Notas iniciais
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Enquanto George fuçava nos armários na cozinha tentando achar algo que o alimentasse, Elizabeth e William estava perplexos na sala. Era informação demais para digerir de uma vez só. Eles não haviam pensado que, por terem que morar com George, seriam também obrigados a morar com sua avó já que ela era a tutora dele e de sua irmã desde quando o tio deles não tinha tempo para cuidar dos dois. Lágrimas escorriam dos olhos de William quando ela olhou para ele. Ambos os olhares eram desesperados, sem nenhum sombra de boas emoções.

- O que faremos agora Will?- sussurrou Elizabeth, pegando na mão do irmão. Ele a olhou desolado negando com a cabeça e indicando que não fazia a mínima ideia do que seria deles a partir daquele momento. Ele se levantou para espairar os pensamentos, porém só ficou pior já que Elizabeth falou de novo. -Você sabe que estamos totalmente perdidos nas mãos deles, certo? Você sabe com quem eles moram, certo?

Ele suspirou, passou a mão na cabeça e bagunçou o cabelo. Parecia estressado e todas aquelas perguntas estavam deixando cada vez mais desesperado com a situação.

- Lizzie, por favor, não faça mais perguntas as quais eu não posso responder no momento -ele disse, quase gritando. Ouviram o barulho na cozinha parar como se George estivesse ouvindo o que eles estavam falando. -Eu também estou com as mesmas perguntas na cabeça, mas eu ainda estou tentando lidar com a informação que nossos pais morreram...não é fácil para mim também! E também quero saber como é que vamos contar para nossos irmãos que mamãe e papai não voltarão mais para casa...

Ela suspirou e começou a chorar. Queria que tudo isso fosse uma ilusão, que havia sido uma mentira de muito mal gosto e que logo seus pais voltariam para casa. Queia que tudo isso fosse somente um sonho e que acordaria com sua mãe acariciando seus cabelos, murmurando: "Acorda minha florzinha". Sabia que isso não aconteceria e isso tornava a verdade mais difícil de ser encarada.

William sentou-se ao seu lado e lhe abraçou de lado, confortando-lhe e chorando também. George voltou para a sala pigarreando e com um biscoito entre as mãos. Marie havia preparado-os um dia antes de irem para o baile. Quando Elizabeth viu o biscoito nas mãos do primo, quis pegá-lo e amassá-lo entre as suas. Quis bater na cara prepotente e impaciente que fazia para que ele mostrasse um pouco mais de respeito pela dor dos outros.

-Que cena mais comovente...- disse, se sentando no sofá na frente dos primos. -Parecem dois filhotinhos abandonados com medo da chuva!

Dessa vez, Elizabeth se irritou. Como ele podia ser tão estúpido em relação aos sentimentos dos outros? Não se segurou e disse:

- Você é patético, George. Foi largado para viver com a vovózinha porque seu papai não tem paciência e nem tempo para lidar com suas esquisitices. -George a olhou com uma expressão macabra, porém, percebia-se também uma certa dor por trás de seus olhar já que o que ela dizia era verdade -Na verdade, ele os largou lá porque não os ama o suficiente. Horrível ouvir a verdade né? Horrível perceber que não há ninguém no mundo que se importe com você...meus pais podem ter morrido, mas ainda tenho os meus irmãos que me dão apoio. O seu nem morreu e já abandonou a você e sua irmã!

Ele engoliu em seco, absorvendo cada palavra que saia da boca de Elizabeth.

-Acho que o filhotinho abandonado é você, não é mesmo?

Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, alguém bateu na porta, anunciando sua chegada. Elizabeth se levantou, não aguentava mais olhara para a cara do primo, enquanto William ia abrir a porta. A pessoa entrou e percebeu que havia um clima de tensão no ar. Era o advogado junto do Coronel.

-Olá crianças... -disse o Coronel, fazendo uma mesura junto do advogado.

- Olá Coronel, olá senhor...? -perguntou George.

-Senhor Yeltsen... -os três fizeram uma mesura.

Elizabeth aprumou o vestido e foi mais para o lado enquanto dizia:

-Entrem e sentem-se senhores... -tentou parecer o mais controlada o possível, porém a raiva e a dor não deixavam ela disfarçar.-Vocês desejam alguma coisa? Um chá e biscoitos?

-Não, agradeço -disseram ambos em uníssono. Eles se sentaram e o advogado tirou alguns papéis da maleta que trazia.

William, Elizabeth e George olhavam-os com indagação. Estavam curiosos para saber o que aconteceria em seguida.

- Bom, como vocês já sabem, seus pais faleceram -começou o advogado muito mal -Eles deixaram um testamento comigo que havia sido feito a muitos anos atrás e que eu lerei para vocês.

Ele pigarreou e leu:

" Queridos filhos e filhas, como devem saber, não sobrevivemos. Obviamente, não sabemos o que aconteceu."Lágrimas escorriam dos olhos de Elizabeth e William."Queremos que saibam que nós os amamos muito e que nunca os esqueceremos. Deixamos uma pequena quantia no banco, nada que vá poder sustentá-los para o resto da vida. Portanto, nós iremos deixá-los nas mãos de sua avó, a Condessa de Northwampton que os ajudará nessa nova jornada da vida de vocês. Nós sabemos que nunca a conheceram e o que falamos dela não os deixou com uma ânsia de conhecê-la, porém não há mais ninguém com quem podemos deixá-los. Não queremos que vocês morram de fome, portanto, irão morar com ela e assim que seu irmão voltar da faculdade, irão morar com ele. Assim esperamos, com muito amor e carinho. Amamos muito vocês, mamãe e papai."

No fim da carta, Elizabeth já não chorava mais. Estava designada a não sentir mais nada até que pudesse respirar o ar da liberdade e isso só aconteceria anos depois. O pior ainda estava por vir, que seria contar a seus irmãos e começar essa nova vida temporária que tinha pela frente. Estava assustada, assim como seu irmão, mas não podia fazer nada. Só rezava para que não sofresse nas mãos de sua avó.

Notas finais
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