – Eu esperava algo mais...elegante.

Ela olhou para ele incrédula. Será que sabia o que havia acontecido com os seus pais?

- Então fique sentado esperando... – disse, com os punhos se fechando e pronta para avançar. William a segurou pela cintura e falou em seu ouvido.

- Não o irrite, ele pode descontar em nós. Vá se trocar e depois desça, vou ver o que ele quer e despachá-lo.

Ela somente assentiu e saiu da sala sem nem falar nada. Tinha muita coisa para pensar e pouco tempo para isso, subiu as escadas e entrou em seu quarto onde encontrou ambas as irmãs acordadas, brincando e com grandes sorrisos nos rostos. Quando entrou, as duas ficaram olhando para ela com uma incógnita na expressão ao ver seu rosto inchado e os olhos vermelhos. É, seria realmente difícil informá-las e tirar esses lindos sorrisos nos olhos.

Notas finais
Reviews :)?